quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lá se vai a autonomia do Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acaba de surpreender o mercado ao anunciar um corte agressivo de 0,50 p.p. na taxa selic. As explicações do Banco Central para este corte na taxa de juros estão focadas no cenário internacional. "O Copom considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos."

O Copom ainda declarou que "O Comitê entende que a complexidade que cerca o ambiente internacional contribuirá para intensificar e acelerar o processo em curso de moderação da atividade doméstica (... onde está havendo redução da demanda? nos shoppings?), que já se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira (... recuo do crescimento está mais vinculado à queda de mercado no cenário externo e não interno). Dessa forma, no horizonte relevante, o balanço de riscos para a inflação se torna mais favorável. A propósito, também aponta nessa direção a revisão do cenário para a política fiscal. (... agora sim! apareceu a palavra mágica, política fiscal!).

Dois dias antes da decisão do Copom, o governo federal anunciou que irá aumentar a meta do superávit primário em R$ 10 bilhões conforme mencionado no artigo "O efeito superávit". Logo após o anúncio a presidente Dilma Rousseff declarou publicamente que gostaria de ver os juros caindo, assim como o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Agora está explicado porque o governo elevou a meta do superávit dias antes da decisão do Copom, para forçar uma queda na taxa de juros mesmo com o mercado de trabalho fortemente aquecido, reajustes salariais nos próximos meses, inflação de serviços elevada e demanda aquecida.

Este fatores deveriam ser levados em consideração por uma política monetária séria e autônoma. Para termos uma idéia do patamar de inflação no Brasil, o acumulado do IPCA em 12 meses está em 6,87%, já o acumulado do IGP-M está em 7,99%, isso mostra uma lacuna enorme entre oferta e demanda no país que força uma alta contínua nos preços. Vale a pena lembrar também que o Banco Central está totalmente fora da meta de inflação (atualmente em 4,5% ao ano, com um limite máximo de 6,5% ou mínimo de 2,5%).

Está evidente que o Banco Central perdeu sua autonomia para combater a inflação, dando lugar à política populista do governo federal, pois mesmo com uma desaceleração no cenário externo o nosso mercado ainda está muito aquecido, movido principalmente pela demanda do consumidor interno e não pela atividade industrial. Com esta decisão o Banco Central corre sérios riscos de fechar o ano fora do limite máximo da meta inflacionária, atualmente em 6,5%.

O movimento na Bovespa parece ter antecipado esta decisão do Copom, o índice fechou na máxima do dia com volume acima da média mirando um teste nos 57.6k. Este pivot de alta no curto prazo ainda não altera a tendência de médio e longo prazo no Ibovespa, porém se o Banco Central mantiver sua política expansionista a bolsa de valores poderá ser o refúgio dos investidores para protegerem o capital de um cenário de inflação elevada.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones conseguiu passar pela resistência em 11.6k e confirmar pivot de alta no curto prazo, dando forças para o movimento de repique e poderá testar em alguns dias a resistência em 11.8k.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

FED puxou o gatilho mas não disparou

A ata do FED (Federal Reserve - banco central dos Estados Unidos) divulgada hoje, referente à reunião da última sexta-feira em Jackson Hole, revelou que a autoridade monetária cogitou em utilizar o quantitative easing 3. Os membros do FED debateram e se mostraram divididos sobre as opções que ainda restam para estimular a fraca retomada econômica do país, esta discordância dentro do próprio FED acaba demonstrando que há poucas cartas na mesa e a eficácia das mesmas são duvidosas.

Três dos dez votantes discordaram da decisão de comunicar publicamente os planos do FED de manter a taxa de juro perto de zero por mais dois anos. É uma política expansionista que não está causando efeito desejado na economia desde o estouro da crise em 2008, o desemprego nos Estados Unidos deverá se manter em patamares elevados por pelo menos mais um ano (em uma visão bastante otimista).

Criou-se então uma expectativa no mercado para que algum programa de afrouxamento monetário (provavelmente um quantitative easing 3) seja anunciado pelo FED no mês de setembro. Se este fato realmente se configurar o FED estará alimentando mais uma vez a fome por dinheiro de Wall Street. Evidentemente o problema não está na liquidez dos mercados, já que os grandes bancos e empresas privadas estão montados em cima do dinheiro. O epicentro desta crise é o Estado que atingiu em cheio a confiança do mercado, mas não será desta forma que a mesma será retomada.

Os índices de confiança continuam caindo no mercado. Na zona do euro, o índice de sentimento econômico caiu para 98,3, ante 103 pontos do mês passado, é a pontuação mais fraca em 17 meses. Nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor despencou para 44,5 em agosto, ante 59,2 pontos em julho. Este é o resultado mais fraco desde abril de 2009.

O índice Dow Jones tentou ensaiar um rompimento na linha dos 11.6k mas Wall Street perdeu força no final com baixo volume de negócios. A resistência nos 11.6k foi mantida e o índice fechou com um spinning top, este cenário não inspira confiança para abertura de novas posições compradas no curto prazo.


Na Brasil, a bolsa continua comprando a expectativa de corte na taxa básica de juros a ser divulgada nesta quarta-feira dia 31/08/2011. Hoje foi a vez da presidente Dilma Russef expressar sua influência (ooops.., opinião) ao dizer que "elevar o superávit abre espaço para corte na taxa de juro". Sem dúvida é um grande passo para redução da taxa selic no longo prazo, mas conforme mencionamos na análise de ontem, não há espaço para cortes na taxa de juros este mês.

