quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Euforia, mas com o pé no chão

As bolsas de valores ao redor do mundo inteiro fecharam em forte alta nesta quinta-feira após a notícia de que os líderes europeus chegaram a um acordo para reduzir a dívida da Grécia. O pacotão fechado na madrugada desta quinta-feira envolve 3 pontos importantes: primeiramente os bancos "aceitarão" levar um calote de 50% da dívida grega, em contrapartida receberão uma nova linha de socorro no valor de 130 bilhões de euros. Segundo: o fundo de resgate da zona do euro será alavancado em até cinco vezes e poderá alcançar 1 trilhão de euros. Terceiro: os bancos europeus serão obrigados a se capitalizar no mercado e precisarão acumular um total de 106 bilhões de euros no total.

Não se sabe da onde é que os bancos irão tirar esses 106 bilhões de euros para se capitalizarem no mercado. Também não ficou claro como o EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) será alavancado em 1 trilhão de euros. É por isso que devemos manter o pé no chão, mesmo com toda essa euforia no mercado. Não é injetando ainda mais dinheiro no sistema que se elimina o sério problema dos déficits fiscais, esta é uma solução temporária para acalmar os ânimos dos mercados e retomar a confiança.

A disparada das ações do setor bancário europeu foram o estopim para o pânico de alta que arrastou os mercados no mundo inteiro. Na França, os ativos do Société Générale bombaram 22,54%, o Credit Agrícole disparou 21,96% e o BNP Paribas subiu 16,92%. Na Alemanha o Deutsche Bank fechou com 15,35% de alta. Na Itália o Unicredit subiu 7,49% e o Intesa Sanpaolo ganhou 10,09%.

O raciocínio é bastante simples. Já que agora está garantido o socorro aos bancos europeus, os investidores saíram as compras visando ações do setor financeiro. Esse movimento rápido e repentino se alastrou para os demais ativos, gerando um otimismo generalizado no mercado. Na Alemanha por exemplo o DAX fechou em alta de 5,3%.

Aqui no Brasil o pregão já abriu forte, logo na abertura a resistência dos 58k foi rompida acionando mais um pivot de alta (e de suma importância) jogando o índice para testar a resistência dos 60k à base da euforia. O movimento foi muito rápido e deixou seu estrago sobre as operações vendidas em position que ainda estavam abertas abaixo da resistência dos 58k. Não é a toa que o volume na Bovespa hoje foi de 10 bilhões, tinha muita venda acionada no final do mês julho sendo zerada hoje.


É de se esperar que a região dos 60k continue fazendo o seu papel de resistência atraindo as operações vendedoras de curto/curtíssimo prazo. Este movimento de vendas rápidas e realização de lucros dos comprados de curto prazo já pode ser observado ao final da tarde de hoje. O índice poderá voltar a região dos 58k para fazer pullback ou mesmo retestar mais uma vez a região dos 55k que não irá alterar em nada esta tendência de alta no médio prazo.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em forte alta, inclusive rompendo a média móvel simples de 200 períodos. Apesar de haver poucas resistências importantes à frente (os 11.6k foram realmente um divisor de águas), o índice segue pesado para compras de curto prazo. Tendência de alta segue firme e forte, com uma bela puxada que se iniciou no dia 4 de outubro, onde ocorreu o bear trap mais forte do ano.

8 comentários:

  1. Caro FI,

    Estou iniciando minha carreira informal de agente de investimentos. Trabalho em banco, possuo as certificações CPA10 e CPA20.

    Vou administrar 50 mil (de inicio) com objetivos de longo prazo (5 anos). O perfil será mais conservador, por se tratar de dinheiro de terceiros. A estratégia básica será basear a compra em ações de boas pagadoras de dividendos, reinvestido e realocando conforme o movimento do mercado.

    Como o dinheiro ficou disponivel agora, em meio a essa esticada do IBOV, coloquei o capital num fundo DI e ainda nao comprei nada.

    Como meu objetivo é de LP acho que ainda não é hora de ir as compras.

