sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Esqueceram dos asiáticos

Semana encerrada, mercado fechou colado na máxima, recuperando parte do ânimo, rompendo importantes resistências e todos ficaram felizes, certo? Errado. O povo do "lado de lá" não está tão feliz assim. Provavelmente algo aconteceu que ficou por baixo do foco do mercado, já que a crise na Europa está roubando todos os holofotes. Ok, sem enrolação, vamos direto ao ponto. Logo abaixo podemos observar o que aconteceu com a bolsa de Xangai (China) nesta semana:


Engolfo de baixa bem abaixo da resistência em 2.437 pontos, mostrando uma semana de forte queda na bolsa de Xangai. A força do candle assusta, o índice devolveu todo o movimento de alta da semana anterior e fechou na mínima, abrindo a banda inferior de bollinger aumentando o espaço e volatilidade para mais quedas.

Para tirar a prova e eliminar as possibilidades de um efeito isolado na China, vamos verificar o desempenho da bolsa de Bombay na Índia, segundo mercado emergente mais importante na Ásia.


Novamente, conforme podemos observar no gráfico acima, temos um fechamento em baixa, respeitando a zona de resistência que lembra bem uma configuração de topo no curto prazo. No Japão, o índice Nikkei da bolsa de Tóquio também fechou em forte baixa na semana.

Mas porque os mercados asiáticos despencaram nesta semana? A resposta pode ser simples. Inflação e desaquecimento da economia. Com exceção do Japão, por motivos óbvios, os países asiáticos passam por um duro processo de controle inflacionário. Ao contrário da política utilizada no Brasil, por lá, até o presente momento, não houve redução na taxa básica de juros. Os Bancos Centrais asiáticos estão sim preocupados com o desaquecimento de suas economias (provocado principalmente pelas reduções nas exportações), mas estão dando preferência no combate à inflação.

Os exportadores asiáticos já sentem o impacto da crise na Europa e Estados Unidos, mas as autoridades, preocupadas especialmente com a inflação, descartam flexibilizar o crédito. Em outras palavras, cortar a taxa de juros. As economias asiáticas, especialmente a chinesa, estão superaquecidas. Um pouso forçado é mais do que necessário para o planejamento do crescimento econômico sustentado nos próximos anos. Bem diferente do crescimento desregular com o qual estamos acostumados a vivenciar aqui no Brasil.

Mas há um problema neste pouso forçado, o timming. Os salários na China estão aumentando rapidamente (este é um processo natural da evolução do capitalismo) ao mesmo tempo em que o Yuan começa a se valorizar, mesmo que timidamente, em relação ao dólar. Em um ano, a alta é de 7%. Valorização do câmbio, aumento de salários e inflação acelerada (obrigando o governo a cortar o crédito), são fatores que geram instabilidade e incerteza na economia.

É uma situação complicada, o Banco Central continua apertando a economia chinesa mantendo o processo de desaceleração e os empresários então são obrigados a pisar no freio. O resultado final é uma redução no crescimento do PIB, que caiu para 9,1% neste terceiro trimestre na China. Ainda assim é um número muito alto, mas não deixa de ser uma desaceleração respeitada para quem estava acostumado a expandir acima de 10%. Vale a pena frizar que desaceleração de crescimento em 1% para um país como a China é uma coisa, desaceleração de crescimento em 1% para um país como o Vietnam é outra totalmente dirente (infinitamente menor).

Uma desaceleração no motor da economia mundial certamente afeta o mundo inteiro, especialmente os mercados quem giram à base de commodities, como o nosso por exemplo. É por este motivo que as ações de empresas exportadoras de commodities estão sendo afetadas na Bovespa.

Nos últimos dias, o mercado de minério de ferro tem chamado a atenção, os preços têm caído tão fortemente que a maioria das fábricas chinesas optaram por ficar de fora para cotação (devido a possibilidade de continuação da queda). Algumas siderúrgicas que compraram minério de ferro recentemente foram convidadas (a pedido de algumas mineradoras) a não divulgar o preço no mercado. Os preços no mercado à vista caíram para o nível mais baixo em um ano e podem continar caindo.

Na verdade o pulo do gato está no aço. Uma queda sustentada dos preços do aço chinês afetou o preço do minério de ferro. E porque o preço do aço caiu? Porque a demanda do grande consumidor de aço no mundo (China) caiu. E porque esta demanda caiu? Esta resposta você já sabe, está relacionada nos parágrafos anteriores.

Desaceleração da economia chinesa significa ficar de olhos bem grudados no mercado brasileiro. Não é por causa da especulação que as siderúrgicas e Petrobras estão caindo há bastante tempo na Bovespa e nem porque o mercado é irracional ao jogar a Vale abaixo dos 40,00. Mas diante destes fatores devemos fazer duas considerações: nem só de commodities vive a bolsa de valores e muito provavelmente, antes da retomada do seu nicho de mercado, estas ações já estarão subindo há muito tempo.

Apesar de tudo, o Ibovespa tem acompanhando a oscilação de Wall Street no curto prazo. Por isso iniciamos rompimento da resistência nos 55k e fechamos a semana renovando nova máxima. A força vendedora barrou os 55k durante toda a semana, mas não conseguiu dar continuação ao movimento, permitindo o aparecimento da força compradora que se aproveitou do baixo volume para romper a resistência nesta sexta-feira. O índice já está se aproximando de sua primeira LTB mais rápida desta tendência de baixa no longo prazo. É normal haver uma congestão e/ou realização de lucros antes de se iniciar o teste para possível rompimento desta importante linha de tendência de baixa.


Nos Estados Unidos o dia foi de importantes rompimentos para o Dow Jones e S&P500. Ambos conseguiram passar pela resistência mais importante deste curto/médio prazo fechando perto da máxima. A linha central de bollinger foi rompida também, chamando a atenção para as operações compradoras da massa. O candle poderia ser um enforcado de topo, se estivesse no topo. Como a tendência é muito curta (pelo semanal), a expressividade deste candle é pequena para inversão de movimento.


Na Europa, o encerramento da semana foi marcado pela recuperação dos principais mercados. O DAX (Alemanha) fechou a semana em leve alta, mas abaixo da média móvel simples de 200 períodos no semanal, que está fazendo um papel de resistência. Esta pequena "indecisão" abaixo da média pode favorecer o aparecimento de novas operações vendedoras em um movimento de realização de lucros após a forte puxada das últimas semanas.



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Bom descanso a todos e até segunda!

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