O índice Bovespa acionou pivot de alta ao romper a resistência dos 55k, o volume não foi digno de rompimento, muito menos o candle (spinning top). Por isso mesmo necessita de confirmação amanhã, se conseguir se manter acima dos 55k será o primeiro passo para fazer um reteste na região dos 57.6k (base da congestão de longo prazo).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O efeito superávit

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje que a meta de superávit primário do governo foi ampliada de R$ 81 bilhões para R$ 91 bilhões. O superávit primário é o resultado positivo da arrecadação do governo menos os gastos (com exceção do pagamento de juros da dívida), ou seja, o governo consegue gastar menos do que se arrecada, gerando uma poupança para pagamento posterior dos juros da dívida. Quando os gastos do governo são superiores a arrecadação, temos um déficit primário, significa que o governo estaria gastando mais do que se arrecada (é o que está acontecendo nos países desenvolvidos há muito tempo).

Segundo Mantega, a medida é preventiva para evitar uma desaceleração da economia e ajudar a reduzir no médio e longo prazos a taxa básica de juros, a famosa taxa selic. O governo está sinalizando que utilizará uma política monetária mais frouxa (corte na taxa de juros) para combater uma futura desaceleração na economia. Aumentar a meta de superávit primário é sempre uma notícia boa, mas devemos salientar que 80% do nosso superávit primário está relacionado ao aumento da arrecadação de impostos e não à cortes nos gastos públicos.

Um fato curioso é que esta medida foi anunciada na semana em que o Copom terá de decidir sobre o futuro da taxa básica de juros nos próximos 45 dias, a ser anunciado nesta quarta-feira dia 31/08. O mercado entendeu bem o recado e os juros futuros caíram na BM&F, alguns "analistas" começaram a dizer que a taxa selic poderá cair já neste mês. É uma forma de intervenção indireta sobre a decisão do Copom, já que o governo está demonstrando seu interesse em cortar a taxa de juros. Mas será que o Banco Central está perdendo a sua autonomia? Não há nenhum sinal nos indicadores econômicos que permita um corte imediato na taxa selic, o mercado de trabalho está aquecido (desemprego baixo), a inflação de serviços continua subindo, o crédito continua farto e ainda há um descompasso entre oferta e demanda que mantêm a pressão sobre os preços.

Os investidores na Bovespa já começam a apostar em um corte na taxa selic (vale reforçar que esta não é a visão do Finanças Inteligentes, acredito que não haverá corte nesta reunião do Copom em agosto) e por isso o índice subiu forte no pregão desta segunda-feira, além de acompanhar o rítmo de Wall Street. O movimento de alta foi barrado exatamente na região de resistência dos 55k no qual estamos destacando há mais de duas semanas. O rompimento dos 55k irá acionar pivot de alta no gráfico diário e poderá impulsionar o índice a fazer pullback na região dos 57.6k em algumas semanas. Por outro lado, foram 3 horas seguidas de teste na resistência sem que a mesma tenha sido rompida, denunciando que as vendas estão realmente concentradas nesta região, todo cuidado é pouco para abertura do pregão amanhã.



Dados positivos da economia norte-americana contribuíram para o otimismo em Wall Street. Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram 0,8% em julho (a previsão era um aumento de 0,5%) surpreendendo o mercado. A notícia de que dois dos maiores bancos da Grécia, o Alpha Bank SA e o Eurobank Ergasias SA, planejam uma fusão estimada em 7 bilhões de euros para tentar contornar os problemas que afetam o complicado sistema bancário grego (falta de liquidez no mercado interbancário e saques contínuos de clientes) injetou ânimo no mercado europeu. Esta fusão consolida mais um banco que entra para a lista dos que são grandes demais para falir, incrivelmente estimulada pelo próprio governo da Grécia. Quando a situação apertar (mais do que já está), o governo será acionado para "salvar" esta instituição financeira.

Dow Jones fechou o pregão em alta, chegando perto da região de resistência dos 11.6k. A média móvel simples de 20 períodos confirmou o corte bear sobre a média móvel simples de 200 períodos no gráfico diário, é uma sinalização da tendência de baixa no médio prazo. Para curto prazo se a resistência dos 11.6k for respeitada mais uma vez a LTA mais curta deverá ser testada novamente.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O coelho fugiu da cartola

O tão aguardado discurso de Ben Bernanke (lembrando que Bernanke não é rei), presidente do Federal Reserve, nesta sexta-feira em Jackson Hole (Estados Unidos) deixou um vazio no mercado. O anúncio de um quantitative easing 3 não foi confirmado contrariando toda a expectativa criada durante a semana por diversos analistas. De fato foi uma notícia importante, pois conforme destacamos no artigo de sexta-feira dia 19/08/2011 "FED, bancos e liquidez. A combinação do desastre", existe a possibilidade da economia americana entrar em estagflação (inflação cresce, mas a economia não). Injetando mais liquidez no sistema, este risco de estagflação aumenta consideravelmente, já que a inflação "acordou" nos Estados Unidos e mais dinheiro na economia impulsionaria ainda mais as pressões inflacionárias em um cenário onde o desemprego continua muito alto e sem sinais de melhora.

