segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Minha Casa Minha Vida vai receber menos recursos

Foi anunciado na tarde desta segunda-feira pela ministra do planejamento, Miriam Belchior, e pelo ministro da fazenda, Guido Mantega o detalhamento do corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal de 2011. O principal objetivo do governo com o corte de 50 bilhões de reais no orçamento é fiscal e não a inflação, foram as palavras do nosso ministro da fazenda. Indiretamente o corte no orçamento alivia sim (em partes) as pressões inflacionárias, pois o governo deixa de gastar uma quantia que seria "injetada" na economia, freando o rítimo de expansão econômico do país. 

Entre os ministérios que serão mais afetados pelo corte no orçamento de 2011 estão o Ministério das Cidades com 8,6 bilhões de reais em cortes, o Ministério da Defesa com 4,4 bilhões de reais e o Ministério do Turismo com 3 bilhões de reais em cortes. No caso do Ministério das Cidades o programa Minha Casa Minha Vida será o mais afetado, este foi o motivo da queda nos papés das construtoras no índice bovespa no pregão de hoje. Sobre o Ministério da Defesa, a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira não está prevista no orçamento deste ano.

Em Wall Street, os principais índices de ações terminaram em campo positivo, com investidores aliviados com a pausa no recente rali dos preços do petróleo, a Arábia Saudita jogou água no chopp de quem ainda estava especulando no petróleo quando declarou que tem plenas condições de substituir a produção de petróleo que viria da Líbia se for o caso. Dow Jones conseguiu passar pela linha central de bollinger confirmando que ainda tem um pouco de impulso pra subir após o toque nos 12k, mas o volume baixo deixa a suspeita de que o índice esteja perto de fazer um topo descendente.


Na Bovespa houve correria compradora no final do pregão, pode ser que os fundos de investimentos (investidores institucionais) estejam rebalanceando suas carteiras, movimento típico de final de mês. Mas o que destacou mesmo foi o forte volume comprador dos investidores estrangeiros nesta segunda-feira, cerca de 450 milhões. Será que os gringos querem dar mais uma "empurradinha" no índice até os 70k? Bom, estamos nas mãos dos grandes players, eles fazem o que querem. Amanhã pode clarear alguma coisa pois o índice ficou espremido entre uma LTB e uma LTA conforme podemos observar no gráfico abaixo e não está havendo mais espaço para lateralização no curto prazo. Pode aparecer um movimento forte para o lado que romper.


O gráfico abaixo mostra o fechamento do mês de fevereiro do Ibovespa. Apesar da menor representatividade para candles de gráficos mensais foi possível traçar uma LTA que vem do fundo em 29k onde o toque coincide com o teste da média móvel simples de 20 períodos. Pode chamar até uma compra nesta região para quem tem gordura pra queimar, mas olhando no geral não considero um risco x retorno muito bom para esta operação, por isso mesmo fica aconselhável visar operações mais curtas de swing-trade por exemplo.


Finalizando com o Boletim Focus desta semana que registrou pela décima segunda vez consecutiva uma alta para a inflação. A previsão para o IPCA este ano subiu de 5,79% para 5,80%. Para 2012, a estimativa permaneceu em 4,78%. Mas o destaque mesmo ficou para a expansão do PIB em 2011 que passou de 4,50% para 4,30%.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A volatilidade está de volta

Aliada ao clima de instabilidade nos países árabes, fortes especulações em cima do barril de petróleo e clima de aversão à risco no cenário mundial o mercado assistiu essa semana a volta da volatilidade nas bolsas de valores. E volatilidade entende-se por "stress", acabou aquele clima de tranquilidade nos mercados de países desenvolvidos onde as bolsas subiam semanas e mais semanas sem parar. Este clima mais pesado nos mercados pode ser confirmado pelo indicador de volatilidade, o famoso VIX, no qual havia comentado esta semana aqui mesmo no blog. O gráfico abaixo mostra a evolução do indicador desde fevereiro de 2008, nele podemos observar aonde foi parar o "stress" do mercado quando estourou a crise do subprime (aos 75 pontos) e o seu patamar atual de pontuação (aos 19 pontos).


Percebeu como o nível atual de "stress" está muito baixo? Isso não te preocupa um pouco? É muito bom ver o mercado subindo, mas todos nós sabemos que isso não dura para sempre e normalmente quando tudo está calmo, a bomba aparece. É assim que o mercado funciona, sempre imprevisível e os movimentos bruscos de queda aparecem de uma hora para outra aterrorizando os investidores. Não estou dizendo que vamos despencar, nem que vamos decolar, porém temos que estar preparados para uma possibilidade relevante de aumento na volatilidade nas bolsas de valores. Observem que quando o indicador CCI chega perto da faixa dos 85, o VIX normalmente sobe pelo menos até a casa dos 25 pontos. Atualmente o indicador CCI está marcando 84,80 pontos, portanto o momento exige atenção redobrada, esteja com uma estratégia preparada para o que der e vier nas próximas semanas.

Outro fator que me preocupa é a alta das commodities, não que isso seja ruim para as nossas empresas exportadoras de commodities, pelo contrário, basta olhar o balanço da Petro e Vale que saíram nesta sexta-feira. Mas o nível de preço está altíssimo e insustentável, além é claro de afetar a economia de vários países (inclusive a nossa). O gráfico abaixo é o Commodity Related Equity da Morgan, e mostra muito bem que a trajetória de alta das commodities começou em março de 2009. Não parece que o melhor da festa já se passou? Observem o CCI trabalhando em região de sobrecompra desde setembro de 2010, é um risco muito alto apostar que as commodities vão continuar subindo, apesar de não ser impossível de acontecer.


Bom, agora chega de falar de commodities e volatilidade, vamos para um giro rápido nos principais mercados mundiais. Começando pela matriz Dow Jones que deixou um topo na região dos 12.4k jogando o índice para a linha de suporte em 12k no qual alertei esta semana para um respiro nesta região. Observem a distância entre a pontuação do índice e média móvel simples de 200 períodos, tem espaço de sobra para realizar lucros (se for o caso) sem afetar a tendência de médio e longo prazo.