    De qualquer forma minha idéia de carteira seria a seguinte:
    15 % Bancos (Banco do Brasil, BicBanco)
    25 % Eletricas (Cemig, CPFL e Eletropaulo)
    15 % Small Caps (Eternit, Marcopolo, TOTVS)
    15 % Empresas que julgue estar baratas (para especular), hoje siderugicas, CSN, MMX,
    30 % Renda Fixa (sempre mantendo essa reserva para ter capital disponivel para aproveitar algumas pechinchas).

    Se puder fazer uma análise e dar sua opinião seria de grande valor.

    Obrigado.

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  2. Rogerio,

    Boa carteira! Minha opinião é a seguinte:

    Bancos: Manteria Banco do Brasil e substituiria BicBanco por PINE4, ABCB4 e BGIP4 (ou se não quizer diversificar muito manteria BB E PINE4)

    Elétricas: Não compraria nada, apenas se as cotações caíssem muito. Tem que aguardar como será o processo de revisão tarifária que certamente vai impactar nos lucros das empresas. Clareando mais as coisas dá pra abrir posição nessas que você citou, recomendaria estudar a COCE5 e ENBR3 também.

    Small Caps: Eternit ok. Marcopolo ok. TOTVS não tenho conhecimento/confiança no papel. Mas jogaria pelo menos uma ou duas ações de construtoras tais como JHSF3, ETER3.

    Empreas baratas: blue chips que caíram muito, principalmente siderúrgicas. CSN ótima escolha. Já a MMX é boa pra especular apenas, ibov sobe ela dispara, ibov cai ela derrete.

    Sobre alocação deixaria mais ou menos desta forma:

    15% Bancos, 15% small caps, 30% empresas baratas, 10% Elétricas, 30% Renda Fixa

    Lembrando que essa é apenas a minha opinião. Qualquer dúvida a mais pode boltar a me perguntar.

    Abcs, bons investimentos

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  3. Vou entrar na cola do Rogerio: também estou montando uma carteira de LP. Mas com um horizonte mais amplo: 15/20 anos. Você poderia dar algumas dicas? Além, é claro, de todas as anteriores.
    :)
    Abraços,
    TR

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  4. FI,
    Ainda estou desconfiado. A solução foi apenas meia-solução.

    Sobre a dúvida do Rogério: na minha visão 5 anos não é longo prazo. Já temos 4 anos de baixa na bolsa e quem pensou em ser longo prazo isto se deu mal.

    Abraço.

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  5. TR,

    Eu acho mais difícil montar carteira de prazos muito longos, como 15/20 anos. Justamente porque não dá pra precificar muita coisa. Vai ser difícil, se não impossível, projetar economia e mercado para as empresas e segmentos num prazo grande desses. Se fosse pra comprar, sentar em cima e esquecer é preferível investir nos EFTs (BOVA11 ou PIB11). Agora se você pretende montar um carteira de hold, trocando as empresas quando o mercado começar a ficar ruim pra elas, ou quando os balanços começarem a ficar menos bonitos, recomendaria aquelas ações que passei para o Rogério. Uma empresa boa hoje, dificilmente será uma ótima empresa amanhã (a Vale de hoje, não será a Vale de amanhã, a Petro de hoje não será a Petro de amanhã...), são raras as excessões onde as empresas mantêm sua atratividade por tanto tempo (15/20 anos). Nesse caso só tem uma pessoa no mundo capaz de fazer isso: Buffet. Porque além de comprar, ele mantêm a empresa nos trilhos.

    Abcs,

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  6. Olá Jônatas,

    Também estou desconfiado, no papel as coisas estão "bonitas" mas na prática ainda tem muita lenha pra queimar. E o dinheiro sairá da onde? Continua um mistério.

    Acho que a visão de longo prazo varia de pessoa pra pessoa. Eu vejo como longo prazo qualquer coisa acima de 1 ano rsrs... mas isso pode ser porque estou acostumado a olhar mais para o curto prazo. Mas concordo que para a maioria dos holders de plantão, longo prazo é acima de 5 anos.

    Abcs,

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  7. Valeu pelas respostas pessoal, vamos manter contato por aqui.

    Obrigado FI pelas dicas, vou analisar esses bancos pequenos.

    Abs.

    Rogerio.

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  8. As ordens,

    Estamos à disposição. É muito boa essa troca de informações pelos comentários do blog. Se aprende muita coisa com as experiências de diversas pessoas.

    Abcs,

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