segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Fechamento do Mês

Começamos o ano com o pé direito subindo nas primeiras semanas do mês de janeiro, mas tudo não passou de uma mera ilusão e/ou tentativa dos investidores estrangeiros de chamar a pessoa física para bolsa mesmo com o índice de volatilidade baixo. Basta ver o fluxo na Bovespa para perceber que foram eles que levantaram o índice até os 72k, mas também foram eles que fizeram hedge na BM&F (operando na venda). As incertezas sobre a política econômica do governo pesaram no mês de janeiro e fizeram alguns estrangeiros sair de nosso mercado sem ter comprador suficiente para suas posições (principalmente o investidor pessoa física, com fluxo descendente desde 2008), o resultado esta aí, queda de quase 4%. E ainda foi pouco, pelo que respresenta o volume total de compra dos estrangeiros.

Abaixo podemos reparar que a LTA (linha de tendência de alta - em azul) que vem do fundo em 29k foi rompida também no gráfico mensal, a linha vermelha marca o topo em 72k que passou a ser uma resistência mais forte que o próprio TH do Ibovespa em 74k. É o quarto mês consecutivo onde os candles buscam renovar nova mínima não respeitando fundo do mês anterior, isso significa que o mercado continua vendedor.


Pelo gráfico mensal não podemos perder a região dos 64.5k (que provavelmente deverá ser testada no próximo mês) pois ela é a média móvel simples de 20 períodos e se os preços trabalharem abaixo desta importante média o cenário fica pessimista demais para médio e longo prazo. A última vez que isso aconteceu foi exatamente no crash de 2008.

Empresas retiram estrangeiros do Egito, Moody's corta nota do país

O mercado financeiro ainda segue preocupado com a crise no Egito, governos e empresas estão retirando seus funcionários do país devido ao clima de instabilidade política. Manifestantes intensificaram sua campanha para derrubar o presidente Hosni Mubarak que está propondo um diálogo com a oposição, mas a situação continua instável e ainda prevalece o temor quanto à extensão da crise para outros países da região e as possíveis interrupções no transporte no Canal de Suez preocupam os investidores. Mais uma vez o preço do barril de petróleo tipo light disparou e está sendo negociado perto da casa dos 92,00 dólares o barril. Para completar a agência de classificação de riscos Moody's rebaixou hoje a classificação da dívida do Egito com perspectiva negativa devido ao risco-político do país.

Nos Estados Unidos o mercado de ações subiu na segunda-feira com resultados corporativos fortes e sinais de uma melhora na economia, o índíce que mede os gastos dos consumidores aumentou 0,7% para 69,5 bilhões de dólares no mês de dezembro (não deixa de ser uma boa alta, porém o mês de dezembro tem essa característica impulsionado pelas compras natalinas). Lembrando que o consumo interno corresponde a quase 70% do PIB norte-americano. Dow Jones fechou o dia em leve alta, respeitando a linha central de bollinger (média móvel simples de 20 períodos) e para os mais otimistas a correção pode ter acabado, já que bater na linha central de bollinger e voltar é um ótimo sinal de mercado comprador.


Na bolsa brasileira o dia foi de fraqueza total. O índice ensaiou uma retomada de alta durante o dia mas foi barrado pelos 67.2k (média móvel simples de 200 períodos e primeira fibo de correção desde o fundo em 58k). Apesar de estar em clara tendência de baixa o índice pode apresentar um repique técnico esta semana, conforme podemos reparar a linha de base do canal de baixa foi tocada e respeitada e hoje foi deixado um doji de indecisão abaixo dos 67.2k o que pode indicar que o rompimento deixou o mercado indeciso abrindo possibilidades de retomada deste patamar. Além disso os indicadores já estão bastante sobrevendidos.


Hoje também tivemos o Boletim Focus revisando sua expectativa para o IPCA deste ano de 5,53% para 5,64%. As expectativas para a taxa Selic em 2011 passaram de 12,25% para 12,50%. O PIB do Brasil foi revisto de 4,5% para 4,6% em 2011 e para 2012 a projeção se manteve em 4,5%.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tensão no Egito gera efeito dominó nos mercados

Os protestos contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak (no poder desde 1981) aumentaram em meio à revolta da população provocando um movimento de aversão ao risco nas bolsas ao redor do planeta. O problema todo está no Canal de Suez, que é o principal ponto de ligação entre Ásia e Europa, e pode estar ameaçado em meio a onda de tensão que toma conta país, por isso as bolsas despencaram e os investidores correram para o dólar em busca de segurança. O preço do barril de petróleo tipo light disparou mais de 4 dólares durante o dia fechando cotado a 89,45.