Seguindo o rastro de Wall Street o mercado europeu também deixou topo e entrou em correção esta semana. O principal índice da bolsa alemã também encontrou uma região de suporte para respirar nos 7k e apresenta uma boa margem para uma realização mais forte sem afetar a tendência de alta.


No mercado asiático a bolsa de Xangai foi barrada por uma LTB que vem do topo do canal de baixa de médio e longo prazo e linha central de bollinger, plotou um doji indicando volatilidade alta e indecisão dos investidores. Todo mundo ficou perdido na China esta semana.


A nossa bolsa irmã indiana está operando aos trancos e barrancos. O índice despencou no início desse ano e agora está brigando para se manter acima de uma importante linha de suporte aos 17.7k. Situação nada boa para o mercado indiano, operando abaixo da média móvel simples de 50 períodos e linha central de bollinger, esta última alterou a sua envergadura e já está apontando para baixo.


Finalmente chegamos no mercado brasileiro. A semana praticamente foi um sobe e desce, porém mais desce do que sobe, com alguns papéis fazendo o famoso contra-peso no índice (em especial a Petrobrás) camuflando o que seria uma queda maior no Ibovespa. Não é difícil ver algumas small caps caindo cerca de 20, 30 a 40% em um curto espaço de tempo, justamente porque é mais fácil bater nesses papéis quando há um clima de aversão a risco, pois a liquidez é menor. Quem opera venda sabe disso e se aproveita do "bom momento" para socar esses papéis.


No gráfico acima podemos reparar que não conseguimos passar pela média móvel simples de 50 períodos, estamos operando também abaixo da linha central de bollinger, o que não é muito bom. Porém, enquanto o índice se mantiver acima do suporte de 64k as esperanças continuam para uma tentativa de reversão de tendência no curto prazo. Abaixo deste patamar, segurem as perucas.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Medidas macroprudenciais do BC começam a fazer efeito

O Banco Central divulgou hoje a Nota sobre Política Monetária e Crédito. O documento cita que as medidas macroprudenciais implementadas em dezembro de 2010 no crédito à pessoas físicas já começaram a fazer efeito na economia registrando forte retração nas concessões, simultaneamente a expressiva elevação das taxas de juros. A evolução do crédito durante esse período foi moderada, isto é, o custo do dinheiro realmente está ficando mais alto em consequência da menor oferta para se emprestar capital. A fartura do crédito em 2010 acabou. Se você está pensando em pegar um empréstimo é bom ficar atento quanto as taxas de juros cobradas.

Ainda no cenário doméstico o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão confirmou para a próxima quarta-feira o anúncio do detalhamento do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, essa informação será avaliada na próxima reunião do Copom. Lembrando que o governo deu uma passo importante para o corte no orçamento deste ano com a vitória sobre o aumento no salário mínimo para R$ 545,00 carimbada ontem pelo Senado.

O clima na Bovespa foi de mais um dia de indecisão, apesar da leve alta o índice está trabalhando dentro de uma pequena congestão de curto prazo que pode ser melhor visualizada pelo gráfico de 60 minutos. Pelo gráfico diário podemos observar a formação do famoso OCOI que se for confirmado pode levar o índice ao teste do canal de baixa na região dos 71k. Ainda não superamos a média móvel simples de 200 períodos, a briga está boa entre compradores e vendedores em cima deste importante patamar de definição de tendência.


No cenário externo os Estados Unidos juntamente com a Arábia Saudita acabaram com a farra das especulações em cima do petróleo, ou pelo menos por enquanto. Juntamente com a Agência Internacional de Engergia esses países anunciaram que podem suprir o abastecimento de petróleo que normalmente viria da Líbia (essa informação foi adiantada aqui mesmo no post de terça-feira quando a Opep também garantiu o suprimento de petróleo). Com isso o preço do barril de petróleo caiu no pregão desta quinta-feira, tanto o Brent negociado em Londres, quanto o Light negociado em Nova York.


Dow Jones deu uma animada no intraday com esse anúncio mas não conseguiu fechar no azul. A região de suporte nos 12k citada ontem (linha horizontal azul) foi testada e respeitada, com reação compradora após o teste, porém como eu disse ontem pode ser apenas um respiro de curto prazo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Violência na Líbia põe a roda do mercado pra girar

A complicada situação política na Líbia foi o estopim para fazer uma reviravolta nos mercados do mundo inteiro. Ontem explicamos porque a crise na Líbia favorece à especulações no petróleo. Em Wall Street os índices inverteram a mão após um longo período de alta, já é o segundo dia de queda com volume consideravelmente alto. Percebe-se que o nível de tensão no mercado aumentou bastante há dois dias atrás e isso não é apenas um "achismo" meu, é obtido através do índice de volatilidade (VIX) conforme podemos observar abaixo:


O mercado está claramente sob tensão e a volatilidade está alta. Na Bovespa parece que tem muita gente batendo cabeça sem saber pra onde correr (mais pra frente explico porque), já em Wall Street os especuladores pularam em cima do petróleo na bolsa de Nova York aproveitando o momento de tensão no cenário externo. Mas enquanto o petróleo sobe, Dow Jones, S&P500 e Nasdaq entram em correção, ou seja, a roda está girando. Podemos reparar logo abaixo que o Dow Jones perdeu sua LTA menor e linha central de bollinger e deve testar a região dos 12k onde existe uma linha de suporte pra tentar uma reversão ou um respiro momentâneo.


A roleta também girou na Bovespa, o volume financeiro do pregão de hoje deixou todo mundo de queixo caído, 9,37 bilhões. É o que acontece quando a tensão aumenta, todo mundo corre, resta saber se o lado que você está correndo é o lado certo. Hoje por exemplo petro e vale foram salvas da roleta, pois apesar da alta do índice teve muito papel caindo no pregão desta quarta-feira. O volume da petro foi assustadoramente alto, 1,79 bilhões, pode ser que algum player esteja montando posição no papel. 


