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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Limite de endividamento dos Estados Unidos será alcançado em setembro


Jacob Lew, secretário do Tesouro norte-americano, redigiu uma carta ao Congresso afirmando que o limite de endividamento dos Estados Unidos será alcançado em setembro deste ano.

Atualmente o limite do endividamento, elevado inúmeras vezes no passado, está fixado em 16,7 trilhões de dólares. Isto significa que os Republicanos e Democratas terão mais quatro meses para negociarem um acordo que permita uma nova elevação da dívida do país.

Há pouco mais de dois meses os parlamentares norte-americanos não chegaram a um acordo para evitar os cortes automáticos no orçamento do governo federal. São 85 bilhões de dólares a menos para o governo gastar no ano fiscal de 2013. Desde então, uma série de cortes entraram em vigor, desagradando, principalmente, o FED (Federal Reserve – banco central norte-americano) que tem utilizado todos os recursos disponíveis para reaquecer a economia do país.

Mesmo com o aviso antecipado do secretário de Tesouro dos Estados Unidos, nenhum dos dois partidos (Republicanos e Democratas) demonstraram interesse em começar, desde já, as negociações para elevação do limite de endividamento. Ao que tudo indica, teremos uma nova novela no início do segundo semestre deste ano.

Os mercados foram impulsionados nesta sexta-feira pelos indicadores econômicos que vieram acima do esperado. A confiança do consumidor norte-americano subiu fortemente para 83,7 pontos, ante 76,4 pontos registrados em abril. O resultado veio bem acima do esperado pelo mercado (77,9 pontos). O indicador de antecedentes econômicos subiu 0,6% em abril, enquanto os analistas aguardavam uma alta de 0,3%.

Com agenda positiva o índice Dow Jones conseguiu cravar a quarta semana consecutiva de alta, atingindo os 15.354 pontos. Índice bastante sobrecomprado no diário e semanal, porém sem nenhum sinal de topo de curtíssimo prazo.

Dow Jones semanal

Na Europa o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em alta, já se distanciando do antigo topo histórico superado recentemente. Segue firme na tendência de alta de curto, médio e longo prazo sem sinal de reversão.

DAX

Na Inglaterra, o índice FTSE conseguiu realizar teste sobre o topo histórico na região dos 6.7k. Índice em tendência de alta. Pode-se esperar mais um rompimento histórico para o mercado financeiro nas próximas semanas.

Londres

Na Índia a bolsa de Bombay também fechou a semana em alta, colada na última resistência abaixo da região de topo histórico. Houve aparecimento de força vendedora na terça-feira, rechaçada pela força compradora nos dias seguintes, provocando fechamento semanal no azul.
   
Sensex
  
Um movimento semelhante ocorreu na bolsa de Xangai (China). O índice também conseguiu fechar em leve alta aos 2.251 pontos.

Shangai

No Brasil o índice Bovespa fechou a semana de lado, mostrando um candle de indecisão (doji), refletindo exatamente o que ocorreu durante toda a semana: mercado travado e muito disputado entre as regiões dos 54.4k e 55.2k, devido a importância técnica do ponto citado nas análises anteriores. Definição ficou para a próxima semana.


Bovespa

Bom final de semana e até segunda!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A razão da preocupação do Banco Central


O discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante o Seminário Anual de Metas para Inflação realizado hoje, mostrou uma insatisfação ainda maior da autoridade monetária com relação à inflação.

Tombini disse que “o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.

Carlos Hamilton Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central, compartilha as mesmas preocupações. No mês passado, no dia da divulgação da ata do Copom ao mercado, Hamilton fez a seguinte declaração: “gostaria de registrar que cresce em mim a convicção de que o Copom poderá ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária, da taxa Selic”.

A declaração do diretor de Política Econômica do BC foi estratégia, pois esta preocupação verbal dos diretores não estava registrada na ata do mês passado. O documento mostrou claramente que a autoridade monetária visa combater a inflação de 2014. A preocupação com o aumento dos preços neste ano não estava refletida na ata.

Mas com a demonstração recente de que os preços não estão cedendo mesmo com todas as medidas de viés desinflacionario adotadas pelo governo nos últimos meses (desonerações, intervenções e prorrogações no aumento das tarifas), os diretores do Banco Central mudaram o tom da conversa expressando uma insatisfação ainda maior para, possivelmente, justificar uma mudança de postura na próxima reunião do Copom.

Isto significa que Copom deverá dobrar a mão no aperto monetário. Ao invés de manter o ritmo de aperto em 0,25 p.p., a elevação da taxa Selic será, possivelmente, de 0,50 p.p, jogando a taxa básica de juros para os 8,00% ainda este mês (reunião do Copom será nos dias 28 e 29 de maio).

Entretanto, a preocupação maior do Banco Central, tantas vezes leniente com a inflação no passado, causa um certo mal estar no mercado financeiro. Se o Banco Central está mais preocupado agora é porque as projeções não são nada animadoras ou se esgotaram as opções de manobra (reflexo da estratégia equivocada da política econômica do governo federal).

A taxa de desemprego baixa é a variável mais importante do momento, mas o governo terá de sacrificá-la em doses homeopáticas. O mercado de trabalho extremamente aquecido funciona como um motor propulsor de inflação (generalizada) e contribuiu sensivelmente para o aumento do custo de produção.

