sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cadê o dinheiro?

Os líderes europeus bem que tentaram, rodaram a caixinha de natal para todos os cantos do mundo na intenção de recolher quaisquer contribuições de seus países "amigos" para a delicada situação na Europa. Mas não funcionou, ninguém doou um tostão furado, nem um vale-transporte ou ticket-refeição, nada! A reunião do G-20 terminou e não houve anúncio de que os países emergentes irão contribuir para o EFSF (traduzindo para o português: Linha de Estabilidade Financeira Europeia).

Não adiantou chamar o Hu pra jogar golf com seus novos amigos da Europa, ou chamar a Dilma pra fazer compras nas badaladas grifes europeias com direito a 50% de desconto (vamos utilizar o mesmo desconto "oferecido" pelos credores privados da dívida grega ok?). O golpe não funcionou e porque será? Talvez porque somos pobres mas estudamos história. Basta relembrar o quanto nós sofremos com os inúmeros embargos, barreiras e condições desleais de negócios quando se tratava de Europa. E a realidade não mudou muita coisa, ainda sofremos para vender no velho continente.

Este "não" de imediato dos países emergentes vai esquentar as próximas rodadas de negócios, principalmente aquelas negociações "monstro" que ocorrem às portas fechadas. Agora temos poder de barganha para negociar e temos que aproveitar este momento para "puxar a sardinha pro nosso lado". Muito provavelmente, a medida que as negociações forem avançando, os países emergentes deverão contribuir com a Europa, mas este recurso não cairá na conta carnavalesca do EFSF. O dinheiro será creditado no FMI (Fundo Monetário Internacional), para que seja avaliado caso a caso na concessão de empréstimos aos países necessitados.

Sem dinheiro na caixinha de natal, as bolsas europeias fecharam em baixa nesta semana. O índice DAX (Alemanha) não conseguiu passar pela linha central de bollinger e entrou num movimento de realização de lucros mais forte após a forte puxada desde o fundo nos 4.9k. Movimento idêntico observado nos mercados franceses e italianos.


Atenção especial para a Itália pois o país continua sofrendo uma dura crise de credibilidade, impactando no custo para emissão de dívida no mercado. O bônus italiano de 30 anos já está pagando 6,95% ao ano. O FMI planeja enviar uma equipe de peritos à Itália nas próximas semanas para iniciar a verificação sobre como o país está cumprindo os compromissos para reduzir sua alta carga tributária, implementar as medidas de austeridade fiscal e reduzir o orçamento.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou a semana em baixa, mas conseguiu se manter acima da linha central de bollinger e média móvel simples de 50 períodos, respaldado pelo impulso fornecido pela média de 200 períodos do semanal. Ainda há espaço para mais realizações de lucros, para posteriormente armar um fundo ascendente dando continuidade à tendência de alta no médio prazo que está intacta.


Na China a bolsa de Xangai fechou em alta na semana, testando a LTB mais rápida de curto prazo. Ainda trabalha em tendência de baixa no médio prazo e precisar romper esta LTB para posteriormente armar um pivot de alta invertendo a mão da tendência.


No Brasil a semana fechou em baixa na Bovespa, mas em ritmo de recuperação no final. As operações vendedoras conseguiram jogar o índice para retestar a LTB rompida e linha central de bollinger, região onde houve um forte aparecimento da força compradora que devolveu boa parte da queda na semana. Pode manter o movimento de realização de lucros ou congestão nas próximas semanas, o índice está sendo barrado pela média móvel simples de 200 períodos do semanal.


Hoje vamos fechar a semana com uma notícia positiva. O Tesouro Nacional informou nesta sexta-feira que emitiu 1 bilhão de dólares em bônus Global 2041 nos mercados europeu e norte-americano. Os papéis da dívida brasileira foram vendidos com spread de 160 pontos-base acima do Treasury (que é o nosso parâmetro), com vencimento em 7 de janeiro de 2041. O bônus ficou em 4,69% ao ano. Ou seja, o Brasil conseguiu vender dívida de 30 anos com a menor taxa de sua história. Isso porque a demanda foi muito alta, 13 vezes superior ao da oferta inicial que era de 500 milhões de dólares. O mercado está fugindo do risco de títulos soberanos europeus para comprar títulos de países como o Brasil por exemplo.


Então é isso pessoal, bom descanso e um ótimo final de semana!

Artigos da semana:

E pra Itália tem dinheiro?
Grécia "pede pra sair"

6 comentários:

  1. Acabou de sair: Papandreou conseguiu o voto de confiança no Parlamento.

    Vamos ver se ele vai cumprir com o prometido e renunciar.

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  2. FI ,

    A semana agora vai ser da ITÁLIA , vamos ver agora qual vai ser a notícia , a única coisa que sei é que : divida da itália 1 trilhão .

    ASS: ARRISCATUDO

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  3. Arriscatudo,

    Sim, Itália ainda vai muito pano pra manga. Apesar de que a economia deles é mais dinâmica e pode rolar as dívidas. Mas tem que ajustar as contas, sem dúvida, extrapolou muito.

    Abcs,

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  4. "O FMI planeja enviar uma equipe de peritos à Itália nas próximas semanas para iniciar a verificação sobre como o país está cumprindo os compromissos para reduzir sua alta carga tributária, implementar as medidas de austeridade fiscal e reduzir o orçamento."

    Qual seria a intenção em reduzir a carga tributária? O correto não seria aumentar?

    Will Mesquita

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  5. Will Mesquita,

    Sim a primeira vista o correto seria aumentar os impostos. Mas no caso da Itália a carga tributária já é pesada demais, o que acaba financiando os gastos exagerados do governo (além da corrupção). Se você fizer um ajuste fiscal, vai ter margem pra cortar impostos e reduzir o orçamento. Passando essa confiança de "acertar as contas" pro mercado, o país recebe mais demanda pra emitir dívida e consegue vender títulos mais baratos.

    Então por um lado o governo aperta a economia com as medidas de austeridade fiscal (atingindo diretamente o povo), mas por outro lado estimula o crescimento (reduzindo a carga tributária) do setor privado que futuramente vai gerar mais impostos e empregos.

    Muitos economistas e principalmente governantes não gostam deste modelo, justamente porque não é uma medida popular. No curto prazo, quem vai acabar pagando a conta é o cidadão que vota nas urnas.

    Abcs

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  6. Bela análise! Valeu mesmo.

    Will Mesquita

    ps.: o site é imperdível.

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