Olhando pelo gráfico logo acima podemos observar que a alta de hoje barrou exatamente na média móvel simples de 200 períodos, ponto importantíssimo para retomada da tendência de alta. Amanhã será outra briga entre compradores e vendedores e não me arrisco à dizer pra que lado vai, justamente porque a volatilidade está alta demais.

Gostaria de finalizar com um dado econômico que me chama a atenção: o Dieese apontou uma taxa de desemprego de 10,4% en janeiro ante 10,1% registrada em dezembro. Isto é, o desemprego não está tão baixo assim e voltou a aumentar antes mesmo do aperto monetário começar a fazer efeito na economia.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crise na Líbia favorece à especulações no petróleo

Muito mais pelo efeito especulativo do que por qualquer outro motivo o preço do barril de petróleo disparou na bolsa de Nova York nesta terça-feira amparado pelo agravamento da crise na Líbia. Que o país é um exportador de petróleo isso todo mundo já sabe, mas a Líbia não chega nem perto de ser uma potência petrolífera. Mas então porque os preços disparam na bolsa de Nova York? Especulação pura. Reparem que o preço do barril tipo light saltou rapidamente de 88,00 para 97,00 dólares fechando o dia a 94,64 dólares. Os especuladores aproveitam essas notícias que causam impacto no mercado pra especular e fazer dinheiro rápido, essa oscilação de preço é característica deste tipo de movimento, não é uma alta fundamentada. Mesmo que haja problemas no fornecimento de petróleo pela Líbia a Opep já anunciou que está pronta para cobrir qualquer eventual desabastecimento.

Deixando de lado a especulação do petróleo vamos ver o que aconteceu com Dow Jones no pregão desta terça-feira:



Candle de baixa com volume considerável, indicando que o índice está entrando em uma fase de realização de lucros. Dow Jones recuou 1,44% para os 12.2k, Nasdaq caiu 2,74% e o S&P500 perdeu 2,05%. O índice de volatilidade (VIX), que mede a "tensão" dos mercados saltou de 17,00 para 20,80 pontos refletindo o nervosismo dos investidores quanto à possíbilidade de correção nos preços dos papéis após passar um bom período sem corrigir a alta.

Na Bovespa a situação não foi diferente, candle de baixa com volume consideravelmente alto. Aliás bem alto por sinal, o giro financeiro ficou em R$ 8,44 bilhões. Pelo gráfico podemos perceber que o índice refugou o rompimento das médias móveis simples de 20 e 200 períodos e complicou denovo a situação. Não sei se repararam mas a tensão no mercado parece estar aumentando, porque estou achando isso? Porque o mercado está virando a mão muito rápido, em dois dias devolvemos quase toda a alta da semana passada. Por isso que eu sempre estou recomendando encurtar o trade, mandar pro bolso antes que o mercado tome de volta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cenário externo pesa e bolsas fecham em baixa

Primeiramente gostaria de me desculpar aos leitores do blog pois houve um problema na postagem da análise de hoje e perdi tudo o que tinha feito. Como o sistema do google salva os posts automaticamente a cada 5 segundos não me preocupo em fazer backup dos meus artigos, porém justamente hoje o sistema não fez backup. Que beleza não?

Vou tentar destacar bem rapidamente os pontos abordados no post de hoje que foram pro além:

- Líbia está a beira de uma guerra civil, as notícias falam por sí só. Preço do barril de petróleo tipo brent subiu mais uma vez. Situação caótica, sem intervenção da ONU.

- Mercado europeu cedeu arrastando a Bovespa junto. Wall Street não funcionou deviao ao feriado nos Estados Unidos.

- Pesou também o fato da China aumentar o compulsório pela oitava vez desde o ano passado.

- Ibovespa, conforme podemos observar logo abaixo, confirmou topo de curtíssimo prazo em 68k, porém acima da média móvel simples de 200 períodos que vai atuar como suporte juntamente com a linha central de bollinger. Abertura de amanhã não deverá ser das mais animadoras.


- Boletim Focus do Banco Central confirmando aumento da pressão inflacionária e subindo mais uma vez as projeções para o IPCA em 2011 e 2012 pela décima primeira vez consecutiva.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

China aumenta compulsório pela oitava vez desde o ano passado

O Banco Central da China anunciou um aumento de 0,50% na alíquota do compulsório bancário, numa tentativa de conter a inflação e reduzir a liquidez na economia. Trata-se da segunda medida deste tipo em 2011 e oitava desde o início do ano passado, os principais bancos do país agora terão que manter 19,5% de seus depósitos em reservas e os pequenos e médios, 16%. A atuação da autoridade monetária chinesa está bem incisiva, agindo corretamente para fazer frente contra a enxurrada de capital estrangeiro que está entrando no país desde o anúncio do quantitative easing 2 pelo FED. Cenário bem parecido com o nosso aqui no Brasil e demais países emergentes.

Hoje também foi início da reunião de dois dias dos ministros de finanças do G-20. A reunião tem objetivo de chegar a um consenso sobre os desequilíbrios financeiros globais. Vamos ver se vai sair alguma coisa de concreto nesta reunião, mas já deixo avisado que é bom não ficar muito otimista, ultimamente estas reuniões do G-20 não estão ajudando em nada.

Enquanto os ministros se reúnem no G-20 o oriente médio pega fogo. No Barein, o exército abriu fogo contra manifestantes na sexta-feira, ferindo pelo menos 60 pessoas. No Iêmen, pelo menos duas pessoas foram mortas nos confrontos, os manifestantes exigem a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, há 32 anos no poder. Na Líbia, soldados também abriram fogo contra manifestantes em Benghazi, a entidade norte-americana Human Rights Watch disse que pelo menos 24 manifestantes morreram na quarta e quinta-feira. Reparem que eu não mencionei a Arábia Saudita e espero continuar assim pois este país é o maior exportador de petróleo no mundo, uma situação de caos neste país tem poder para derrubar os mercados no mundo inteiro.

Problemas demais ao redor do planeta mas Wall Street não quer nem saber, os índices continuam subindo como ha muito tempo não se via. O índice de sobrecompra no semanal do Dow Jones já começa a ficar inoperável, está alto demais. Quanto mais subir mais forte será a correção.


