terça-feira, 31 de maio de 2011

Estrangeiros entram forte e empurram Bovespa

Os investidores estrangeiros entraram forte no mercado à vista no final do último pregão do mês e empurraram o índice bovespa para cima garantindo um fechamento positivo em 1,04% aos 64.6k. O volume de compras por parte das corretoras estrangeiras foi de quase meio bilhão de reais, bem acima do normal. Esta estratégia de compras no mercado à vista pode confirmar as vendas pesadas ocorridas no índice futuro nas últimas semanas, caracterizando uma possível operação de hedge ou talvez uma virada de mão por parte dos estrangeiros. Entender qual é a estratégia dos "donos da bola" é difícil, ainda existem muitas incertezas no ar, mas no final das contas o que importa mesmo é seguir o rastro dos estrangeiros e tentar tirar proveito disso.

Com este volume comprador o Ibovespa fechou na máxima do dia, influenciado também pelo bom desempenho dos mercados asiáticos. O índice consolidou zona de suporte nos 64k após vários testes ocorridos no intraday e continua com próximo alvo marcado na região dos 65.2k conforme destacado pelo Finanças Inteligentes na semana passada. Teoricamente se não azedar nada até a abertura do pregão de amanhã, o índice deverá abrir forte já testando esta região.


Apesar da alta no pregão desta terça-feira, o fechamento do mês de maio não ficou muito bom. O índice bovespa fechou abaixo da linha central de bollinger perdendo LTA e detonando um triângulo, que embora seja ascendente, foi rompido para baixo projetando alvo abaixo dos 60k amparado pela divergência de baixa no MACD. Mas não vamos nos precipitar, num primeiro momento o mercado vai permanecer dentro desta zona de congestão longa (58k a 72k). O lado positivo deste fechamento mensal é que as bandas de bollinger estão bem estreitas indicando que dentro de alguns meses podemos ter uma definição de tendência para algum lado pois vai haver estouro.


As bolsas na Europa e nos Estados Unidos também fecharam em alta (mesmo com os dados ruins da economia americana) devido à expectativa de uma nova ajuda financeira à Grécia. Conforme havia destacado nas últimas análises, se a Grécia não receber esta nova parcela de ajuda financeira, o país poderá quebrar e a União Europeia não está preparada para reestruturar dívidas neste momento.

Dow Jones também fechou na máxima do dia testando a linha central de bollinger juntamente com a LTA. Se estas barreiras forem superadas amanhã, a tendência de baixa no curto prazo poderá ser anulada após a formação de um pivot de alta. MACD reverteu a curvatura e poderá cortar para compra nos próximos dias.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Portugal também pode quebrar

O risco de falência na Grécia está começando a se espalhar pela Europa e pode fazer de Portugal a próxima vítima da crise fiscal no continente. Os juros da dívida portuguesa (que já estavam altos) subiram em todas as frentes nesta segunda-feira, as taxas da 2, 3 e 4 anos avançaram mais de 20 pontos-base, para 11,51%, 11,89% e 10,76%, respectivamente. No prazo mais longo, (as OT a 10 anos) subiram para 9,767%. Reparem na discrepância entre o que o mercado está disposto a pagar pelas dívidas de Portugal em relação a rentabilidade dos demais fundos de renda fixa na Europa, que são praticamente nulos.

Além disso o economista-chefe do Deutsche Bank, Thomas Mayer, colocou a boca no trambone e admitiu que Portugal pode vir a ter de reestruturar sua dívida caso os objetivos definidos no programa acordado com a União Européia em conjunto com FMI não sejam cumpridos. "Se o ajustamento não funcionar, se a dívida for muito alta, tem de se colocar a hipótese de parar com o programa e proceder à reestruturação da dívida", disse Thomas Mayer.

Apesar de tudo a situação de Portugal é um pouco melhor do que a da Grécia, mas pelo simples fato de um banco como o Deutsche Bank considerar a hipótese de uma futura reestruturação da dívida portuguesa já podemos perceber que a situação na Europa está piorando cada vez mais e chegando próximo a um limite aceitável de risco. A partir deste limite as quebras podem realmente aparecer em conseqüência da reestruturação da dívida soberana destes países problemáticos.

As boslas européias fecharam próximo à estabilidade pois estavam sem a referência de Wall Street, devido ao feriado nos Estados Unidos. Na Bovespa o dia foi praticamente nulo, impossibilitando qualquer tipo de análise pois o volume financeiro ficou na casa dos 1,70 bilhões, um valor ridiculamente baixo. Isso mostra como somos vulneráveis ao investidor estrangeiro, são eles os donos da bola.

domingo, 29 de maio de 2011

Aplicando Renko no Ibovespa

O renko é uma das técnicas japonesas de candlestick mais antigas e eficientes na análise técnica. Um gráfico renko é constituído através de tijolos (vermelhos de baixa e brancos de alta) que sinalizam claramente qual é a tendência do ativo estudado. O renko despreza o volume e o tempo, se preocupando apenas com a oscilação dos preços, o que no final das contas acaba eliminando os ruídos de curto prazo do mercado. O término de uma tendência é caracterizado quando aparece um novo bloco na direção oposta desta tendência. Se o preço superar a parte superior do tijolo anterior cria-se um novo tijolo de alta alimentando a tendência altista, se o preço superar a parte inferior do tijolo anterior cria-se a seguir um tijolo de baixa dando sinais de esgotamento da tendência de alta inciando uma tendência de baixa.


O gráfico acima representa a técnica do renko aplicada à oscilação semanal dos preços no Ibovespa nos últimos 3 anos. Reparem como o renko sinalizou com bastante eficácia o início da tendência de baixa durante o crash em 2008 assim como a recuperação dos mercados em 2009. Os ruídos de curto prazo ao longo da tendência não aparecem no gráfico e os tijolos não emitiram nenhum sinal contraditório antes do término destas tendências.

A conclusão que podemos tirar desta análise do renko no Ibovespa semanal é que não há tendência definida no mercado nacional, se você costuma ler o Finanças Inteligentes já deve estar cansado de saber. Mesmo que a bolsa esteja em uma tendência de baixa desde novembro/2010, no longo prazo ainda estamos dentro de uma grande congestão. Por isso mesmo não temos sinal definido de compra para operações de longo prazo, este é o motivo por recomendar sempre operações mais curtas na bolsa.

