quarta-feira, 30 de março de 2011

Inflação sob controle só no ano que vem

Foi divulgado hoje pelo Banco Central o Relatório de Inflação do 1º trimestre deste ano trazendo novidades sobre a nova postura do Banco Central. A autoridade monetária deixou claro que abriu mão de trazer a inflação ao centro da meta em 2011 (4,5%) por avaliar que o prejuízo ao crescimento seria excessivo após o choque da alta dos preços de commodities no ano passado. Em outras palavras significa que o BC vai usar uma mão mais suave no combate à inflação para evitar um tranco maior na economia. Estamos diante de uma nova postura do governo, "a inflação não deve ser combatida com tratamentos de choque", a nova política é enfrentá-la com moderação para que no longo prazo, depois de todos os impactos do momento terem se arrefecido, garantir finalmente a convergência para a meta de 4,5%. Aquela promessa de tolerância zero quanto à inflação, no qual a nossa presidente Dilma Russef vem falando nas últimas semanas, está totalmente descartada. O BC vai combater a inflação sim, mas não irá adotar a devida rigidez para que ela (a inflação) não saia de controle. 

Essa postura do Banco Central está correta? Não sei, mas na minha opinião estamos brincando com fogo e subestimando os efeitos da inflação, estamos apenas no mês de Março e a meta já foi abandonada. Não seria cedo demais para tal decisão? Além disso o BC deve continuar insistindo na eficácia das medidas macroprudenciais (tal como aumento no depósito compulsório encarecendo o crédito por exemplo) em substituição ao aumento da taxa selic. Acontece que a demanda está tão aquecida que nem com um aumento no crédito o nível de empréstimos diminuiu.

O mercado agora trabalha com uma expectativa de encerramento do ciclo de aperto monetário já na próxima reunião do Copom no qual deverá ser anunciado um aumento de 0,25 ou 0,50 pontos base na taxa selic e ponto final. A bolsa subiu com  Relatório de Inflação do BC e se aproximou da famosa resistência em 68k (para efeitos técnicos são 68.200 pontos) e o cenário ficou bom para um rompimento desta zona de congestão com essa mudança de postura do Banco Central. O único viés está no câmbio, se o governo anunciar novas medidas para contenção da moeda o mercado vai tremer mais uma vez.


Nos Estados Unidos vieram boas notícias do mercado de trabalho.  Foram geradas 201 mil vagas em março, contra 208 mil postos (dado revisado) registrados em fevereiro, bons dados que elevaram as expectativas do mercado para o anúncio do payroll (relatório sobre o nível de emprego no país) nesta sexta-feira. Nova York fechou em alta, Dow Jones já está testando o seu último topo histório deste ano, poderá encontrar uma resistência nesta faixa de 12.4k. Porém continua bem projetado para manter sua tendência de alta no médio prazo.

4 comentários:

  1. FI,

    Na minha visão, conter a inflação é função básica do BC. Deveria ser a prioridade número 1 do governo.

    Abraço!

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  2. Jônatas,

    Isso mesmo. É dever do Banco Central fazer a inflação fechar na meta, mas parece que estão subestimando a inflação. Será que estão perdendo autonomia? Não sei, mas parece que a postura mudou.

    Abcs,

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