No principal mercado europeu a situação continua a mesma, isto é, seguindo Nova York. DAX (Alemanha) também está com índice de sobrecompra alto demais passando a ficar inoperável para a compra. Risco muito alto.


No mercado asiático estamos observando um repique dentro da tendência maior de queda no semanal. Na bolsa de Xangai houve uma reversão da tendência de baixa para alta ao testar a forte linha de suporte em 2700 pontos no qual originou-se um fundo ascendente rompendo a linha central de bollinger. Tem espaço para buscar um teste na LTB deste canal de baixa maior.


Depois de rodar os principais mercados mundiais, vamos desembarcar agora no Brasil. Finalmente podemos observar que o candle de indecisão deixado na linha de suporte em 64k na semana passada fez efeito e reverteu a tendência de baixa no curto prazo. O fato de estar colado na banda inferior de bollinger sem haver abertura para continuação do movimento abriu espaço para virada de mão no mercado, com um candle expressivo retomando a média móvel simples de 50 períodos. O próximo passo está agora em atacar a região dos 69.2k que será decisiva para o teste desta LTB (linha de tendência de baixa) na região dos 71k.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Calmaria total em Wall Street e também na Bovespa

As bolsas ao redor do mundo tiveram um dia morno de giro baixo nesta quinta-feira sem trazer novidades e/ou surpresas ao mercado. O dado de maior relevância saiu nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego no país subiu em 25 mil para 410 mil na semana encerrada no dia 12 de fevereiro. A expectativa do mercado era de um avanço mais modesto de 401 mil pedidos, portanto o resultado veio pior do que o esperado, mas não foi suficiente para influenciar em uma oscilação maior na bolsa de Nova York. Justamente porque faltou volume financeiro nas bolsas, vejam abaixo o gráfico do Dow Jones acusando um volume bem abaixo da média diária.


O principal índice acionário do país encerrou com leve alta de 0,16%, aos 67.685 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,977 bilhões, ficando também abaixo da média diária. O mercado nacional refletiu positivamente a vitória da base aliada do governo na Câmara com a proposta de aumento no salário mínimo para R$ 545,00 que deverá ser votada agora no Senado na próxima quarta-feira.


Olhando para o gráfico do Ibovespa logo acima podemos reparar que o rompimento da LTA, linha central de bollinger e média móvel simples de 200 períodos originou um candle de indecisão após o forte sinal de força visto no candle de ontem, isto é, o mercado sinucou. Vou explicar porquê. Gosto de chamar de sinuca quando o mercado se coloca em uma situação indefinida e difícil de sair, neste caso pra sair desta sinuca precisa de subir amanhã anulando esta configuração e afastar o perigo de voltar a cair, caso contrário os ursos poderão aparecer.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Base aliada do governo deverá garantir salário mínimo a R$ 545,00

Neste exato momento está em votação na Câmara a proposta de aumento do salário mínimo, ao que tudo indica a oposição não conseguirá alterar a proposta de R$ 545,00 do governo, por mais que esta resistência tenha crescido nos últimos dias a base aliada do governo está em maior número e deverá garantir a vitória nas votações. O mercado repercutiu positivamente a determinação do governo de manter a proposta de aumento do salário mínimo em R$ 545,00 demonstrando um certo comprometimento com a política de ajuste fiscal, no qual já foi estabelecido um corte de 50 bilhões no orçamento da União para este ano.

Hoje também foi dia de divulgação da ata do FED (banco central norte-americano) de janeiro, que mostrou uma previsão mais forte para o crescimento da atividade econômica dos EUA em 2011. Segundo previsões da autoridade monetária, o PIB deve registrar expansão de 3,4% a 3,9%. Mesmo com um crescimento mais robusto para 2011 o FED espera que a taxa de desemprego permaneça em um nível alto até o final deste ano (em torno de 9%). A bolsa de Nova York fechou em alta mais uma vez, com destaque para o S&P500. Logo abaixo você vai saber porque:


Reparem pelo gráfico o belíssimo desempenho do S&P500 após fazer fundo em março de 2009, no crash do subprime americano. Desde então o índice subiu cerca de 96%, um desempenho não visto em período tão curto desde 1936. Isso mesmo, desde os tempos da última Grande Depressão o índice nunca subiu tanto em 2 anos seguidos. O investidor americano ao olhar esta nova marca atingida pelo S&P500 deve estar pensando: "Oba! Então vamos comprar!" Será mesmo? Nada impede que a bolsa continue a subir, mas seria prudente pensar que uma correção de curto prazo dentro da tendência de alta pode estar próxima de aparecer.

No cenário doméstico o índice bovespa engatou mais um dia de alta puxado pelo vencimento dos contratos de índice futuro que fez agregar um alto volume financeiro na Bovespa, o giro da sessão somou 11,77 bilhões de reais, o maior do ano. Olhando pelo gráfico podemos perceber que o movimento de repique está bem puxado, as altas estão fortes e isso pode ser um sinal de mudança de tendência. A média móvel simples de 200 períodos e a linha central de bollinger foram retomadas com um candle de força expressiva típico de rompimento. A LTB (linha de tendência de baixa) está prestes a ser rompida. Como não apareceu sinal para abertura de posições vendidas a força compradora poderá continuar dominando o mercado no curto prazo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Esquenta a briga pelo salário mínimo

Amanhã será o primeiro teste da presidente Dilma Rousseff no Congresso. Será votado o aumento do salário mínimo cuja proposta do governo é de R$ 545,00 e nem um centavo a mais. Esta proposta não agrada as centrais sindicais e a oposição, que estão ganhando força de última hora para lutar por um aumento de R$ 560,00. Acontece que um aumento de R$ 560,00 no salário mínimo está fora do orçamento do governo e caso seja aprovado este aumento o governo terá que conseguir novos recursos para cobrir essa despesa a mais nas contas públicas. Ao que tudo indica a base aliada do governo conseguirá aprovar os R$ 545,00 porém a briga esquentou de última hora e a presidente Dilma Rousseff poderá "passar um calor" na votação amanhã. Esta noite será longa para a nossa presidente.

