quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dupla surpresa


A quarta-feira mais importante do mês de setembro encerrou apresentando duas grandes novidades dos principais banqueiros centrais mundiais.

O Comitê de Política Monetária do BoJ (Bank of Japan - autoridade monetária japonesa) anunciou uma mudança abrupta no seu foco de atuação no mercado, reformulando significativamente sua estrutura de política monetária.

A principal taxa de juros foi mantida em -0,1%. O BoJ também continuará a comprar títulos do governo num ritmo em que o balanço de sua carteira aumente em 80 trilhões de ienes por ano (cerca de 781 bilhões de dólares).

Entretanto, a meta para a base monetária está oficialmente abandonada, o que significa que o volume de compras poderá se reduzir no futuro. Além disso, a autoridade monetária japonesa decidiu adotar uma meta para a taxa de juros futura (novidade).

A partir de agora, o BoJ vai ajustar sua estratégia de compras no mercado. O principal objetivo é forçar o deslocamento das taxas de juros dos títulos públicos de longo prazo para zero ou um pouco acima disso, impedindo, portanto, manutenção dos juros futuros em campo negativo por tempo prolongado.

Portanto, o BoJ vai controlar não só os juros de curto prazo, mas também (agora) os de longo prazo, exercendo intervenção no mercado sem precedentes na história. Os japoneses acreditam que ao perseguirem dupla meta para os juros, reduzirão com mais eficiência os custos de empréstimo, ao mesmo tempo em que permitirão alta nos rendimentos mais longos (esse, com objetivo claro de ajudar o balanço dos bancos e permitir que as seguradoras possam dar aos pensionistas melhores retornos de investimento).

A reformulação da política monetária é uma reação do BoJ frente ao tombo da taxa de juros do título soberano japonês de 10 anos para -0,28% durante o mês de julho. Pouco depois deste grande escorregão, Haruhiko Kuroda (presidente do Banco Central) alertou que a política monetária seria revisada na reunião de Comitê do mês de setembro. Dito e feito.


Nos Estados Unidos, o FED (Federal Reserve - autoridade monetária local) também decidiu manter a meta para sua taxa básica de juros inalterada entre 0,25% e 0,50%, mas revisou drasticamente suas projeções de longo prazo.

Ao contrário das últimas revisões negativas para a meta da FFR (Federal Funds Rate – taxa básica de juros), os membros do Comitê, desta vez, cortaram bem mais do que o de costume.

A mediana das projeções para a FFR em 2016 caiu de 0,9% para 0,6% em 2016. Para 2017, a projeção despencou de 1,6% para 1,1%. Em 2018, a estimativa derreteu de 2,4% para 1,9%. A primeira projeção divulgada para 2019 aponta FFR em apenas 2,6%. Para o longo prazo (além de 2019), a FFR tende atingir pico em 2,9%.


A redução drástica pode ser explicada pela expectativa de manutenção da inflação no centro da meta (2%) no horizonte relevante para a política monetária. Os membros do FED esperam que a inflação termine esse ano em 1,3%. Em 2017, a mediana de estimativas aponta inflação em 1,9%. Entretanto, a partir de 2018, a inflação para de subir e tende a se manter em 2% em todo o horizonte de projeções. O mesmo quadro ocorre nas estimativas para o núcleo de inflação.

Sem enxergar sinais de ruptura ascendente do centro da meta de inflação, nem no longo prazo, os membros do FED estão cada vez mais dovish para o futuro da FFR, o que significa elevado tom gradualista no processo de normalização da política monetária, com um aumento de 0,25 p.p. esperado para este ano e apenas dois aumentos de 0,25 p.p. para o ano que vem.

O rendimento da Treasury de 10 anos (título do Tesouro norte-americano) caiu nesta quarta-feira para 1,66%, atingindo ponto decisivo para retomada de mercado bullish.


O índice S&P500 também apresentou retomada consistente do volume comprador neste pregão, voltando a testar a linha central de bollinger, confirmando suporte de curto prazo na região dos 2,1k.


No Brasil, o índice Bovespa também reagiu para cima, trabalhando teste na linha central de bollinger, distanciando-se do principal suporte de curto prazo localizado na faixa dos 56,5k.
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

BoE aponta para novo corte na taxa básica de juros


Diferentemente da sinalização traçada pelos seus pares na Europa (BCE – Banco Central Europeu) e no Japão (BoJ – autoridade monetária local), o BoE (Bank of England – Banco Central britânico) se mostrou mais dovish na reunião de Comitê deste mês de setembro, encerrada hoje.

O Banco Central do Reino Unido vai continuar mantendo seu agressivo programa de compra de títulos públicos (no total de 435 bilhões de libras), além de manter seu novo plano de compra de 10 bilhões de libras em títulos corporativos.

A taxa básica de juros foi mantida na mínima história de 0,25% ao ano. Entretanto, em comunicado divulgado após a reunião de Comitê, o BoE afirmou ser provável que ocorra um novo corte na taxa básica de juros (para algo pouco acima de zero) ainda neste ano.

Mesmo considerando o impacto inicial do Brexit sobre a economia britânica como menos grave do que se esperava, os nove membros do BoE decidiram criar expectativa no mercado para mais afrouxamento monetário, mostrando uma postura mais agressiva do que se esperava da autoridade monetária britânica, fato que, definitivamente, não desagrada os investidores/operadores.

O BoE pode ter se incomodado com a forte desvalorização das Gilts (títulos do Tesouro Britânico) no curto prazo. O rendimento do título de 10 anos saiu de uma mínima de 0,52% ao ano no mês passado para 0,91% ao ano nesta semana. O aceno para novo corte na taxa básica de juros colabora para suavizar o movimento vendedor nas Gilts, ou mesmo forçar uma reversão na trajetória de curto prazo.


A bolsa de Londres reagiu favorável à decisão do BoE, subindo de forma expressiva, interrompendo a sequência de quedas nesta quinta-feira.


Nos Estados Unidos, o índice S&P500 também subiu forte nesta quinta-feira, mostrando reequilíbrio de forças no curtíssimo prazo.


No Brasil, o índice Bovespa subiu no pregão desta quinta-feira, acompanhando o movimento global. Mercado definiu ponto de apoio de curtíssimo prazo na faixa dos 56,5k. A manutenção dos preços acima dessa região nos próximos dias retira força da tendência de baixa de curto prazo iniciada na faixa dos 60,3k.