Mais cedo (antes do estouro do Egito) o Departamento do Comércio norte-americano informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a um ritmo anualizado de 3,2% no quarto trimestre de 2010. O resultado não veio ruim, mas ficou abaixo do que era esperado pelos analistas. Este crescimento está baseado no consumo interno empurrado pelos programas de incentivo do governo, mas é insuficiente para reduzir a elevada taxa de desemprego nos Estados Unidos. Olhando no gráfico abaixo podemos reparar que Dow Jones sentiu a muralha dos 12k e soltou um candle de topo no semanal, tem bastante espaço para corrigir sem afetar a tendência de alta no médio prazo.


O mercado asiático estava fechado quando as tensões no Egito se agravaram, mas o cenário segue bem parecido com o nosso aqui no Brasil, tendência de baixa. A bolsa de Shangai trabalha dentro de um canal de baixa e segue abaixo de duas médias móveis importantes: a de 20 e 50 períodos. O lado bom é que o índice respeitou o suporte (forte) nos 2.650 pontos e achou um ponto para respirar no curto prazo.


Na Índia, segundo mercado emergente mais importante do mundo, podemos reparar que o índice Bombay também trabalha em tendência de baixa que foi acelerada após o rompimento de sua LTA principal. O triângulo simétrico rompido aumentou a força para detonar o suporte nos 19k, acionando pivot de baixa no semanal.


O principal índice do mercado europeu, DAX (Alemanha), fechou a semana com mais um candle de indecisão logo abaixo da resistência dos 7.1k, devido ao alto nível de sobrecompra a situação ficou favorável  ao aparecimento de operações vendedoras. Assim como no mercado norte-americano, o índice apresenta espaço de sobra para uma correção saudável sem prejudicar a tendência de alta do médio prazo.


No mercado brasileiro a situação que já era ruim se agravou mais ainda. O índice bovespa perdeu sua LTA de sustentação que vem desde o fundo da crise do subprime em 29k, está trabalhando abaixo da média móvel simples de 20 períodos e não conseguiu se segurar na média móvel simples de 50 períodos. Para completar a situação foi detonado pivot de baixa e triângulo simétrico que projeta a base da zona de congestão em 60k.


Gostaria de fechar com uma pequena reflexão, na verdade uma humilde opinião sobre a atual situação da política econômica no Brasil. Em um mercado onde as leis mudam a todo instante, (como por exemplo o IOF sobre aplicações financeiras de investidores estrangeiros) a regra do jogo também muda e acaba levando a economia junto, sendo assim os investidores tornam-se obrigados a rever suas estratégias.

O mercado está totalmente indeciso quanto as atitudes do governo. Parece que não há confiança alguma por parte dos investidores. Qual será o futuro do câmbio com tantas intervenções do BC? Aonde vai parar a inflação? Vai haver reajuste fiscal? De quanto? Onde? E a selic, qual será o rítimo de aperto monetário? Quais são as estratégias do governo? Na dúvida, indecisão e falta de confiança o investidor corre do mercado, e é o que está acontecendo na bolsa. Agora o estrago já foi feito, resta apenas torcer para que no ano que vem o nosso país comece a funcionar antes do carnaval.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Política fiscal e cambial, um verdadeiro ponto de interrogação

O descolamento da Bovespa com o resto do mundo já deixou de ser novidade e passa a ser rotina para os que acompanham mercado financeiro. No post de ontem relatei alguns dos motivos que, na minha opinião, estão colaborando para este descolamento. Porém o fator governo está deixando os investidores com o pé atrás, isso porque as informações estão começando a ficar desencontradas dentro do próprio governo. Está mais do que óbvio que existe uma necessidade imensa de corte nos gastos públicos, mas hoje mesmo a nossa presidente Dilma Rousseff disse não vai contingenciar o PAC, então aonde o governo irá cortar os gastos? Acho que provavelmente não cumpriremos o superávit primário este ano e a inflação continuará pressionada pela gastança do governo.

Outro fator que está pesando é o câmbio. Hoje mesmo o BC fez um leilão surpresa de swap cambial reverso (equivale a compra de dólares no mercado futuro). E o mercado não gosta de surpresas, imagine você investidor aplicando recursos em outro país, iria gostar de correr o risco de receber essas surpresinhas que afetam diretamente seus investimentos? Isso pode espantar os investidores de nosso país (será que é isso que o governo quer? espantar investimentos?).