Mas existe um problema, até o presente momento o mercado permanece vendedor, em uma tendência de médio prazo que pode se estender para o longo prazo se a congestão for rompida para baixo. Mesmo com o repique de alta da última semana o renko não alterou sua tendência e permanece com tijolos de baixa. O Three Line Break e o Kagi, que são outras duas técnicas japonesas bem eficientes, também estão vendidas. Mesmo que o repique de alta na Bovespa continue por mais alguns dias/semanas estas técnicas orientais devem permanecer vendidas no médio/longo prazo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Grécia vai entrar em default

Nouriel Roubini, co-fundador e chairman da Roubini Global Economics, disse hoje em discurso no 50º Congresso Mundial ACI em Budapeste na Hungria que a Grécia será forçada a reestruturar sua dívida. Roubini acrescentou que o programa de austeridade da Grécia está fora de linha e que há pouco sentido em as autoridades desperdiçarem dinheiro com mais ajuda para a Grécia. Roubini é um dos grandes nomes no cenário econômico mundial e suas declarações são bastante respeitadas pelo mercado.

Na verdade Roubini confirmou o que venho falando aqui no Finanças Inteligentes há algum tempo. A dívida da Grécia é impagável, há dois dias a Grécia havia jogado todas as suas cartas na mesa. Acontece que o mercado não gosta de ouvir essa palavra, default, pois isso significa que alguém vai pagar a conta "e esse alguém" são os principais credores da dívida grega, entre eles estão grandes bancos franceses e alemães.

Apesar de tudo, a União Europeia está trabalhando para que esta renegociação da dívida grega seja organizada e estruturada de forma a resguardar a liquidez e credibilidade dos grandes bancos detentores dos títulos podres. Esta reestruturação não tem data para acontecer, pode começar já no final deste ano, ou em 2012, a única certeza que temos é que ela é inevitável. Mais detalhes sobre a situação fiscal de Grécia você pode conferir no post de quarta-feira "Grécia joga as cartas na mesa".

Os mercados na Europa estão refletindo esta tensão em torno da crise fiscal no continente e as bolsas continuam caindo. DAX (Alemanha) caiu pela quarta semana consecutiva e perdeu a linha central de bollinger. O índice deverá testar a LTA nas próximas semanas em torno dos 7k, este teste poderá ser bem sucedido caso seja aprovado um novo pacote de ajuda à Grécia pelo FMI em conjunto com a União Européia.


Nos Estados Unidos, Wall Street também está caindo há quatro semanas consecutivas. Apesar da queda não assustar tanto, pois está em um rítimo mais leve, o índice Dow Jones passa a se distanciar do topo marcado na região dos 12.8k. A linha central de bollinger foi respeitada no gráfico semanal, que é um bom sinal para a bolsa repicar na próxima semana.


Na China a semana foi de forte baixa no mercado, impulsionada pelas notícias pessimistas quanto à desaceleração da economia. A bolsa de Xangai despencou quase 200 pontos na semana fechando nos 2.7k. Este movimento rompeu a média móvel simples de 50 períodos para baixo forçando uma abertura nas bandas de bollinger indicando que a tendência de baixa no curto prazo está ganhando força. A principal linha de suporte a ser testada está na região dos 2.660 pontos.


No Brasil o mercado subiu descolado do mundo inteiro, inclusive dos emergentes (estranhamente). O Ibovespa confirmou fundo na região dos 62k e conseguiu fechar a semana acima da barreira dos 64k. Olhando o gráfico semanal podemos perceber que ainda estamos na tendência de baixa no médio prazo dentro de uma congestão maior (entre 72k e 58k), porém o candle desta semana sinaliza fundo temporário e pode jogar o índice para testar linhas de resistências mais acima, como a região dos 65.1k. Se superado este patamar iremos projetar o próximo alvo de acordo com a movimentação do mercado, um passo de cada vez.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Inflação da construção civil dispara mais de 2%

De acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas) o Índice Nacional de Custo da Construção-M (INCC-M) disparou 2,03% este mês, bem acima da alta de 0,75% em abril. Até maio, o INCC-M acumula alta de 4,04% no ano e de 8,18% em 12 meses, este resultado divulgado hoje pegou o mercado de surpresa pois não se esperava um aumento tão alto assim. Este aumento foi provocado pelos dissídios salariais, a mão de obra na construção civil teve elevação de 3,70% apenas este mês. Em abril o aumento foi de 1,16% e se juntarmos os dois meses (abril e maio) temos quase 5% de aumento no custo da mão de obra. É um senhor aumento que vai acabar jogando mais lenha na fogueira da inflação para os próximos meses.

Apesar de tudo o INCC-M está camuflado pelo índice de inflação oficial, nós não veremos o reflexo desta disparidade no IPCA (o reflexo será apenas no nosso bolso), já que ele faz parte de apenas 10% do que representa o IGP-M. Contudo não apareceu ninguém do governo para dar explicações sobre a disparada do INCC-M, Tombini sumiu, Dilma ficou defendendo Palocci e Mantega propôs câmbio flutuante para todos os países do mundo inteiro. Parece mentira, mas não é.

Na bolsa de valores houve forte movimentação nas ações dos bancos, forçando uma puxada geral no índice atraindo demais investidores para outros papéis que emitiram sinal de fundo nos últimos dias. A região dos 64k foi levemente rompida e com isso ultrapassamos o primeiro target deste repique. O próximo alvo está na região dos 65.1k, porém a partir de agora as operações compradas começam a ficar com uma relação de risco x retorno um pouco pior do que aquela dos últimos dias. A linha central de bollinger foi rompida com candle de força entrando volume no mercado, bom sinal para manutenção do repique.


Nos Estados Unidos o Departamento de Comércio informou nesta quinta-feira que o PIB americano avançou a uma taxa anualizada de 1,8%, ficando abaixo das expectativas do mercado. Mesmo assim Wall Street não cedeu, Dow Jones fechou praticamente estável em cima da linha dos 12.4k, marcando indefinição do mercado. De qualquer forma o índice pode estar projetando um toque na LTB.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Grécia joga as cartas na mesa

A representante da Grécia na Comissão Europeia, Maria Damanaki, resolveu enfim jogar as cartas na mesa e abrir o jogo alegando que o país poderá sair da União Europeia e voltar ao dracma (antiga moeda grega). "Ou nós concordamos com nossos credores sobre um programa de duros sacrifícios que traga resultados, e assumimos nossas responsabilidades do passado, ou voltamos à dracma. O resto é secundário nas atuais condições", disse Damanaki.

A situação da Grécia é bem complicada, sua dívida soberana é praticamente impagável e o país não tem uma economia forte e diversificada para tentar reverter este cenário. Pelo contrário, a economia grega gira basicamente em cima do turismo. Além disso o governo grego não pode contar com a poderosa arma do câmbio (desvalorizar a moeda local para ganhar competição no cenário externo) pois a moeda vigente é o euro. Nessas condições, uma renegociação da dívida grega e saída do bloco europeu pode ser um dos poucos recursos que ainda restam para evitar a quebra do país.