Mas este discurso de Bernanke merece outro destaque, o Federal Reserve não tem coelho na cartola. Bernanke não anunciou nenhuma medida a ser adotada pela autoridade monetária, não trouxe nenhuma novidade ao mercado e ainda por cima empurrou o problema para a administração do governo Obama. Realmente o FED está ficando sem margem de manobra, a taxa de juros é praticamente nula e deverá continuar assim nos próximos anos, os programas de quantitative easing não impulsionaram a economia como deveriam e os bancos não estão seguros em liberar mais crédito ao mercado (estão preferindo manter as reservas em caixa ou aplicar no mercado de capitais). As empresas não estão seguras em investir (e consequentemente aumentar as contratações) e as pessoas continuam inseguras com a economia norte-americana e gastam menos. É um círculo vicioso provocado pela falta de confiança geral no mercado.

A falta de opções dentro do FED obrigou Bernanke a pedir (em outras palavras) "um tempo" ao mercado. A reunião de setembro sobre política monetária será ampliada para dois dias, enquanto isso o comitê continuará a avaliar as perspectivas econômicas no país, ou seja, estão mais perdidos do que nunca e ainda não sabem o que fazer. Enquanto isso o presidente do FED passou a batata quente para o presidente Obama, Bernanke cobrou mais gastos por parte do governo para acelerar a retomada do crescimento econômico, mas se "esqueceu" que os Estados Unidos precisam reduzir o déficit fiscal e isto implica em cortes nos gastos públicos daqui pra frente. Percebeu como a situação está complicada? Onde está o coelho da cartola? Será que ele fugiu? Não existe uma saída simples que não seja dolorosa para a economia dos Estados Unidos.

O índice Dow Jones fechou a semana em alta, com um candle de fundo acima do suporte da média móvel simples de 200 períodos. 10.7k é a região de fundo temporário no gráfico semanal, como a queda foi muito intensa nas últimas 4 semanas é normal o índice parar para respirar e aliviar os indicadores. Para as próximas semanas Dow Jones poderá trabalhar um topo descendente dentro da tendência de baixa predominante no médio e longo prazo.


Na Europa a semana também foi de alívio para as principais bolsas do continente. O DAX (Alemanha) marcou um martelo invertido fora das bandas de bollinger em região de extrema sobrevenda indicando que poderá manter o repique de alta ou lateralizar nas próximas semanas.


Apesar de tudo as bolsas europeias estão apenas aliviando a pressão vendedora que foi esmagadora nas últimas semanas. Sinais de que o novo pacote para a Grécia pode estar fracassando se intensificaram na sexta-feira, depois que o endividado país alertou que não vai seguir em frente com a troca de bônus se o acordo não atingir as metas (pelo menos 90% dos investidores), mesmo enquanto autoridades europeias tentavam resolver as divergências sobre a participação da Finlândia no plano de resgate.

A Grécia tem que rolar 135 bilhões de euros de sua dívida pública por títulos de prazo mais longo, mas a parcela de instituições financeiras que decidiram participar do programa "voluntário" de rolagem está entre 60% e 70%. Além disso o governo finlandês afirmou que o acordo com a Grécia para as garantias estava fora de negociação, e que as conversas agora estão concentradas em encontrar garantias alternativas que sejam adequadas para todos os países da região do euro. Parece que a Finanlândia não vai mesmo participar do pacote de socorro à Grécia se não receber garantias, e no momento ainda não há solução para este impasse.

Nos mercados emergentes a semana também foi de alívio momentâneo. A bolsa de Xangai na China conseguiu marcar fundo temporário na região dos 2.5k em um engolfo de alta que poderá garantir o movimento de repique para as próximas semanas. No médio e longo prazo o mercado continua vendedor, reparem que até as médias móveis mais longas (como a de 200 períodos) estão bem inclinadas para baixo, extremamente vendedoras.


A desaceleração e o risco de recessão nos países desenvolvidos continua sendo um dos principais entraves para as economias dos países emergentes. Cortes nos gatos públicos para reduzir os déficits fiscais de diversos países na Europa e Estados Unidos deverão impactar negativamente o crescimento da economia mundial, incluindo os países emergentes.

O gráfico das commodities já está antecipando este desaquecimento da economia mundial. Menor crescimento significa primeiramente menor demanda por commodities. Conforme podemos observar no gráfico abaixo os preços das commodities estão em tendência de queda, a LTA que sustentou todo o movimento altista desde novembro de 2008 foi perdida recentemente com topos e fundos descendentes, confirmando a trajetória de baixa iniciada no início deste ano.


Finalizando com o Ibovespa, o índice fechou a semana em alta. O movimento de repique iniciado no fundo em 48k se tornou um movimento lateral entre a resistência dos 55k e o suporte dos 52k. O mercado brasileiro está andando de lado há duas semanas, o que não é um bom sinal, pois permite a aproximação das médias móveis mais rápidas sem que o movimento do índice seja ascendente. Reparem como a linha central de bollinger ainda está bem distante da pontuação do índice, esta distância deverá se encurtar nas próximas semanas/meses.


O nível de sobrevenda continua muito alto e mesmo assim a força compradora demonstra fraqueza para encaixar um repique de alta mais consistente. Para médio e longo prazo a tendência de baixa permanece inalterada.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bernanke não é rei

Durante toda a semana só se falou em Bernanke nas análises e noticiários do mercado financeiro, aqui no Finanças Inteligentes relatamos sobre este clima de expectativa na análise de segunda-feira no post: A espera por Bernanke, mas a mídia em geral continuou martelando esta informação dia após dia na cabeça do investidor, percebí então que havia alguma coisa errada. Porque estão insistindo em divulgar matérias sem nenhum conteúdo novo ou algo relevante sobre a reunião do FED nesta sexta-feira? Provavelmente para desviar a atenção do investidor.

