Os protestos contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak (no poder desde 1981) aumentaram em meio à revolta da população provocando um movimento de aversão ao risco nas bolsas ao redor do planeta. O problema todo está no Canal de Suez, que é o principal ponto de ligação entre Ásia e Europa, e pode estar ameaçado em meio a onda de tensão que toma conta país, por isso as bolsas despencaram e os investidores correram para o dólar em busca de segurança. O preço do barril de petróleo tipo light disparou mais de 4 dólares durante o dia fechando cotado a 89,45.
Mais cedo (antes do estouro do Egito) o Departamento do Comércio norte-americano informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a um ritmo anualizado de 3,2% no quarto trimestre de 2010. O resultado não veio ruim, mas ficou abaixo do que era esperado pelos analistas. Este crescimento está baseado no consumo interno empurrado pelos programas de incentivo do governo, mas é insuficiente para reduzir a elevada taxa de desemprego nos Estados Unidos. Olhando no gráfico abaixo podemos reparar que Dow Jones sentiu a muralha dos 12k e soltou um candle de topo no semanal, tem bastante espaço para corrigir sem afetar a tendência de alta no médio prazo.

O mercado asiático estava fechado quando as tensões no Egito se agravaram, mas o cenário segue bem parecido com o nosso aqui no Brasil, tendência de baixa. A bolsa de Shangai trabalha dentro de um canal de baixa e segue abaixo de duas médias móveis importantes: a de 20 e 50 períodos. O lado bom é que o índice respeitou o suporte (forte) nos 2.650 pontos e achou um ponto para respirar no curto prazo.
Na Índia, segundo mercado emergente mais importante do mundo, podemos reparar que o índice Bombay também trabalha em tendência de baixa que foi acelerada após o rompimento de sua LTA principal. O triângulo simétrico rompido aumentou a força para detonar o suporte nos 19k, acionando pivot de baixa no semanal.
O principal índice do mercado europeu, DAX (Alemanha), fechou a semana com mais um candle de indecisão logo abaixo da resistência dos 7.1k, devido ao alto nível de sobrecompra a situação ficou favorável ao aparecimento de operações vendedoras. Assim como no mercado norte-americano, o índice apresenta espaço de sobra para uma correção saudável sem prejudicar a tendência de alta do médio prazo.
No mercado brasileiro a situação que já era ruim se agravou mais ainda. O
índice bovespa perdeu sua LTA de sustentação que vem desde o fundo da crise do subprime em 29k, está trabalhando abaixo da média móvel simples de 20 períodos e não conseguiu se segurar na média móvel simples de 50 períodos. Para completar a situação foi detonado pivot de baixa e triângulo simétrico que projeta a base da zona de congestão em 60k.
Gostaria de fechar com uma pequena reflexão, na verdade uma humilde opinião sobre a atual situação da política econômica no Brasil. Em um mercado onde as leis mudam a todo instante, (como por exemplo o IOF sobre aplicações financeiras de investidores estrangeiros) a regra do jogo também muda e acaba levando a economia junto, sendo assim os investidores tornam-se obrigados a rever suas estratégias.
O mercado está totalmente indeciso quanto as atitudes do governo. Parece que não há confiança alguma por parte dos investidores. Qual será o futuro do câmbio com tantas intervenções do BC? Aonde vai parar a inflação? Vai haver reajuste fiscal? De quanto? Onde? E a selic, qual será o rítimo de aperto monetário? Quais são as estratégias do governo? Na dúvida, indecisão e falta de confiança o investidor corre do mercado, e é o que está acontecendo na bolsa. Agora o estrago já foi feito, resta apenas torcer para que no ano que vem o nosso país comece a funcionar antes do carnaval.