quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cheiro de recessão no ar

Indicadores fracos sobre a economia norte-americana, preocupações sobre a situação dos bancos europeus (este problema foi denunciado dia 05/08/2011 no artigo "Liquidez já atinge bancos europeus" ) e a ingerência política na Europa e Estados Unidos para resolverem o sério problema do déficit fiscal estão alimentando a fuga em massa das bolsas de valores no mundo inteiro. A ordem é fugir do risco e correr para ativos de segurança, esses movimentos estão sendo constantemente denunciados aqui no Finanças Inteligentes. O ouro fechou o dia com mais um novo recorde de alta aos 1.820 dólares a onça. No mercado de títulos do tesouro americano, o rendimento da nota de 10 anos caiu para menos de 2% durante o pregão, pela primeira vez desde 1954, mostrando forte demanda do mercado para comprar treasuries. Mesmo com o rebaixamento do rating pela S&P, os títulos públicos americanos continuam sendo visados como ativos de segurança, há pouca opção de fuga no mercado.

Declarações do ex-presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, afirmando que a União Europeia está à beira do precipício assustaram os mercados, principalmente os europeus. Os motivos citados por Jacques Delors estão em linha com uma análise que fizemos no dia 06/07/2011: "Euro tem prazo de validade". As ações de grandes bancos europeus foram duramente penalizadas no pregão desta quinta-feira, o Commerzbank, RBS, Barclays, Société Générale e Dexia fecharam acima dos 10% de queda.

Nos Estados Unidos o Federal Reserve de Filadélfia jogou um banho de água fria no mercado anunciando que o seu índice de atividade industrial caiu para -30,7 em agosto, ante de 3,2 em julho. A queda foi assustadora mostrando forte retração na atividade industrial, alimentando o temor de recessão. As vendas de imóveis residenciais usados nos Estados Unidos também colaboraram para o clima de tensão quanto à economia do país, as vendas encolheram 3,5% em julho e atingiram o menor nível deste ano. Com tantos dados negativos, Wall Street derreteu nesta quinta-feira, o índice Dow Jones caiu com aumento de volume, caracterizando um topo descendente no curto prazo, exatamente na região que havíamos relatado no início desta semana, os 11.6k.


Morgan Stanley e Goldman Sachs revisaram para baixo suas respectivas estimativas sobre o crescimento da economia mundial, diante dos indicadores fracos sobre o PIB do segundo trimestre divulgados pelos Estados Unidos e países europeus. Menor projeção de crescimento mundial gera um impacto imediato sobre as empresas brasileiras exportadoras de commodities. O Ibovespa fechou em baixa de 3,52% confirmando a resistência na região dos 55k, configurando um topo descendente no curto prazo. Próximos suportes estão na faixa dos 52k, 50k (psicológico) e 47.8k.

3 comentários:

  1. Sinceramente uma das melhores explicaçoes sobre o que esta ocorrendo no mundo financeiro .Agradeço muito pelos seus posts de excelente qualidade e de facil leitura.Parabens pelo , sem duvidas nenhuma , grande site.

    ResponderExcluir
  2. arriscatudo,

    Obrigado! Eu é que agradeço pelos elogios. Tento apenas escrever um pouco do que eu sei, vivendo e aprendendo sempre!

    Abcs e bons negócios

    ResponderExcluir
  3. FI, tudo indica que esta crise será lenta, longa. Diferente da de 2008 que foi rápida.

    Abraço.

    ResponderExcluir