Quase todo mundo que acompanha o mercado sabe que amanhã será o grande dia do discurso de Ben Bernanke, aguardando ansiosamente pelo anúncio (ou não - provavelmente não) de um quantitative easing 3. Mas poucas pessoas sabem que hoje o BCE (Banco Cetral Europeu) teve que recorrer à uma linha de crédito em dólares com o Federal Reserve (banco central norte-americano). O BCE tomou um empréstimo de 500 milhões de dólares por sete dias a uma taxa de 1,1%.

Outra "surpresa" foi a prorrogação da proibição de operações com vendas a descoberto de ações do setor financeiro na França, Itália e Espanha (uma operação orquestrada já que todos os 3 países fizeram o anúncio na mesma hora). Itália e Espanha prorrogaram a proibição até o dia 30 de setembro/2011 e França até o dia 11 de novembro/2011. As autoridades políticas parecem não entender muito bem sobre o funcionamento e dinâmica do mercado, além de não fazer efeito algum (apenas corta a liquidez), acabam revelando que o sistema financeiro europeu está realmente passando por dificuldades que nós ainda não podemos enxergar.

Portanto devemos tomar muito cuidado quando o mercado insiste em focar suas atenções em apenas um objetivo, que gerou um clima de expectativa durante toda a semana, mas que por outro lado escondeu informações relevantes e até certo ponto preocupantes.

Dow Jones testou a linha central de bollinger no pregão desta quinta-feira e conforme explicamos ontem, encontrou uma zona de resistência. Marcou uma configuração de topo no curto prazo pelo gráfico diário, o volume do candle de baixa foi maior do que os outros 3 dias anteriores de alta. Poderá testar LTA de curto prazo em breve.


O Ibovespa também fechou em baixa confirmando o sinal de cautela deixado ontem pelo doji de indecisão abaixo da linha central de bollinger. Amanhã a LTA de curto prazo será testada e caso ocorra o rompimento da mesma será difícil segurar no suporte dos 52k.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A inacreditável política econômica brasileira

Antes de começar a análise de hoje gostaria de fazer uma pergunta aos leitores do Finanças Inteligentes. Você emprestaria a alguém uma quantia em dinheiro cobrando juros de 8% ao ano? E ainda sem a necessidade de se provar qualquer garantia? Eu sei que parece uma proposta absurda mas é isso que o governo irá fazer. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira o novo programa de microcrédito, batizado de Crescer, que terá as menores taxas de juros do mercado, 8% ao ano (com excessão da TJLP para os "apadrinhados" do BNDES). A taxa anterior destinada à linha de microcrédito girava em torno de 4% a 5% ao mês. Logicamente o programa irá estimular o empreendedorismo e abrirá muitas oportunidades de negócio no Brasil, já que o custo do capital será baixo.

Mas as benfeitorias param por aí. A taxa de juros baixa será bancada pelos bancos públicos e pelo Tesouro Nacional (leia-se indiretamente o seu bolso). Os bancos públicos reduzirão por conta própria os juros para um patamar de 1,3% ao mês, a partir deste ponto o Tesouro cobrirá a redução das taxas para até 0,64% ao mês, fechando a conta em 8% ao ano. Ou seja, além de abaixar os juros para um patamar de rentabilidade crítica (já que o custo do dinheiro gira em torno de 12,50% ao ano para os bancos) o Tesouro irá bancar quase metade do custo de toda a operação do microcrédito.

Outro ponto preocupante é a facilidade na concessão do crédito, os tomadores do microcrédito não precisarão apresentar nenhuma garantia para receber o recurso. Esta linha de crédito é a mais problemática (maior risco de inadimplência) do mercado, pois a grande maioria das pequenas empresas não sobrevivem até os 3 anos de vida. A eficácia do microcrédito está muito duvidosa, o grande responsável pela falência das micro e pequenas empresas é a carga tributária sufocante. Se a intenção do governo é estimular o empreendedorismo (o que é uma ótima idéia), o primeiro passo seria realizar uma reforma tributária e não distribuir dinheiro no mercado sem pedir garantia.

A falta de planejamento dentro do governo está evidente. Ao mesmo tempo em que o Banco Central luta para combater a inflação apertando a economia, o ministro da Fazenda joga mais lenha na fogueira do outro lado impulsionando ainda mais o crédito na economia. De um lado pagamos caro (com o aumento da taxa selic) para o Banco Central cortar o crédito no mercado, e do oturo lado também pagamos caro pois estamos financiando a liberação de mais crédito no mercado. Dá pra entender?

Nos mercados de capitais não tivemos novidades. O índice Dow Jones continua refletindo a expectativa para a reunião de sexta-feira em Jackson Hole nos Estados Unidos, maiores informações sobre esta importante reunião estão disponíveis nos artigos: A espera por Bernanke e Wall Street compra QE3. Dow Jones fechou pelo segundo dia consecutivo na máxima e se aproxima da linha central de bollinger onde poderá encontrar certa resistência.


