terça-feira, 30 de agosto de 2011

FED puxou o gatilho mas não disparou

A ata do FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos) divulgada hoje, referente à reunião da última sexta-feira em Jackson Hole, revelou que a autoridade monetária cogitou em utilizar o quantitative easing 3. Os membros do FED debateram e se mostraram divididos sobre as opções que ainda restam para estimular a fraca retomada econômica do país, esta discordância dentro do próprio FED acaba demonstrando que há poucas cartas na mesa e a eficácia das mesmas são duvidosas.

Três dos dez votantes discordaram da decisão de comunicar publicamente os planos do FED de manter a taxa de juro perto de zero por mais dois anos. É uma política expansionista que não está causando efeito desejado na economia desde o estouro da crise em 2008, o desemprego nos Estados Unidos deverá se manter em patamares elevados por pelo menos mais um ano (em uma visão bastante otimista).

Criou-se então uma expectativa no mercado para que algum programa de afrouxamento monetário (provavelmente um quantitative easing 3) seja anunciado pelo FED no mês de setembro. Se este fato realmente se configurar o FED estará alimentando mais uma vez a fome por dinheiro de Wall Street. Evidentemente o problema não está na liquidez dos mercados, já que os grandes bancos e empresas privadas estão montados em cima do dinheiro. O epicentro desta crise é o Estado que atingiu em cheio a confiança do mercado, mas não será desta forma que a mesma será retomada.

Os índices de confiança continuam caindo no mercado. Na zona do euro, o índice de sentimento econômico caiu para 98,3, ante 103 pontos do mês passado, é a pontuação mais fraca em 17 meses. Nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor despencou para 44,5 em agosto, ante 59,2 pontos em julho. Este é o resultado mais fraco desde abril de 2009.

O índice Dow Jones tentou ensaiar um rompimento na linha dos 11.6k mas Wall Street perdeu força no final com baixo volume de negócios. A resistência nos 11.6k foi mantida e o índice fechou com um spinning top, este cenário não inspira confiança para abertura de novas posições compradas no curto prazo.


Na Brasil, a bolsa continua comprando a expectativa de corte na taxa básica de juros a ser divulgada nesta quarta-feira dia 31/08/2011. Hoje foi a vez da presidente Dilma Russef expressar sua influência (ooops.., opinião) ao dizer que "elevar o superávit abre espaço para corte na taxa de juro". Sem dúvida é um grande passo para redução da taxa selic no longo prazo, mas conforme mencionamos na análise de ontem, não há espaço para cortes na taxa de juros este mês.

O índice Bovespa acionou pivot de alta ao romper a resistência dos 55k, o volume não foi digno de rompimento, muito menos o candle (spinning top). Por isso mesmo necessita de confirmação amanhã, se conseguir se manter acima dos 55k será o primeiro passo para fazer um reteste na região dos 57.6k (base da congestão de longo prazo).

6 comentários:

  1. Boa noite,
    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo seu blog. Sempre leio seus posts ao chegar da faculdade.
    Você comentou sobre a possível permanência dos juros praticamente zero, nos próximos anos, nos Estados Unidos. Se aqui no Brasil, uma das medidas para tentar conter a inflação é, justamente, a alta da taxa de juros, como que países, ditos desenvolvidos, conseguem conter suas inflações com uma taxa de juros praticamente inexistente?

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  2. Anônimo,

    Ótimo questionamento!

    Primeiramente a cultura financeira da população nos países desenvolvidos é diferente da brasileira por exemplo, eles investem mais (aumentando a taxa de poupança interna do país), controlam os gastos e tem uma melhor educação financeira. Por isso hipoteticamente é fácil controlar a inflação com juros de 4 ou 5% ao ano. Como a crise de 2008 afetou em cheio os países desenvolvidos, os bancos centrais tiveram que jogar a taxa de juros em zero pra salvar suas economias de uma bancarrota no sistema financeiro. No caso dos Estados Unidos o baque foi tão grande que nem mesmo a taxa estando em 0% a inflação disparou (apesar de que recentemente houve sinais de alta), justamente porque a economia está debilitada, as pessoas gastam menos e as empresas não investem. Sem crescimento econômico fica difícil a inflação crescer, isso acaba revelando o quão grave é a situação nesses países.

    Obrigado!

    Abcs,

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  3. Daniel Vasconcelos31 de agosto de 2011 08:27

    Obrigado pela resposta. Não tinha conseguido pensar nesses fatores apresentados por você. Realmente faz sentido.

    Um abraço

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  4. Olá, pacientemente espero a Petr4 fechar o gap dos R$ 22,00 onde liquidarei a carteira e aguardar confirmação de fundo, se tudo der certo irei diminuir meu preço médio;
    A Usim5 já testa os F$ 12,20 três vezes e não passa, assim que o ibov montar topo vou montar trade à descoberto;
    Ivan

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  5. Olá Ivan,

    Boa sorte com sua saga na PETR4. O ibov teoricamente terá espaço pra subir até os 57.6k que é a linha pra fazer pullback na congestão rompida, se chegar a esse ponto rapidamente é linha bear pra socar uma venda descoberto, stop curto. USIM5 vá acompanhando o movimento do papel no gráfico, mas não tenha pressa, espere abrir uma boa oportunidade de bom risco x retorno para entrar, com aquela última que comentamos.

    Abcs, bons trades

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