Quarta-feira também será um dia tenso na BM&FBovespa pois é o dia de vencimento dos contratos de índice futuro e poderá causar instabilidade no mercado. Por isso mesmo no pregão de hoje o Ibovespa não tomou rumo e fechou em leve baixa, em numa região perigosa, abaixo da média móvel simples de 200 períodos e com a linha central de bollinger descendo pra cortar esta importante média. Nessas condições quem opera curto prazo é melhor ficar de fora e esperar o vencimento dos futuros amanhã para só assim projetar uma operação no mercado à vista. Quem opera índice futuro, boa sorte!


Na Ásia foi divulgado o índice de preços ao consumidor da China (inflação de lá), houve aumento de 4,9% em janeiro comparando-se ao mesmo mês do ano passado. Mesmo com a aceleração, o dado foi bem recebido por vir mais brando do que o projetado pelos analistas (+5,4%). Em Nova York os índices fecharam em leve queda porém com volume abaixo da média mantendo candles pequenos denunciando falta de força para subir. Cenário ruim para comprar porque continua pesado, mas pra vender em Wall Street sem sinal de topo é arriscado demais.


Por fim, tivemos uma notícia boa para os investidores brasileiros. O monopólio da BM&FBovespa pode estar ameçado com essa proposta de se criar uma nova bolsa no Brasil, chamada Bats Brasil, prometendo custos operacionais mais baixos. Convenhamos também, o preço da tabela Bovespa é bem salgado. Esta provável Bats Brasil será muito bem vinda ao nosso mercado, o investidor sairá ganhando com essa quebra de monopólio.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Balança comercial da China impulsiona o mercado de commodities

Os dados positivos vindos do continente asiático foram suficientes para o índice bovespa emplacar o terceiro dia seguido de alta zerando as perdas sofridas no mês de fevereiro. A balança comercial chinesa registrou superávit de 6,5 bilhões de dólares em janeiro. Resultado de exportações de 150,7 bilhões e importações de 144,3 bilhões, o que representa avanço de 37,7% e 51% respectivamente na comparação com 2010. As importações aumentaram bastante, o crescimento foi acima do esperado, houve um aumento significativo nas importações de minério de ferro e petróleo, impulsionando assim o mercado de commodities. Como as principais empresas do índice bovespa estão voltadas para o mercado de commodities, a bolsa emplacou mais um dia de alta no pregão desta segunda-feira.

Podemos reparar no gráfico abaixo que o movimento de repique no Ibovespa está pegando força devido à sequência de dois candles fortes puxados pra alta e rompimento da LTB (linha de tendência de baixa) mais rápida. Amanhã será o grande teste do índice, para sair desta tendência de baixa no médio prazo. O primeiro passo é romper a região dos 67k onde encontra-se a média móvel simples de 200 períodos. A retomada desta média juntamente com a linha central de bollinger poderá afastar os ursos do mercado pois fica inviável vender nessas condições. Porém não será bom tentar o rompimento e soltar um candle de topo abaixo dos 67k, pois aí as vendas poderão reaparecer e com bastante força.


Voltando ao cenário externo, além da balança comercial da China tivemos também divulgação do PIB japonês.  A prévia do PIB referente ao quarto trimestre de 2010 recuou 1,1%. Apesar de mostrar contração, o número veio melhor do que o esperado pelos analistas, de queda de 2%. Mas esses dados não foram suficientes para mexer com Wall Street nesta segunda-feira, a bolsa de Nova York parece ter esticado o final de semana, Dow Jones praticamente não oscilou e não saiu do lugar. A bolsa ficou "parada" e o cenário se mantêm o mesmo da última análise.


Finalizando, hoje foi dia de boletim Focus do Banco Central. Pela décima semana consecutiva (isso mesmo, décima semana consecutiva!) as projeções para a inflação oficial (IPCA) saltaram de 5,66% para 5,75% em 2011. Para 2012, a estimativa também subiu de 4,61% para 4,70%. Ou seja no acumulado de 12 meses perdemos quase 6% do poder de compra e este ano poderemos ficar 6% mais pobres novamente.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Democracia no mundo árabe derruba mais um, adeus Mubarak

14 de janeiro de 2011, uma forte rebelião popular derruba o presidente da Tunísia, Zine al Abidine Ben Ali, 11 de fevereiro de 2011, mais uma rebelião popular inspirada no modelo tunisiano derruba o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Tudo começou no "dia D". O mundo árabe está passando por um processo democrático que já derrubou dois regimes em menos de um mês e este processo está apenas começando, a revolta popular está mostrando sua verdadeira força contra as ditaduras árabes.

Revoltados com o discurso de Mubarak na quinta-feira em sua última tentativa de se manter no poder, uma furiosa onda de protestos estava indo em direção ao palácio presidencial quando o vice-presidente Omar Suleiman anunciou a renúncia de Hosni Mubarak após 30 anos no poder. Um conselho militar irá assumir o controle do país e uma eleição presidencial livre e democrática foi prometida para setembro. Mais uma vitória da democracia no mundo árabe que provavelmente irá desencadear mais uma onda de protestos em outros países tais como Marrocos, Jordânia e Iêmen. 

As bolsas ao redor do mundo que estavam funcionando reagiram positivamente à renúncia de Mubarak. Wall Street fechou em alta na semana apesar do alto nível de sobrecompra impulsionada pelas notícias do cenário externo e também pela enxurrada de dólares no mercado proporcionado pelo FED (banco central norte-americano) desde novembro do ano passado. Abaixo podemos observar o índice Dow Jones que fechou na máxima da semana aos 12.273 pontos sem deixar um candle de topo. Alta turbinada pelo FED.


S&P500 também fechou na máxima da semana conforme demonstra o gráfico abaixo e sem deixar candle de topo, o nível de sobrecompra está muito alto assim como no Dow Jones. Reparem que a média móvel simples de 200 períodos semanal está sendo um divisor de águas para definição da tendência de médio/longo prazo, após o rompimento desta importante média o mercado passou a subir com mais consistência.


