quarta-feira, 25 de maio de 2011

Grécia joga as cartas na mesa

A representante da Grécia na Comissão Europeia, Maria Damanaki, resolveu enfim jogar as cartas na mesa e abrir o jogo alegando que o país poderá sair da União Europeia e voltar ao dracma (antiga moeda grega). "Ou nós concordamos com nossos credores sobre um programa de duros sacrifícios que traga resultados, e assumimos nossas responsabilidades do passado, ou voltamos à dracma. O resto é secundário nas atuais condições", disse Damanaki.

A situação da Grécia é bem complicada, sua dívida soberana é praticamente impagável e o país não tem uma economia forte e diversificada para tentar reverter este cenário. Pelo contrário, a economia grega gira basicamente em cima do turismo. Além disso o governo grego não pode contar com a poderosa arma do câmbio (desvalorizar a moeda local para ganhar competição no cenário externo) pois a moeda vigente é o euro. Nessas condições, uma renegociação da dívida grega e saída do bloco europeu pode ser um dos poucos recursos que ainda restam para evitar a quebra do país.

O grande problema de uma renegociação da dívida grega, em outras palavras leia-se calote, é a forte exposição de bancos alemães e franceses no mercado grego, um dos principais credores desta dívida. Por isso as autoridades européias estão tentando prolongar ao máximo esta renegociação de dívida para dar tempo de manobra a estes bancos, reduzindo exposição na Grécia. Mas o que chama atenção é a intensidade de queda do Dow Jones US Banks, uma provável crise financeira no sistema bancário europeu afetaria em cheio o sistema financeiro norte-americano.  O gráfico abaixo mostra o desempenho dos bancos norte-americanos (Dow Jones US Banks) nos últimos meses, queda visível e acentuada a partir de fevereiro. Podemos concluir com esta análise que no mínimo há algo de errado no sistema financeiro da matriz (Estados Unidos).


O desempenho do sistema financeiro nos Estados Unidos está totalmente divergente com o desempenho de Wall Street. Mesmo com a queda dos bancos iniciada em fevereiro, Wall Street continuou subindo levando Dow Jones, S&P500 e Nasdaq a renovarem topo histórico do ano. O gráfico abaixo é do índice Dow Jones (o geral, composto pelas 30 blue chips de Wall Street) e podemos perceber que a divergência entre os índices é gritante. Nesses momentos o investidor deve manter a cautela e analisar bem os sinais que o mercado está emitindo.


Na Bovespa tivemos mais um pregão de volume financeiro abaixo do normal. O teste nos 64k foi praticamente realizado com sucesso, conforme destacado na análise de ontem, ao tocar a região dos 63.9k. Após o teste nos 64k o mercado virou a mão no intraday e começou a cair, fechando o dia com um doji de indecisão abaixo da linha central de bollinger, deixando uma configuração propícia para o reaparecimento de ordens vendedoras. Portanto amanhã devemos ter briga boa entre força compradora e força vendedora pois o candle vai definir o rumo do mercado para curto/curtíssimo prazo.


Observação: alguns candles do Ibovespa não saíram no gráfico, o que não interferiu na análise.

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