quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Política fiscal e cambial, um verdadeiro ponto de interrogação

O descolamento da Bovespa com o resto do mundo já deixou de ser novidade e passa a ser rotina para os que acompanham mercado financeiro. No post de ontem relatei alguns dos motivos que, na minha opinião, estão colaborando para este descolamento. Porém o fator governo está deixando os investidores com o pé atrás, isso porque as informações estão começando a ficar desencontradas dentro do próprio governo. Está mais do que óbvio que existe uma necessidade imensa de corte nos gastos públicos, mas hoje mesmo a nossa presidente Dilma Rousseff disse não vai contingenciar o PAC, então aonde o governo irá cortar os gastos? Acho que provavelmente não cumpriremos o superávit primário este ano e a inflação continuará pressionada pela gastança do governo.

Outro fator que está pesando é o câmbio. Hoje mesmo o BC fez um leilão surpresa de swap cambial reverso (equivale a compra de dólares no mercado futuro). E o mercado não gosta de surpresas, imagine você investidor aplicando recursos em outro país, iria gostar de correr o risco de receber essas surpresinhas que afetam diretamente seus investimentos? Isso pode espantar os investidores de nosso país (será que é isso que o governo quer? espantar investimentos?).

Tudo o que o mercado quer é que o governo passe mais confiança. É necessário cortar os gastos públicos? Ok, vamos cortar XX bilhões aqui, aqui e alí. Inflação fora da meta? Ok, nossa política de aperto monetário é X e vamos fechar 2012 dentro da meta da inflação (2011 já era, deve fechar fora da meta). Câmbio? Ok, vamos interferir, mas eu vou avisar com antecedência para não te pegar de surpresa. E por aí vai...

Voltando ao cenário internacional o grande destaque do dia foi o rebaixamento do Japão pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. O rating da dívida soberana do país passou de "AA" para "AA-". Nos Estados Unidos o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu em 51 mil para 454 mil na semana encerrada no dia 22 de janeiro, resultado veio pior do que as estimativas do mercado. Mesmo assim Dow Jones não arredou o pé e fechou estável mantendo o altíssimo nível de sobrecompra e possibilidade de correção no curto prazo.


Na bolsa brasileira as operações vendedoras continuam dominando o mercado, o suporte de 68.5k foi rompido (porém no intraday deu espaço para day-trade contra-tendência em cima do suporte). O índice encontrou uma LTA de um fundo que vem dos 64k (linha azul) e também abriu possibilidade de compra no toque desta linha, mas com o mesmo objetivo de sempre, mandar pro bolso rápido antes que seja tarde demais.


Finalizando o gráfico abaixo demonstra o que vem acontecendo com os papéis de empresas menores que compõe o índice small caps. O índice perdeu a base da sua zona de congestão em 1380 pontos com um candle de rompimento de forte representatividade. Reflete o que está acontecendo com essas empresas nos últimos dias. Portanto não custa nada frizar que o foco do mercado está nas blue chips, mesmo para trades rápidos.

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