Na Europa a situação se mantêm bem parecida com a de Wall Street. Mercados em forte tendência de alta porém com nível alto de sobrecompra. DAX (Alemanha) fechou a semana também na máxima aos 7371 pontos e também com bastante espaço para correção. Quando o movimento de realização de lucros aparecer os mercados norte-americanos e europeu deverão seguir o mesmo rítimo.


Agora vamos dar um pulo no mercado de commodities, após a forte alta que se iniciou em julho do ano passado o principal índice de commodities parece ter encontrado o topo do canal de alta. Onde está circulado no gráfico representa um grande oscilação nos preços da semana passada com recuo de quase 50% desde a máxima adquirida e uma indecisão no movimento desta semana. Justamente na linha de resistência deste canal de alta. Pode indicar que os preços das commodities podem entrar em correção nas próximas semanas, mas ainda sem afetar a trajetória de alta no longo prazo. O nível de sobrecompra está tão alto que ultrapassou o nível do Dow Jones e S&P500.


No mercado doméstico o índice bovespa conseguiu reverter em dois dias as perdas da semana. A grande alta foi no pregão desta sexta-feira impulsionada pela renúncia de Mubarak no Egito. Podemos observar que a linha de suporte em 63.8k foi respeitada e com isso veio um candle de indecisão para o fechamento da semana. É como se fosse um respiro após a pancada que sofreu nas últimas 4 semanas que pode favorecer a continuação do movimento de repique na próxima semana. Mas o cenário de queda para o médio prazo não mudou, portanto stops devem continuar curtos para preservar o lucro da operação.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mubarak fica no poder

Em um discurso frustrante nesta quinta-feira o ditador egípcio Hosni Mubarak anunciou que irá transferir alguns poderes ao seu vice (Suleiman), mas que não irá renunciar ao seu cargo até setembro deste ano. O pronunciamento de Mubarak, logo após o "dia D" no Egito que deixou os mercados em alerta,  provocou raiva nas ruas do Egito deixando muitos manifestantes indignados com a situação. O ditador egípcio também não cedeu à pressão internacional para que seja feita uma transferência de poder e remarcação de novas eleições. Parece que ele não está entendendo a magnitude dos problemas que o seu governo e suas atitudes estão causando ao país, pelo menos 300 pessoas já morreram nos protestos contra Hosni Mubarak e para amanhã está marcada mais uma nova manifestação batizada de "Dia dos Mártires". A situação no país permanece tensa e periogosa e a economia vai acumulando prejuízos milionários.

A notícia boa do dia veio dos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego caiu em 36 mil para 383 mil na semana encerrada no dia 5 de fevereiro. O dado veio melhor que as estimativas de queda para 410 mil pedidos. Mesmo assim não foi suficiente para levantar Wall Street, é claro, os índices estão "pesados" demais e fica difícil subir com tamanha sobrecompra. Dow Jones oscilou pouco, deixando um doji de indecisão, porém o volume aumentou bastante. Amanhã podemos ter surpresas.


No cenário doméstico o Ibovespa, descolado de Wall Street, respirou no pregão desta quinta-feira após a pancada de ontem. O movimento de repique chegou a testar a região dos 64.9k mas não teve forças para se sustentar neste patamar e cedeu no final até a região dos 64.5k. O candle de hoje não é um martelo invertido, mas de qualquer forma deixa a oportunidade para se iniciar um repique mais consistente que busque pelo menos um toque na LTB mais rápida (a mais curta em vermelho). Por enquanto os trades comprados contra a tendência continuam com um spread muito curto, tem que ser assim até a pancadaria se acalmar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Governo vai cortar 50 bilhões do orçamento, mas não fala onde

O governo federal anunciou na tarde desta quarta-feira um corte de 50 bilhões de reais no orçamento da União em 2011. O valor do ajuste fiscal ficou dentro da expectativa do mercado, inclusive salientávamos ontem que o IPCA de janeiro reforçava uma necessidade de ajuste fiscal, onde cobrávamos uma atitude do governo quanto à necessidade de se anunciar um ajuste fiscal. Pois bem, vamos cortar 50 bilhões do orçamento, mas aonde irão ocorrer os cortes e em quais quantidades? O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o ajuste vai atingir todos os ministérios, mas vai deixar de fora os investimentos do PAC e os programa sociais.

Nossa economia vai desaquecer este ano, conforme previsto, com a redução dos gastos públicos. Não significa que vamos entrar em recessão, longe disso. Esses cortes são importantíssimos para que o país possa crescer de forma sustentável. Além de colaborar para redução do déficit nominal, o ajuste fiscal acaba ajudando o Banco Central no combate à inflação. E por falar em combate à inflação o novo aumento da taxa básica de juros na China fez derrubar os mercados asiáticos nesta madrugada, indo contra ao movimento das bolsas européias e norte-americana. 

Este é um dos três fatores que influenciaram a derrubada dos papéis na Bovespa. Primeiro porque a China é um grande consumidor de commodities e quanto mais o país aumenta sua taxa de juros, prejudicará ainda mais o seu crescimento econômico reduzindo sua demanda por commodities. As blue chips do índice bovespa foram fortemente afetadas. Segundo porque o mercado continua indeciso quanto à política econômica do governo Dilma, vai cortar 50 bilhões mas não se sabe aonde. Terceiro porque os investidores estrangeiros estão fugindo da Bovespa, o fluxo está fortemente negativo este mês, a renda variável está muito mais atrativa nos Estados Unidos e Europa. No Brasil o que interessa para eles é a renda fixa. Enfim, motivos é o que não faltam para explicar este gráfico horroroso logo abaixo (ou bonito demais para os vendedores).


Reparem como o índice bovespa está sendo dominado pelas vendas, parece até mesmo um cenário de crash incial. Os suportes estão sendo estourados com muita facilidade, uma característica de mercado fortemente vendedor. O próximo ponto que permitirá uma respirada do índice está na região dos 63.8k. Lembrando que a última retração fibo que vem da pernada de alta iniciada em 58k no ano passado está em 63.5k, isto é, se perder esta região o target para queda pode ser revisto para abaixo dos 60k.

