sexta-feira, 11 de março de 2011

Desastre no Japão vai afetar economia

Um forte terremoto de magnitude 8,9 na escala Richter atingiu em cheio o litoral nordeste do Japão nesta sexta-feira, o tremor foi seguido por mais de 50 réplicas, algumas delas de magnitude superior a 6,0. Os tremores atingiram até mesmo a capital (Tóquio) localizada a 373 quilômetros de distância do epicentro. O governo japonês já assinalou que se trata do maior terremoto ocorrido no país em toda sua história. Mesmo para um país acostumado com terremotos, o desta sexta foi de proporções catastróficas devido ao tsunami que atingiu a terra, várias cidades litorâneas foram atingidas e os prejuízos são incalculáveis no momento.

Lamentavelmente esta tragédia ocorreu num momento em que o Japão estava tentando se reerguer economicamente e sua economia será abalada podendo gerar reflexos nos demais países ao redor do planeta, inclusive nos Estados Unidos. Algumas refinarias de petróleo, usinas nucleares (há inclusive vazamento radioativo em uma delas, na central nuclear de Fukushima), siderúrgicas, indústrias de eletrônicos, indústrias automobilísticas foram atingidas e estão paralisadas, um dos maiores exportadores do país (a gigante eletrônica Sony) teve que fechar seis fábricas no Japão. As exportações de veículos e autopeças serão prejudicadas, este setor tem um peso importante no PIB japonês. O setor alimentício também deverá ser afetado, principalmente porque o Japão é um grande produtor de arroz. Essa catástrofe poderá afetar a trajetória de preços do mercado de commodities que estava sinalizando inversão de tendência conforme podemos verificar no gráfico abaixo


Quando ocorreu o terremoto no Japão a bolsa de Tóquio (Nikkei) ainda estava operando, porém perto de encerrar o pregão e mesmo assim houve uma queda expressiva conforme podemos verificar no gráfico abaixo. Lembrando que o Japão já está há mais de uma década em bear market e este gráfico mostra apenas as oscilações dos últimos 3 anos, reparem que o índice também está em uma zona de congestão desde o final de 2009 dentro de uma tendência maior de baixa no longo prazo. Apesar de tudo a economia japonesa é uma das maiores do mundo (mesmo em deflação), e isso é apenas mais uma prova de que a bolsa de valores não tem obrigatoriedade de seguir a economia de seu país nem muito menos a trajetória de lucros das empresas compostas pelo índice, pois no mercado tudo pode acontecer.


Ainda na Ásia, olhando para a bolsa de Xangai podemos reparar que o gráfico semanal não deixou um candle muito bom, pode estar sinalizando topo decorrente desta última pernada de alta iniciada em 2.6k dentro de uma tendência maior de queda (conforme demonstrado pelo canal de baixa) logo abaixo.


No principal mercado europeu podemos observar que o DAX (Alemanha) pode estar entrando numa "arapuca bear". O índice está em tendência de queda há 3 semanas e deverá buscar um toque nesta LTA do fundo da crise em 3.7k no médio prazo. O problema todo é que se houver repique de alta, o DAX poderá formar o ombro de um OCO, sendo que a sua confirmação levaria os preços abaixo da linha de tendência de alta.


Em Wall Street o mercado também é de baixa, mas não está tão forte quanto o mercado europeu. Dow Jones está corrigindo com candles pequenos a puxada que se originou após o rompimento da média móvel simples de 200 períodos semanal, ou seja, ainda não houve pânico de baixa no mercado norte-americano. O problema todo é que a situação continua delicada para o índice voltar a subir e provavelmente muitos players estão aguardando um reteste usual nesta média móvel simples de 200 períodos semanal (atualmente em 10.9k) para abrir posições compradoras de médio e longo prazo.


No mercado brasileiro o índice bovespa continua dentro de uma tendência de baixa no médio prazo, sendo que no curto prazo estamos trabalhando dentro de uma congestão nervosa entre 66 e 68k com vários falsos rompimentos tanto para o lado comprador, quanto para o vendedor. Esses candles laterais de alta seguidos de baixa não são nada confiáveis e demonstram total indecisão do mercado no curto prazo. Não me arrisco a traçar uma projeção para o mercado neste cenário de curto prazo, está mais para "chutômetro" do que para análise, nesses momentos é bom ter paciência e esperar o mercado definir.


Acima de 68k a situação fica boa para os compradores, abaixo de 64k a situação fica muito boa para os vendedores (na verdade já era boa desde o final do ano passado).

6 comentários:

  1. Nossa, esse desastre natural foi mesmo um dos mais grandes do mundo, para ser mais exato o sétimo. E o maior na história do Japão. Falo tbem um pouco sobre o tema em meu blog. O Finanças Forever.blogspot....
    Forte Abraço
    Evertonric

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  2. FI,

    A coisa foi feia no Japão.
    Já a nossa bolsa, é aproveitar as baixas para aumentar posições. Isto, para o investidor de longo prazo.

    Abraço!

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  3. evertonric,

    Foi feio memos pelo tamanho do impacto, por mais que o país esteja preparado para receber terremotos e poupar vidas (ainda bem!) toda a infra-estrutura da parte noroeste do Japão deve estar prejudicada. Indústrias, rodovias, portos e aeroportos fechados e danificados vão trazer impactos econômicos não só para o Japão mas também para os demais países. Felizmente o Japão tem uma taxa de poupança interna muito alta o que permite ao paíse emitir dívida internamente, esse é um ponto positivo a ser considerado. Vou dar uma lida lá no seu blog.

    Abcs,

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  4. Jônatas,

    Correto, para o investidor de longo prazo essas baixas são boas oportunidades de aumentar posição. Porém o ideal é que as compras sejam escalonadas conforme o índice corrige, pois existe uma possibilidade de estarmos apenas no início de uma tendência de baixa mais duradoura. Para que isso não ocorra os 64k não podem ser perdidos.

    Abcs,

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  5. Gostaria de um comentário sobre a vale5, pois teve uma queda significativa e, de repente, pode ser uma oportunidade de alavancar a posição.

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