quinta-feira, 31 de março de 2011

Superávit primário anima o mercado

Conforme divulgamos ontem, só teremos inflação sob controle no ano que vem, mas foi anunciado hoje pelo Banco Central um superávit primário recorde de R$ 7,913 bilhões nas contas públicas durante o mês de fevereiro. O superávit primário é o resultado positivo das contas do setor público (exceto os juros, vamos falar disso mais pra frente), isto é, o governo gastou menos do que arrecadou no mês de fevereiro. O resultado foi impulsionado pelas contas dos governos regionais (estados e municípios), que apresentaram um superávit primário de R$ 4,708 bilhões no mês passado, mais da metade de toda a economia do governo. Este resultado positivo colabora para uma maior perspectiva do mercado de que o Copom deverá adotar uma postura mais branda na conduta do aperto monetário em sua próxima reunião, as chances de um aumento de apenas 0,25 pontos base na taxa selic aumentaram bastante. Por isso mesmo estou alterando (mesmo não concordando com esta postura do BC) minha projeção de aumento na taxa de juros que era de 0,50 para 0,25 na taxa selic, fechando o mês de abril aos 12,00% a.a.

Com toda esta euforia do mercado pelo superávit do governo os gastos com o pagamento dos juros da dívida pública ficaram de lado. Tente adivinhar quanto o governo gastou em fevereiro apenas com o pagamento de juros. R$ 10 milhões? R$ 100 minhões? R$ 1 bilhão? Nada disso, foram 19,115 bilhões! O volume foi 34% maior do que o verificado em fevereiro do ano passado, é quase a metade do que o governo está planejando para economizar durante todo o ano de 2011.

Mas enfim, o mercado deixou passar essa notícia dos juros de lado e aproveitou para engatar mais uma alta na Bovespa que finalmente conseguiu romper a sua dramática zona de congestão entre 66 a 68k. Há mais de um mês que o índice oscilava dentro deste canal estreito reduzindo bastante o spread das operações de curto prazo (quando existia spread). Agora o Ibovespa pode estar armando um pivot de alta no curto prazo para testar a região dos 70k, onde deverá encontrar nova zona pressão vendedora.


No cenário externo o tom de cautela predomina na Europa. Os juros de curto prazo da dívida pública de Portugal continuam aumentando sem parar, o bônus a cinco anos chegaram a atingir nesta quinta-feira 9,18%, isso para um patamar de país europeu com grau de investimento mais elevado que o Brasil é muito elevado. A Irlanda também chamou atenção mais uma vez, o BC irlandês realizou um teste de solidez em suas principais instituições financeiras e revelou que quatro dos maiores bancos irlandeses precisarão levantar 24 bilhões de euros. As bolsas na Europa fecharam em baixa, em Nova York Dow Jones também fechou em baixa sentindo a resistência (que já era esperada) do topo histórico na casa dos 12.4k.


Amanhá tem payroll nos Estados Unidos e os investidores preferiram adotar uma postura de cautela esperando o anúncio do relatório do nível de emprego em março deste ano.

2 comentários:

  1. Olá, hoje o ibov aproximou-se de uma ltb de curto prazo, e o governo assistindo de camarote o dolar derreter, parece receioso em tomar medidas mais duras, estou montando estratégia junto a Gerdau, esperava uma pancada maior nos papéis, más como ainda tem uns dias até a precificação vamos ver, minha expectativa está por volta dos R$ 18,00, aquele movimento que acontece muito aqui no Brasil, o papel perde importante suporte, aciona um monte de stops e no outro dia dispara, tal movimento é bem interessante pois de certa forma "limpa" o monte de ursos!!!
    Vamos ver neste final de semana, certamente a vitrine será o cambio e a vale;
    Obrigado!!!
    Ivan

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  2. Ivan,

    Isso mesmo, eu chamo de rapa stop rsrs.. isso porque as corretoras conseguem ver onde estão os stops. Daí quando o movimento é refugado pra pegar quem entrou vendido, tendo que liquidar posição pra não tomar uma ferrada maior e esta liquidação acaba impulsionando em uma alta ainda maior, como se fosse um turbo numa acelerada.

    Você acertou meu post de encerramento da semana. Assunto principal é o câmbio sem dúvida. Acho que o governo rebaixou o piso para 1,60 e se não reverter logo ele deve anunciar alguma medida. Vamos ver...

    Abcs

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