sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sinuca à brasileira

O resultado divulgado pelo IBGE sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil não surpreendeu o mercado que já esperava uma retração no crescimento do 2º TRI/2011, mas as entrelinhas deste comunicado acenderam o sinal amarelo para os rumos de nossa economia. A desaceleração das indústrias é evidente, porém a demanda doméstica continua forte (respaldada pelo mercado de trabalho). O crescimento está pautado em consumo interno, diferentemente do que ocorre na China, Índia, Coréia do Sul e demais países em desenvolvimento que crescem puxados pela atividade industrial.

O PIB brasileiro cresceu 0,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2011 (onde o crescimento foi de 1,3%), mostrando uma desaceleração e crescimento desordenado (sobe e desce). Áreas cruciais para crescimento sustentado de longo prazo, tais como educação e infraestrutura, continuam intactas. Os recursos naturais do país que poderiam gerar valor agregado pela atividade industrial continuam fazendo o papel de "garçom" para o parque fabril asiático. Na verdade o grande valor da economia brasileira está em seu mercado consumidor, os gastos das famílias (e do governo) continuam em níveis tão elevados que não conseguimos atender tamanha demanda interna, por este motivo as importações aumentaram tanto nos últimos meses.

Não há nenhum problema ter uma demanda interna aquecida como a nossa, desde que ela seja fruto do desenvolvimento orgânico que proporciona o equilíbrio entre oferta e demanda (cresce atividade industrial, cresce a demanda). Parte da nossa demanda é artificialmente fabricada pela máquina pública do governo, basicamente o dinheiro entra na economia para ser queimado em consumo. Por este motivo os preços continuam tão pressionados pois o país não tem parque fabril e infraestrutura para atender toda esta demanda. São reflexos da falta de planejamento e visão estratégica do governo que não consegue (ou não quer) trabalhar para um crescimento sustentado no país para 10 ou 20 anos mais a frente.

Mas e agora, o que fazer? O PIB está desacelerando e a demanda interna continua aquecida. Por um lado o governo enxerga que esta desaceleração merece um afrouxamento na política monetária (como redução na taxa básica de juros por exemplo), mas por outro lado este afrouxamento acaba colaborando ainda mais para futuras pressões inflacionárias, já que o custo do dinheiro fica mais barato e as pessoas e empresas passam a ter mais acesso ao crédito estimulando o consumo. O país poderia muito bem estar preparado para cortar a taxa de juros e tirar proveito desta nova crise internacional, mas a política fiscal do governo colaborou para o desequilíbrio entre oferta & demanda e agora vamos ter que remar para os dois lados para tentar sair desta sinuca de bico.

A eficiência administrativa de nossos representantes políticos é assustadora, a última "novidade" foi a perda de autonomia do Banco Central . Para efeito comparativo, o Brasil tem o pior desempenho entre os BRICs mesmo sendo o grande fornecedor de commodities a estes países que compõe o grupo. Indicações de que o nosso crescimento está sendo "salvo" pela demanda interna e gastos do governo não animaram muito os investidores no pregão desta sexta-feira. O fechamento do gráfico semanal deixou um candle de pavio longo superior que indica saturação na pernada de alta iniciada nos 48k. Mesmo assim não podemos confirmar que seja um topo descendente dentro da tendência maior de baixa no longo prazo pois enquanto o índice estiver acima dos 55k, o repique vai manter forças para continuar subindo.


Na Europa as bolsas fecharam a semana sem esboçar reação, a situação da Grécia é alarmante, as negociações do país com a UE (União Europeia) e FMI (Fundo Monetário Internacional) estão paralisadas por falta de cumprimento de algumas medidas de austeridade fiscal. O sistema financeiro europeu passa por um momento delicado sob o risco de sofrer uma grave crise de liquidez. Nomes de peso em fundos hedge, como estrategista do Goldman Sachs, Alan Brazil, estão recomendando "vender Europa" aos investidores e fundos hedge da instituição. Segundo ele, serão necessários pelo menos 1 trilhão de dólares em capital para recuperar os bancos europeus.

O Goldman Sachs aconselha apostar na queda do euro, além de fazer uma aplicação de desvalorização através de um índice de contratos de seguro para o crédito de ações financeiras europeias. O relatório do Goldman apontou também que alguns bancos europeus estão extremamente alavancados, o que reforça a posição de alto risco que estas instituições estão passando neste exato momento, só não sabemos ainda dar nomes aos bois.

O índice DAX, na Alemanha, assim como os demais mercados europeus, continua nocauteado em nível de sobrevenda no gráfico semanal. A pancada do mês passado foi tão forte que o índice ainda não conseguiu se levantar para trabalhar um repique de alta no curto prazo. O suporte imediato em 5.3k está fazendo um papel heróico de pelo menos segurar todo este movimento descendente.