Tudo o que o mercado quer é que o governo passe mais confiança. É necessário cortar os gastos públicos? Ok, vamos cortar XX bilhões aqui, aqui e alí. Inflação fora da meta? Ok, nossa política de aperto monetário é X e vamos fechar 2012 dentro da meta da inflação (2011 já era, deve fechar fora da meta). Câmbio? Ok, vamos interferir, mas eu vou avisar com antecedência para não te pegar de surpresa. E por aí vai...

Voltando ao cenário internacional o grande destaque do dia foi o rebaixamento do Japão pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. O rating da dívida soberana do país passou de "AA" para "AA-". Nos Estados Unidos o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu em 51 mil para 454 mil na semana encerrada no dia 22 de janeiro, resultado veio pior do que as estimativas do mercado. Mesmo assim Dow Jones não arredou o pé e fechou estável mantendo o altíssimo nível de sobrecompra e possibilidade de correção no curto prazo.


Na bolsa brasileira as operações vendedoras continuam dominando o mercado, o suporte de 68.5k foi rompido (porém no intraday deu espaço para day-trade contra-tendência em cima do suporte). O índice encontrou uma LTA de um fundo que vem dos 64k (linha azul) e também abriu possibilidade de compra no toque desta linha, mas com o mesmo objetivo de sempre, mandar pro bolso rápido antes que seja tarde demais.


Finalizando o gráfico abaixo demonstra o que vem acontecendo com os papéis de empresas menores que compõe o índice small caps. O índice perdeu a base da sua zona de congestão em 1380 pontos com um candle de rompimento de forte representatividade. Reflete o que está acontecendo com essas empresas nos últimos dias. Portanto não custa nada frizar que o foco do mercado está nas blue chips, mesmo para trades rápidos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Bovespa, o patinho feio do mercado

Já está sendo uma situação corriqueira ver o índice bovespa cair enquanto o mundo inteiro sobe mesmo com o índice de volatilidade baixo. Nem mesmo o mercado de commodities estamos seguindo mais, sendo que o grande peso do nosso índice é justamente composto por empresas deste setor. Só hoje o índice que mede o mercado de commodities subiu 2,3%, nos velhos tempos o Ibovespa teria marcado uns 3% de alta seguindo o mercado. Para exemplificar tamanha discrepância entre suas maiores influências vamos observar abaixo o gráfico do Commodity Related Equity:


Acho que dispensa qualquer tipo de análise, é bastante visível o que está acontecendo com as commodities, forte alta nos últimos 8 meses. Mas então porque a bolsa não acompanhou? Porque estamos descolados de nossas principais influências? Vou enumerar alguns motivos:

- Fluxo de investidores pessoa física é decrescente desde 2008 na bolsa,
- Bovespa foi a melhor aplicação do mundo em 2009 (portanto não deve-se esperar que ela seja a melhor também nos anos seguintes),
- Incertezas quanto ao governo Dilma e política econômica,
- Novo ciclo de aumento da taxa básica de juros,
- Ativos mais baratos no mercado norte-americano e europeu,
- Investidores estrangeiros vendidos em índice futuro e indicando saída no mercado à vista.

Enfim, motivos sempre irão existir mas no final das contas o que importa mesmo é respeitar o Sr. mercado e jamais ir contra a sua vontade. Outro fator que está me chamando a atenção nos últimos meses é o famoso "rodízio pra bater". As vendas pesadas estão sendo concentradas em alguns ativos que costumam cair 3, 4 ou 5% num só dia enquanto outros (com maior peso no índice) caem pouco ou até mesmo nem sofrem correção e isso dá uma camuflada no índice. Os papéis que estão fazendo essa camuflagem são exatamente as blue chips (vale, petro, siderúrgicas e bancos). Nos demais ativos (salvo algumas exceções) o mercado está chamando pro cantão e descendo a lenha sem dó.

Voltando para o fechamento de hoje, Dow Jones conseguiu superar no intraday a muralha dos 12k mas fechou abaixo desta linha refugando movimento deixando um doji de indecisão, correção ainda não apareceu mas deve estar próxima de acontecer. Já no Ibovespa podemos perceber no gráfico abaixo que mesmo com a queda de hoje o índice conseguiu respeitar aquela linha de suporte que eu estava demarcando nos últimos dias e pode ser um ponto para gerar um repique amanhã. Se esta linha não for respeitada podemos buscar mais uma vez a média móvel simples de 200 períodos nos famosos 67.2k.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Wall Street a espera de Obama

Nova York fechou o dia praticamente estável no pregão desta terça-feira após os resultados decepcionantes da 3M e Johnson & Johnson e também pela expectativa quanto ao discurso de Obama esta noite. Houve uma onda compradora no final da sessão que foi responsável por levar o índice a fechar o dia perto da estabilidade conforme podemos verificar no gráfico abaixo. Cenário e perspectivas permanecem os mesmos.


