terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vai sobrar pra nós

Está sendo cogitado nos bastidores uma eventual ajuda do Brasil à Europa, em uma ação coordenada entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que os países do BRICS estão conversando para tentar formular ações conjuntas com o intuito de amenizar a crise da dívida na zona do euro. Em outras palavras, podemos comprar os títulos de alto risco da dívida soberana de países periféricos da Europa. Títulos estes que estão sendo rejeitados pelo mercado privado. Hoje mesmo a Itália teve baixa procura para vender títulos da dívida pública, sendo obrigada a aumentar o bônus para conseguir vender estes títulos ao mercado (para compensar o risco, o mercado exige um retorno maior sobre a compra).

Mas comprar títulos da dívida pública de países europeus com dificuldade de captação de recurso no mercado não seria função do BCE (Banco Central Europeu)? Sim, aliás é isso que o BCE está fazendo há muito tempo e mesmo assim não está surtindo efeito. Os juros pagos pelos países para emitir dívida na Europa continua alto e subindo cada vez mais. Como o BCE não é um caixa forte pra bancar todo mundo na Europa, pode ser que as autoridades europeias estejam pedindo ajuda aos BRICS, para que comprem títulos da dívida soberana de países problemáticos na Europa.

A informação divulgada ontem pelo Financial Times está incorreta, tanto é que os títulos italianos subiram hoje por falta de demanda. No entanto há este "interesse" por parte dos BRICS em bolar um plano para compra de títulos da dívida pública na Europa.

O Brasil não irá utilizar suas reservas internacionais para injetar dinheiro na Europa. Provavelmente este dinheiro sairá do fundo soberano, que atualmente tem um patrimônio líquido de 15,374 bilhões de reais. Desse total, 85% estão aplicados em ações da Petro e do Banco do Brasil. Como o governo não tem interesse de se desfazer destas posições, a única solução será emitir títulos públicos via tesouro direto. Isto é, o governo irá se endividar aqui, pagando juros de 12% a.a. ao mercado, para injetar dinheiro na Europa.

O dia na Bovespa foi de poucas novidades. O índice fechou com mais um doji de indecisão correndo o risco de perder a LTA de curto prazo e linha central de bollinger, já que não está aparecendo força compradora para reverter a pontuação para cima rumo aos 58k novamente. Atenção para o MACD com divergência de baixa.


O Relatório de Estabilidade do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgado hoje, alertou para a possibilidade de fuga de dólares dos países emergentes. A razão estaria na redução do apetite por risco dos investidores. O relatório ainda diz que o crescimento do crédito, quando acompanhado de aumento de preços de ativos, é um sinal poderoso de que uma crise pode se desenvolver nos dois anos seguintes. No Brasil o movimento ainda é de forte entrada de dólares via investimento estrangeiro direto, mas já podemos observar a virada de mão dos investidores estrangeiros em dólar futuro na BM&F (estavam altamente vendidos e passaram a ficar comprados há um mês atrás) em um movimento que antecipou esta alta recente no câmbio brasileiro.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou o pregão em alta confirmando análise de ontem. O pullback poderá ser concluído amanhã ao testar a região dos 11.2k, onde provavelmente aparecerá uma força vendedora de curto/curtíssimo prazo.

6 comentários:

  1. "Rumo aos 48k!"
    Hahahahaha...

    TR

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  2. TR,

    Pela análise técnica, esta dificuldade em romper os 58k demonstra falta de força do mercado para manter o repique de alta. Portanto se esta resistência não for rompida logo, poderemos voltar a cair nas próximas semanas mantendo a tendência de médio e longo prazo.

    Abcs,

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  3. Mais uma vez parabéns por suas análises. Seu comentário sobre os estrangeiros no dólar futuro da BM&F foi interessante e oportuno. Estou achando também que pode estar ocorrendo alguma migração mais forte dos estrangeiros para alguns tipos de fundo de renda fixa no Brasil. A respeito disto gostaria de saber se seria possível lhe enviar dois gráficos para uma análise comparativa.Caso positivo como devo proceder para enviálos?

    Obrigado e Abraços

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  4. Olá Lopes,

    Obrigado! Me desculpe pela demora em responder! Realmente, creio que a maior posição dos estrangeiros está nos contratos de juros futuros na BM&F.

    Pode me enviar sim, para o e-mail: financasinteligentes@gmail.com

    Abcs, bons negócios

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  5. É ridículo.... Nós, os subdesenvolvidos "incapazes" vamos fazer o que nunca fizeram por nós?
    Nós temos um dos juros mais caros do mundo devido a uma memória "recente" da inflação galopante das décadas de 70 e 80. O Brasil vai emitir títulos a 12% a.a. pra comprar um título de risco de 4 ou 5% a.a.? É um absurdo e qualquer analfabeto financeiro entende que isso não se faz.
    No final das contas vamos comprar um problema que não é nosso. Não temos dinheiro pra investir na nossa educação, saúde e segurança. (Que ao meu ver são os problemas mais críticos do nosso país)
    É triste saber que pra ajudar o nosso próprio país nosso belo governo PT diz que precisa criar um novo imposto, mas pra financiar os endinheirados europeus não.
    Paciência.......

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  6. Beto Rodrigues,

    Parece até inacreditável não é? Incrível e essas coisas não são divulgadas na mídia, não aparece no jornal nacional, etc. Porque será? Não temos obrigação nenhuma de comprar títulos podres de países que foram extremamente incompetentes com suas contas públicas no passado recente.

    Também acho que saúde, educação e segurança são pontos cruciais até mesmo para o desenvolvimento econômico sustentável do país.

    Haja paciência, são mais 3 anos pra aguentar. Fazer o que... só nos resta torcer para melhorar alguma coisa.

    Abcs,

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