segunda-feira, 18 de abril de 2011

Maior economia do mundo em perspectiva negativa

A agência de classificação de risco, S&P (Standard Poor´s) afirmou hoje que a nota soberana de longo prazo dos EUA permaneceu em "AAA" mas a perspectiva do rating foi revista de "estável" para "negativa". Uma alteração de perspectiva para negativa é meio passo para um provável rebaixamento da nota no futuro. "Mais de dois anos depois do começo da crise recente, os formadores de política dos EUA ainda não chegaram a um acordo sobre como reverter a recente deterioração fiscal ou solucionar as pressões fiscais de longo prazo", afirmou a S&P. A dívida do governo americano está girando em torno de 14 trilhões de dólares e o défict orçamentário dos Estados Unidos está passando de 10% do PIB. São valores estrangulantes que exigem uma resposta rápida de ajuste fiscal do governo que não foi feita até hoje.

Levando em consideração que o sistema financeiro norte-americano ainda está longe de ser regulado, que a administração Obama mostrando sua incompetência para resolver problemas comuns em qualquer economia problemática tal como déficit orçamentário, desemprego e crescimento econômico, uma nota "BBB" estaria de ótimo tamanho para a maior economia do planeta. Dow Jones fechou em queda expressiva com aumento de volume, indicando que a tendência de baixa no curto prazo pode estar apenas começando.


Outros fatores também impactaram negativamente os mercados nesta segunda-feira. A China elevou os níveis de depósitos compulsórios dos bancos pela quarta vez este ano, para tentar conter a inflação. Na Europa, investidores também repercutiram declarações de autoridades econômicas da zona do euro de que a Grécia pode ser forçada a uma reestruturação de sua dívida. A soma de todas essas notícias ruins foram suficientes para derrubar o Ibovespa aos 65.4k, em uma queda de quase 2%.


O gráfico do índice está horroroso (para compradores), com uma sequência de pancadas que vem desde os 70k, não respeitando nenhuma linha de suporte nem mesmo a forte região dos 66k, que segurou o índice por mais de um mês no passado recente. As bandas de bollinger estão se abrindo dando espaço para o movimento de baixa e com isso a região dos 64k passa a ser a principal linha de suporte para evitar uma débâcle até os 60k. O nível de sobrevenda está alto e podem haver repiques, porém a tendência principal continua sendo de baixa.

Para finalizar gostaria de deixar uma observação para reflexão. Um dos ativos TOP 5 mais líquidos do Índice Bovespa (OGXP3) despenca 17% em um só dia é um péssimo sinal para a bolsa. Se força vendedora consegue derrubar um papel de grande volume financeiro dessa forma imaginem o que não podem fazer com outros papéis de liquidez menor? Isso só confirma que estamos vulneráveis a meia dúzia de grandes players no mercado.

11 comentários:

  1. O que mais me chamou a atenção: "Para finalizar gostaria de deixar uma observação para reflexão. Um dos ativos TOP 5 mais líquidos do Índice Bovespa (OGXP3) despenca 17% em um só dia é um péssimo sinal para a bolsa. Se força vendedora consegue derrubar um papel de grande volume financeiro dessa forma imaginem o que não podem fazer com outros papéis de liquidez menor? Isso só confirma que estamos vulneráveis a meia dúzia de grandes players no mercado."

    Ou então que os negociantes de OGX e outras empresas do Sr. Eike são fontes de capital puramente especulativas...

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  2. Olá Marcelo,

    Não tenha dúvidas que o capital atraído pelas empresas do Sr. Eike é quase todo especulativo. Pra mim o Eike vende vento, as empresas dele não possuem fundamento algum para justificar tal investimento.

    Mas deixando isso de lado o que assusta é a força do mercado pra derrubar um papel tão líquido quanto OGX, mesmo sendo fonte de capital especulativo. Nem no crash de 2008 ví um papel tão líquido despencar tanto em um só dia.

    Abcs,

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  3. FI,

    OGX uma empresa sem fundamento algum. Nunca comprei um ação se quer desta empresa.
    O pessoal vai muito no embalo. Da mesma forma que nada justifica tal empresa ser tão líquida, nada justifica esta queda tal brusca.

    Abraço!

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  4. Jônatas,

    Verdade, nada justifica uma empresa como OGX ser tão líquida quanto petro, vale, siderúrgicas e grandes bancos. Mas o mercado é quem decide essas coisas, não tem explicação. O que assusta mesmo é a força do mercado pra derrubar um papel que girou quase 1 bilhão em um só dia.