O grande destaque do dia está marcado para meia-noite (horário de Brasília), o discurso sobre o Estado da União do presidente Barack Obama no Capitólio em Washington. Obama deverá fazer um apelo à luta contra os déficits. Em particular, através da prorrogação, por mais dois anos, do congelamento previsto de três anos dos gastos do governo. Amanhã também teremos o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, que deverá manter a taxa de juro entre zero e 0,25%. Devido ao feriado em São Paulo a Bovespa não funcionou nesta terça-feira.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Trégua antes do feriado

Em clima de véspera de feriado a Bovespa fechou o pregão desta segunda-feira em leve alta de 0,42%. O dia foi muito fraco e o volume também, apenas 3,99 bilhões. O Ibovespa encontrou ponto de apoio na linha de suporte que tracei na semana passada, onde passam os 68.5k, a partir desse ponto a força compradora apareceu (mesmo que timidamente), Wall Street pode ter colaborado um pouco para esse repique do índice pois Dow Jones continua bombando como nunca.


Na agenda econômica tivemos o resultado do índice de Gerente de Compras da zona do euro que subiu de 55,5 em dezembro para 56,3 em janeiro. Já nos Estados Unidos os principais índices acionários também subiram por conta de balanços de empresas como Halliburton e McDonald's que por sua vez reportou lucro líquido de US$ 1,24 bilhão, avanço de 2,1% em relação ao ano anterior.

Dow Jones não deu outra, subiu mais uma vez e o nível de sobrecompra já é assustador conforme podemos verificar no gráfico abaixo. Mas essa pernada de alta iniciada nos 10k em setembro do ano passado não deu venda ainda e já acumula quase 20% de alta no período. Dow Jones e S&P500 seguem fortes como nunca e no momento qualquer realização de lucros não passa de uma mera correção para manutenção da tendência de alta. Situação bem diferente da nossa.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fechamento da Semana

O que fez levar a China aos Estados Unidos?

O destaque desta semana sem dúvida foi a visita histórica do governo chinês na terra dos yankees. De um lado temos um governante ingênuo e bastante ineficaz que não consegue tirar a maior economia do mundo da lama e precisa contar com seus amigos do FED para injetar bilhões de dólares na economia com a intenção de se evitar um colpaso na matriz do sistema capitalista. Do outro lado temos um governo pouco amigável, audacioso e o mais importante, muito inteligente. A China foi o único país do mundo que saiu por cima na crise do subprime, eles provaram que, quando a situação aperta utilizam todas as ferramentas possíveis em prol da economia chinesa. Utilizando uma "simples ferramenta" (o câmbio) a China dominou o comércio internacional e cresce seus 10% a.a. enquanto o resto do mundo (salvo algumas exceções) rasteja atrás de 1 ou 2%.

Mas então o que o nosso amigo Hu Jintao foi fazer nos Estados Unidos? Passear? Não, foi fazer negócio da China! O gigante asiático está com sérios problemas de inflação, sua economia é um monstro, não pára de crescer e tem um potencial enorme em seu mercado interno ainda a ser explorado. A China não consegue atender este mercado, é muita demanda, então o que fazer? Para se evitar uma bolha vamos "abrir" nosso mercado para os yankees. Porque eu coloquei "abrir" entre aspas? Os chineses querem dos americanos o que eles ainda não tem, tecnologia. É como se fosse uma brechinha na muralha da China para os Estados Unidos, nada mais.

Mas e o principal? O que está desestabilizando o comércio internacional a anos? O Iuan! A China vai parar de manipular o câmbio e deixar a sua moeda se valorizar? Não! Hu Jintao volta pra casa feliz da vida e o nosso amigo Obama continua sorrindo para as câmeras "Mr. China agora é nosso parceiro comercial".

Voltando aos mercados vamos dar uma passada rápida no fechamento da semana dos principais mercados mundiais. Começando pela China, podemos reparar que a bolsa de Shangai continua caindo devido ao aperto monetário promovido pelo governo chinês para tentar controlar a inflação. Canal de baixa, mercado perdendo médias importantes de sustentação.