No Brasil, o índice Bovespa conseguiu realizar o teste na linha central de bollinger e fechou o dia com um doji de indecisão, reforçando o sinal de cautela para os próximos dias. A análise se mantêm a mesma no qual divulgamos ontem, com excessão do teste na linha central de bollinger que já foi feito hoje.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Wall Street compra QE3

A especulação em Wall Street entrou em jogo na tarde desta terça-feira. Os mercados engataram um rali de alta com investidores comprando a aposta de que o presidente do Federal Reserve, Ben Barnanke, irá anunciar nesta sexta-feira um novo programa de estímulo monetário, em outras palavras, o quantitative easing 3. Conforme informamos na análise de ontem, Wall Street será a grande beneficiaria de um novo programa de injeção de capital. Como ainda há uma dúvida no mercado se haverão novos programas de estímulo à economia ou não, pois existem opiniões divergentes dentro do próprio FED (Federal Reserve), Wall Street se aproveita do momento para fazer uma aposta e ao mesmo tempo jogar uma pressão em cima de Ben Bernanke para que o "pacotão da alegria número 3" seja anunciado nesta sexta-feira.

Dados fracos divulgados hoje do setor imobiliário da indústria norte-americana reforçaram as apostas de Wall Street. Ultimamente notícia ruim na economia é notícia boa para o mercado, é uma visão míope para especulação de curto prazo apenas. Dow Jones revela a sede por dinheiro em Wall Street e fechou o dia em forte alta de 2,97%. Podemos traçar uma LTA curta pois o candle de hoje indica fundo ascendente de curtíssimo prazo em 10.8k. A resistência mais importante permanece na região dos 11.6k.



Na Ásia, o Índice de Gerentes de Compras do setor manufatureiro na China subiu para 49,8 pontos este mês, ante 49,3 de julho. O indicador melhorou um pouco mas mesmo assim indica retração na atividade manufatureira pois veio abaixo de 50 pontos, a diferença para o mês anterior é que a retração deste mês foi um pouco menor (por estar mais próximo de 50). Acima de 50 pontos este indicador mostra expansão na atividade. Deve-se destacar a dificuldade de algumas empresas chinesas, principalmente as menores, em conseguir financiamento no mercado devido as políticas de aperto monetário no país. Outro ponto importante está no custo da mão de obra, um relatório recente do banco central chinês aponta para um aumento salarial de 10% a 30% no segundo trimestre deste ano em relação ao ano passado. São reflexos do crescimento desordenado no qual destacamos aqui no Finanças Inteligentes dia 15/08/2011.

No Brasil a Bovespa comprou o rali de Wall Street e fechou na máxima do dia aos 53.7k. Apesar da alta o movimento não alterou o nosso cenário padrão no curto prazo com suporte nos 52k (testado e respeitado) e resistência nos 55k. Dentro desta zona de congestão de curto prazo tudo pode acontecer, por este motivo a relação risco x retorno pra operar não está muito boa (apesar de estar relativamente fácil para apostar no teste da linha central de bollinger), já que estamos no meio desta zona de congestão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A espera por Bernanke

A semana mal começou e o mercado já entrou em compasso de espera pela reunião anual de bancos centrais em Jackson Hole (Estados Unidos), que será realizada nesta sexta-feira dia 26/08/2011. A grande expectativa por esta reunião está vinculada ao pronunciamento do presidente do FED (Federal Reserve), Ben Bernanke. Wall Street, na sede por dinheiro novo, aguarda ansiosamente por anúncio de um novo programa de estímulo monetário, o famoso quantitative easing 3. Na teoria, deveria ser um programa de estímulo à economia, mas na prática boa parte deste recurso acaba caindo na especulação em Wall Street.

O volume baixo de negócios nos mercados confirma esta tese, poucos investidores querem arriscar posições antes deste importante pronunciamento de sexta-feira. Será um bom ponto de referência para sabermos se Ben Bernanke está mais preocupado com os riscos de uma estagflação na economia americana (conforme relatamos no artigo: FED, bancos e liquidez. A combinação do desastre, ou se ele está mais preocupado com a sede por dinheiro de Wall Street (incluindo as maiores instituições financeiras mundiais).

Dow Jones fechou o dia com um candle que poderia ser um martelo invertido, mas como não está posicionado no término de uma tendência, o candle perde sua validade. A força da tendência continua sendo o spinning top deixado abaixo da zona de resistência nos 11.6k. O volume baixo em Wall Street demonstra que o mercado pode estar mais para indefinição nos próximos dias, mas vale ressaltar que a tendência de baixa no curto/curtíssimo prazo se mantêm inalterada.


No Brasil, tivemos mais um dia de espetáculo pelo circo da mídia comercial. Analistas prevendo Ibovespa em 20k, outros em 70k, um verdadeiro show de bola de cristal. A qualidade das análises destes "gurus" ("que tem o poder de prever o futuro"), é impressionante, está aquém do bê-a-bá do mercado de capitais. É impossível prever pontuação de índice, muito menos no médio e longo prazo. A análise (seja ela técnica, fundamentalista ou macroeconômica) não foi feita para se prever o futuro da bolsa, mas sim para ser uma ferramenta de auxílio ao investidor na tomada de decisão.

Deixando o circo de lado, o volume financeiro desta segunda-feira na Bovespa foi muito baixo, acompanhando o rítimo de Wall Street. O índice fechou com um doji lápide, que pode ser considerado como uma manutenção (ou continuação) da configuração de topo pelos candles nos 55k, que deram início à uma tendência de baixa no curto prazo. O suporte mais importante no curto prazo está na casa dos 52k, abaixo deste valor podemos testar os 50k.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FED, bancos e liquidez. A combinação do desastre

Os recentes dados divulgados sobre a economia norte-americana estão fazendo renascer o fantasma da recessão na maior potência econômica mundial. Acontece que o cenário está ficando cada vez mais complexo, os líderes europeus continuam batendo cabeça, o desemprego nos Estados Unidos continua alto, a economia está desacelerando e agora a inflação começou a dar sinal de vida assustando o mercado. Inflação sem crescimento econômico é a receita de bolo para se criar uma estagflação na economia, como aconteceu na década de 70 (inflação combinada com alto desemprego).