Nos Estados Unidos tivemos o discurso do presidente do FED (banco central norte-americano), Ben Bernanke. Segundo ele a taxa de desemprego provavelmente se manterá alta por algum tempo e o cenário ainda não é confortante devido ao crescimento econômico moderado e a relutância dos empregadores em contratar. Agora você já sabe porque as empresas norte-americanas estão apresentando lucros bastante satisfatórios em seus balanços, elas aprenderam a ser competitivas e eficientes com uma folha de pagamentos bem mais "light". Dow Jones segue na mesma situação dos últimos dias, puxado demais e podendo entrar em correção há qualquer momento.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

IPCA de janeiro reforça necessidade de ajuste fiscal

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira o triste resultado do IPCA referente ao mês de janeiro/2011. O indicador avançou 0,83% em janeiro, após alta de 0,63% em dezembro, este é o maior patamar em quase seis anos. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice que o governo utiliza para medir a inflação, o seu bolso já deve estar sentindo os efeitos da inflação que está alta, o preço dos alimentos continuam subindo e o custo de transporte aumentou bastante no mês de janeiro. Nos últimos 12 meses até janeiro/2011, o IPCA acumula alta de 5,99 por cento, ou seja, perto do limite da meta de 6,5% (lembrando que a meta é de 4,5% com dois pontos percentuais para mais ou para menos).

Esses dados recentes refletem a necessidade imediata para um sério controle de gastos públicos. O governo deverá anunciar ainda esta semana o seu plano de ajuste fiscal, com pesados cortes no orçamento, estima-se que seja necessário cortes na casa 50 a 60 bilhões de reais. Esse ajuste fiscal aliviria um pouco as pressões inflacionárias e pode dar margem ao Banco Central para elevar menos a taxa selic no combate à inflação.

No cenário externo a grande notícia do dia ficou por conta da China. O Banco Central da China decidiu elevar mais uma vez a taxa básica de juros na tentativa de tentar combater a inflação no país, que segue muito forte. As taxas de depósito serão elevadas em 0,25 ponto percentual, para 3%, e as taxas de financiamento sobem para 6,06%. Apesar do aumento na taxa de juros as bolsas ao redor do mundo subiram mais uma vez, mercados do hemisfério norte continuam em um nível muito alto de sobrecompra. Wall Street foi impulsionada pelos resultados do McDonald's, que gerou um otimismo no mercado sobre os gastos do consumidor. Com isso Dow Jones subiu mais uma vez, desafiando a lei da gravidade fechando nos 12.233 pontos. O volume mais uma vez foi decrescente e crescem ainda mais as chances de se aperecer uma correção mais forte no índice.


No Brasil o Ibovespa deu continuidade ao repique validando o candle de ontem, conforme destacado no último post, confirmando a oportunidade de entrada para surfar este repique de alta. Infelizmente o spread continua baixo e o investidor que estiver indeciso não pode pensar duas vezes antes de realizar o lucro da operação. Existem duas opções: subir o stop para os que não querem arriscar perder o lucro da operação, ou manter o stop abaixo de 64.9k conforme deixei avisado ontem. Apesar da sobrevenda no índice a média móvel simples de 20 períodos fez o corte bear na média móvel simples de 50 períodos, indicando mercado vendedor no médio prazo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bolsas sobem em dia de agenda vazia

Os investidores aproveitaram a ausência de notícias relevantes nesta segunda-feira e melhora no cenário externo para irem as compras nos mercados do hemisfério norte superando o "dia D" no Egito, que deixou os mercados em alerta. Na Europa, DAX (Alemanha) e FTSE (Inglaterra) subiram 0,90% respectivamente. Nos Estados Unidos, Dow Jones fechou com uma alta de 0,57%, S&P500 subiu 0,62% e Nasdaq encerrou o pregão com uma alta de 0,53%. O início das conversações entre governo e oposição no Egito agradou o mercado e pode ser um dos primeiros sinais de resolução para a crise geopolítica que tomou o país. Mesmo assim as manifestações continuam no centro de Cairo e o presidente do país, Hosni Mubarak, ainda não se desligou do governo.

Em Wall Street as fusões e aquisições anunciadas no dia aqueceram o mercado. A Danaher fechou acordo de aquisição da empresa de diagnósticos médicos Beckman Coulter e a EnsCo (companhia de perfuração de petróleo) anunciou a compra da Pride International. Dow Jones incansavelmente renovou nova máxima e não quer saber de correção, apesar de ser inevitável, o índice já mostra impossibilidade de operar na compra para curto prazo, risco x retorno muito alto, reparem no volume como está descendente há mais de duas semanas.


Na Bovespa o cenário foi de calmaria total, mesmo com a subida das bolsas no hemisfério norte. O volume dos negócios ficou abaixo da média, apenas R$ 5,5 bilhões. Praticamente uma única corretora estrangeira conseguiu levantar (ou segurar) o índice sozinha. Olhando para o gráfico podemos ficar um pouco otimistas com esse candle deixado hoje colado na banda de bollinger inferior fora do canal de baixa, indica que houve indecisão na perda deste canal. Normalmente quando essas regiões são perdidas o movimento se acelera à favor da tendência, o que não ocorreu no pregão desta segunda-feira. O lado negativo é que foi renovado nova mínima, portanto trades comprados continuam com spreads curtos e o stop vai abaixo da mínima em 64.9k.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mercados emergentes descendo a ladeira

A situação das bolsas de valores nos mercados emergentes continuam assustando os investidores. Há poucos dias ficamos sabendo que a indústria tombou e pegou o mercado de surpresa. O cenário é totalmente diferente dos mercados norte-americano e europeu. Há quem possa dizer que a bolsa de valores de um país reflete a real situação econômica de uma nação. Mas é uma pena que isso não seja verdade, bolsa e economia não devem andar juntas necessariamente, justamente porque bolsa de valores está sempre precificando a economia. Bolsa é expectativa, é análise e projeção. Pense bem, quando um investidor compra uma ação na bolsa, ele está comprando porque na sua avaliação esta empresa vai crescer e dar lucros ao acionista num futuro próximo em consequência do crescimento econômico do país. A partir do momento que o investidor passa a enxergar que um cenário de retração econômica está pra chegar, ele pula fora do mercado. Não são todos os tipos de investidores que atuam desta forma, mas é a grande maioria.

