quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sem surpresas, Copom corta 0,50 p.p.

Seguindo a “cartilha de recomendação” do governo, o Copom anunciou hoje mais um corte de 0,50 p.p. na táxa básica de juros, que passa a ser de 11,50% a.a. Desta vez a decisão não pegou o mercado de surpresa e confirmou a expectativa da maioria das projeções no mercado, inclusive a nossa do Finanças Inteligentes. Há o reconhecimento de que o Banco Central está disposto a aceitar uma inflação mais elevada (perto do limite máximo da meta) para não prejudicar a atividade econômica nacional. A redução na taxa selic diminuiu o custo do crédito e "incentiva" (em partes) o crescimento econômico, mas por outro lado pressiona a inflação. Segundo projeções do Banco Central, os índices de inflação começarão a melhorar a partir do mês de Outubro deste ano. Difícil de acreditar, já que pela sazonalidade do período, a inflação costuma ganhar fôlego com os aumentos salariais, bônus e vendas de final de ano.

Ao final da reunião que terminou agora pouco, o Copom divulgou o seguinte comunicado: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% a.a., sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012."

Ou seja, o Banco Central conta com uma desaceleração da economia brasileira (além de possíveis ajustes fiscais do governo) para que a inflação feche o ano de 2012 no centro da meta de 4,5% a.a. Mas retornando ao mundo real, todos nós sabemos que as chances de isso acontecer são mínimas. O próprio boletim Focus do Banco Central já está projetando inflação de 2012 acima do centro da meta de 4,5%.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 29 e 30 de novembro, onde poderemos ter mais um novo corte na taxa básica de juros. Vamos aguardar sair a ata do Copom na semana que vem para projetarmos o próximo corte na selic, ao que tudo indica, deve sair mais uma redução de 0,50 p.p.

A bolsa brasileira fechou perto da estabilidade, apesar dos fortes solavancos no intraday, com esta perspectiva de corte na taxa básica de juros. O problema todo é que foi deixado um doji de indecisão bem abaixo da linha de resistência dos 55k, onde novamente houve outra tentativa de rompimento sem sucesso. Esta configuração proporciona abertura de novas posições vendidas, podendo jogar o índice para testar uma LTA de curto prazo amanhã. Se esta LTA de curto prazo for perdida, a linha central de bollinger poderá ser testada novamente em alguns dias.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones não conseguiu passar pela barreira dos 11.6k. Após mais um dia de tentativa de rompimento, o índice fechou em baixa e permanece dentro da zona de congestão de curto prazo. Há também uma LTA de curto prazo que poderá ser testada amanhã, o seu rompimento poderá acelerar o movimento de queda.

4 comentários:

  1. Realmente essa questão da inflação causa muita dor de cabeça, mas entre ter 1% ou 2% a mais de inflação no ano ou ter uma boa taxa de crescimento ainda mais agora que o mundo inteiro esta andando em marcha ré, eu opto pelo segunda.

    Eduardo

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  2. Eduardo,

    Sim, concordo com o seu ponto de vista. O problema é que já estamos acima de 2% a mais de inflação, pois a meta é de 4,5% e o acumulado dos últimos 12 meses está acima dos 7%.

    O governo poderia anular os efeitos de uma inflação forte fazendo as reformas necessárias (tributária, fiscal, trabalhista, educação, etc), incentivando o processo produtivo. Só assim esse país irar crescer e crescer bem de forma sustentada e por muitos e muitos anos.

    A receita é simples, basta ter vontade política.


    Abcs,

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  3. Eu ainda não estou convencido que tal política é o melhor para o Brasil.
    A inflação já fugiu do controle e com inflação não se brinca.

    Abraço FI,

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  4. Jônatas,

    Também não estou convencido, na verdade o BC está "arriscando" pra não dizer outra coisa. Se der errado eles podem culpar o cenário externo, sempre acham uma desculpa, mas aí o estrago já foi feito em nosso bolso.

    Espero que ano que vem não tenhamos problemas com a inflação, pois isso está ficando rotineiro e não é nada bom.

    Abcs, bons investimentos

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