sexta-feira, 24 de junho de 2011

A crise chegou na Itália

A crise da dívida soberana na Europa está ganhando proporções alarmantes ao mesmo tempo em que as autoridades europeias não conseguem apresentar um plano consistente para impedir uma quebra generalizada no sistema financeiro europeu. A gravidade da crise fiscal na Grécia está sendo subjugada pelo jogo político entre Alemanha, França e BCE (Banco Central Europeu), enquanto isso a crise se espalha pela periferia do continente e já estamos observando os primeiros sinais de desgaste no sistema financeiro italiano. A agência de classificação de risco Moody's colocou em revisão para possível rebaixamento o rating de nada mais nada menos que 16 bancos italianos. Os bancos podem ter seus ratings rebaixados em consequência da colocação em revisão para possível rebaixamento do rating soberano da própria Itália. É bem provável que o governo italiano não tenha condições de dar um suporte as empresas financeiras do país em uma eventual falta de liquidez no sistema.

E já tivemos uma demonstração de que as coisas não estão indo bem no sistema financeiro italiano. No pregão de hoje as negociações com ações de bancos como o UniCredit e o Intesa Sanpaolo, foram temporariamente suspensas no começo da sessão, depois de uma queda de mais de 5%. A interrupção dos negócios não foi suficiente para impedir uma derretida nos papéis, as ações do UniCredit fecharam em queda de 5,3% e as do Intesa cederam 5%. A bolsa de Milão (Itália) fechou a semana em forte baixa de 4,69%. Reparem no gráfico abaixo que o FTSE MIB (índice da bolsa de Milão) está derretendo desde o mês de fevereiro deste ano quando operava na casa dos 23k, hoje a bolsa opera na casa dos 19.1k em queda brusca nos últimos meses.


Na Grécia, apesar do acordo fechado pelo governo com a UE (União Europeia) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre um pacote de austeridade para se pagar em cinco anos (o que não vai tirar o país da situação endividada), o mercado não reagiu positivamente a este anúncio. Este acordo pavimentou o caminho para que o país receba um segundo empréstimo de emergência (extremamente necessário para a Grécia continuar pagando suas contas), mas antes o parlamento grego precisa aprovar as duras medidas de austeridade fiscais impostas pela UE e FMI como condições para recebimento do socorro financeiro.

Ao que tudo indica o parlamento da Grécia deverá votar o plano de austeridade fiscal (que inclui também aumento de impostos e privatizações) já na próxima semana, dia 29/06/2011,quarta-feira. Se o parlamento grego não aprovar o plano de austeridade a Grécia deverá entrar em default em menos de 30 dias. Reparem no gráfico abaixo como a bolsa de Atenas estava "prevendo" este colapso fiscal há muito tempo, o índice está caindo desde outubro de 2009 e já perdeu o último fundo da crise do subprime onde as bolsas foram arrasadas no mundo inteiro. Para efeito de comparação o nosso fundo da crise do subprime está na região dos 29k.


Em Wall Street os índices continuam respirando numa tentativa de se evitar a continuação da tendência de baixa que chegou com bastante força desde o topo em 12.8k no Dow Jones. A LTA (linha de tendência de alta) está sendo respeitada, agora com o segundo doji de indecisão na semana indicando exatamente essas incertezas do mercado. Apesar de tudo o MACD continuou soltando sinais de continuação da tendência de baixa, por este indicador o movimento de queda no Dow Jones pode estar apenas começando.


Na China a bolsa de Xangai fez um belo movimento de reversão de tendência no curto prazo, respeitando a região de suporte nos 2.6k e rompendo uma LTB (linha de tendência de baixa) mais rápida dentro do canal de baixa maior. Este repique de curto prazo pode jogar o índice de encontro à linha central de bollinger na região dos 2.8k. A declaração das autoridades chinesas dizendo que a inflação no país pode estar controlada animaram os investidores.


No Brasil a semana na bolsa de valores de São Paulo foi marcada por baixo volume de negociações devido ao feriado desta quinta-feira. O Ibovespa deixou um doji de indecisão acima de região dos 60k emitindo sinais de "respiro temporário". O índice de sobrevenda está em uma boa região para a bolsa engatar um repique de alta mais consistente nas próximas semanas, porém a fraqueza da parte compradora está cada vez maior, está difícil até para testar a LTB mais rápida na região dos 62.5k.


O MACD do semanal no Ibovespa está chamando a atenção. É de conhecimento de todos os leitores do Finanças Inteligentes que a Bovespa está trabalhando em uma região de congestão no longo prazo, a base mais importante desta zona de congestão está na região dos 60k. Olhando para o gráfico podemos observar que todas as vezes que a base da congestão foi testada, o MACD soltou uma divergência de baixa que foi aumentando a medida que os testes iam sendo feitos. Neste último teste recente da zona de congestão pode-se observar que o MACD além de soltar mais uma divergência de baixa entrou em região de bear market (abaixo do eixo 0) com as duas médias cortadas para venda na região bear.

Apesar de tudo não significa que o Ibovespa irá romper para baixo esta zona de congestão tão importante. Esse é apenas mais um indicador de que a situação da Bovespa não está nada boa para o médio prazo e ainda não há nenhum sinal de reversão desta tendência.

2 comentários:

  1. Acredito que a perda dos 60K será terrível para os comprados.
    E para pior, segundo a Bastter, 64% das ações do ibovespa esta abaixo da MM200.
    "Silenciosamente" USIM5 E GGBR4 estão devolvendo todo o lucro de 2009. O P\VP da USIM5 em 0,75 e o mercado sem a menor convicção de que mudará a rota atual.
    Abraços,
    Marcos

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  2. Marcos,

    Sim porque os 60k é uma linha muito mais forte do que os 57k, portanto as chances de segurar são maiores nos 60k. Se não segurar aí, a situação complica ainda mais. Tem um dado importante também, as ações que ainda se mantêm acima da mm200 são smallcaps, que por sua vez poderá entrar na fase de correção mais aguda devida as configurações gráficas do índice smallcaps. Podemos observar que a correção no mercado se iniciou pelas blue chips e agora deverá atingir as middle/small caps que estavam imunes até então.

    Abcs,

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