segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sensacionalismo desnecessário

Há mais de uma semana a mídia internacional está aterrorizando o mercado com manchetes sensacionalistas e desnecessárias quanto ao impasse na elevação do teto da dívida norte-americana. Como há uma disputa política entre Democratas e Republicanos visando as eleições do ano que vem é perfeitamente normal acontecer este impasse entre os dois partidos, mas ao ler as manchetes dos principais jornais mundiais parece que estamos perto do fim do mundo. Essas notícias sensacionalistas acabam assustando o investidor que vende ativos de risco (vide queda nas bolsas mundiais) e corre para aplicações mais seguras, como o ouro por exemplo, que bateu novo recorde de alta.

É totalmente fora de cogitação pensar que os Estados Unidos deverão dar um calote na dívida, não faz sentido um país que tem a moeda de reserva mundial não honrar com os seus compromissos. Os americanos tem a impressora do dólar e mais ninguém, são eles que possuem o controle da moeda, se querem "fabricar" dinheiro podem fazer isso "da noite para o dia". A questão crucial não é o aumento do teto da dívida norte-americana (que deverá ser concretizada, outras elevações já ocorreram diversas vezes no passado), mas sim a redução do déficit do país que está muito alto. Há também um impasse muito grande sobre os cortes de impostos, importante jogada política para as eleições de 2012.

Enquanto durar esse impasse político a mídia continuará bombardeando a mente dos investidores com notícias sensacionalistas. Um calote dos Estados Unidos traria sérias consequências para o mundo inteiro, várias economias poderiam cair em uma dura recessão (pior até mesmo do que a de 2008), os mercados seriam arrastados para um doloroso bear market, o Ibovespa por exemplo não se sustentaria acima dos 29k, ou seja, é um cenário bastante improvável. Recomendamos também ler novamente o artigo: "Especuladores querem o quantitative easing 3"

Dow Jones fechou em baixa renovando mínima, testando a média móvel simples de 50 períodos e linha central de bollinger, confirmando as projeções feitas pelo Finanças Inteligentes na semana passada. O resultado do teste de estresse dos bancos europeus acabou contribuindo para o clima de pessimismo em Wall Street, já que o teste não foi tão rigoroso quanto deveria. O índice continua muito volátil e chegou perto de um ponto de definição no curto prazo.



Na Bovespa a situação continua caótica. Já são 8 meses seguidos de mercado vendedor, com topos e fundos descendentes bem desenhados e congestão facilmente estourada nos 60.000 pontos. A esperança para o fim da tendência de queda está na frágil linha de suporte em 57.6k. Oportunidades para compra poderão surgir ao longo desta semana já que a sobrevenda continua alta, porém deve-se priorizar o lucro mesmo que pequeno, pois o mercado não está permitindo manter posições compradas por muito tempo.



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