No principal mercado da Europa (Alemanha) podemos reparar que o índice deu uma brecada após o belo rali de alta do ano passado. Níveis de sobrecompra altos demais desanimam abertura de novas posições compradas por lá. Está na mão dos ursos (bom pra vender), resta saber se eles vão entrar pra valer ou vão continuar dormindo.


Nos Estados Unidos o rali de alta é inquestionável, mas também mercado está movido ao dinheiro do quantitative easing do FED. Todo mês são centenas de bilhões de dólares entrando na economia e este dinheiro busca o retorno rápido (na especulação). Dow Jones continua esticado conforme podemos observar logo abaixo, porém uma realização não passa de uma mera correção para manutenção da tendência.


Finalizando com o Brasil, fechamos a semana com um péssimo candle de baixa devolvendo os ganhos conquistados nas duas últimas semanas. As bolsas dos países emergentes estão em "outro mundo", lateralizando e/ou realizando lucros enquanto as bolsas dos países desenvolvidos não param de subir. É claro, pois nos mercados do norte os ativos estão mais baratos. 

Voltando ao Ibovespa, podemos reparar que estamos na corda bamba no semanal, testando mais uma vez a linha de tendência de alta (LTA) que vem do fundo em 29k e não será nada bom perder esta linha de sustentação. Em caso de perda ainda existe a possibilidade de haver um refugo no rompimento desta com o teste da média móvel simples de 50 períodos em 67.4k. O cenário voltou a ficar nebuloso para a bolsa que necessita de uma reação imediata na semana que vem.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

China demonstra forte crescimento no 4º TRI/2010 e derruba mercados, entendeu?

Não? Pois vou tentar explicar o raciocínio do mercado. O Produto Interno Bruto (PIB) da China acelerou para 9,8% no quarto trimestre de 2010 frente ao mesmo período de 2009, um ótimo resultado não fosse pelo fato de que o gigante asiático está lutando contra a inflação. Forte crescimento significa que o governo chinês pode lançar mais medidas adicionais para frear o ritmo de expansão. Se o crescimento não estivesse tão forte talvez não fosse necessário aumentar tanto assim o compulsório e a taxa básica de juros para combater a pressão inflacionária. E bastam três palavras na China para derrubar o mercado de commodities no mundo hoje em dia: "combate à inflação". Bolsas no mundo inteiro caíram nesta quinta-feira, barril de petróleo tombou em Nova York perdendo a região dos 90,00 dólares.

Nos Estados Unidos nem os dados positivos da agenda econômica (como por exemplo o número de pedidos de auxílio-desemprego que caiu em 37 mil para 404 mil na semana encerrada no dia 15 de janeiro) animaram os mercados que estão de olho no crescimento chinês. Dow Jones cedeu até uma LTA (linha de tendência de alta) secundária e marcou um doji de indecisão. Mercado esticado realizando lucros mas ainda indeciso quanto à intensidade da queda.


No mercado brasileiro, aliado ao pessimismo quanto à China outro fator foi decisivo para queda no pregão de hoje, as medidas "macroprudenciais" de combate à inflação do BC. As ações dos bancos foram fortemente penalizadas pois estas medidas macroprudencias estão vinculadas à restrição do crédito, ou seja, a carteira de crédito dos bancos deve se expandir menos este ano. Com isso o nosso Ibovespa perdeu sua LTA que vem dos 67.2k, linha central de bollinger e último fundo ascendente desta pernada de alta o que descaracteriza a tendência e deixa o índice vulnerável à continuação das operações vendedoras.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Tombini passa no teste, selic sofre aumento de 0,50 pontos agora em 11,25%

Confirmando as estimativas do mercado o Copom (Comitê de Política Monetária) acabou de elevar a taxa selic para 11,25% a.a. na primeira reunião do BC sob o governo de Dilma Russeff. Ponto para o Tombini (novo presidente do Banco Central) que pode ser uma peça chave para evitar o descontrole da inflação (e também da economia) nessa política desnecessária de gastos públicos do governo. E o mais importante a decisão foi unânime e sem viés, demonstrando comprometimento com o BC em relação à meta de inflação que é de 4,5% a.a. Acredito que este ciclo de aperto monetário deverá se prolongar por mais umas duas reuniões do Banco Central, podemos até mesmo pensar em projetar a selic para o fechamento de 2011, algo entre 12,50% e 13,00% são as minhas expectativas nesse momento.