No meio de todo esse pessimismo com a Europa, a expansão mundial da manufatura continua perdendo fôlego. As economias da Ásia com crescimento mais forte, por exemplo, foram atingidas pela fraqueza dos mercados avançados (Europa, Estados Unidos e Japão) que são grandes compradores de suas exportações. O índice Xangai, na China, fechou a semana em baixa demonstrando fraqueza para tentar manter um repique de alta, a perda da linha em 2.5k poderá acelerar o movimento de queda no índice.


Nos Estados Unidos tivemos mais um indicador ruim nesta sexta-feira e justamente em uma das áreas mais sensíveis da economia, o emprego. A geração de emprego nos Estados Unidos ficou estagnada em agosto, com o pior resultado desde setembro de 2010. Com isso o índice Dow Jones fechou em forte baixa nesta sexta-feira, devolvendo os ganhos da semana e confirmando a força da resistência em 11.6k, no qual estamos destacando aqui no Finanças Inteligentes há quase um mês.

6 comentários:

  1. Tenho acompanhado com frequência o FI, mas só hoje notei que há uma seção de "pedidos de análise". Lá, diz que os pedidos devem ser feitos na página inicial. Seria aqui? Se for, seria possível analisar BBDC4? E pra outras duas, ao invés de uma análise trabalhosa, apenas uma pergunta: onde estão os fundos de PETR4 e VALE5? Minha impressão é "ao infinito e além!"
    Hahahahaha...

    Você faz excelentes análises, parabéns.
    Aliás, nem precisava falar isso. Cada vez que abro o site, vejo o contador pulando de mil em mil. Tem toda lógica. Parabéns.

    TR

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  2. Olá, em tendências de baixa consolidada como essa topos rompidos passam à ter pouca credibilidade, creio que deveremos em breve fazer novo teste nos 48K, vamos ver estes 55K o que vai ser;
    O povão recebe este cala-boca do governo e inunda as lojas comprando produtos baratos, uma armadilha formou-se pois nada pode ser feito, qualquer mudança acarretará em brusca desaceleração, e o PT quer outro mandato!!!
    No momento estou com 50% de Petr4 vendido por R$ 21,00, 100% vendido de Usim5 por R$ 14,10, caso a Petr4 perca os R$ 19,50 liquidarei o restante, mudo minha expectativa se romper os R$ 21,00 pois irá buscar forte resistencia em R$ 22,00;
    Ivan

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  3. TR,

    Obrigado!

    Análise do BBDC4 já está disponível no menu pedidos de análise. Sobre PETR4 o fundo está em 18,37 (porém o papel está há uns 3 anos em tendência de baixa no longo prazo) que se for perdido aciona mais um pivot de baixa no semanal. O fundo da VALE5 está em 35,50 que se for perdido aciona mais um pivot de baixa também no semanal, a diferença é que este fundo na vale é um dos suportes mais importantes para se evitar um agravamento na tendência de baixa no longo prazo.

    Abcs, bons investimentos

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  4. Ivan,

    Esses 55k é de suma importância para o ibov se quizer demonstrar uma tendência de alta (ou repique) mais consistente este ano, pois é ponto de rompimento de pivot.

    Boa venda na petro! Foi bem na resistência e ainda por cima depois de um doji de indecisão. Só toma cuidado agora pra preservar o lucro caso ela queira se permanecer acima da média simples de 20 períodos. USIM5 tem topos e fundos descendentes no diário, foi boa venda também, agora é só ir levando o trade e manejando o stop. É isso aí !!

    Abcs, bons trades

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  5. Essa resposta foi rápida. Obrigado FI!

    Pelo que entendi, você acredita numa tendência generalizada de baixa no médio/longo prazo. É isso?

    Sou iniciante na bolsa, por isso a dúvida: existe algum tipo de estudo relativo em análise técnica? Como BBAS3 X BBDC4? Existe esse tipo de gráfico? Se existir, você faria a gentileza?

    Mais uma vez obrigado pela análise de BBDC4.
    TR

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  6. TR,

    É o que a análise técnica vem mostrando desde o ano passado, tendência de baixa no Ibovespa, que acabou gerando uma boa oportunidade para quem quer abrir carteira de longo prazo na bolsa. Os fundamenos macroeconômicos também não são bons e isto colaborou para a queda, só não sei dizer até quando vai este movimento, aí já é chutar.

    Sobre o gráfico BBAS3 x BBDC4 tem sim. Me mande um e-mail que te envio. Os bancos grandes no Brasil se movimentam em bloco, vai perceber que não há muita diferença no movimento (aliás parecem idênticos). Mas se tivesse que escolher um, iria de BBAS3 pelos fundamentos que são bem melhores.

    Abcs,

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