Porém, é o mercado de trabalho aquecido que permite o sistema financeiro liberar mais crédito à população, incentivando o crescimento sustentado pelo consumo. Com o aumento da taxa de desemprego, via juros, os bancos tendem a emprestar menos dinheiro e consequentemente, a inadimplência (esta muito perigosa) aumentará.

Estes ajustes costumam funcionar quando a economia está em processo de franca expansão, o que não é o nosso caso. Estamos revertendo o vexame do ano passado, mas o PIB ainda está fraco e abaixo do potencial. O Banco Central poderia optar por não subir os juros, aguardando o melhor momento para tal. Mas os erros grotescos do passado foram se acumulando de tal forma que o próprio governo se meteu em xeque.

Já tínhamos dificuldades de crescer devido aos inúmeros problemas estruturais deixados de lado e agora ganhamos uma nova barreira ao crescimento chamada inflação, curiosamente criada pelo próprio governo. Se não reduzirmos a inflação e desaquecermos o mercado de trabalho (subindo os juros), algumas empresas perderão competitividade e fecharão as portas, provocando aumento do desemprego e redução do crescimento. Um verdadeiro convite a estagflação econômica.

Para não cairmos da corda bamba o Banco Central precisará atuar como equilibrista. Por este motivo a palavra cautela está impressa nos últimos documentos do Copom, pois não há margem para erro. O momento é delicado e os ajustes precisam ser feitos com extrema maestria. Nem muito fraco, nem muito forte.

No mercado de capitais o índice Bovespa fechou o pregão em leve baixa, ainda travado dentro da zona de congestão entre os 54.4k e 55.2k. Houve novamente uma tentativa de rompimento dos 55.2k, rechaçada pela força vendedora cerca de 300 pontos mais acima, caracterizando bull trap em posições compradas de curtíssimo prazo. Mantêm a mesma análise de ontem para o próximo pregão.

Bolsa

Nos Estado Unidos o índice Dow Jones fechou o pregão em leve baixa, embora ainda não significativa para confirmar topo de curtíssimo prazo na região dos 15.3k. Teremos esta confirmação amanhã, caso o índice feche com um novo candle de baixa.

Wall Street

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Briga continua e mercado fica travado


O movimento do índice Bovespa nesta quarta-feira acabou sendo um reflexo do que aconteceu no dia anterior. Houve uma nova tentativa de retomada 55k, rechaçada rapidamente pela força vendedora. Porém, no final do pregão, as vendas foram zeradas, provocando uma puxada rápida do índice para o campo positivo.

Com isso a Bovespa continua travada entre os 54.4k aos 55.2k, mostrando uma disputa intensa entre compradores e vendedores. A briga está sendo motivada pela importância técnica do ponto, já que abaixo dos 54.1k a tendência de alta (iniciada no mês passado na região dos 52.5k) será invalidada, provocando, consequentemente, aumento da força vendedora.

A polêmica dos alugueis envolvendo as ações da OGX ganhou repercussão na mídia. A forma como as matérias estão sendo colocadas agridem a imagem da Bovespa, o que por sua vez pressiona, indiretamente, para manutenção do limite de aluguel na OGX. Este é o fator responsável pela queda de ações alugadas desde o início da semana. Novas posições vendidas estão sendo abertas em menor volume e, em sua maioria, à descoberto.

Esta é a razão pelo qual a OGX conseguiu se destacar como o papel que mais tem contribuído para o fechamento positivo do Ibovespa nos últimos dias. Os operadores que estão apostando na queda das ações do Sr X estão abrindo posições descobertas, o que provoca uma necessidade de liquidação (compra) bem mais rápida (na maioria dos casos, no leilão de fechamento).

Ao observamos o gráfico horário do Ibovespa podemos verificar melhor a zona de congestão entre os 54.4k e 55.2k. O mercado está travado, mostrando disputa intensa entre os dois lados. O rompimento para cima forçará a liquidação de posições vendidas de curto prazo e o rompimento para baixo forçará a liquidação de posições compradas de curto prazo, indicando a próxima pernada do índice.

Gráfico horário do Ibovespa

A disputa pelo ponto técnico importante tem jogado para escanteio os indicadores macroeconômicos, ignorados pelo mercado. As vendas no varejo brasileiro caíram 0,1% em março deste ano e fecharam o primeiro trimestre de 2013 com uma queda de 0,2% sobre o trimestre anterior, mostrando fraqueza do principal setor responsável por sustentar o crescimento brasileiro nos últimos meses/anos.

Nos Estados Unidos o Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao produtor caiu 0,7% no mês passado. Este é o maior declínio desde fevereiro de 2010, demonstrando um cenário de baixa inflação no país. A produção industrial medida pelo FED caiu 0,5% no mês passado. Estes são os sinais mais recentes que indicam desaceleração na retomada do crescimento norte-americano.

Wall Street também tem ignorado os indicadores macroeconômicos ruins, o que em partes é justificado pelo otimismo provocado pelo bull market e retorno do investidor pessoa física menos experiente ao mercado.

Dow Jones fechou mais um dia em alta, entrando em região de sobrecompra no gráfico diário. Apesar da tendência de alta de curto prazo, o índice segue bastante esticado e pode estar próximo de entrar correção.


Dji