quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Grécia fica, mas e daí?

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, realizou uma teleconferência nesta quarta-feira com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutirem a situação da Grécia dentro da União Europeia. A única notícia relevante proveniente desta "espetacular" teleconferência é que França e Alemanha garantem a permanência da Grécia dentro da zona do euro (se é que isso pode ser uma notícia, já que a saída da Grécia estava totalmente fora de cogitação). Como de costume, não foram apresentadas soluções, planos, estratégias, idéias ou qualquer coisa do tipo que sinalize uma luz ao fim do túnel. A Grécia apenas se comprometeu a cumprir suas metas do programa de austeridade fiscal.

Este é o fator que muitos analistas irão justificar para o motivo da alta generalizada das bolsas mundiais. Obviamente não foi pelo noticiário econômico que os mercados subiram, mas sim pela característica de superioridade do próprio mercado aliado aos fatores técnicos. Por sinal, o noticiário econômico de hoje foi péssimo. A Moody's rebaixou o rating de dois bancos franceses (Société Générale e Crédit Agricole) e colocou a nota do BNP Paribas em observação para possível rebaixamento.

Os grandes bancos franceses possuem uma considerável exposição à Grécia e a países debilitados da zona do euro. As ações do Société Générale já caíram quase 50% desde 1 de agosto, as do BNP Paribas recuaram 38% e as do Crédit Agricole, 37%.

Voltando para a Grécia, O banco ATEBank (controlado pelo governo com 77% das ações) declarou uma perda (ou melhor uma porretada) de 836 milhões de euros com os bônus gregos. Este prejuízo fará instituição buscar uma nova injeção de capital (do próprio governo, ou melhor dos impostos pagos pelos cidadãos gregos) para se manter solvente.

Mas então porque as bolsas ao redor do mundo fecharam em alta no pregão desta quarta-feira? Simples, o mercado é soberano, segue padrões técnicos no curto prazo e na dúvida quem dita o rumo é Wall Street. Não sei se lembram das análises feitas pelo Finanças Inteligentes na segunda e terça-feira desta semana alertando para o pullback na LTA perdida do Dow Jones. Pois bem, hoje este pullback foi concluído, o índice Dow Jones fechou exatamente no ponto onde passa esta LTA de curto prazo, que "coincidentemente" é o mesmo local da linha central de bollinger.


No Brasil, o índice bovespa fechou em alta mas continua lutando para não perder a sua LTA de curto prazo. Está encontrando ponto de apoio na linha central de bollinger, que tem ajudado a manter o índice acima dos 55k. Pode estar chegando perto de um ponto de definição pois o espaço "livre" está ficando cada vez mais curto para oscilar (entre 58.5k e LTA + 55k).

2 comentários:

  1. FI,
    Sinceramente não vejo a mínima possibilidade da Grécia sair do buraco. Alguém tem que arcar com esse prejuízo.
    Já o Ibov voltou a andar de lado. Particularmente gostaria de mais uma queda boa para mais algumas compras.

    Abraço!

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  2. Jônatas,

    Sim. Os líderes europeus devem organizar um calote estruturado para a Grécia, não consigo ver outra solução menos dolorosa do que isso. Alguns bancos deverão sofrer baixas contábeis, aí é que mora o perigo.

    Eu também não iria achar ruim se o mercado voltar a tombar. Quando isso acontecer vamos estar preparados pra pegar o carrinho e fazer mais uma feira no supermercado!

    Abcs, bons negócios.

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