No cenário internacional o alarme para realizações de lucros soou no pregão desta quarta-feira. Conforme comentado ontem, mesmo tendo uma tendência de alta que é inquestionável, o curto prazo está chamando uma realização de lucros para dar nova entrada (na compra) para quem opera curto prazo. Na Alemanha DAX caiu 0,85%, FTSE da Inglaterra perdeu 1,32%, Índice de commodities CRX fechou em baixa de 1,80%, S&P500 caiu 1,10%. Dow Jones recuou pouco 0,2% pois o nível de sobrecompra está bem menor que o do S&P500. O índice Dow Jones tem bastante espaço para realização de lucros, um toque na média simples de 20 períodos ou na LTA que vem desde os 10k não seria nada mau para manutenção da tendência. Dados da economia chinesa podem mexer com os mercados amanhã.


No Brasil o Ibovespa também cedeu, porém a queda de hoje pode ser explicada pelo aumento da taxa selic, quando a bolsa fechou o BC ainda não tinha anunciado o aumento, mas o mercado sempre está antecipando. O aumento da selic deixa os investimentos em renda variável menos interessantes à longo prazo, para curto e médio prazo tem pouca influência. No gráfico podemos perceber que o Ibovespa está indo de encontro ao seu primeiro ponto de apoio para tentar reverter a tendência de baixa no curtíssimo prazo que é a média móvel simples de 20 períodos, suporte do último fundo ascendente e LTA da pernada de alta que vem dos 67.2k. É um bom ponto para buscar reversão e voltar a subir.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Boas notícias sustentaram os mercados nesta terça-feira

Leilões bem sucedidos de dívida da Grécia e Espanha e dados positivos sobre a atividade manufatureira de Nova York injetaram ânimo nos mercados que mantiveram o rítimo comprador no pregão de hoje. Wall Street voltou a funcionar e colocou "ordem na casa". O mercado é comprador nos países desenvolvidos, basta observar os índices Dow Jones, S&P500, DAX, etc. Hoje não foi diferente, Dow Jones subiu renovando nova máxima mantendo sua pernada de alta. A tendência de alta é inquestionável, o que pode ocorrer nos próximos dias/semanas é uma realização de lucros um pouco mais acentuada para aliviar os indicadores pois o nível de sobrecompra está insustentável, principalmente no índice S&P500.


Na Europa apesar da ausência de decisões concretas sobre a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro em Bruxelas o dia foi de alívio para os investidores pois Grécia e Espanha conseguiram captar dinheiro no mercado emitindo títulos públicos sem precisar de subir a taxa de juro pois houve bastante demanda.

No Brasil o mercado seguiu Wall Street, dia comprador na Bovespa. Reparem que mesmo assim o índice não conseguiu romper sua LTB (linha de tendência de baixa) do canal, mas está bem configurado para tentar este rompimento pois tem bastante espaço ainda para uma recuperação sem que altere a tendência de alta iniciada nos 67.2k. Médias móveis de 20 e 50 períodos fizeram cruzamento bull sinalizando que a tendência de alta deve se manter. Foco continua nas blue chips, algumas dando oportunidades de position para esse primeiro semestre.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Sem Wall Street, Ibovespa realiza lucros em dia de movimento fraco

Devido ao feriado nos Estados Unidos a bolsa de valores de Nova York não funcionou e o foco dos investidores caiu no mercado europeu e repercussão da queda no mercado asiático. O giro do pregão foi de 8,68 bilhões de reais, porém 3,78 bilhões vieram do exercício de opções sobre ações que acabou por influenciar a realização de lucros no mercado à vista.

Neste momento na Europa os ministros de finanças da zona do euro estão reunidos em Bruxelas para discutirem formas de combater a crise da dívida da região, entre elas existe uma proposta de ampliação do fundo de resgate de 750 bilhões euros. Na ásia a inflação continua jogando o tom de cautela nos mercados, Coreia do Sul e Tailândia aumentaram suas respectivas taxas de juros sinalizando aperto monetário para 2011 (mesmo rumo para China e demais países emergentes).

No mercado brasileiro os investidores estão precificando um provável aumento na taxa selic este mês o que serve de "motivo" para realização de lucros na bolsa. O índice voltou para dentro do canal de baixa e está acima de uma linha de suporte, ainda tem espaço para novas correções se for o caso. A questão a ser analisada não é o aumento em sí da taxa selic, mas e sim qual será sua intensidade? Algo em torno de 0,50 pontos base seria o "necessário" para dar início ao aperto monetário, mas se o BC quiser surpreender o mercado e mostrar uma postura firme e séria no combate à inflação desta nova gestão que aumente 0,75 pontos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Fechamento da Semana

Semana termina com EUA e China em rumos opostos

Logo pela manhã o mercado levou o impacto de um novo aumento no compulsório na China em 0,5 ponto percentual. O Banco da China está na luta contra a inflação está desestimulando a economia com os constantes aumentos do compulsório e também da taxa básica de juro. Os mercados na Ásia continuam caindo, conforme podemos observar no gráfico abaixo da bolsa de Shangai, certamente estão precificando um desaquecimento da economia chinesa em 2011.


