quinta-feira, 10 de março de 2011

Avalanche de notícias negativas derrubam os mercados

Bateu em cheio uma nova onda de aversão à risco carregada de notícias ruins impactando fortemente todas as bolsas ao redor do planeta. Começando pela Ásia, a China informou hoje que em fevereiro registrou um déficit comercial de 7,3 bilhões de dólares. As exportações chinesas tiveram um aumento de 2,4%, mas as importações avançaram assustadoramente 19,4%. Seguindo a roda para o continente africano a guerra civil na Líbia está se intensificando cada vez mais com a retaliação do governo nas cidades tomadas pelos rebeldes. Subindo para a Europa a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a qualificação da dívida soberana espanhola de Aa1 para Aa2, com perspectiva negativa, devido ao alto custo da reestruturação do sistema financeiro do país, parece que existe uma dezena de bancos espanhóis necessitando de injeção urgente de capital para não quebrar.

O dia foi de notícias ruins também nos Estados Unidos. A balança comercial do país registrou déficit de 46,3 bilhões de dólares em janeiro, o Tio Sam exportou 167,7 bilhões de dólares e importou 214,1 bilhões de dólares. O dado também veio abaixo do esperado e inferior ao mês anterior. Já que estamos falando em déficit vamos para mais uma pedrada (e das violentas), o governo dos Estados Unidos registrou em fevereiro um déficit orçamentário mensal recorde de 222,5 bilhões de dólares, resultado do aumento nos gastos que ultrapassou em muito o aumento da receita (esta foi prejudicada por cortes tributários implementados no ano passado). Com essa pancada de notícias ruins Wall Street derreteu e Dow Jones foi testar a sua LTA que vem do fundo em 10k, esta linha de tendência poderá ser perdida pois o candle de baixa é expressivo e houve aumento de volume no pregão. Foi-se a linha de suporte em 12k, confirmando o nosso alertada emitido no final do mês anterior (iria segurar a baixa mas provisoriamente).


No cenário doméstico o dia não foi diferente, forte baixa no índice bovespa motivado por todos esses fatores citados acima, além das notícias internas como a poupança que fechou o mês de fevereiro com captação negativa ou mesmo padrões técnicos conforme divulgado ontem (TH é fichinha perto dos 68k). Olhando para o gráfico abaixo podemos reparar que o Ibovespa fechou exatamente na linha de suporte desta zona de congestão de curto prazo entre 66 e 68k. Mas desta vez vai ficar difícil segurar nos 66k porque a violência da queda foi bem considerável, podemos ter um estouro das bandas de bollinger (estão se encurtando rápido demais) que podem jogar o índice para a casa dos 64k se perdermos o suporte desta zona de congestão no curto prazo.


Hoje também tivemos divulgação da ata do Copom sinalizando que o rítimo de aperto monetário deverá ser mantido, o BC ressaltou que a inflação tende a permanecer acima do centro da meta nos próximos dois trimestres deste ano, voltando a se deslocar rumo ao centro da meta a partir do quarto trimestre. Por isso mesmo minha projeção para a próxima reunião do Copom é de um novo aumento em 0,50 pontos na taxa selic, apesar de que podem sair novas medidas macroprudenciais (como um aumento no compulsório por exemplo) que daria margem para subir a selic em 0,25 pontos se for o caso. Mas eu acredito na frase: "com a inflação não se brinca", e por isso mesmo acho mais prudente um novo aumento de 0,50 pontos para depois se pensar em reduzir o rítimo de aperto monetário.

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