quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um rating que não muda nada

A agência de classificação de risco S&P elevou nesta quinta-feira, em um degrau, a nota de crédito soberano do Brasil, saindo de BBB- para BBB. O motivo da elevação do rating é uma forma de reconhecer o compromisso do governo em atingir as metas fiscais. Metas sustentadas graças ao aumento da arrecadação de impostos, que por sinal está batendo níveis recordes este ano. A elevação do rating também demonstra a redução do risco de calote do país, já que estamos em superávit primário (saldo positivo das receitas menos despesas, ou seja, gastamos menos do que arrecadamos).

A notícia não fez efeito no mercado pois a elevação do rating não alterou a nossa "posição", ainda na casa dos BBB. Foi apenas um ajuste, seguindo o mesmo movimento feito anteriormente pelas outras duas agências de classificação de risco, Fitch e Moody's, que elevaram o rating brasileiro em abril/2011 e junho/2011 respectivamente. Portanto não foi nenhuma surpresa, a S&P apenas se enquadrou no mesmo nível das demais agências.

O importante a ser observado é a perspectiva, e esta se mantêm estável. Isto é, pelo menos por enquanto, não há perspectivas de mais aumentos no rating brasileiro. Vamos depender de uma política fiscal ainda mais agressiva em 2012 para conter gastos e manter um bom nível de superávit primário. O que será difícil, já que neste ano começam a entrar investimentos públicos pesados visando a copa do mundo.

O índice Bovespa fechou em forte baixa perdendo a linha central de bollinger e confirmando a superioridade da resistência em 58.6k, no qual comentávamos nos últimos dias. A próxima linha de suporte relevante está na região dos 56.1k onde é ponto de pivot. Se esta linha for perdida teremos pivot de baixa armado no curto prazo podendo jogar o índice para teste na linha de suporte dos 55k.


O aparecimento da força vendedora foi ao estilo dos ursos capa-preta, com esses você não pode brincar e muito menos ficar na frente. Em poucos minutos conseguiram derrubar quase 1.000 pontos no índice à base da força (volume). Ao final do dia o pregão fechou com quase 7 bilhões, bem superior aos dias anteriores.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones também fechou em baixa perdendo a linha central de bollinger. Ao que tudo indica, o papel de suporte para tentar segurar a pressão vendedora ficará novamente para a importante linha dos 11.6k. Nem o bom resultado do número de pedidos de auxílio-desemprego (que caiu para o menor patamar dos últimos sete meses), animou os investidores. Quando o mercado é vendedor não adianta sair notícia boa.


Um dado no mínimo curioso foi divulgado hoje pela associação industrial que representa 22 mineradoras de ouro no mundo inteiro (estão entre as maiores do mundo). As compras de ouro pelos bancos centrais mundo afora mais do que dobraram no terceiro trimestre deste ano na comparação com o segundo trimestre do ano passado. Foram 148,4 toneladas de ouro adquiridas pelos bancos centrais somente neste terceiro trimestre, devido as incertezas econômicas mundiais. É meus amigos, achar papel que vale alguma coisa hoje em dia está difícil, até os bancos centrais estão correndo para o ouro.

7 comentários:

  1. É, BC's fazendo hedge com montanhas de ouro. As coisas estão estranhas mesmo. Itália pagando 7%, Espanha, pagando 7%, França caminhando para pagar 4%...Nesses tempos não se sabe se a economia manda na política, ou a política manda na economia.

    Will

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  2. Will,

    Eu posso alterar sua frase? A política estraga a economia rss.

    A Espanha está reclamando de ataques especulativos porque os bônus disparam pra rolar sua dívida, mas o que a Europa quer no meio de tanta bagunça? Isso é só reflexo das decisões políticas equivocadas.

    Abcs,

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  3. FI,


    Quer dizer que esperamos para manhã uma possível queda??

    Carlos.

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  4. FI,


    Quer dizer que esperamos para AMANHÃ uma possível queda??

    Carlos.

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  5. Parabéns ao blog que, mesmo sem ter a intenção de fazer previsões futuras, acaba sempre dando um "pitaco" certeiro.

    Acredito que essa crise ainda nos colocará diante de um cenário mais frágil e de maior pânico. Todas as vezes em que se foi colocado em questão uma hipótese futura sobre um eventual novo problema, caso uma medida para o problema atual não fosse tomada de forma coordenada e rápida, ela se tornou realidade. Inicialmente falava-se muito em Portugal, Espanha e Irlanda e boatos sobre Grécia começaram a ser noticiados. Posteriormente, a própria Grécia se torna protagonista da crise e quem entra em cena, com possíveis chances de impactar ainda mais a situação, de forma bem alarmante, é a Itália. Em seguida o posto de protagonismo vai para a velha bota e novos rumores surgem sobre a França. No momento sabemos que França e Alemanha já não são tão intocáveis como foi dito para todo o mundo, nos últimos meses. Rumores surgem em relação às instituições financeiras dos Estados Unidos e Reino Unido...
    Ainda há muita água para rolar debaixo dessa ponte e é bom que os governos reforcem bem a sua estrutura, pois, caso contrário, ela cederá ao volume de água e não haverá como resistir.

    Um abraço,

    Daniel

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  6. Carlos,

    No curto prazo a tendência é de queda com suportes em 56.1k e 55k (prega mais importante). Hoje tem um agravante maior porque é dia de vencimentos de opções em Wall Street. O coro vai comer em plena sexta-feira.

    Abcs,

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  7. Daniel,

    Obrigado! Importante observação que você fez, e acho que os governos hoje em dia estão fragilizados pela incompetência dos anos anteriores. A situação macro é bem complicada, do ponto de vista econômico eu não estou nem um pouco otimista. E não tem saída que não seja dolorosa, injetar liquidez no sistema não vai resolver o problema (mas é isso que os 1% de Wall Street querem). Tal como fizeram em 2008/2009, as economias continuaram patinando e pior, hoje estão com déficits maiores.

    Abcs,

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