O grande problema de uma renegociação da dívida grega, em outras palavras leia-se calote, é a forte exposição de bancos alemães e franceses no mercado grego, um dos principais credores desta dívida. Por isso as autoridades européias estão tentando prolongar ao máximo esta renegociação de dívida para dar tempo de manobra a estes bancos, reduzindo exposição na Grécia. Mas o que chama atenção é a intensidade de queda do Dow Jones US Banks, uma provável crise financeira no sistema bancário europeu afetaria em cheio o sistema financeiro norte-americano.  O gráfico abaixo mostra o desempenho dos bancos norte-americanos (Dow Jones US Banks) nos últimos meses, queda visível e acentuada a partir de fevereiro. Podemos concluir com esta análise que no mínimo há algo de errado no sistema financeiro da matriz (Estados Unidos).


O desempenho do sistema financeiro nos Estados Unidos está totalmente divergente com o desempenho de Wall Street. Mesmo com a queda dos bancos iniciada em fevereiro, Wall Street continuou subindo levando Dow Jones, S&P500 e Nasdaq a renovarem topo histórico do ano. O gráfico abaixo é do índice Dow Jones (o geral, composto pelas 30 blue chips de Wall Street) e podemos perceber que a divergência entre os índices é gritante. Nesses momentos o investidor deve manter a cautela e analisar bem os sinais que o mercado está emitindo.


Na Bovespa tivemos mais um pregão de volume financeiro abaixo do normal. O teste nos 64k foi praticamente realizado com sucesso, conforme destacado na análise de ontem, ao tocar a região dos 63.9k. Após o teste nos 64k o mercado virou a mão no intraday e começou a cair, fechando o dia com um doji de indecisão abaixo da linha central de bollinger, deixando uma configuração propícia para o reaparecimento de ordens vendedoras. Portanto amanhã devemos ter briga boa entre força compradora e força vendedora pois o candle vai definir o rumo do mercado para curto/curtíssimo prazo.


Observação: alguns candles do Ibovespa não saíram no gráfico, o que não interferiu na análise.

terça-feira, 24 de maio de 2011

No embalo da S&P

Animado com a revisão da perspectiva de rating do Brasil pela S&P (Standard & Poor's), o mercado acionário doméstico manteve o repique técnico iniciado no intraday do pregão de ontem. O nível alto de sobrevenda também contribuiu para um repique de alta em vários papéis que haviam caído bastante nos últimos dias/semanas. Este movimento confirmou o fundo deixado ontem no gráfico diário do ibovespa que agora passa a mirar a região dos 64k juntamente com a linha central de bollinger. Porém o investidor deve ficar atento quanto ao volume financeiro que mais um vez ficou abaixo do normal, característica de um movimento de repique, que mostra a indecisão e pessimismo de muitos investidores para retornarem ao mercado. Como a queda foi muito forte desde os 70k, muita gente ainda fica com um pé atrás pra voltar a entrar no mercado, por isso o giro está sendo fraco nos últimos pregões.


Contudo, a agência de classificação de risco S&P alertou que a elevação do rating dependerá principalmente da velocidade de implementação de reformas consideradas importantes pela agência. Entre elas deve-se destacar a reforma tributária (longa novela) e também uma reforma no sistema previdenciário.

Na Europa os mercados subiram com os indicadores positivos, principalmente da Alemanha, o dia foi de repique de alta já que as bolsas de lá iniciaram uma tendência de baixa este mês. Já nos Estados Unidos as bolsas fecharam no vermelho, os indicadores divulgados hoje não agradaram muito.  Dow Jones terminou o dia em baixa de 0,20% confirmando perda do suporte em 12.4k. Com mais um pivot de baixa acionado o índice mira os 12.1k nos próximos dias/semanas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

S&P eleva perspectiva para o Brasil

A agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor's) anunciou hoje que revisou sua perspectiva para o rating de crédito soberano de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de estável para positiva. Já a perspectiva em moeda local não sofreu alterações, foi mantida em estável. Na prática um provável aumento no rating brasileiro não irá alterar muita coisa, pois já somos considerado país "grau de investimento" (classificação que foi concedida semanas antes do estouro da crise do subprime na Bovespa). Porém não deixa de ser uma "boa" notícia, pois se as demais agências de classificação de risco acompanharem o raciocínio da S&P, podemos melhorar nossa nota que ainda é baixa quando comparada a outros países de economia igual a nossa.

Segundo a S&P "a diversificada estrutura econômica do Brasil, o crescimento da classe média e o potencial de alta das exportações deverão dar suporte para crescimento do PIB e dar liquidez externa nos próximos três a cinco anos". A análise da S&P está correta, o problema é que nossas exportações são basicamente commodities, que não agrega muito valor à nossa economia que passa por um processo de desindustrialização.

Mas por outro lado o fracasso do governo em conter a inflação resultou em uma perda de credibilidade junto ao mercado que combinada à uma política fiscal mais frouxa podem paralisar a recente melhora nos pilares macroeconômicos do Brasil e adicionar pressão de baixa sobre o rating, segundo a S&P. Portanto temos que aproveitar o momento para corrigir estes problemas enquanto há tempo. Na bolsa de valores, o Ibovespa fechou o dia com perdas de 0,40%, o volume foi muito fraco e ficou abaixo da média, apenas 4,2 bilhões. Este volume baixo acompanhou o cenário de recuperação no intraday após a forte onda vendedora na abertura do pregão, o que não garante que o candle de hoje possa ser um sinal de fundo no gráfico, apesar de ser um martelo.


Dow Jones caiu mais forte e renovou mínima no gráfico diário detonando mais um pivot para baixo. As bandas de bollinger se abriram dando espaço para o movimento de correção. O índice fechou abaixo do suporte em 12.4k e deverá mirar a região dos 12.1k nos próximos dias/semanas.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que está havendo com a política econômica?

Lamentavelmente informações desencontradas e mentirosas estão se tornando corriqueiras por parte de nossas autoridades políticas. Como todos nós já sabemos, a inflação é o grande problema na economia, o acumulado de 12 meses do IPCA já estourou o teto da meta que é de 6,5%. O principal causador desta disparada da inflação é o próprio governo que não soube tomar as medidas corretas no momento certo, além de abusar demais nos gastos públicos alimentando sua política populista. Porém, na atual conjuntura, estaria de bom tamanho se o problema fosse apenas a inflação. O nosso maior inimigo infelizmente é o próprio governo. Estamos vivenciando uma série crise de confiança no mercado justamente porque o governo não está passando transparência alguma em sua política econômica.

Hoje, o nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que não há mais necessidade de novas medidas para conter a economia. "Não precisaremos de mais medidas porque já tomamos várias medidas desde o final do ano passado para moderar o crescimento do consumo e do crédito", disse o ministro. Ele destacou também que o pior momento da inflação já passou e que agora a inflação está numa trajetória descendente. Segundo ele, os principais vilões da inflação, como as commodities, já estão caindo. "Daqui para a frente, teremos uma redução gradativa da inflação".