Diferentemente da Ásia a situação nos Estados Unidos é outra. A bolsa de Nova York, regada ao dinheiro farto da economia americana proporcionado pelo quantitative easing 
do FED (banco central norte-americano) não para de subir. Dow Jones e S&P500 seguem cravando novas máximas conforme podemos reparar logo abaixo:



Reparem que tanto o Dow Jones, quanto o S&P500 estão cortados para bull market entre as médias. A média simples de 20 períodos cortou a média simples de 50 e depois a de 200 períodos em ambos os índices. Os índices seguem em forte tendência de alta porém com indicadores bastante sobrecomprados no semanal o que joga um alerta para futuras realizações de lucro saudáveis sem atrapalhar em nada a tendência de alta no médio prazo.

Na principal bolsa da Europa (DAX  - Alemanha) podemos reparar que após a realização de lucro das últimas semanas o índice voltou a subir mostrando que sua tendência de alta no médio e longo prazo continua forte, porém está barrado pela resistência em 7070 pontos mantendo alto nível de sobrecompra. 


No Brasil, o índice bovespa fechou a semana com um candle de alta renovando nova máxima e com fortes chances de sair da zona de congestão que já dura mais de um ano. Podemos reparar que a LTA (linha de tendência de alta) foi testada ao extremo, mas não foi perdida, ou seja a tendência de alta foi respeitada. Operando acima da média móvel simples de 20 períodos o índice segue armado para novas altas com objetivo de teste no topo histórico em algumas semanas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Leilões na Europa foram bem sucedidos, mas o mercado resolveu embolsar os lucros

Espanha e Itália fizeram hoje seus leilões de títulos da dívida pública e ambos obtiveram sucesso. Os espanhóis emitiram 2,999 bilhões de euros em bônus para cinco anos com juro de 4,59% e os italianos colocaram bônus no valor total de 6 bilhões de euros para cinco e 15 anos. Ainda em relação ao continente europeu, o BCE (Banco Central Europeu) manteve em 1%, a principal taxa de juro na região da zona do euro e o Bank of England (BoE) conservou a taxa básica de juros do país ao patamar de 0,5%, ambos em linha com as expectativas do mercado. Mas os dados fracos do mercado de trabalho norte-americano deram início a disparada para realização de lucros no Ibovespa.

Conforme podemos observar no gráfico do índice bovespa abaixo o dia terminou na mínima, a realização de lucros devolveu grande parte da alta de ontem. O índice não respeitou o pullback sobre a LTB (linha de tendência de baixa) do canal e voltou pra dentro da linha, mas como o mercado tem refugado constantemente os movimentos pode ser que volte a subir amanhã. Até o momento a realização de lucros é normal e saudável, tem espaço para ir novamente na média móvel simples de 50 períodos e/ou testar a LTA (linha de tendência de alta) desta pernada de alta iniciada em 67.2k.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones, perdeu 0,20% para 11.731 pontos, Nasdaq caiu 0,07% para 2.735 pontos e o S&P500 teve desvalorização de 0,17% para 1.283 pontos. As perdas foram insignificantes embora os índices encontram-se em região de sobrecompra a tendência continua sendo de alta. Dow Jones subindo devagar abriu um bom espaço para futuras realizações de lucros, no curto pazo pode retestar a média móvel simples de 20 períodos sem alterar em nada a tendência principal.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Leilão de Portugal passa no teste e levanta os mercados

Foi muito bem sucedido o leilão de títulos públicos ofertados pelo governo português nesta quarta-feira, a taxa de juros ficou abaixo dos 7% (considerado padrão crítico) e a demanda foi três vezes maior do que a oferta o que acabou agradando os investidores pois o custo da dívida para Portugal ficou abaixo da última captação feita no mecado. Os grandes compradores foram a China e o próprio BCE (banco central europeu) conforme haviam prometido, garantiram a demanda para os bônus portugueses. Amanhã estão previstos leilões de títulos da dívida da Itália e Espanha. Se a tendência permanecer, o dia pode ser de novas altas nas bolsas mundiais.