Diferentemente da receita de bolo para se criar uma estagflação, não há um remédio pronto para tirar uma economia deste processo, basta observar o que aconteceu com o Japão nestas duas últimas décadas. Tudo que o FED (Federal Reserve - Banco Central dos Estados Unidos) não quer neste momento é ter de lidar com um provável cenário de estagflação na economia. Não há como combater uma estagflação com políticas monetárias expansionistas (baixa taxa de juros, quantitative easing, etc), pois a inflação irá subir ainda mais. Por outro lado o desemprego alto exige políticas monetárias expansionistas para impulsionar a economia. O FED teria que quebrar a cabeça para tentar tirar a economia americana do atoleiro de uma estagflação.

Por incrível que pareça, o principal causador de uma possível estagflação americana é o próprio Banco Central. Justamente por manter uma polícia monetária expansionista que não consegue resolver o problema grave do desemprego alto no país. O resultado das injeções de liquidez no sistema financeiro foi ineficaz, pois o crédito não foi repassado à economia, o dinheiro dormiu dentro dos grandes bancos americanos e retornou para o mercado de capitais. O excesso de liquidez dos grandes bancos não foi nem para o mercado interbancário (como costumava ser antes da crise em 2008), para financiar as necessidades de bancos menores.

Esse excesso de liquidez está bancando a alavancagem das posições destes grandes bancos (diga-se players) nos mercados futuros, como petróleo, ouro, cobre, soja, açúcar, café e outros. Reparem abaixo um dado curioso sobre os contratos futuros de ouro:


O número 1 marcado no gráfico representa a corrida por ouro quando a crise do subprime estourou nos Estados Unidos, arrastando todo o sistema financeiro. A cotação do ouro disparou refletindo uma busca por segurança, já que o clima era de aversão à risco. Quando a tensão no mercado diminuiu a cotação do ouro também caiu, os investidores passaram a liquidar ouro para aproveitar as oportunidades de compras baratas nas bolsas de valores.

Mas assim que o FED começou com o programa de injeção de liquidez nos grandes bancos, a cotação do ouro voltou a subir, ou melhor disparar, conforme podemos observar onde está marcado o número 2 no gráfico. Matou a charada? Os bancos, com "dinheiro de graça" do governo americano, apostaram em peso nos mercados futuros originando esta alta robusta desde 2009. Este movimento pode ser observado não só no ouro, como no petróleo, soja, cobre, prata, e entre outros.

Os mesmos bancos que quase acabaram com o sistema financeiro mundial, utilizaram o recurso do FED (que deveria ser repassado à economia) para apostar em mercados futuros de commodities. E pelo visto, estas instituições embolsaram lucros exorbitantes, já que no mercado futuro opera-se de forma alavancada.

O FED tem que assumir o erro da política monetária expansionista e achar um jeito de enxugar essa liquidez excessiva em poder de poucos bancos poderosos americanos e repassar este recurso para onde ele deveria ter sido entregue: a economia norte-americana. O resultado seria a solução de quase todos os problemas do país: geração de empregos, crescimento econômico e inflação sustentada que permitiria uma elevação na taxa de juros. Caso contrário, se nada for feito, os Estados Unidos podem estar caminhando para uma recessão dentro de um temido cenário de estagflação na economia.

O índice Dow Jones fechou a semana em forte baixa invalidando o martelo da semana anterior que poderia indicar fundo temporário. A resistência dos 11.6k atuou como forte barreira para impedir a continuação do repique de alta e o índice fechou colado no suporte dos 10.8k. As bandas de bollinger continuam fazendo movimento de abertura abrindo espaço para mais quedas, a média móvel simples de 200 períodos é uma das últimas esperanças para segurar esta queda no Dow Jones. Abaixo desta linha o mercado indica que a tendência é realmente de baixa para o médio e longo prazo.


Os mercados continuam penalizando também os índices europeus. As divergências de opiniões e atitudes protecionistas de alguns políticos estão revelando a incapacidade da União Europeia em resolver a sua primeira grande crise desde a criação do euro. Na Alemanha, o DAX fechou a semana com mais um forte candle de baixa, o pânico não diminuiu na Europa e já está na sua terceira semana consecutiva.


O sistema financeiro europeu pode estar passando por uma grave crise de confiança onde as ações de grandes instituições financeiras estão sendo duramente penalizadas nas bolsas de valores. Na França por exemplo, país com maior exposição bancária à dívida grega, o índice CAC está caindo em linha reta e já se aproxima do fundo da crise de 2008. O último suporte relevante antes de testar este fundo é a linha dos 2.9k.


Nos mercados emergentes a queda da semana foi menos intensa. O índice da bolsa de Xangai na China anulou o doji de indecisão da última semana e fechou colado nos 2.5k dentro de um canal de baixa no curto prazo que pertence a um outro maior de longo prazo.


