sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mais um empurrãozinho com a barriga


O que significa mais um empurrãozinho para algo que está rolando há tempos? O clima para aprovação da reforma da previdência no mês de fevereiro, para variar, azedou novamente. A fala de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, nesta quinta-feira, foi desanimadora. Meirelles disse acreditar que a reforma será aprovada, mas a questão é quando isso vai acontecer.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também sinalizou que a reforma da previdência está prestes a ser adiada novamente. Durante uma conferência do banco Santander em Cancun, Maia afirmou que o Legislativo não pode ter seus trabalhos paralisados caso o governo não consiga os votos necessários para aprovar a reforma em fevereiro. De acordo com os cálculos do presidente da Câmara, o número de aliados do governo caiu para cerca de 260 deputados após as denúncias contra o presidente no ano passado.

Corre rumores no mercado de que o governo pensa em suspender a votação da reforma da previdência no mês de fevereiro e retomar o assunto somente em outubro, após as eleições. Deputados que temem o efeito negativo da votação na eleição deste ano teriam mais conforto para aprovar a reforma após uma vitória nas urnas.

Não parece ser uma decisão bem pensada colocar em votação uma reforma altamente impopular justamente no momento em que a população está mais engajada politicamente, seja pela própria disputa e consequente resultado das eleições, que normalmente deixam as pessoas mais exaltadas, seja pelo discurso de campanha “paz e amor” comumente utilizado ainda na memória do povo, configurando quadro de estelionato político numa votação de ”medidas duras”, um belo impulso aos protestos de massa.

O fato é que o governo está perdido há muito tempo e não sabe o que fazer para colocar a casa em ordem, principalmente na parte fiscal. Reforça o quadro político negativo o diagnóstico da agência de classificação de risco Moody’s em relação à possibilidade de privatização da Eletrobras em 2018. Segundo relatório da Moody’s, a evolução do cenário político brasileiro pode dificultar a execução da proposta (privatização) no prazo previsto para até o fim deste ano.

Global 2047

Segundo informações do Tesouro Nacional, o governo brasileiro conseguiu captar 1,5 bilhão de dólares nesta quinta-feira na reabertura do título Global 2047. A taxa ficou em 5,600% ao ano, com um spread de 271 pontos básicos acima da referência de mercado (Treasurys – títulos do tesouro norte-americano).

Essa foi a primeira emissão externa desde o justificado rebaixamento proporcionado pela Standard & Poor’s. O Tesouro avaliou que a influência do rebaixamento na emissão do Global 2047 foi quase nula, com razão. O clima eufórico do mercado financeiro mundial é bastante favorável para captações neste momento, proporcionando taxas atrativas para os emissores de dívida. Outros países e empresas têm feito o mesmo movimento, aproveitando a janela de oportunidade criada pelo ambiente positivo.

Na emissão desta quinta-feira a taxa de 5,600% ao ano ficou menor do que a taxa praticada em 2016, aos 5,875% ao ano, quando o Global 2047 foi lançado. O spread da operação também ficou mais baixo comparado à emissão de 2016, onde o spread havia fechado em 357 pontos base acima da referência.

Novo método de cálculo na TBF

O CMN (Conselho Monetário Nacional) alterou o método de cálculo da TBF (Taba Básica Financeira), que compõe a TR (Taxa Referencial), deixando de seguir as taxas prefixadas de CDBs e RDBs, passando a seguir, a partir de 1 de fevereiro, as taxas das LTNs praticadas no mercado secundário.

Segundo o chefe do Departamento de Estatística do Banco Central, Fernando Rocha, a alteração na fórmula de cálculo da TBF não vai provocar mudança na remuneração da poupança. Atualmente, a poupança rende 70% da taxa Selic mais a TR. Na verdade a nova TR não será exatamente igual a TR antiga, pois os títulos privados precisam apresentar prêmio minimamente superior aos títulos soberanos. Mas como são títulos de curtíssimo prazo, a diferença da antiga TR para a nova TR será muito pequena.

Liquidação Extrajudicial

A agenda foi movimentada no Banco Central. Ainda nesta quinta-feira, foi decretada liquidação extrajudicial da Crediserv (Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores Públicos Municipais de Bauru).  A autoridade monetária justificou sua decisão devido ao quadro de insolvência patrimonial, violações a normas legais e riscos anormais submetidos aos credores da instituição.

China

A economia chinesa surpreendeu no quarto trimestre do ano passado ao registrar crescimento de 6,8% sobre o mesmo período do ano anterior, acima das expectativas de 6,7%. No acumulado de 2017, a China registrou PIB de 6,9% ante 2016, primeira aceleração anual desde 2010, fechando bem acima da meta de 6,5%.

Embora o ritmo da atividade tenha surpreendido em 2017, é amplamente esperado pelo mercado uma desaceleração neste ano, já que o governo está aumentando os esforços para conter riscos ao sistema financeiro e desacelerar o crescimento do endividamento.

SARB

O SARB (South Africa Reserve Bank) manteve inalterada a taxa básica de juros aos 6,75% ao ano na reunião de Comitê encerrada nesta quinta-feira. A decisão foi justificada por uma expectativa de crescimento revisada para cima em 1,4% para 2018 e 1,6% para 2019, ao mesmo tempo em que a projeção de inflação para este ano foi alterada de 5,2% para 4,9%, mostrando cenário favorável para manutenção dos juros.

