quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Dia D" no Egito coloca mercados em alerta

Sexta-feira dia 04/02/2011 é o prazo final dado à oposição para que o presidente Hosni Mubarak deixe o Egito. O clima de tensão está dominando o país, os seguidores de Mubarak (que são a minoria) estão enfrentando os manifestantes contra-Mubarak, os conflitos dos dois últimos dias deixou pelo menos 10 mortos e milhares de feridos em todo o país. O ditador egípcio disse nesta quinta-feira em entrevista à rede ABC que quer deixar o poder, mas que teme o "caos" que pode ocorrer caso ele saia imediatamente. Sinceramente acho que ele não está acompanhando o noticiário, pois o caos já está acontecendo há mais de uma semana. O mundo todo está acompanhando o desenrolar da crise no Egito e querendo ou não está afetando o desempenho das bolsas de valores, hoje os mercados fecharam de lado sem muita variação positiva ou negativa aguardando com uma certa ansiedade os acontecimentos de amanhã.

Dois brasileiros que faziam a cobertura da crise no Egito foram detidos, vendados e tiveram seus equipamentos apreendidos. Passaram a noite presos na delegacia sem água e sem comida, em uma sala sem janelas. Para serem liberados os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. Só por aí dá pra se ter uma noção de como é o atual regime político no Egito.

Voltando aos mercados, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter os juros básicos na zona do euro em 1%, para não abalar o crescimento dos países em dificuldades, o resultado veio em linha com as expectativas dos analistas. DAX (Alemanha) e FTSE (Inglaterra) fecharam perto da estabilidade. Wall Street também fechou perto da estabilidade aguardando o desenrolar da crise no Egito, Dow Jones segue levemente acima dos 12k, mas está deixando candles de indecisão em nível alto de sobrecompra. Continua em alerta para uma correção mais forte.


No Brasil, a Confederação Nacional da Indústria divulgou mais um dado ruim para o setor, 67% das empresas brasileiras exportadoras que concorrem com produtos da China perdem clientes. Com isso voltamos a bater na mesma tecla de sempre: reforma tributária, fiscal e investimentos em infra-estrutura. Aonde estão?

Olhando agora para o gráfico do Ibovespa podemos perceber que foi deixado um candle de indecisão mas que poderia ser um martelo. Porque? O mercado reverteu a queda no intraday quando foi testada a linha dos 66k, isto é, subimos praticamente 700 pontos na parte da tarde e pode haver continuação deste respiro de alta amanhã. Problema todo são os ruídos causados pelo Egito que afeta a análise no curto/curtíssimo prazo, mas no médio prazo o cenário está bem definido: queda.

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