quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Adeus meta de inflação

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Copom e, como já era esperado, o conteúdo da ata não convenceu sobre a decisão de mudar subitamente a trajetória da taxa selic. A ata não trouxe argumentos suficientes para convencer sobre a necessidade de um corte em 0,50 p.p. na taxa básica de juros. Parece que o Copom está prevendo um "colapso" na economia mundial a ponto de derrubar a forte demanda interna brasileira, o que logicamente não é verdade. Primeiro porque não há sinais de que a economia mundial está entrando em colapso algum, mas sim passando por um processo de desaquecimento e possibilidade de recessão em alguns países. Segundo porque o mercado consumidor brasileiro continua aquecido e não mostra sinais de arrefecimento, basta observar os números recentes do IPCA e IGP-M. O enorme descompasso entre oferta e demanda (mantendo a pressão sobre os preços) está sendo deixado de lado pelo Banco Central para focar apenas nos desdobramentos do cenário externo.

O conteúdo da ata confirmou o que ressaltamos nos artigos "Lá se vai a autonomia do Banco Central" e "4,5% é meta fictícia". Além disso, ficou claro que os cortes na taxa selic irão continuar ao longo deste ano, pelo menos mais dois cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de outubro e dezembro. Diante desta nova política de afrouxamento monetário (em um momento delicado de pressões inflacionárias), torna-se impraticável utilizar a meta de 4,5% para a inflação, este número parece não existir mais para o Banco Central que está demonstrando trabalhar com um cenário de inflação acima "da meta" para 2011, 2012 e talvez até mesmo em 2013.

A sinalização de mais cortes na taxa selic aumenta a atratividade do investimento em renda variável. O índice bovespa fechou mais um dia em alta, mantendo o seu descolamento com os mercados externos. A resistência dos 58k foi mais uma vez testada e respeitada, a força vendedora não apareceu com tanta força assim (talvez por estarem com um pé atrás) e o índice conseguiu fechar aos 57.6k. Para o índice manter o repique de alta, terá de romper esta importante linha dos 58k mais cedo ou mais tarde. Esta faixa de pontuação demonstra ser um importante divisor de águas para os próximos meses.


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou há poucos minutos atrás um plano para gerar empregos no país, o qual demandará renúncias fiscais e investimentos em infraestrutura avaliados em 447 bilhões de dólares. Este plano precisa ser aprovado pelo Congresso e se encaixar dentro das metas fiscais do país (que tem um limite de endividamento apertado). Ao que tudo indica não haverá teatro político, haja vista à grande necessidade de criação de empregos na economia norte-americana.

O discurso de Obama aconteceu após o fechamento dos mercados. O índice Dow Jones fechou em baixa devido a sinalização de que o FED não irá utilizar neste momento nenhum programa de afrouxamento monetário. Apesar de tudo, Dow Jones continua trabalhando dentro de sua LTA de curto prazo e chegando perto de um ponto de definição (entre esta mesma LTA e resistência dos 11.6k).

7 comentários:

  1. Sobre a minha opinião quanto ao pacote de empregos de Obama:

    Sinceramente esperava mais. Cortar impostos em pleno ajuste fiscal? Uma coisa não bate com a outra. Além do mais, onde estão os investimentos, parcerias para trazer algumas empresas de volta aos EUA, etc? Isso sim é que gera emprego.

    Mas pra uma economia que não criou nem um emprego sequer no mês passado, este plano é pelo menos é um respiro.

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  2. Parabéns pelo site! Sempre acompanho. Continue assim!

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  3. Olá, como não teve nem rompimento do Ibov e nem da petro fui implacável e liquidei novemente os 50% de Petr4, o resultado está ai hoje, todo esse movimento foi apenas repique dentro da tendência principal de baixa, caso os 52K sejam perdidos outra venda será disparada no restante de Petr4.
    Estou vendo o "desgoverno" Dilma muito preocupado com essa crise, como tem informações que nós só sabemos depois parece que vai piorar!!
    O que vç acha???
    Ivan

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  4. Ivan,

    A política brasileira é populista, não há como esperar muita coisa benéfica deste governo. A inflação continuará sendo o nosso grande problema, já que agora ficou explícito pelo governo de que mais cortes na selic irão aparecer. A política econômica brasileira está uma bagunça tão grande que está ficando difícil analisar e projetar alguma coisa, vamos monitorando os acontecimentos é o jeito.

    Abcs, parabéns pelo timming mais uma vez!

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  5. FI, sinceramente não entendi o BC, perdeu completamente a autonomia!? Pelo jeito sim.
    Inflação não. Manter a inflação dentro da meta, de preferência no centro dela, deveria ser a preocupação número 1 do BC.

    Abraço.

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  6. Inflação solta, ouro (OZ1D) é o meu HEDGE.

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