Esta já é a segunda previsão feita pela bola de cristal do Sr. Mantega, a única pessoa no mundo que consegue prever o futuro. Mas o que realmente incomoda é o desencontro de informações e atitudes dentro do próprio governo. O Banco Central mostrou em sua última ata do Copom uma mudança de postura no combate à inflação, o ciclo de aperto monetário que terminaria neste primeiro semestre será prolongado por mais alguns meses. Ou seja, o BC vai continuar anunciando medidas para conter a economia.

Portanto temos de um lado o ministro da Fazenda dizendo que não há necessidade de novas medidas para conter a economia e do outro lado temos o BC dizendo que vai continuar implementando medidas para conter a economia. Que bagunça é essa?

As atitudes descabidas do governo estão refletindo no mercado de capitais. O índice bovespa caiu por 4 semanas seguidas, isso raramente acontece. E das últimas 7 semanas, 6 foram de queda e apenas uma foi de alta. Ainda assim, esta única semana de alta foi modesta, o indice praticamente fechou perto da estabilidade. Analisando o gráfico semanal do Ibovespa podemos ter algum repique técnico nas próximas semanas pois testamos uma linha de retorno do canal de baixa e o nível de sobrevenda está alto. Mesmo assim seria apenas um repique dentro da tendência de baixa maior que está projetando jogar o índice para os 60k.


Dow Jones confirmou a divergência de baixa no semanal conforme havíamos relatado nas análises anteriores com topo marcado em 12.8k. O índice ainda tem bastante espaço para corrigir sem afetar a tendência maior de alta, o suporte mais importante está nos 12.4k.


O mercado europeu segue em linha com Wall Street. Reparem que o DAX (Alemanha) já está testando a linha central de bollinger após demarcar topo em 7.6k confirmando também a divergência de baixa no semanal. Se não segurar nos 7.2k o DAX vai testar a LTA de todo o movimento de alta iniciado em 3.5k.


Na China, a bolsa andou de lado esta semana, mostrando indecisão no mercado. Já é o segundo doji consecutivo abaixo da linha central de bollinger respeitando a LTA mais curta dentro de um canal de baixa maior. O cenário ficou bom para a bolsa de Xangai voltar a subir na semana que vem, mas a tendência de baixa maior no longo prazo continua inalterada.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O pior tipo de queda

O Ibovespa já acumula queda de 10% neste ano, este número parece ser pequeno quando analisamos alguns dos principais ativos do índice bovespa. Não é muito difícil ver papel com 20% de queda este ano ou mais na Bovespa, outros ativos já acumulam baixa de 50% nos últimos 12 meses. Mas quando olhamos o desempenho do índice observamos que em 2011 a queda é de "apenas" 10% , então o que está havendo? A resposta é simples, rodízio.

O mercado está concentrando compras em um ou dois ativos durante o pregão e socando vendas pesadas na grande maioria dos demais papéis da Bovespa. Tivemos um bom exemplo desse rodízio no pregão de hoje, o mercado concentrou as operações compradoras na vale enquanto o resto dos papéis sofriam forte pressão vendedora. A Vale é uma empresa com grande peso no índice, portanto serve de contra-peso para "disfarçar" a força da tendência de queda. Como essas operações são encerradas rapidamente, (pois o mercado não está permitindo ficar com posição aberta por muito tempo) ao virar o dia muitos especuladores dormem líquidos em busca de uma nova oportunidade no próximo pregão, a operação é finalizada mas o estrago fica no ativo.

Este é o pior tipo de queda na bolsa, pois não é uma baixa totalmente generalizada. É uma queda que passa desapercebida por muitos investidores desatentos pois não afeta o psicológico, tal como foi o crash em 2008, mas que no final das contas pode estar sofrendo uma perda financeira consideravelmente alta em sua carteira, justamente porque as vendas estão bem concentradas e disfarçadas por "ativos contrapeso" do índice. Não é difícil ver ações que precisam de subir 80%, 90%, 100% para zerar as perdas dos últimos 12 meses.

O índice Bovespa abriu o pregão em alta realizando um novo teste na LTB, como o mercado está muito técnico as operações compradoras são encerradas rapidamente dando espaço para novas vendas entrarem no mercado. Após o teste da LTB o mercado virou a mão e desceu em queda livre. Enquanto a LTB não for rompida as vendas continuaram a dominar o índice.


Nos Estados Unidos o dia foi de leve alta, Dow Jones está fazendo um movimento de pullback na linha central de bollinger permitindo assim um repique de alta no índice que está em tendência de baixa no curto prazo

quarta-feira, 18 de maio de 2011

BC cria Comef

Após os recentes problemas ocorridos com o banco Panamericano e Morada (este mais recente ainda), o Banco Central anuncia a criação do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) que irá fiscalizar e regular os mercados financeiros. O Banco Central informou também que o Comef "terá a missão de representação em fóruns nacionais e internacionais, e no relacionamento da autarquia com outras entidades detentoras de informações úteis à manutenção da estabilidade financeira". A contratação de estudos e pesquisas sobre o assunto também ficará a cargo do Comef.

A criação do Comef é teoricamente bem vinda, vide a atual situação econômica nos mercados globais. Acontece que essas funções que o Comef irá exercer já eram exercidas perfeitamente bem pelo Banco Central. O nosso sistema financeiro é muito bem regulamentado, capitalizado e de base sólida, justamente devido a atuação firme do Banco Central no sistema financeiro. Portanto, pergunta-se, pra quê o BC vai criar um comitê para exercer uma atividade que ele sempre fez? A resposta desta pergunta o próprio Tombini respondeu há dois meses atrás quando defendeu a criação de mais vagas dentro do Banco Central. Vagas a mais que serão criadas dentro da autoridade monetária que já funciona perfeitamente bem pagando salários extratosféricos e que não irão fazer diferença alguma.

Esse é o governo brasileiro que tanto desagrada o mercado. Governo que fala uma coisa e faz outra, anuncia corte no orçamento mas aumenta os impostos e contrata mais servidores. Não há mercado que consiga subir nessas condições, no momento pra operar comprado na Bovespa tem que ser tiro rápido, entrar nos repiques pra fazer 1% ou 2% e cair fora, aliás venho falando isso desde o ano passado. Um bom exemplo deste tipo de operação foi demonstrado aqui no Finanças Inteligentes com antecedência, onde o mercado respeitou o suporte em 62.9k, fechou na máxima no pregão de ontem e deu saída no leilão de abertura quando tocou os 64k hoje, conforme havíamos alertado. Para amanhã não temos relação boa risco x retorno para reentrar comprando no mercado, o dia será de monitoramento, mas quem tiver gordura pra queimar pode arriscar outra compra nos 62.9k. Quem opera duas pontas, comprado e vendido, abriu posição vendida nos 64k e já tem spread pra liquidar com lucro amanhã.


