quarta-feira, 6 de julho de 2011

Euro tem prazo de validade

A União Europeia está passando pela pior crise desde a criação do euro em 1999. Três países já tiveram que recorrer à pacotes de ajuda para não ter que declarar default, Grécia, Irlanda e Portugal. Mesmo com o auxílio externo, esses países continuam tendo dificuldades para manter suas contas públicas em dia. A grande maioria dos países da periferia européia estão passando por sérios problemas fiscais, justamente porque gastaram demais no passado recente (déficit orçamentário, gastar mais do que se arrecada) e com isso aumentaram o percentual da dívida em relação ao PIB, chegando a níveis impagáveis como o da Grécia por exemplo.

Com os déficits estourando em todos os cantos da periferia européia a confiança do mercado vai por água abaixo, as instituições começam a duvidar se os países serão capazes de honrar com seus compromissos ao longo do tempo. E todos nós sabemos que a confiança é base de qualquer sistema financeiro, os investidores precisam estar confiantes para comprar recebíveis de longo prazo, títulos bancários, títulos da dívida pública, etc. Quando a economia de um país vai bem e o governo transmite confiança ao mercado ele "indiretamente está dizendo" que será capaz de honrar com seus compromissos no futuro e com isso acaba atraindo muitos investidores para comprarem sua dívida. E o que acontece quando a demanda pela dívida é maior do que oferta do país? Os rendimentos dos títulos públicos começam a cair, justamente porque a dívida é boa e muitos investidores estão dispostos a comprar. Mas e o inverso, o que acontece?

 
O gráfico acima ilustra muito bem o que ocorre em uma situação inversa. Quando a desconfiança aumenta os títulos da dívida pública de um determinado país começam a disparar. Este gráfico representa o bônus da dívida pública de 5 anos da Irlanda, os títulos simplesmente disparam este ano devido as incertezas quanto à solvência do país. Mesmo com o socorro financeiro da UE (União Européia) e FMI (Fundo Monetário Internacional), a Irlanda ainda passa por sérios problemas fiscais e o seu sistema financeiro continua na corda bamba.

Os títulos da dívida portuguesa de 5 anos também estão disparando conforme podemos observar no gráfico abaixo. O bônus já passa dos 15%, é um custo de capital muito alto para os padrões europeus. Para se ter uma idéia o bônus da alemanha de 5 anos está em torno de 2%, discrepância enorme em relação a Portugal. O rebaixamento do rating pela Moody's complicou ainda mais a situação do país no mercado, captar recurso privado no mercado tornou-se impraticável.


Os títulos públicos estão em níveis de crash, os países problemáticos passam a depender cada vez mais dos empréstimos vindos do BCE (Banco Central Europeu). Acontece que o BCE não tem caixa para financiar estes países eternamente, se a situação na Europa não se reverter nos próximos meses vai chegar uma hora que a liquidez no sistema irá secar. Sem liquidez o crédito fica escasso e os países serão obrigados a se reestruturarem (leia-se calote). A Grécia seria (ou melhor, provavelmente será) o primeiro país a declarar default na Europa, nesse cenário só com a dívida grega a França irá tomar um calote de 56 bilhões de dólares, Alemanha 33,9 bilhões de dólares, Inglaterra 14,6 bilhões de dólares, Estados Unidos 7,3 bilhões de dólares e por aí vai. 

Quando isso vai acontecer? Impossível de prever, pode ser em 2012, 2013, 2014. Por enquanto o que sabemos é que a primeira peça do efeito dominó chama-se Grécia. Portugal, Irlanda, Espanha e Itália estão no pelotão de frente e o euro é a última peça deste imenso dominó que está prestes a desabar chamado União Européia.

Voltando para a bolsa de valores, o dia foi de baixa oscilação em Wall Street que operou mais uma vez com volume abaixo da média. Dow Jones reverteu o sinal de topo do último pregão e fechou o dia em alta mantendo a abertura da banda superior.


Na Bovespa não houve novidades no pregão. O índice está mantendo o movimento de queda iniciado nos 64k e pode testar a linha central de bollinger na região dos 62k. O cenário continua incerto e na visão do Finanças Inteligentes o risco x retorno está muito alto para se operar na compra, inclusive para trades rápidos.

4 comentários:

  1. Num primeiro momento, o crash do Euro seria desastroso, mas penso eu, que futuramente, seria a melhor das opções para todos, principalmente para os países mais afetados, que poderiam fazer o que a China faz com sua moeda, desvalorizando-a perante o dólar, com isso, reaqueceria suas economias e a indústria seria competitiva novamente.

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  2. Anderson Lima,

    Sim seria muito desastroso. Pode-se pensar em organizar este crash para daqui a 3 ou 4 anos, que seja uma saída organizada sem gerar efeitos catastróficos no mercado. O problema dos países periféricos em sair da zona do euro agora é o efeito do câmbio, a moeda anterior ao euro pode virar pó. Ao mesmo tempo em que, para estes países, permanecer na zona do euro não vai melhorar a situação, não dá pra usar a impressora e imprimir dinheiro, não há taxa de juros própria, não há câmbio para desvalorizar.

    Situação para os próximos anos muito está muito complicada, não há muito o que fazer e não ser reestruturar. Se for feito de uma forma organizada será menos doloroso.

    Abcs,

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  3. Mas ae que está, não sei onde li, mas diziam que se o crash viesse numa paulada só, seria muito menos doloroso do que em doses homeopáticas, que seria até saudável deixar a Grécia quebrar, vide que a ajuda a Grécia, é como atestar ajuda a todos os outros países que por ventura, necessitarem de resgate, e como bem sabe, vai faltar dinheiro para todo mundo.

    Só espero e muito que essa situação se resolva da melhor forma possível, infelizmente, o remédio será muito amargo de qualquer jeito.

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  4. Anderson,

    Algumas pessoas defendem isso, se é pra quebrar que quebre logo. Mas na minha visão não acho uma boa idéia deixar a Grécia quebrar agora, justamente porque os bancos estão com alta exposição na dívida soberana grega e isso arrasaria o sistema finandeiro europeu. Além de gerar um efeito dominó no continente, um a um os países iriam declarar default. Dinheiro pra todo mundo realmente não tem, mas tempo para organizar um calote eles podem ter, tudo para não sacrificar tanto o sistema financeiro.

    É sinuca de bico mesmo, remédio amargo, situação insustentável no longo prazo. Em alguns anos a bomba vai estourar na mão de alguém.

    Abcs,

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