domingo, 24 de outubro de 2010

Países do G20 chegam a um acordo, será?

Ministros das finanças das 20 maiores potências econômicas do mundo chegaram a um acordo quanto a guerra cambial, mas será que esse acordo sai da teoria e vai para a prática? Não temos escolha, se ficar na teoria podemos repetir o mesmo desastre que ocorreu com a economia global nos anos 30, onde cada país - no desespero - procurava desvalorizar sua moeda para aumentar suas exportações, mas que no final das contas acabou resultando em uma redução dramática no comércio internacional aprofundando ainda mais a pior crise do sistema capitalista. Está mais do que evidente a desvalorização competitiva do dólar e do yuan, conforme podemos verificar através deste gráfico indexado da moeda americana:


A atual queda da moeda americana foi tão forte que ela está visivelmente mais aguda do que a baixa ocorrida no dólar com a recuperação das bolsas após o estouro do subprime. Mas porque os Estados Unidos fariam isso? Ora, vamos continuar injetando dinheiro em nossa debilitada economia que necessita desses incentivos e paga juro zero colaborando assim para uma fuga de capitais especulativos aos países emergentes que possuem uma taxa de juros muito mais atrativa e com isso criaremos uma bolha de ativos nos emergentes ao mesmo tempo em que desvalorizamos nossa moeda e exportamos mais. Resultado: está chovendo dinheiro nos emergentes e suas moedas estão se valorizando ao mesmo tempo em que perdem competitividade no comércio internacional.

Como a China continua manipulando seu câmbio impedindo uma valorização de sua moeda e com isso ganhando mercado para suas exportações (inclusive nocauteando muitas indústrias brasileiras que não conseguem competir com baixo preço dos produtos chineses), os Estados Unidos chegaram para reunião do G20 com a mala carregada. "Mr. China, minha moeda também está desvalorizada e vou continuar imprimindo dólar se você não parar de manipular seu câmbio e deixar o iuane se valorizar", eaí vamos fazer um acordo ou não?

Portanto o que ficou acertado na reunião é que os Estados Unidos irá valorizar sua moeda se os demais países, principalmente a China, o fizerem também evitando assim medidas protecionistas que seriam prejudiciais a todos os países. Para isso acontecer basta manter o sistema de taxas de câmbio com maior influência do mercado, que se evitem desvalorizações competitivas das moedas pelos Bancos Centrais para reduzir os atuais desequilíbrios no comércio internacional.

E o Brasil? Não tem saída, se vamos honrar o acordo o governo vai ter que reduzir suas intervenções no câmbio e deixar o mercado decidir o rumo da moeda, o que pode ser arriscado demais e ao mesmo catastrófico para a economia pois não fizemos o dever de casa da reforma tributária e reajuste fiscal.

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