Nos Estados Unidos tivemos a divulgação da ata da última reunião do FOMC (Comitê de Mercado Aberto) do FED (Federal Reserve). Na ata consta que a maioria dos membros do FED prefere elevar a taxa básica de juros antes de vender ativos quando chegar o momento de apertar a política monetária. Porém o mercado foi mais influenciado pela manutenção da força compradora após o repique do Dow Jones na linha dos 12.4k ocorrida no pregão de ontem. Mercado americano está aberto no curtíssimo mas já tem uma tendência de baixa desenhada.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bovespa engata repique

O pregão desta terça-feira foi marcado por mercados em correção na Europa e nos Estados Unidos, mas não aqui no Brasil. O índice Bovespa conseguiu se segurar na região que havíamos destacado ontem aqui no Finanças Inteligentes (62.9k) e a força compradora realmente apareceu levantando o índice acima dos 63.5k. O nível alto de sobrevenda em alguns papéis de alta liquidez, tais como petro, ogx, vale e siderúrgicas garantiu o repique de alta da Bovespa, este foi o real motivo pelo qual não seguimos Wall Street nesta terça-feira.

Olhando no gráfico do Ibovespa, podemos observar um candle de engolfo de alta feito no toque da linha inferior de bollinger que marcou fundo temporário para o índice projetando primeiramente alvo nos 64k. A abertura do pregão deu uma bela oportunidade para o investidor posicionar trades contra tendência, principalmente nas blue chips que haviam apanhado bastante nas últimas semanas. Na maioria das blue chips o spread pode chegar a 2% ou mais pra vender na abertura do pregão de amanhã se o mercado abrir positivo.


No cenário internacional as incertezas econômicas envolvendo Europa e Estados Unidos continuam pressionando os índices por lá. Dow Jones acionou pivot de baixa após a perda da linha central de bollinger e já fez o teste na linha de suporte em 12.4k conforme destacado na análise de ontem. Os resultados desapontadores do Wal-Mart e da HP ajudaram a pressionar o índice para baixo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

No limite da dívida

Nesta segunda-feira os Estados Unidos conseguiram a proeza de alcançar o limite máximo de endividamento legal, nada mais nada menos que 14,3 trilhões de dólares. Teoricamente o governo não poderá ultrapassar este limite e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, já avisou que terá de suspender investimentos em dois fundos de pensão para não extrapolar o limite de endividamento do governo norte-americano. Agora entra em cena o jogo político no Congresso americano, pois este limite de endividamento certamente deverá ser aumentando. Caso contrário vamos passar por uma crise financeira sem precedentes, pior do que a do subprime em 2008, essas palavras foram ditas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Esta declaração de Obama tem um efeito mais político do que econômico propriamente dito. Na verdade ele quer pressionar o Congresso, de maioria republicana (partido de oposição), a aceitar um novo aumento do endividamento americano sem alterar o programa de corte no orçamento do governo. Os republicanos querem mais cortes no orçamento, medida que não agrada o governo democrata, e esta será a briga daqui pra frente. Vai ser muito difícil Obama conseguir aumentar o limite de endividamento dos Estados Unidos se não houver um corte maior nos gatos do governo.

Agora uma curiosa observação. A agência de classificação de risco Standard & Poor's foi duramente criticada pelo Timothy Geithner, há um mês atrás, ao anunciar rebaixamento da perspectiva de dívida dos Estados Unidos de estável para negativa . Interessante que um mês depois destas pesadas críticas, esta mesma pessoa anuncia que os Estados Unidos estão com a corda no pescoço, ou aumenta a dívida, ou vai pro buraco.

Neste clima de incerteza Wall Street caiu mais uma vez. Dow Jones fechou abaixo da linha central de bollinger e está no limite para acionar pivot de baixa no gráfico diário que poderá jogar o índice por volta dos 12.4k.


No Brasil, o dia foi de mais descobertas visionárias da bola de cristal do Sr. Guido Mantega. "Temos certeza absoluta de que em 2011 a inflação estará dentro da meta, do limite superior da meta, aliás, como tem estado nos últimos cinco anos" afirmou o "mago" Mantega. Ele quis dizer que a inflação vai fechar abaixo dos 6,5% (teto máximo da meta). Porém, mesmo que o cenário realmente esteja caminhando para fechar abaixo dos 6,5%, temos que avisá-lo que não se subestima o mercado, ele (o mercado) é totalmente imprevisível e soberano acima de tudo, não existe certeza absoluta de nada.

No Ibovespa não temos novidades, tendência de queda continua muito forte (vide envergadura da LTB) com repiques rápidos e curtos. Vendas continuam tomando conta do índice mesmo em zona de sobrevenda, o que mostra fraqueza total da força compradora. Se amanhã os 62.9k não forem recuperados a queda deverá se estender por mais alguns dias antes de repicar novamente.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Corrida para o dólar

A desvalorização do preço das commodities, o agravamento da crise da dívida da zona do euro, o fim do quantitative easing do FED e preocupações com o crescimento global estão emitindo sinais para o investidor procurar por aplicações mais seguras. O clima de aversão à risco está tomando conta dos mercados, percebe-se que os investidores de países desenvolvidos estão começando a vender ativos na bolsa para comprar dólar, em busca de segurança. Comprar dólar em um momento de crise ou incerteza no mercado é considerado uma aplicação segura para quem quer continuar exposto à renda variável, já que nesses casos recomenda-se também comprar treasureis (títulos do tesouro norte-americano).

Como o rendimento dos treasuries é relativamente baixo, o dólar fica sendo uma boa opção para o investidor alavancar sua rentabilidade no mercado nesses momentos de incerteza e aumento de tensão. É importante ressaltar que estou me referindo ao investidor global e não somente aos investidores brasileiros, mesmo porque o mercado hoje em dia é totalmente globalizado e sem fronteiras. Destaco também que o nosso mercado em específico está passando por um clima de aversão à risco desde novembro/2010 quando o mercado começou a perceber a ineficácia administrativa da política econômica brasileira.

O gráfico abaixo mostra a trajetória do dólar contra uma cesta de moedas, o dólar indexado. Observem que o movimento confirma um "fly to safety" do mercado, os investidores estão correndo para o dólar em busca de segurança devido aos motivos citados no primeiro parágrafo. Foi marcado fundo aos 72,69 com um candle de engolfo de alta e confirmado na semana seguinte com um outro candle de alta que demonstra consistência nesta reversão de tendência do dólar. O MACD confirmou a reversão plotando barras ascendentes armando bote para as médias cortarem para compra em região de extrema sobrevenda.