    Abcs,

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  5. OGX a parte, o mercado está nervoso, e vamos as compras.
    É nesta hor que eu queria poder comprar alguns papeis que me chamam a atenção.
    FI, mais um ótimo texto, gostei da parte final:"Isso só confirma que estamos vulneráveis a meia dúzia de grandes players no mercado."
    O que também tentei dizr o mesmo em meu blog no mês passado, no artigo: Os ricos manipulam o mercado?
    http://financasforever.blogspot.com/2011/03/os-ricos-manipulam-o-mercado.html
    Um forte abraço.

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  6. Cristiane Ildefonso19 de abril de 2011 18:43

    Concordo quanto a origem puramente especulativa do capital das empresas do Sr em questão mas voltando ao assunto (a vulnerabilidade a qual estamos expostos),do que temos visto até o presente momento é realmente tão surpreendente assim o acontecimento envolvendo a OGX ?

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  7. evertonric,

    Obrigado! Na verdade qualquer player quando abre posição ele "manipula" o mercado pois o volume é sempre pesado e isso causa impacto forte no book. E é claro esses grandes players vão utilizar o poder do volume ao seu favor. O que devemos fazer nessas horas é não ficar no caminho deles e de preferência pegar uma carona rsrs...

    Abcs,

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  8. Cristiane,

    Sim chega a surpreender, mas isso na verdade é apenas mais um exemplo que no mercado tudo pode acontecer. Um papel de liquidez alta cair tão forte assim é sinal vulnerabilidade, provando que isso pode acontecer em qualquer outra ação, sendo ela bem fundamentada ou não. Portanto o volume é quem manda no mercado, imagine quase 1 bilhão girando numa small/middle cap, se a força for vendedora o papel entra em crash. Mas não se preocupe que nesses casos de papéis menos líquidos quando há aumento considerável de volume as negociações são travadas e é feito um leilão no meio do pregão para dar continuidade aos negócios.

    Abcs,

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  9. Caro, se considerássemos que o mercado não é passível de influência qualquer externa, então seríamos todos “Alice’s” no mercado das maravilhas. Entretanto, se fizermos uma análise de todos os fatos de 2001 (ano inclusive marcado por diversos acontecimentos que acabaram por atropelar o mercado: a crise da Argentina, pelo desaquecimento da economia americana, pela crise política no senado brasileiro e pela crise energética e, tudo isso no primeiro semestre) até o presente momento, e os impactos disso no mercado concluiríamos sobre os terríveis desafios que se colocam para os negócios no século 21: mudanças velozes e traumáticas, oportunidades fugazes, informações incompletas e uma sensação de incerteza e de desordem por toda parte. E quando questiono sobre o fator "surpresa" no acontecimento o qual estamos abordando o faço levando-se em consideração que não devemos manter o foco tão somente ao final da história, mas aos acontecimentos anteriores - já evidenciados diversas vezes até pela revista exame, por exemplo. Quem realmente acompanha a "Guerra de Manobras" das empresas ao menos de 2001 até agora está de fato surpreso?!Creio que não.
    Sejamos sinceros, a manobra mal sucedida (me refiro ao aumento de 58,8% sobre a última projeção feita em setembro de 2009 pela consultoria DeGolyer & MacNaughton ("D&M"), em que a OGX revisa o potencial de suas reservas de 6,8 bilhões para 10,8 bilhões de barris de óleo equivalente) do Senhor "E" não seria alvo de olhares mais críticos e céticos, principalmente pelo banco de investimentos BTG Pactual, do também bilionário André Esteves (se lembra da relação entre eles?!? Eram amigos até Eike atribuir a Esteves o fracasso de uma operação que tentou costurar no fim do governo Lula: a compra da Vale, nada menos que maior empresa privada do Brasil, e isso ir parar na capa da revista supracitada) que deu o que chamaríamos de empurrão crucial se consideramos que há muito tempo tem-se uma desconfiança sobre a consistência das informações apresentadas pelo bilionário Eike Batista ao mercado de capitais.
    De qualquer forma agradeço as instruções dadas em sua resposta - sobre os mecanismos de funcionamento das negociações para este caso.

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  10. Só para validar minha linha de proposição segue uma publicação interessante. http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-da-analise-tecnica/2011/04/19/ogx-boa-noticia-significa-baixa/

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