É o que está acontecendo com os mercados emergentes atualmente. A economia vai muito bem obrigado, mas desde o ano passado criou-se uma expectativa de retração econômica nesses países puxada pelas pressões inflacionárias, provocando aumento na taxa básica de juros e aumento no compulsório. A falta de estrutura para manter o forte crescimento econômico também pesou. Os preços dos ativos ficaram caros (comparando-se com outros mercados, principalmente do hemisfério norte) e a relação risco x retorno passou a ficar alta demais para se operar nesses mercados. Reparem por exemplo no gráfico abaixo que a bolsa de Shangai marcou topo em agosto de 2009 e está em uma tendência de baixa há quase dois anos. E mesmo assim a economia chinesa continuou crescendo, ou melhor "bombando".


Olhando o mercado indiano poderíamos dizer que parece até o nosso novo "Dow Jones", o índice Bombay (Índia) tomou o lugar de Wall Street e passou a ser a nossa nova matriz nesses últimos meses. Reparem no gráfico abaixo que o índice Bombay estava dentro de um canal de baixa que foi estourado para baixo acelerando o movimento de queda perdendo a média móvel simples de 50 períodos. O índice trabalha abaixo da média móvel simples de 20 períodos e está abrindo suas bandas de bollinger dando espaço para mais quedas. Exatamente o cenário do Ibovespa.


Nos mercados de países desenvolvidos o cenário continua totalmente diferente. Logo abaixo podemos observar o gráfico do principal índice da bolsa de Frankfurt - Alemanha, que mantém forças para continuar subindo dentro de sua forte tendência de alta rompendo último topo ascendente, porém o nível de sobrecompra continua alto e perigoso. Segue em alerta para uma correção mais forte dentro da tendência.


Em Wall Street, Dow Jones, S&P500 e Nasdaq continuam fazendo a alegria dos investidores. Forte tendência de alta com poucas correções. Dow Jones mais uma vez rompeu o último topo ascendente e conseguiu fechar a semana acima da muralha dos 12k. O cenário é parecido com o europeu, uma correção mais forte poderá ocorrer nas próximas semanas mas nada que atrapalhe a tendência de alta, tem bastante espaço para corrigir.


Na Bovespa o cenário não mudou nada, aliás só piorou. índice Bombay, oops.. Bovespa, estava dentro de um canal de baixa que foi estourado para baixo acelerando o movimento de queda perdendo a média móvel simples de 50 períodos. O índice trabalha abaixo da média móvel simples de 20 períodos e está abrindo suas bandas de bollinger dando espaço para mais quedas. Eu simplesmente copiei e colei a análise do mercado indiano, o movimento das suas bolsas são semelhantes. Com este fechamento do semanal, o Ibovespa só confirma que o mercado é fortemente vendedor. Operar comprado somente nos repiques de alta e mesmo assim em trades rápidos. Não é prudente afirmar que devemos tocar novamente a base da congestão em 60k, mas as probabilidades de isso acontecer estão aumentando.


Na semana que vem o governo brasileiro deverá anunciar um contingenciamento orçamentário. É de extrema importância que o governo não deixe dúvidas no mercado sobre sua disposição de ajustar as contas públicas. 2011 é um ano para o governo pisar no freio se quiser ter um bom planejamento para 2012.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Dia D" no Egito coloca mercados em alerta

Sexta-feira dia 04/02/2011 é o prazo final dado à oposição para que o presidente Hosni Mubarak deixe o Egito. O clima de tensão está dominando o país, os seguidores de Mubarak (que são a minoria) estão enfrentando os manifestantes contra-Mubarak, os conflitos dos dois últimos dias deixou pelo menos 10 mortos e milhares de feridos em todo o país. O ditador egípcio disse nesta quinta-feira em entrevista à rede ABC que quer deixar o poder, mas que teme o "caos" que pode ocorrer caso ele saia imediatamente. Sinceramente acho que ele não está acompanhando o noticiário, pois o caos já está acontecendo há mais de uma semana. O mundo todo está acompanhando o desenrolar da crise no Egito e querendo ou não está afetando o desempenho das bolsas de valores, hoje os mercados fecharam de lado sem muita variação positiva ou negativa aguardando com uma certa ansiedade os acontecimentos de amanhã.

Dois brasileiros que faziam a cobertura da crise no Egito foram detidos, vendados e tiveram seus equipamentos apreendidos. Passaram a noite presos na delegacia sem água e sem comida, em uma sala sem janelas. Para serem liberados os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. Só por aí dá pra se ter uma noção de como é o atual regime político no Egito.

Voltando aos mercados, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu manter os juros básicos na zona do euro em 1%, para não abalar o crescimento dos países em dificuldades, o resultado veio em linha com as expectativas dos analistas. DAX (Alemanha) e FTSE (Inglaterra) fecharam perto da estabilidade. Wall Street também fechou perto da estabilidade aguardando o desenrolar da crise no Egito, Dow Jones segue levemente acima dos 12k, mas está deixando candles de indecisão em nível alto de sobrecompra. Continua em alerta para uma correção mais forte.


No Brasil, a Confederação Nacional da Indústria divulgou mais um dado ruim para o setor, 67% das empresas brasileiras exportadoras que concorrem com produtos da China perdem clientes. Com isso voltamos a bater na mesma tecla de sempre: reforma tributária, fiscal e investimentos em infra-estrutura. Aonde estão?

Olhando agora para o gráfico do Ibovespa podemos perceber que foi deixado um candle de indecisão mas que poderia ser um martelo. Porque? O mercado reverteu a queda no intraday quando foi testada a linha dos 66k, isto é, subimos praticamente 700 pontos na parte da tarde e pode haver continuação deste respiro de alta amanhã. Problema todo são os ruídos causados pelo Egito que afeta a análise no curto/curtíssimo prazo, mas no médio prazo o cenário está bem definido: queda.

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