Ao olharmos o gráfico semanal do Dow Jones fica mais interessante ainda a tese de que o mercado está querendo fugir dos ativos. Havíamos destacado há algumas semanas aqui no Finanças Inteligentes que o Dow Jones estava formando uma divergência de baixa no gráfico semanal, divergência esta que foi carimbada nesta semana com os indicadores divergindo do movimento de alta nos preços. A divergência de baixa está confirmada, Dow Jones pode intensificar a queda nas próximas semanas buscando um teste na linha central de bollinger e posteriormente na LTA que vem do fundo em 6.5k.


Olhando as bolsas na Europa o cenário é o mesmo. DAX (Alemanha) também trabalha com uma "bela" divergência de baixa no gráfico semanal. A LTA mais curta já está sendo testada após o candle de topo deixado na semana anterior, provavelmente esta será perdida nas próximas semanas e deve haver um teste em breve na linha central de bollinger e LTA de longo prazo que vem do fundo em 3.5k.


A situação das bolsas de valores na parte emergente do mercado continua preocupante. Na China, a bolsa de Xangai está caminhando para completar dois anos dentro de um enorme canal de baixa. Após 3 semanas de quedas fortes o índice encontrou alívio para respirar em uma LTA que vem de junho/2010, pode tentar um repique se a linha central de bollinger for retomada. Porém a situação de médio prazo continua a mesma, queda.


Finalizando com a pior bolsa do ano o cenário continua desanimador. O índice bovespa não consegue sair da tendência de baixa iniciada em novembro do ano passado que está levando a bolsa para testar os 60k (base relativa da zona de congestão de médio/longo prazo). No que se refere à nossa política econômica atual o mercado tem motivos de sobra para jogar a bolsa para baixo, não vem ao caso repetir os problemas que venho alertando desde o ano passado. Na parte gráfica não temos novidades, tendência de baixa declarada e confirmada pela pesada posição vendida dos contratos de índice futuro, o suporte em 64k foi estourado sem muita dificuldade confirmando o pivot de baixa, que é um péssimo sinal. O MACD semanal está plotando barras decrescentes com as médias vendidas, confirmando a tendência de baixa e sem emitir sinais de reversão de tendência. Bandas de bollinger continuam abrindo dando espaço para mais quedas, repiques podem e devem acontecer, mas a tendência de baixa no médio prazo continua forte e inalterada.

FMI alerta economias latino-americanas

O diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Nicolas Eyzaguirre, alertou nesta quinta-feira, dias depois de publicarmos o alerta de bolha no mercado de commodities, durante o Seminário de Metas para Inflação no Rio de Janeiro que o boom econômico da América Latina pode acabar em uma ampla crise se os governos da região não souberem administrar a situação econômica. E qual seria essa situação econômica? Superaquecimento da economia. Na visão de Nicolas Eyzaguirre os governos devem tomar medidas para evitar esse superaquecimento ao mesmo tempo em que preservem os ganhos obtidos com o boom econômico para os momentos difíceis no futuro, isto é, fazer o trabalho de uma formiga, não de uma cigarra.

Um choque no preço das commodities pode fazer com que o real sofra uma desvalorização repentina, já que nossa economia é movida à commodities e também porque os investidores correm para o dólar em busca de segurança. É o que está acontecendo nos últimos dias. Além disso se uma grande correção ocorrer, o ingresso de capital pode secar rapidamente jogando o país numa provável crise financeira. Infelizmente não fizemos o trabalho de uma formiga nos últimos anos, os gastos públicos extrapolaram demais, a política econômica não passa confiança, a infraestrutura do país continua precária, o nível de educação continua baixo e a pesada carga tributária emperra o crescimento sustentável da economia. Dessa forma ficaremos vulneráveis à crise (quando ela aparecer) se tudo continuar como está.

No mercado o dia foi de indefinição nas bolsas de valores ao redor do planeta. O Ibovespa abriu o pregão em forte baixa mas engatou uma recuperação no intraday fechando em cima da linha de suporte em 64k. Podemos entrar em uma zona de congestão nos próximos dias/semanas entre 63 e 65.2k, esta é uma projeção otimista, já que o cenário está propício para mais rompimentos de suportes.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones está se espremendo entre a LTB e linha central de bollinger e deve definir o seu movimento nos próximos dias, rompendo a LTB tem tudo para renovar o topo histórico deste ano em 12.8k, perdendo a linha central de bollinger o índice confirma manutenção da tendência de baixa no curto prazo e poderá testar 12.4k.


Aviso: não foi possível postar esta análise ontem devido à problemas no servidor da google que voltou somente agora.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mercado corre pra defensiva com a queda das commodities

Na última quinta-feira passada, dia 05/05/2011, soltei um ingrato alerta para o setor de commodities no artigo, "Alerta de bolha no mercado de commodities", que infelizmente está se concretizando. Hoje, mais uma vez, o mercado de commodities entrou em colapso. O barril de petróleo tipo light caiu 5,46% além da prata que também desabou. A CME teve que intervir no mercado interrompendo os negócios com os contratos de gasolina, petróleo e óleo para calefação. As negociações ficaram travadas por alguns minutos para evitar um pânico maior no mercado. De qualquer forma não foi possível evitar mais uma derretida no setor de commodities, nessas condições os investidores começam a vender ativos e correm para o dólar em busca de segurança, por isso a moeda está subindo tanto nos últimos dias.

Ficar posicionado em commodities é assumir um risco muito alto no momento em que o mercado está querendo estourar uma bolha neste setor. Além disso deve-se considerar que este segundo grande colapso das commodities em menos de uma semana pode motivar a venda de outros ativos que nada tem a ver com o setor. Como tem muito dinheiro pesado ainda no mercado, principalmente de fundos mútuos, este movimento pode estar apenas começando. George Soros, o homem que quase quebrou o banco da Inglaterra, encerrou todas as suas posições em commodities na semana passada e parece que ele acertou mais uma vez.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones recuou 1,02%, S&P500 teve desvalorização de 1,11% (brigando para não perder a importante linha de suporte em 1340 pontos) e Nasdaq caiu 0,93%. Olhando para o gráfico do Dow Jones podemos reparar o aumento de volume na queda de hoje, o MACD cantou o movimento de queda conforme destacado ontem pois o mesmo não acompanhou o movimento de repique nos dias anteriores.