No Brasil a queda da Bovespa também invalidou o martelo da semana anterior. O repique de alta foi barrado na linha dos 55k, região de resistência no curto prazo. O movimento apenas lateralizou os candles no gráfico semanal, empurrando-os para dentro da banda de bollinger. Há uma grande faixa para oscilação dos preços com poucas resistências/suportes relevantes, exatamente entre a região dos 57.6k e 47.8k, onde deverá continuar mostrando bastante volatilidade. Para médio e longo prazo a tendência de baixa se mantêm sem nenhuma alteração ou indicação de reversão.


O Brasil, e nenhum outro país do mundo, estará imune há uma desaceleração da economia mundial. A expectativa de crescimento para o país mudou e muitas empresas de consultorias e instituições financeiras já reavaliaram suas projeções deixando-as mais pessimistas. O banco UBS está projetando um crescimento de 3,1% em 2011, ante 3,9% da projeção anterior. O Goldman Sachs revisou sua previsão para 3,7% este ano e no último relatório Focus do Banco Central, a projeção para o PIB em 2011 recuou para 3,93%.

Além dos fatores externos o Brasil já mostra sinais de uma economia mais fraca, devido à política de aperto monetário do Banco Central. A produção industrial teve forte queda de 1,3% no mês de junho e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (considerado como uma prévia PIB), registrou sua primeira queda em 30 meses, caindo 0,26% em junho ante o mês de maio.

Diante do exposto, recomenda-se manter cautela no mercado de capitais. Algumas poucas empresas estão baratas na bolsa, o que permite uma leve exposição ao mercado. Mas o cenário econômico não é nada bom e mais quedas poderão acontecer nos próximos meses, gerando boas oportunidades de negócio para os investidores que conseguirem manter a disciplina e sangue frio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cheiro de recessão no ar

Indicadores fracos sobre a economia norte-americana, preocupações sobre a situação dos bancos europeus (este problema foi denunciado dia 05/08/2011 no artigo "Liquidez já atinge bancos europeus" ) e a ingerência política na Europa e Estados Unidos para resolverem o sério problema do déficit fiscal estão alimentando a fuga em massa das bolsas de valores no mundo inteiro. A ordem é fugir do risco e correr para ativos de segurança, esses movimentos estão sendo constantemente denunciados aqui no Finanças Inteligentes. O ouro fechou o dia com mais um novo recorde de alta aos 1.820 dólares a onça. No mercado de títulos do tesouro americano, o rendimento da nota de 10 anos caiu para menos de 2% durante o pregão, pela primeira vez desde 1954, mostrando forte demanda do mercado para comprar treasuries. Mesmo com o rebaixamento do rating pela S&P, os títulos públicos americanos continuam sendo visados como ativos de segurança, há pouca opção de fuga no mercado.

Declarações do ex-presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, afirmando que a União Europeia está à beira do precipício assustaram os mercados, principalmente os europeus. Os motivos citados por Jacques Delors estão em linha com uma análise que fizemos no dia 06/07/2011: "Euro tem prazo de validade". As ações de grandes bancos europeus foram duramente penalizadas no pregão desta quinta-feira, o Commerzbank, RBS, Barclays, Société Générale e Dexia fecharam acima dos 10% de queda.

Nos Estados Unidos o Federal Reserve de Filadélfia jogou um banho de água fria no mercado anunciando que o seu índice de atividade industrial caiu para -30,7 em agosto, ante de 3,2 em julho. A queda foi assustadora mostrando forte retração na atividade industrial, alimentando o temor de recessão. As vendas de imóveis residenciais usados nos Estados Unidos também colaboraram para o clima de tensão quanto à economia do país, as vendas encolheram 3,5% em julho e atingiram o menor nível deste ano. Com tantos dados negativos, Wall Street derreteu nesta quinta-feira, o índice Dow Jones caiu com aumento de volume, caracterizando um topo descendente no curto prazo, exatamente na região que havíamos relatado no início desta semana, os 11.6k.


Morgan Stanley e Goldman Sachs revisaram para baixo suas respectivas estimativas sobre o crescimento da economia mundial, diante dos indicadores fracos sobre o PIB do segundo trimestre divulgados pelos Estados Unidos e países europeus. Menor projeção de crescimento mundial gera um impacto imediato sobre as empresas brasileiras exportadoras de commodities. O Ibovespa fechou em baixa de 3,52% confirmando a resistência na região dos 55k, configurando um topo descendente no curto prazo. Próximos suportes estão na faixa dos 52k, 50k (psicológico) e 47.8k.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Volume recorde deixa dúvidas

De acordo com as informações colhidas no próprio site da BM&FBovespa, o pregão desta quarta-feira dia 17/08/2011, atingiu a marca histórica de volume financeiro negociado no mercado à vista (Bovespa) totalizando incríveis R$ 24.259.162.443,96 de giro financeiro. Nunca na história da Bovespa houve um volume tão grande de negócios em um único dia. No mercado futuro também houve um recorde de volume negociado, a movimentação foi de R$ 9,03 bilhões, com 154.660 contratos negociados. A esmagadora maioria se manteve vendedora nos contratos futuros sobre o índice, que girou R$ 7,89 bilhões, a parte compradora foi responsável por um volume de R$ 1,13 bilhão.

O vencimento de contratos futuros sobre o índice bovespa foi o grande responsável por este volume recorde na BM&F. No primeiro momento podemos observar que as vendas foram roladas para o próximo vencimento do contrato futuro, ou seja, o mercado continua apostando em queda do índice futuro. E para o índice futuro cair, o mercado à vista também deve cair.