Nos Estados Unidos hoje foi dia de Livro Beje do FED. O Banco Central norte-americano afirmou que as condições da economia melhoraram moderadamente entre meados de novembro e dezembro. O panorama traçado pelo BC americano foi otimista para a economia, embora ainda com alguma cautela. O Quantitative Easing 2 do FED continuará a todo vapor em janeiro confome cronograma e com essa puxada do Dow Jones e S&P500 poderá atrair parte desta injeção de capital para os ativos em bolsa. Dow Jones em nível alto de sobrecompra renovou topo ascendente acionando mais um pivot de alta conforme podemos observar no gráfico abaixo. S&P500 na mesma situação, subindo bastante e realizando pouco, porém com atenção redobrada.


O Ibovespa está tirando o atraso do descolamento do mês passado quando foi na contra-mão do mundo. Subiu bem no pregão de hoje amparado pelas blue chips que estão bem armadas tecnicamente falando e baratas no curto prazo. Destaque para bancos, Gerdau e Petro. No fechamento de hoje podemos reparar que o índice rompeu o canal de baixa ao estilo bull market, forte volume, candle expressivo de alta (marubozu) empurrando a bollinger superior para cima e armando mais um pivot de alta. Média móvel simples de 20 períodos indicando possivel cruzamento bull com a média móvel simples de 50 períodos. Este movimento está mirando teste no topo histórico do Ibovespa. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

China e Japão garantem alívio temporário na Europa

As preocupações do mercado em torno da situação fiscal europeia se dissiparam durante o pregão desta terça-feira refletindo as indicações de que os governos da China e do Japão comprariam parte da dívida pública de alguns países da Europa, por meio de leilões que acontecem ao longo da semana. O sistema é simples, se existe comprador para os títulos da dívida o custo do dinheiro fica mais barato para os países emissores dos títulos. Do contrário estes países teriam que subir a taxa de juros para rentabilizar mais a aplicação e chamar compradores encarecendo o custo da dívida para o emissor.

A temporada de balanços corporativos também animou os mercados, a Alcoa abriu o período de divulgação dos resultados de companhias americanas. A companhia anunciou lucro líquido de US$ 258 milhões no 4º TRI/2010. Com isso, Dow Jones e S&P500 fecharam em leve alta. Reparem que o principal índice da bolsa de Nova York pode ter feito fundo sob a média móvel simples de 20 períodos.


Ibovespa apesar de se manter dentro do canal de baixa confirmou fundo sob a média móvel simples de 50 períodos e tem espaço para retestar a LTB (linha de tendência de baixa) deste canal. Se conseguir se manter acima do patamar psicológico de 70k será um bom sinal para tentar o rompimento deste canal de baixa.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mercados Hoje

Mais 100 bilhões de euros para Portugal

Esse é o boato que está circulando na imprenssa internacional que fez abalar os mercados no continente europeu nesta segunda-feira. Durante os últimos dias, vários jornais informaram que os governos da Alemanha e da França teriam pressionado Portugal para que aceitasse o mais rápido possível o plano de ajuda financeira. Os governos dos países envolvidos negam o fato, é claro, da mesma foram que negaram quando a Grécia e Irlanda precisavam de um socorro financeiro. As bolsas européias cederam, DAX (Alemanha) que estava muito puxado entrou em correção conforme havíamos comentado nas últimas análises.

Em Wall Street a situação se acalmou no final do dia mas Nova York não conseguiu reverter a tendência de baixa iniciada a 3 dias atrás quando Dow Jones marcou topo em 11.740 e S&P500 em 1.280 pontos. Os índices subiram relativamente bem no mês passado e ficaram puxados demais chamando uma realização de lucros que no momento é saudável e não interfere na tendência de alta de médio prazo. O mercado também está com uma boa perspectiva para os balanços corporativos nos Estados Unidos que por sua vez ofuscaram os temores de que Portugal seja forçado a buscar ajuda.


No Ibovespa podemos reparar que o índice deu uma bela subida após respeitar a média móvel simples de 200 períodos provavelmente ocasionada por encerramento de posições vendidas. Quem estava apostando que o índice iria perder esta média importante e os 67.2k no qual comentávamos mês passado teve que liquidar posições forçando ainda mais a pressão para subir. Subiu rápido e agora está realizando lucros na média móvel simples de 50 períodos mas podendo tocar a média simples de 20 períodos e armar um pivot de alta nesta região. Formou-se um perigoso canal de baixa, portanto operações compradas continuam com target muito curto, chegou perto da linha tem que liquidar e deixar o mercado definir a tendência. Estamos voltando esta semana e com o tempo vamos pegando no tranco. Sucesso à todos neste ano e bons negócios!

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