sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Banco Central quer mais liquidez

O Banco Central anunciou nesta sexta-feira um afrouxamento de medidas macroprudenciais na intenção de aumentar ainda mais a liquidez da economia e estimular o consumo. A demanda interna é a principal arma que o Brasil possui para combater a crise no cenário internacional. Alguns países na Europa são fortes candidatos a entrarem em recessão, inclusive economias importantes, conforme alerta emitido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Basicamente o Banco Central vai elevar a liquidez de curto prazo para as operações de empréstimo à pessoas físicas, por meio da medida que ajusta os requisitos para cálculo do PRE (Patrimônio de Referência Exigido). E como o BC vai fazer isso? Aliviando o PRE. Na prática as instituições financeiras terão de ter menos capital do que é exigido hoje para conceder esses empréstimos de curto prazo (até 60 meses), ou seja, os bancos poderão emprestar mais dinheiro à população.

As operações de crédito consignado, com prazos até 60 meses, receberão FPR (Fator de Ponderação de Risco) de 75% ou 100%. As operações de crédito consignado com prazo superior a 60 meses receberão FPR de 300%. No CDC, as operações com prazo até 36 meses, receberão FPR de 75% ou 100%. As operações com prazo entre 37 e 60 meses receberão FPR de 150% e as operações com prazo acima de 60 meses receberão FPR de 300%. As operações de leasing (ou financiamento de veículos) com prazo até 60 meses receberão FPR 75% ou 100%. As operações com prazo superior a 60 meses terão FPR de 150%.

Simplificando, o FPR de 75% equivale a 8,25% de requerimento de capital. O FPR de 100%, a um mínimo de 11% de capital. O FPR de 150% equivale a 16,50% de requerimento de capital e o de 300%, a 33% de capital. Quanto maior o prazo, maior o risco e portanto mais capital a instituição deverá ter em reservas. A grande sacada está no menor requerimento de capital para empréstimos de curto prazo (até 60 meses), certamente para impulsionar os gastos da pessoa física. Esta medida pode estar contribuindo também para uma redução de 0,50 p.p. da taxa selic na próxima reunião do Copom, alguns "especialistas" estavam prevendo corte de 1%.

No cenário externo, a aprovação de reformas econômicas pelo Senado italiano animou os mercados. É o primeiro passo para o processo de renúncia do primeiro-ministro Silvio Berlusconi (falta ser carimbado pela Câmara Baixa) e assim seguir adiante com a formação de um governo de emergência. As bolsas na Europa fecharam em alta coladas nas máximas. Na Alemanha, o índice DAX respeitou a linha de suporte em 5.7k, deixando um candle de pavio longo inferior, denunciando o aparecimento da força compradora após as quedas recentes.


O movimento foi idêntico ao ocorrido com os principais índices acionários dos Estados Unidos. Candles semanais de pavios longos inferiores em cima de regiões/linhas de suportes. No Dow Jones a força compradora apareceu nas proximidades da linha central de bollinger segurando o índice acima dos 11.6k.


Na China, a bolsa de Xangai fechou em baixa na semana. Movimento normal pois Xangai estava subindo forte há duas semanas e chegou a realizar teste sobre a LTB de médio prazo, que por sinal está no mesmo ponto em que passa a linha central de bollinger. Resistência dupla e muito forte para ser rompida de primeira. Novos testes poderão acontecer nas próximas semanas.


No Brasil, a Bovespa fechou a semana de lado após fortes oscilações ao longo destes últimos 5 dias. O candle de fechamento não ficou muito bonito (para os comprados). Doji de indecisão abaixo da média móvel simples de 200 períodos seguido de um enforcado da semana anterior. A resistência nos 60k ajudou reforçar a posição de operações vendedoras e para o índice continuar a subir, os compradores terão que passar por cima destas operações (rompendo 60k) forçando os vendidos a liquidarem posição. E tem de ser rápido pois o índice fechou o semanal muito convidativo para socar. Ursos aparentemente no comando, se os touros não pegarem no contra-pé, eles animam e pancada reaparece com mais força.


Uma pequena observação quanto às despesas financeiras de empresas brasileiras que possuem dívida em dólar. Como o câmbio disparou em setembro (fechamento do 3º TRI), os prejuízos financeiros já eram esperados pelo mercado, já que mesmo com o hedge cambial as empresas podem perder (não há como adivinhar "a taxa perfeita"). O interessante é evitar que esta perda seja grande demais e acima de tudo, não utilizar o hedge para especular em dólar. Até o momento, nenhuma empresa parece ter se aventurado em hedges cambiais.

Bom final de semana a todos vocês e "boas férias" aos felizardos que irão enforcar a segunda-feira!

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O ouro que puxa as commodities
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Nível crítico
Faltou força

10 comentários:

  1. FI,

    O FPR é um tipo de compulsório para os empréstimos consignados?

    Abraços,
    Marcos

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  2. PS:

    Eu não vou enforcar nada :(
    Segunda-feira tem análise normal!

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  3. Marcos,

    Funciona como se fosse um compulsório. A porcentagem do FPR permite ao banco emprestar mais ou menos, pois irá exigir mais ou menos capital. Por exemplo, um FPR de porcentual menor irá exigir menos capital de reserva, logo os bancos estão liberados para emprestar mais.

    Abcs,

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  4. FI,

    Na sua opinião, você acredita numa alta na segunda, véspera de feriado?


    Carlos.

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  5. Caro FI, talvez esteja eu cometendo um erro, razão por que solicito uma orientação. Disponho de 35k parados, destinado ao investimento em RV. Aguardo uma maior depreciação da Bolsa, uma vez que tem sido anunciada uma recessão global no eixo América-Europa. Que devo fazer, na sua opinião? Abraços.

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  6. Carlos,

    O último candle de fechamento do gráfico diário foi bom, dando idéia de que a alta (curtíssimo prazo) pode continuar. Mas vai ter uma barreira difícil pra furar na segunda-feira que é os 58.6k. Eu sinceramente não apostaria em um movimento de alta mais forte que desconfigurasse esse topo no gráfico diário e semanal.

    Abcs,

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  7. Kaschperl,

    Sem dúvida o melhor momento de compra é quando o mercado entra em pânico de baixa e as ações ficam extremamente baratas (independente do motivo). Diante disso temos três opções na visão de um buy & hold:

    - Não colocar nada na RV e esperar este dia chegar;
    - Ir comprando aos poucos, independente se o mercado está caindo ou subindo, formando uma carteira de hold na média;
    - Comprar pouco nas quedas de curto/médio prazo mas deixando a grande parte do capital para os momentos de pânico de baixa;

    Eu escolheria a última opção.

    Abcs,

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  8. Intrometendo-me na conversa, é difícil esperar uma hora boa pra entrar na Bolsa. Mas, como o boom da globalização já se esgotou, parece-me que a cada uns dois ou três anos teremos uma crise. Aí vem o pânico das Bolsas, e a hora boa de entrar. Acho muito bom acompanhar as análises gráficas de longo prazo que há por aí. Fora isso, a terceira opção do FI é muito boa... =)
    Carla

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  9. Agradeço-lhes muitíssimo as sugestões. Abraços.

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  10. Também acredito nesta tese de que podemos passar por algum stress a cada 3 anos mais ou menos. Se for pensar bem, já estamos na segunda.

    Abcs a todos e bons investimentos

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