segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O efeito superávit

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje que a meta de superávit primário do governo foi ampliada de R$ 81 bilhões para R$ 91 bilhões. O superávit primário é o resultado positivo da arrecadação do governo menos os gastos (com exceção do pagamento de juros da dívida), ou seja, o governo consegue gastar menos do que se arrecada, gerando uma poupança para pagamento posterior dos juros da dívida. Quando os gastos do governo são superiores a arrecadação, temos um déficit primário, significa que o governo estaria gastando mais do que se arrecada (é o que está acontecendo nos países desenvolvidos há muito tempo).

Segundo Mantega, a medida é preventiva para evitar uma desaceleração da economia e ajudar a reduzir no médio e longo prazos a taxa básica de juros, a famosa taxa selic. O governo está sinalizando que utilizará uma política monetária mais frouxa (corte na taxa de juros) para combater uma futura desaceleração na economia. Aumentar a meta de superávit primário é sempre uma notícia boa, mas devemos salientar que 80% do nosso superávit primário está relacionado ao aumento da arrecadação de impostos e não à cortes nos gastos públicos.

Um fato curioso é que esta medida foi anunciada na semana em que o Copom terá de decidir sobre o futuro da taxa básica de juros nos próximos 45 dias, a ser anunciado nesta quarta-feira dia 31/08. O mercado entendeu bem o recado e os juros futuros caíram na BM&F, alguns "analistas" começaram a dizer que a taxa selic poderá cair já neste mês. É uma forma de intervenção indireta sobre a decisão do Copom, já que o governo está demonstrando seu interesse em cortar a taxa de juros. Mas será que o Banco Central está perdendo a sua autonomia? Não há nenhum sinal nos indicadores econômicos que permita um corte imediato na taxa selic, o mercado de trabalho está aquecido (desemprego baixo), a inflação de serviços continua subindo, o crédito continua farto e ainda há um descompasso entre oferta e demanda que mantêm a pressão sobre os preços.

Os investidores na Bovespa já começam a apostar em um corte na taxa selic (vale reforçar que esta não é a visão do Finanças Inteligentes, acredito que não haverá corte nesta reunião do Copom em agosto) e por isso o índice subiu forte no pregão desta segunda-feira, além de acompanhar o rítmo de Wall Street. O movimento de alta foi barrado exatamente na região de resistência dos 55k no qual estamos destacando há mais de duas semanas. O rompimento dos 55k irá acionar pivot de alta no gráfico diário e poderá impulsionar o índice a fazer pullback na região dos 57.6k em algumas semanas. Por outro lado, foram 3 horas seguidas de teste na resistência sem que a mesma tenha sido rompida, denunciando que as vendas estão realmente concentradas nesta região, todo cuidado é pouco para abertura do pregão amanhã.



Dados positivos da economia norte-americana contribuíram para o otimismo em Wall Street. Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram 0,8% em julho (a previsão era um aumento de 0,5%) surpreendendo o mercado. A notícia de que dois dos maiores bancos da Grécia, o Alpha Bank SA e o Eurobank Ergasias SA, planejam uma fusão estimada em 7 bilhões de euros para tentar contornar os problemas que afetam o complicado sistema bancário grego (falta de liquidez no mercado interbancário e saques contínuos de clientes) injetou ânimo no mercado europeu. Esta fusão consolida mais um banco que entra para a lista dos que são grandes demais para falir, incrivelmente estimulada pelo próprio governo da Grécia. Quando a situação apertar (mais do que já está), o governo será acionado para "salvar" esta instituição financeira.

Dow Jones fechou o pregão em alta, chegando perto da região de resistência dos 11.6k. A média móvel simples de 20 períodos confirmou o corte bear sobre a média móvel simples de 200 períodos no gráfico diário, é uma sinalização da tendência de baixa no médio prazo. Para curto prazo se a resistência dos 11.6k for respeitada mais uma vez a LTA mais curta deverá ser testada novamente.

2 comentários:

  1. Prezados,

    Realmente o mercado é inebriante. Depois de 5 anos, tradando e acompanhando, o fato mais aguardado da semana passada nao veio. O que o mercado fez, comprou o fato, defendeu a expectativa, e no dia, explodiu, como uma mola comprimida. Já ontem, 2 "bancoes" na grécia fazem fusões e por si só o mercado sobe. Além disso, Fatima Bernardes noticiando que o mercado subiu, por conta da diminuição da intensidade do furacão. É muita falácia narrativa. Não sou nem bull, nem bear, mas é interessante apreciar as reações e percepções.

    Abraços

    Samuel

    ResponderExcluir
  2. Samuel,

    Sim, é por isso que o mercado é imprevisível. O que mais impressiona é quando a mídia que não é especialista em mercado (até mesmos os especialistas) tentam arrumar motivos para o mercado estar subindo ou caindo. As vezes o motivo é puramente técnico (papéis caros demais ou baratos demais pra especular). Essa do furacão foi de doer os ouvidos rsrs, demonstra total falta de conhecimento da redação em mercado de capitais.

    Abcs,

    ResponderExcluir