quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Era uma vez um Banco Central...

Dilma Rousseff, no comando do BC". Este é o título de uma perigosa reportagem publicada no Estado de São Paulo. A matéria confirmou as suspeitas do Finanças Inteligentes nos artigos publicados dia 31/08/2011 "Lá se vai a autonomia do Banco Central" e no dia 01/09/2011 "4,5% é meta fictícia". O Banco Central atende agora os interesses populistas do governo petista, uma política de desenvolvimento a qualquer custo, mesmo que este custo seja o próprio futuro do país no longo prazo.

O texto da última ata do Copom já deixou explícito que a decisão de corte na taxa básica de juros não foi nada técnica. O próprio Banco Central não conseguiu convencer o porque deste corte na taxa selic. Este artigo publicado no Estadão explica muito bem o que está acontecendo nos bastidores do governo. "Há um plano traçado no Palácio do Planalto e a decisão final caberá à presidente. Ressalvas quanto ao ritmo dos cortes - determinado com "prudência", segundo o secretário - em nada alteram o dado principal. A autonomia de fato do BC, adotada nos anos 90 e mantida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma experiência encerrada, embora ninguém, na administração federal, o admita de forma explícita."

As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da presidente, Dilma Rousseff, sugerem esta interferência do governo dentro do Banco Central. A presidente já deixou claro em suas declarações que a taxa selic será de 9% em 2012, não se importando muito com as pressões inflacionárias atuais.

É lamentável ter de assistir a degradação do Banco Central juntamente com o programa de metas de inflação que colocaram a nossa economia no rumo certo para o crescimento sustentado. Pagamos caro para arrumar a casa no passado recente e agora estamos assistindo de braços cruzados a farra da máquina pública e a desordem generalizada na política econômica atual.

Existem outros meios de se combater a inflação sem que seja necessário aumentar a taxa selic, através da produção. A inflação é provocada pelo descompasso entre oferta e demanda, se o mercado consumidor está aquecido demais, a produção deveria aumentar para atender toda esta oferta. Mas não é o que está acontecendo. A produção não acompanhou o ritmo da demanda. Porque? O famoso Custo Brasil.

A carga tributária sufocante, baixa infraestrutura, baixa educação e burocracia exagerada inviabilizam muitos projetos empreendedores no país. Logo, fica difícil, se não impossível, promover o aumento da produção nestas condições. Se o governo pelo menos fizesse o seu dever de casa em realizar as reformas tão imploradas pelo país inteiro estaríamos em condições melhores para redução na taxa básica de juros em linha com um crescimento saudável da economia.

Nas bolsas de valores tivemos mais um dia de alta generalizada nos mercados mantendo a análise que fizemos há 3 dias atrás. O índice Dow Jones fechou mais uma vez colado na máxima do dia, iniciando inclusive o rompimento da linha central de bollinger, mostrando a força do mercado neste repique de alta. A média móvel simples de 50 períodos poderá ser testada em breve.


No Brasil o índice bovespa conseguiu atingir hoje a região dos 52k no qual informamos na terça-feira desta semana. Houve o rompimento de uma LTB rápida de curto prazo que empurrou o índice para fechar acima dos 52k. Este fechamento pode impulsionar o índice até a região dos 54k, por onde passa a linha central de bollinger. Mas a cautela permanece pois o cenário não está tão confiante assim, para os que embarcaram neste repique, favor proteger o lucro com stop e deixar o mercado fazer o seu trabalho.

12 comentários:

  1. Pois é, né. Fazer reformas é difícil, dá muito trabalho. Então, o governo vai pra um caminho mais fácil, que é, primeiro, dar crédito. E agora, abaixar os juros. Talvez não seja uma trajédia. Juros mais baixos também estimulam a produção. Claro, eu sei que o ideal seria fazer reformas, investir em infraestrutura, educação etc. Mas pode ser que baixar os juros também estimule a produção, amenizando um pouco a inflação.
    Carla

    ResponderExcluir
  2. Excelente texto.

    Tmb tenho receio com o futuro do pais. Nossa economia esta entregue a um governo mediocre e populista.

    O "pao e circo" tem um preco alto. E quem paga toda conta eh a classe media. Sem falar o lado politico/social....

    ResponderExcluir
  3. Carla,

    Sim, além do mais, as reformas que todo mundo pede valem votos de promessa nas próximas eleições. Eu serei o primeiro a defender um corte severo na taxa de juros desde que a economia apresente espaço para tal. Tivemos que passar por um sacrifício para colocar a inflação sob controle, e agora estamos deixando escapar este monstro novamente.

    Abcs, bons negócios

    ResponderExcluir
  4. Anônimo,

    Obrigado! Certamente vamos pagar a conta. E já estamos pagando, o capital da classe média está ficando cada vez mais corroído pela inflação e alta carga tributária. O brasileiro pode estar ganhando mais no contra-cheque, mas está ficando cada dia mais pobre. Custo de vida está muito alto e não para de subir. Preocupante.

    Abcs, bons investimentos.

    ResponderExcluir
  5. Se o governo cortar o juros de imediato de 12% para 7% a.a o que mudaria?
    Nada, pois a selic não controla inflação.
    É instrumento de remuneração credores do governo.
    Baixando a selic, vai ter mais $$ para poder bancar a diminuição carga tributária.
    Detalhe: a inflação não está alta apenas no Brasil, mas no mundo todo.

    ResponderExcluir
  6. Anônimo,

    Eu conseguí enxergar o seu ponto de vista e em até certo ponto eu concordo. A inflação está mais alta nos países emergentes. Nos países desenvolvidos (cujo o nome diz tudo: já são desenvolvidos) a meta de inflação gira em torno de 2%. Acima disso já é considerado inflação alta para eles.

    A taxa básica de juros é um poderoso meio de combate à inflação (a mesma política funciona no mundo inteiro). E a economia está totalmente indexada, se a taxa for reduzida a 7% de imediato fatalmente iremos cair numa hiperinflação.

    Na minha opinião, o governo tem verba de sobra pra bancar uma diminuição da carga tributária, basta gerenciar melhor os gastos e reduzir a corrupção. Se isso fosse feito, a produção iria aumentar, reduzindo o descompasso entre oferta & demanda, dando respaldo para cortar os juros de forma mais severa. Não adianta apenas cortar os juros, para o processo produtivo aumentar o Custo Brasil tem que diminuir. As reformas tem de ser feitas, se não vamos perder o bonde que a Ásia já pegou e está aproveitando muito bem.

    Abcs, bons negócios

    ResponderExcluir
  7. Bravo FI. Há tempos aguardo ler uma análise como essa na net.
    Não adianta baixar juros, o empresário(nacional) não consegue responder com investimentos. E ninguém fala nas reformas microeconomicas.

    ResponderExcluir
  8. Anônimo,

    Obrigado! As reformas são fundamentais. Baixar juros é mais "fácil" (e principalmente popular) porém de pouquíssima eficácia em um cenário de Custo Brasil alto.

    Abcs,

    ResponderExcluir
  9. Escreveu-se acima: Baixando a selic, vai ter mais $$ para poder bancar a diminuição carga tributária.

    Só uma pergunta,onde percebemos a mínima intenção do governo(federal,estadual ou municipal)em baixar carga tributária...isto, por enquanto, neste país é conto de fadas!!!!

    ResponderExcluir