quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O lado bom da crise

O mundo inteiro derreteu novamente nesta quarta-feira por preocupações de que a crise na Europa possa golpear os bancos franceses e eventualmente contaminar sistema financeiro europeu e norte-americano. O mercado já demonstra preocupações com a solidez de grandes bancos franceses, como o Société Générale por exemplo, que caiu 14,7% no pregão de hoje. Uma onda de vendas em papéis do setor bancário dominaram as bolsas na Europa e nos Estados Unidos. Barclays, Santander, UniCredit, BNP Paribas, Crédit Agricole, Intesa Sanpaolo, Bank of America, Goldman Sachs, além do próprio Société Générale, fecharam com quedas acima de 8%. Mas porque a bolsa brasileira conseguiu se safar da carnificina de hoje?

Há uma percepção de que a redução nos preços das commodities (provada pela deterioração do cenário econômico mundial) poderá ajudar a política econômica dos países emergentes, que estão lutando com a inflação desde o ano passado, abrindo margem para uma interrupção no aperto monetário. Além disso, uma interrupção nos aumentos da taxa selic, é o primeiro passo para permitir que o real possa se desvalorizar em relação ao dólar (pois poderá frear o ingresso de capital especulativo na renda fixa brasileira), facilitando um pouco a vida do exportador brasileiro.

A corrida por ativos de segurança, como treasuries (títulos do tesouro norte-americano) e o ouro por exemplo (conforme demonstrado no gráfico abaixo) está intensa. Os rendimentos dos treasuries caíram tanto, mostrando uma alta procura pelos títulos, que já começam a chegar a níveis de pré-crise, onde o mercado tenta se proteger de uma piora no cenário econômico. O mercado de contratos futuros para o ouro está em pânico, só que de alta, refletindo todo esse pessimismo com a recuperação global.


A situação nos mercados continua bastante delicada. O índice Dow Jones recuou 4,63%, S&P500 caiu 4,42% e Nasdaq despencou 4,09%, impossibilitando assim de se fazer uma análise técnica para curto/curtíssimo prazo, pois estes índices continuam em pânico total. No Brasil, a Bovespa parou para respirar devido o assunto abordado no início desta análise. Ainda há bastante espaço para manter o repique de alta e aliviar os indicadores que estavam em região de extrema sobrevenda. Porém não estamos livres da volatilidade nos mercados e a nossa bolsa está demonstrando sinais de descolamento, tornando-se difícil armar operações de curto/curtíssimo prazo.

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