O índice Bovespa confirmou fim do movimento de repique conforme comentado na análise de ontem. Criou-se uma nova resistência na região dos 65.2k devido à proximidade com a LTB mais rápida que vem dos 70k. Mercado predominantemente vendedor, suportes estourados sem muita dificuldade e resistências criadas facilmente. A técnica está funcionando à risca para abertura de posições vendidas. Bovespa continua na mão dos "ursos".

terça-feira, 10 de maio de 2011

Não subestimem a China

No mês de fevereiro deste ano a China registrou um déficit comercial de 7,3 bilhões de dólares, em março, o gigante asiático alcançou um pequeno superávit comercial de 140 milhões de dólares, hoje a China divulgou o seu resultado para o mês de abril: superávit de 11,43 bilhões de dólares. Os dados de hoje da balança comercial chinesa deixaram o mercado de queixo caído, o resultado veio muito acima do esperado mostrando a força que tem a economia chinesa (juntamente com o seu câmbio artificialmente baixo) e acabou impulsionando o mercado de commodities que injetou ânimo nas bolsas mundiais.

As exportações chinesas cresceram 29,9%, aos 155,69 bilhões de dólares, enquanto as importações aumentaram 21,8%, aos 144,26 bilhões de dólares. Esses dados apenas confirmam o enorme potencial do mercado chinês, apresentando um dos melhores mercados consumidores a serem explorados no mundo inteiro. Mesmo com um superávit comercial as importações chinesas aumentaram 21,8% o que fez puxar ações de empresas de commodities (já que a China mostrou estar comprando mais e o país tem uma deficiência alta em energia, alimentos e matéria-prima).

Apesar desta notícia o Ibovespa subiu pouco e com volume financeiro abaixo da média novamente. O movimento de repique pode estar acabando se a região dos 65.2k não for rompida amanhã, pois este é um bom ponto para abertura de novas vendas de curto prazo no índice.


Em Wall Street o índice Dow Jones subiu embalado pelo resultado da balança comercial chinesa e também amparado pelas ações de empresas defensivas. O topo continua marcado em 12.8k com o MACD não acompanhando este repique de alta. A situação pede um pouco de cautela para abertura de novas posições compradas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Maioria dos brasileiros gasta mais do que recebe

De acordo com um estudo elaborado pela APAS (Associação Paulista de Supermercados) divulgado nesta segunda-feira, pela primeira vez desde 2005 os brasileiros estão gastando mais do que recebem. De acordo com o levantamento, em 2010 o rendimento médio das famílias foi de R$ 2.146,00 ao mês, enquanto o gasto médio mensal chegou a R$ 2.171,00. De 2009 para 2010, a renda do brasileiro cresceu 13%, enquanto os gastos subiram 16%. Este dado confirma um dos principais motivos por estarmos passando aperto com a inflação, o consumo segue forte amparado pela facilidade de crédito. Com isso, 53% das famílias brasileiras viram suas despesas ultrapassarem a renda.

Ao que tudo indica o consumo vai continuar forte este ano. As vendas do comércio brasileiro na semana do Dia das Mães por exemplo, cresceram 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado (dados da Serasa Experian), são as maiores vendas nos últimos 9 anos. Além disso a diferença entre despesa e renda está pequena e esta deverá ser coberta com os reajustes salariais. Desemprego baixo e crédito farto continuam fazendo do varejo brasileiro a galinha dos ovos de ouro para qualquer investidor.

No cenário externo o dia foi de agenda fraca, as atenções se voltaram ao repique nas commodities (após o crash da semana passada) e também ao novo corte da dívida grega pela Standard & Poor's. Dow Jones fechou o dia em leve alta confirmando a formação de fundo ascendente sobre a linha central de bollinger, mas o MACD pede atenção quanto a abertura de novas posições compradas.


Na Bovespa o dia foi de giro fraco. O mercado seguiu mantendo o repique iniciado há dois pregões atrás e pode ser que a LTB mais rápida seja testada em breve, MACD confirma o movimento de repique. Ao final do dia tivemos uma notícia não muito boa, a UE (União Européia) vai eliminar os privilégios comerciais ao Brasil a partir de 2014. A Europa concede privilégio aos produtos de economias pobres que entram no continente, como o Brasil não é mais uma economia pobre, vamos perder este privilégio de exportar para a Europa com tarifas aduaneiras menores.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Alerta de bolha no mercado de commodities

No pregão desta quinta-feira tivemos a oportunidade de acompanhar o primeiro crash a nível mundial. O petróleo simplesmente desabou, com certeza pegando muito comprador desprevenido na chamada de margem. É isso o que acontece quando um movimento passa dos níveis aceitáveis de oscilação durante o dia, desespero geral do mercado que faz impulsionar ainda mais este movimento gerando um flash crash. A queda no preço do petróleo foi totalmente especulativa, não houve nenhum dado econômico fundamentado que influenciasse tamanha força vendedora na commoditie. O preço do petróleo teve a maior queda diária na história para os contratos futuros do Brent (negociado em Londres), recuando 8,6% a 110,80 dólares o barril. Já o petróleo negociado em Nova York despencou quase 10%, caindo para menos de 100 dólares por barril. Veja o tamanho da queda no gráfico abaixo: 

Assustador, essa é a única palavra a dizer sobre este gráfico. Não é comum acontecer esse tipo de movimento, mesmo devido as últimas altas do petróleo nos últimos meses, cair tão forte e tão rápido assim é característica de bolha sendo estourada pelo mercado. Outro fator preocupante é a prata, que também faz parte do mercado de commodities, os preços da prata tiveram sua maior queda semanal em quase 30 anos. Basta observar abaixo o gráfico:


Reparem no movimento de crash, parecido com a queda do petróleo de hoje só que mais intenso. O preço simplesmente despencou com muita força e sem repicar, outra característica de de bolha estourada. Em ambos os casos não há razão para tal feito ocorrido, mas quem está operando no mercado deve saber que ele é irracional, imprevisível e soberano acima de tudo. Não adianta sair notícia boa ou ruim, o mercado se movimenta por sí só e este não avisa quando um crash está para acontecer, ele simplesmente quebra os investidores mais desprevenidos.


Em Wall Street o mercado tremeu com o crash no petróleo. Ações do setor de energia foram fortemente penalizadas e Dow Jones fechou em baixa de 1,10%, marcando topo em 12.9k e aliviando os indicadores que estavam bem sobrecomprados. Dados fracos da economia americana, como o número de pedidos de auxílio-desemprego subindo para uma máxima em 8 meses, serviram de "motivo" para o início da onda vendedora no índice que já está testando sua linha central de bollinger.


Na Bovespa o dia foi bastante tenso, o mercado aceitou compra no suporte em 63.5k levando o índice a uma alta de quase 1% no intraday dando um bom spread para day-trade, mas ao início da tarde a força vendedora reapareceu virando a mão no mercado. O volume ficou bem acima da média e a situação continua favorecendo as operações vendedoras mesmo com um nível muito alto de sobrevenda, demonstrando fraqueza total do mercado para ao menos engatar um repique de alta. Vários flash crash estão ocorrendo disfarçadamente em alguns ativos sem refletir no índice, já que estão fazendo um rodízio. Isto é, escolhem a dedo quem vai subir pra fazer o contrapeso no índice, quem vai cair e quem vai despencar. Olho vivo nesse mercado pois não está difícil enxergar papel caindo mais forte do que o movimento da crise de 2008.