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Segura os gringos


Dow Jones a 26.115 pontos, S&P500 a 2.802 pontos, Nasdaq aos 7.298 pontos. Mais um dia de máximas históricas e números psicológicos atropelados sem piedade em Wall Street, desafiando a gravidade da sobrecompra de curto prazo. Somente neste ano, essa é a sétima vez consecutiva que os três principais índices do mercado acionário norte-americano superam simultaneamente seus respectivos recordes. Se você ligar intrigado para um broker norte-americano, ele provavelmente vai lhe responder "it’s a bull market baby".

Os rendimentos das Treasurys (títulos do tesouro norte-americano) continuam respaldando o status quo do mercado: desmonte de posições em ativos considerados seguros e busca alucinante por ativos de risco. O ritmo de desvalorização na Treasury de 10 anos continua acentuado, provocando disparada na taxa, que hoje atingiu 2,57%, recorde deste ano, já se aproximando da máxima alcançada em 2017.

O dólar contra cesta de principais moedas globais renovou nova mínima nesta quarta-feira, aos 90,31, distanciando-se, para baixo, da média móvel simples de 200 períodos semanal. Para se ter uma ideia da expressividade do movimento na moeda norte-americana, o atual patamar é inferior ao importante piso de sustentação observado em 2015, 2016 e 2017.

Se ontem havia receio quanto ao “risco” de shutdown nos Estados Unidos, hoje não mais. Em mercados bull, notícias negativas possuem impacto limitado e cada pregão pode pegar fogo da noite para o dia. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira, Wall Street ferveu com investidores abrindo novas posições compradas em ativos de risco.

O famoso Livro Bege do FED (Federal Reserve – Banco Central dos Estados Unidos), divulgado hoje ao mercado, revelou que a economia norte-americana se expandiu a um ritmo modesto a moderado entre o fim novembro até o encerramento de 2017, enquanto a massa salarial continuou a crescer, mas sem ameaçar inflação, que permanece com baixo risco de rompimento ascendente do centro da meta, mesmo a médio e longo prazo, segundo as últimas projeções da autoridade monetária.

Economia em crescimento com inflação baixa, respaldada pelas projeções do FED (que apontam para um cenário de ancoragem na meta no futuro), é música para os ouvidos de um mercado bull, que ainda aguarda os reflexos positivos sobre o crescimento do forte pacote tributário aprovado no final do ano passado.

Se nem mesmo o FED demonstra se preocupar com a possibilidade de retomada da inflação, mesmo com o impacto da aceleração do crescimento sobre uma economia que opera próxima do nível de pleno emprego, o mercado, comprado, não terá muitos motivos para discordar deste diagnóstico.

A festa continua sem nenhum receio de surpresas negativas inflacionárias no futuro. O clima muito positivo de Wall Street segue contaminando as demais praças financeiras mundiais. Está difícil fazer o controle de quantas bolsas renovaram máximas históricas num único dia, seja em mercados desenvolvidos ou em emergentes.

A maré está nitidamente alta no mercado e os investidores estão surfando a onda. Esqueça o lamaçal do quadro doméstico, possibilidade de Lula condenado, só que não, mercado irracional, etc. A questão é puro e simples fluxo de capital, principalmente por parte dos estrangeiros.

Conforme levantamento arcaico de uma planilha de excel disponível para download após uma longa trilha no estável site da BM&FBovespa, os investidores estrangeiros acumulam saldo positivo (diferença entre volume comprador e volume vendedor) de pouco mais de 4 bilhões de reais somente entre os dias 01/01/2018 a 15/01/2018.


Em outras palavras, os gringos estão enchendo a lata. Considerando o curto período de tempo, o saldo comprador é significativamente expressivo para um mercado como o nosso. Não por acaso, o Ibovespa renovou máxima histórica novamente nesta quarta-feira, alcançando 81.189 pontos.

O mercado segue comprado, em onda perfeitamente surfável, mas cabe sempre ressaltar prudência e disciplina na gestão de risco em função dos elevados níveis de sobrecompra. Realizações de lucro, quando vierem, podem chegar com força, em função do elástico esticado a curto prazo.

Europa

A Eurostat mandou mais uma música para os ouvidos de Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu). A agência de estatísticas informou que a inflação na zona do euro subiu 0,4% em dezembro sobre o mês anterior. Na comparação anual, a inflação ficou em apenas 1,4%, inferior aos 1,5% registrados em novembro.

A inflação segue muito baixa e distante do centro da meta de 2% a ser perseguida pelo BCE, aliviando a pressão de curto prazo para a autoridade monetária decidir sobre os próximos passos do seu programa de compras de ativos, em fase de redução gradual de volume.

Canadá

Quase ninguém notou, mas o BoC (Bank of Canada) se viu forçado a subir sua taxa básica de juros em 0,25 p.p. na reunião de política monetária encerrada na tarde desta quarta-feira. Em comunicado, o BoC justificou a decisão de subir o juros para 1,25% ao ano devido a aceleração da inflação rumo a meta de 2% e fortalecimento do mercado de trabalho.

Segundo a autoridade monetária canadense, a economia está operando próxima de sua capacidade total, portanto, o movimento na taxa de juros tem caráter preventivo. Ou seja, subir os juros gradualmente, antes que a inflação ultrapasse o centro da meta de 2%. Importante ressaltar que as incertezas em relação ao Nafta permitem dose de gradualismo na política de aperto monetário. Assim como outros banqueiros centrais, o BoC não está com tanta pressa para subir os juros.

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