terça-feira, 5 de julho de 2011

Bolsa cai aos gritos de Mantega

Confirmando as expectativas do Finanças Inteligentes a força vendedora realmente apareceu no mercado nas proximidades da linha de resistência dos 64.000 pontos. Após 6 pregões seguidos de alta no índice com o dólar despencando há 5 pregões, o cenário se reverteu no mercado nacional com o câmbio fechando em alta e a bolsa fechando em baixa. A principal zona de suporte no dólar (1,55) foi respeitada aos berros do ministro da Fazenda, Guido Mantega.  O ministro afirmou nesta terça-feira que o Brasil vai continuar agindo para conter a sobrevalorização do real, estando entre as opções intervenções nos mercados futuros e de derivativos.

Mantega também procurou o jornal Financial Times para dar o seu grito ao mercado. Segundo ele, a guerra cambial ainda não acabou, o G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) ainda está muito longe de chegar a um acordo sobre novas diretrizes para o gerenciamento do câmbio, citando um exemplo da disputa entre países como os EUA e a China. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também participou do coro ao alertar as empresas sobre os riscos derivados da questão cambial. Ele lembrou que a taxa de câmbio no Brasil é flutuante... [alguns segundos de silêncio] 

Realmente, uma empresa que faz captação milionária de dólares no exterior "pode não saber que a nossa taxa de câmbio é flutuante", espetacular informação do nosso presidente do Banco Central. Obviamente captar recurso no exterior é mais vantajoso do que pagar a sufocante taxa de juros praticada na economia brasileira. Para garantir a segurança da operação de crédito realizada no exterior, basta montar o hedge da operação, garantindo um taxa segura no dólar se protegendo de uma futura elevação do câmbio.

Alertas de possíveis intervenções do governo espantam os investidores do mercado, principalmente os estrangeiros que dependem do câmbio para o sucesso da operação, não é sensato operar em um país onde as regras podem mudar da noite para o dia. Neste clima a realização de lucros na Bovespa foi forte, levando o índice a  fechar na mínima em cima dos 63k. Por enquanto não há sinal de fundo para retomada da pernada de alta iniciada em 60.5k


Dow Jones voltou do feriado em clima de ressaca, o índice praticamente não oscilou no pregão desta terça-feira, mas pode estar marcando sinal de topo após a forte puxada da ultima semana.


A notícia de que a Moody's "decepou" o rating de Portugal em 4 níveis de uma só vez pode deixar os mercados indigestos nos próximos dias. A agência de classificação de risco rebaixou a nota do país de Baa1 para Ba2, de grau de investimento para grau especulativo. Segundo a agência,  Portugal corre um risco crescente de necessidade de uma segunda rodada de financiamento oficial, ou seja, mais um novo pacote de ajuda externa. A Moody's também demonstrou preocupação na capacidade de Portugal cumprir com as metas de redução da dívida estabelecidas em seu acordo de crédito com a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional). Isso porque o país enfrenta dificuldade na redução dos gastos, na redução da evasão de impostos, na recuperação do crescimento econômico e no apoio ao sistema bancário.

8 comentários:

  1. Muito bom seu blog, passei a acompanhá-lo semana passada e não perco nenhum post seu, leitura obrigatória para todos.

    Abs e sucesso

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  2. Também nao perco uma análise, entretanto, discordo do seu ponto de vista quanto a intervencao de Mantega - acredito ser uma das obrigações de um ministro alertar o mercado sobre a volatilidade do mercado, pois recentemente, empresas brasileiras foram para o ralo por causa de especulação cambial. Além disso, o país nao pode ficar de braços cruzados vendo o câmbio se apreciar com grandes prejuízos para a indústria brasileira, além do grande risco do aumento do passivo externo. Um abraço

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  3. Anderson Lima,

    Obrigado! A intenção do blog é ajudar, tudo que consigo extrair do mercado escrevo aqui no blog.

    Abcs,

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  4. Anônimo,

    Gosto quando aparecem opiniões diferentes da minha, assim enriquecermos o debate e agregamos conhecimento. Concordo que o Ministro deve alertar o mercado neste ponto, mas na minha opinião o que estão fazendo não é alertar e sim jogar "terror" na intenção de segurar o dólar no grito. Veja bem, o Mantega declarou que pode haver intervenções do governo no mercado, alterar as regras, etc. em pleno seminário para investidores estrangeiros! Soou como uma anti-propaganda ao Brasil. Como um investidor vai entrar com capital no Brasil (exceto aquele especulativo) sendo que o governo avisa que pode interferir e/ou mudar as regras do jogo? O mercado não gosta dessas incertezas e intervenções, o mercado quer ver um planejamento, uma certeza de que um trabalho esteja sendo bem feito visando o longo prazo. Isso nós não temos, olhamos apenas para o presente e esquecemos o futuro.

    O câmbio baixo sem dúvida é péssimo para a industria brasileira, justamente porque nossa indústria não é competitiva. O custo Brasil é altíssimo, carga tributária alta, capital de giro apertado e caro, péssima infraestrutura fraca para escoar produção, etc. Não fosse por estes problemas o nosso câmbio poderia estar até mais baixo do que os atuais 1,55 que não iríamos perder mercado no cenário externo. O pior é que estamos perdendo mercado dentro do nosso próprio território.

    Abcs,

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  5. A taxa de câmbio no Brasil é flutuante.
    E as normas ...

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  6. Concordo que o planejamento de longo prazo é importante, mas nós sabemos que a economia é dinâmica exigindo medidas corretivas para evitar desastres na economia. Quem sabia que os EUA ia colocar quase 2 trilhoes de dolares no mercado? Além disso, me parece que o governo está tributando o capital especulativo, o IE está fora do aumento do IOF. Mas, sabemos que os bancos estao driblando as restricoes e colocando como IE dinheiro para RF e açoes.
    Acho que o controle do cambio é importante e um cambio valorizado atrapalha qualquer industria, mesmo aquelas cujo custo é menor que a brasileira, senao nao teria sentido a luta pelo cambio entre EUA x China. Abracos

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  7. Gil Rodrigues,

    Norma é o que não falta, mas a efetividade delas deixam a desejar.

    Abcs,

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  8. Anônimo,

    É fácil esquivar desta tributação do governo, uma delas é o capital estrangeiro especulativo entrar como IE, outra forma é entrar comprando ações na bolsa (pagando um IOF bem menor), liquidar a operação e transferir o recurso pra RF.

    Eu trocaria a palavra controle do câmbio para monitoração do câmbio. Acho que o governo deve exercer o mínimo de influência possível no mercado e na economia. Aliás não dá pra desafiar o mercado, a queda do dólar em grande parte vem de operações de venda na BM&F, se o mercado quer derrubar a cotação não há BC que segure.

    Curioso é que os investidores entram vendendo dólar sabendo que tem o BC pra comprar lá em baixo. Essas compras de dólares do governo indiretamente acabam respaldando as operações de venda.

    Acho que a luta entre EUA x China tem sim a questão do câmbio. Mas engloba outros fatores, como exportar inflação para China, criar bolhas e desvalorizar as reservas(a China é a maior detentora de títulos americanos no mundo).

    Muito boa a discução

    Abcs!

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