As análise serão retomadas na segunda-feira dia 09/03/2011.

Maior juro real do mundo

Que o Brasil é o paraíso da renda fixa isso o mundo inteiro sabe. Não foi atoa que entrou uma enxurrada de dólares em nossa economia nos últimos meses. No gráfico abaixo, retirado do site Catalpa Capital, podemos perceber um dado curioso, nós também somos o país que possui o maior juro real do mundo (taxa básica de juros menos inflação). Mesmo com uma taxa de inflação puxada (6% no acumulado de 12 meses) temos um ótimo spread para aplicações em renda fixa, que na verdade é o melhor spread do mundo para renda fixa. Este gráfico representa bem porque o investidor pessoa física continua de fora da bolsa de valores, o nosso juro real é o melhor do mercado.


Reparem também que os países de economias desenvolvidas trabalham com juro real negativo mesmo tendo suas economias inflacionadas, que força o investidor procurar rentabilizar sua carteira na renda variável ou trabalhar com operações arbitragem e/ou carry trade.

Com base nesses dados podemos dizer que estamos em uma boa situação econômica? Definitivamente não. Nem o Brasil e nem as economias desenvolvidas, pois mesmo apresentando juro real negativo essas economias não conseguem engatar um crescimento forte, o que é bastante preocupante. E o Brasil está (como venho repetindo há muito tempo) passando e vai continuar passando por sérios problemas inflacionários. A inflação tende a continuar aumentando puxando a taxa de juros para cima. Vamos lembrar que no segundo semestre deste ano teremos negociação de aumento de salário para  várias categorias sindicais e para o início do ano que vem, se não mudar nada, o governo vai se enforcar de vez se no reajuste do salário mínimo. Esse reajuste será feito pelo crescimento da economia mais inflação de dois anos anteriores. Faça a soma e você vai enxergar um número "impagável" no Orçamento da União.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A importância do "timing" no mercado

Não é surpresa alguma ver o índice bovespa ser dominado pelas operações vendedoras, o mercado deu o sinal há mais de 5 meses atrás, não só pela técnica mas também pela análise macro e fundamentalista. Vou separar o post de hoje para falar um pouco sobre "timing" de mercado, que na minha opinião, é o elemento fundamental para a sobrevivência de um especulador nesta nova bolsa de valores. Para falar de "timing" eu vou ter que provar que ele funciona, portanto vamos ao gráfico:


Este é um gráfico de uma análise técnica que fiz no fechamento do mês de outubro/2010. Vou copiar e colar o que escrevi neste dia: "Agora o investidor deve ficar atento quanto a linha vermelha traçada no topo (exatamente a região dos 72k) pois o índice pode estar projetando um topo duplo mensal, o que não seria nada bom para as posições compradas. De qualquer forma este upside já rendeu mais do que 16% de alta em apenas 5 meses, nada mal para um ano em que a renda variável está patinando para renda fixa"

Candles, médias e linhas, simples assim. Sem complicação alguma o "timing" está fácil de interpretar e temos um alerta mandando você se preparar para sair. É a verdadeira análise técnica clássica que foi esquecida pelo mercado, perdendo espaço para o que as corretoras/entidades/"professores" e "analistas" chamam de "curso de análise técnica". No mês seguinte o mercado ainda subiu, fazendo aquela famosa esticadinha antes da pancada começar. Hoje testamos os 63.5k (última retração fibo de toda a pernada de alta iniciada em 58k) e sem nenhum sinal de fundo ainda.

Para quem seguiu a recomendação do blog e ficou de fora da bolsa esse tempo todo, o momento é propício para começar a procurar as pechinchas do mercado. Existem algumas empresas (bem fundamentadas) que estão ficando baratas, consequentemente abrindo oportunidade para o investidor voltar ao mercado. É claro, deixando a parte mais pesada para entrar quando o fundo for marcado e a tendência for revertida. Lembrando que vender é o que está fazendo dar lucro na Bovespa desde novembro do ano passado e existe uma possibilidade de furarmos 60k abaixo.

Vale ressaltar que esta visão não se aplica à tendência de curto prazo. E por falar em operações curtas temos uma oportunidade de trade comprado contra tendência com stop barato (abaixo dos 63.5k no índice). Risco x retorno bom pra especular, se falhar vai sair barato.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sell in may and go to "inflação"

O famoso jargão do mercado "sell in may and go away" (venda em maio e vá embora, ao pé da letra) pegou a Bovespa de jeito este ano. A queda abrupta nos dois primeiros dias do mês acionou mais um pivot de baixa no curto prazo e renovou mínima no gráfico semanal e mensal. As vendas entraram pesadas este mês junto com o "sell in may..." acelerando ainda mais a tendência de queda na Bovespa. Nas atuais circunstâncias, cair rápido pode ser considerado um bom sinal (já que faríamos fundo mais rápido para trabalhar uma reversão de tendência), pois a análise técnica não está emitindo nenhum sinal de mercado bull. E isso vem desde o ano passado quando a congestão foi respeitada em 72k. Na visão de curto/curtíssimo prazo podemos estar próximos de um repique já que o Ibovespa está colado nos 64k, região de força compradora.


Voltando ao título do post, você deve estar se perguntando, porque será que está escrito a palavra inflação no lugar de "away"? Eu resolvi trocar os nomes pois a inflação é o grande fator que afasta a pessoa física da bolsa de valores, portanto ela é a grande responsável pelo "sell in may". Sem pessoa física para comprar bolsa o mercado vai continuar caindo e estourando suportes, já que o investidor estrangeiro está pulando fora da Bovespa, somente em abril o fluxo negativo ficou em mais de 1 bilhão. Como se não bastasse além de sair do mercado à vista os estrangeiros vendem contratos futuros na BMF (que antes era utilizado para hedge) e ganham dobrado nos dois mercados.

Uma novidade sobre a inflação é que agora pouco, em entrevista pela Globonews, o presidente do Banco Central (Alexandre Tombini) admitiu pela primeira vez que a inflação deve superar o centro da meta (que é de 6,5%) este ano, confirmando as incansáveis vezes em que chamei atenção para este "perigo". Pode-se perceber também que o tom do "discurso" mudou, parece que o ciclo de aperto monetário ainda não tem data para acabar.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou estável, S&P500 caiu 0,34% e Nasdaq perdeu 0,78%. S&P500 caiu mais do que Dow Jones pois este índice está mais vulnerável às oscilações de commodities que caíram hoje. Olhando pelo gráfico do Dow Jones podemos perceber que o sinal de topo deixado ontem continua valendo para amanhã, com dois dojis seguidos de indecisão em nível alto de sobrevenda.

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