sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pobres foram os mais afetados pela crise dos EUA

O presidente do FED (Federal Reserve), Ben Bernanke, assumiu hoje em uma conferência de desenvolvimento comunitário na Virgínia que a crise financeira norte-americana teve maior impacto sobre as famílias de baixa renda. Hoje as famílias com renda mais baixa continuam a experimentar um maior nível de desemprego do que as famílias com renda mais alta. A taxa de desemprego ainda está muito alta nos Estados Unidos (apesar da projeção de redução até o final deste ano), principalmente entre as minorias, jovens e aqueles com menos formação, ou resumindo os mais pobres. Além disso, Bernanke confirmou que a recuperação econômica nos Estados Unidos está desigual, as famílias mais ricas estão sendo as mais beneficiadas. Como se não bastasse os americanos de baixa renda ainda tem de lidar com os novos problemas da economia, tais como inflação dos alimentos e dos combustíveis.

Mais curioso ainda é que a crise foi causada pela camada mais alta da sociedade norte-americana, isto é, as pessoas mais ricas dos Estados Unidos foram as grandes responsáveis por quase falir o sistema financeiro do país. Essas pessoas continuam empregadas, comandando suas companhias e ganhando bonus milionários ano após ano, enquanto o resto do país sofreu e ainda está sofrendo com os efeitos da crise causada por eles (os americanos mais ricos do país). Já a classe média americana que está empregada é a grande pagadora de toda esta dívida gerada pela crise financeira, basta lembrar que a intervenção do governo para evitar uma quebra generalizada de empresas grandes demais para falirem foi feita com dinheiro público, assim como os programas de quantitative easing. Consequentemente gerando um tremendo déficit público que será financiado com aumento de impostos e cortes nos investimentos.

Hoje o boleto da crise norte-americna está rodando o mundo inteiro, já que os americanos injetaram liquidez absurda no sistema exportando inflação para o mundo inteiro. Uma prova disto é a queda generalizada da cesta de moedas (dólar indexado), veja logo abaixo: 


Há menos de um ano atrás o dólar indexado estava na região dos 88 pontos. Devido a injeção maciça de capital na economia (através dos programas de quantitative easing 1 e 2) a moeda simplesmente derreteu. Hoje está cotada a 73,03 próxima da mínima hitórica em 71,31 (momento em que antecedeu a crise nos Estados Unidos). Este excesso de liquidez é um dos grandes causadores da diferença de desempenho entre os mercados de países emergentes e mercados de países desenvolvidos. Inicialmente vamos observar como está o desempenho semanal do índice Dow Jones:


Tendência forte de alta há mais de dois anos, sendo que a segunda parte desta pernada de alta (iniciada na região dos 9.5k) foi fortemente influenciada pela decisão de continuação do famoso quantitative easing. Dow Jones rompeu o topo histórico em 12.4k e foi embora, próximo objetivo está na região dos 13k. Mas a partir de agora vamos ter de observar mais de perto possíveis indicadores de divergência de baixa que poderão antecipar uma correção no futuro.

Outro mercado desenvolvido, o europeu, também está mantendo a sua tendência de alta no rastro de Wall Street. O DAX (Alemanha) também rompeu o topo histórico do ano acionando mais um pivot de alta no gráfico semanal. Este mercado também deverá ser monitorado quanto ao aparecimento de futuras divergências de baixa.


Pulando agora para os mercados de países emergentes podemos reparar a diferença entre as bolsas. Na China, conforme destacava nas últimas análises, a bolsa de Xangai não conseguiu romper o gigantesco canal de baixa que já dura mais de um ano. Houve um teste e a pressão vendedora nocauteou o índice desde então. Tendência de baixa continua prevalecendo.


No Brasil, a Bovespa segue o mesmo trajeto, porém a tendência de baixa inciou-se em novembro do ano passado. Temos 3 topos descendentes e um canal de baixa formado dentro de uma congestão maior de longo prazo entre 58 e 72k. O índice trabalha abaixo da linha central de bollinger pressionado pela média móvel simples de 50 períodos e continua não passando confiança para abertura de novas operações compradas de médio e longo prazo.


Apesar de tudo, existem poucos papéis que trabalham em direção contrária ao índice, ou seja, em tendência de alta e podem ser boas opções para iniciar abertura de uma carteira de médio/longo prazo.

6 comentários:

  1. Pobre è sempre fudido em qualquer canto do mundo.

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  2. MUITO BOM SEU POST PARABÉNS!!!!!

    QUERIA CONVIDA-LO A DIVULGAR SEUS LINKS

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  3. Bom dia, uma duvida, aquela que se entende más não compreende, a petro comunicou mais um pagamento de Juros de capital próprio, R$ 0,20 por ação, que será ex-juros na data de corte, então os acionistas recebem o quê??? Se no dia a cotação faz é baixar, obrigado;
    Estou de olho nas siderurgicas, Gerdau em especial, começaram as siderurgicas asiáticas à reajustar seus produtos, muito bom pois diminui o impacto nas daqui, ggbr4 pode estar montando uma ilha de reversão, como tambem um desastre;
    Ivan

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  4. Ivan,

    Todo o pagamento de juros sobre capital próprio ou dividendos é descontado no preço do papel, é a regra, infelizmente.

    Se o mercado realmente repicar, siderúrgicas estão entre os melhores alvos para trade. Mas tiro curto, como sempre.

    Abcs,

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