O que deixa dúvida é se este volume negociado no mercado à vista está correto. R$ 24 bilhões é totalmente fora da realidade do nosso mercado, que gira em torno de 5 a 6 bilhões por dia. Se realmente a Bovespa girou 24 bilhões nesta quarta-feira não sei explicar porque o índice não fechou com 10% ou 20% de alta, já que o volume entrou após o vencimento dos contratos futuros sobre o índice e este volume foi nitidamente comprador pois o Ibovespa (mercado à vista) operava em baixa de 0,92% no momento e fechou o dia com uma alta de 1,38%.

Diante desses acontecimentos só podemos pressupor que a BM&FBovespa está passando informações erradas ao investidor (o que é gravíssimo) ou realmente a Bovespa girou 24 bilhões e sabe-se lá onde é que esse dinheiro foi parar. O gráfico do Ibovespa não revela nada além do normal, candle pequeno, resistência em 55k testada com início de rompimento que pode jogar para um teste na linha central de bollinger.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones continua sofrendo pressão da famosa resistência dos 11.6k conforme destacado na análise do dia 15/08. O índice deixou um spinning top abaixo desta resistência, aumentando as possibilidades de elevação da força vendedora em Wall Street.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Líderes europeus continuam batendo cabeça

Amplamente aguardada pelo mercado, a reunião entre os líderes de Alemnha e França decepcionou mais uma vez os investidores no mundo inteiro. Não houve um anúncio importante ou alguma decisão concreta para resolver o impasse sobre a crise fiscal na Europa. Os presidentes dos dois países anunciaram apenas a criação de um imposto sobre transações financeiras a ser implementado ainda este ano. Tanto Merkel, quanto Sarkosy foram extremamente políticos em suas declarações, ressaltando a necessidade de reforçar a cooperação entre os países do bloco (e o que será que os dois foram fazer nesta reunião? Aonde está a cooperação?), além de se mostrarem otimistas demais com a economia local.

Os líderes políticos estão otimistas mas os indicadores não. Não houve crescimento na economia francesa no segundo trimestre deste ano, o PIB do país estagnou conforme mencionado na análise do dia 12/08/2011. Já na Alemanha houve um crescimento de 0,1% do PIB no segundo trimestre deste ano, mostrando uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre de 2011.

Na verdade o mercado estava precisando de um motivo para realizar lucros, a abertura de novas posições compradas estava com um risco x retorno alto, conforme destacamos na análise de ontem. O motivo apareceu e as bolsas mundiais entraram em correção. Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,7% sentindo a proximidade da região de resistência dos 11.6k. Nem mesmo o aumento de 0,9% da produção industrial entre junho e julho nos Estados Unidos foi suficiente para reverter a queda.


No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa de 0,6% acompanhando o movimento dos mercados globais. A resistência na região dos 55k foi confirmada assim como o suporte de curtíssimo prazo na região dos 53.8k. Aos poucos a oscilação do índice vai voltando ao normal, abrindo oportunidades para operações mais curtas, já que os suportes, linhas e médias estão sendo formados nos gráficos intraday.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Preparar para pousar

O baixo volume entre os negócios e os motivos que estão mantendo os repiques técnicos nos mercados de capitais mundo afora podem estar emitindo um sinal para o investidor se preparar para pousar neste forte repique de alta. O negócio bilionário entre a Google e Motorola acabou sendo o "grande motivo" para manter os mercados otimistas no pregão desta segunda-feira (observe bem, sempre existe o lado bom da crise). Logicamente, a Google não irá resolver os problemas econômicos mundiais ao comprar a Motorola por 12,5 bilhões de dólares, mas o mercado aproveita as notícias positivas para manter o embalo do repique técnico.

Em Wall Street, o índice Dow Jones está chegando perto de uma importante resistência na casa dos 11.6k (11.555pontos) com sua média móvel simples de 20 períodos cortada para venda entre as médias de médio e longo prazo (50 e 200 períodos). O baixo volume deste repique de alta também deixa o sinal amarelo para os investidores de curto prazo que aproveitaram as promoções da semana passada.


No Brasil, o índice bovespa fechou em alta pelo 5º pregão consecutivo. Apesar de ainda trabalhar em nível de sobrevenda, já merece uma certa atenção da parte compradora do mercado no curto prazo. A abertura de novas posições compradas está com risco x retorno um pouco alto. O índice começa a se aproximar da linha central de bollinger e linha de resistência do canal de baixa que foi rompido na semana anterior. Provavelmente irá encontrar pressão vendedora nesses pontos citados.


Na Ásia, alguns economistas chineses já começam a admitir que o país terá de se reequilibrar nos próximos anos, o que significa um crescimento bem distante daqueles absurdos 10% a.a. das duas últimas décadas (impulsionados em grande parte pelo investimento direto do Estado, principalmente em infraestrutura e imóveis). Talvez o rítimo tenha que ceder para algo entre 5% a 6% ao ano para se tornar um patamar sustentável ao longo dos próximos anos. Esses investimentos estatais estão se tornando cada vez mais desnecessários nos grandes centros urbanos da China.

Provavelmente o crescimento chinês para os próximos anos terá de estar menos vinculado ao investimento estatal e mais focado no consumo interno das famílias, que ainda é muito baixo. Apenas 35% do PIB da China refere-se ao consumo interno. Aumentar o consumo interno em meio à um crescimento que foi desordenado não é tarefa fácil. A economia chinesa deverá se preparar por uma nova fase, a do "pós-milagre econômico".

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Não basta ter reservas

Nos últimos dias o governo brasileiro tem demonstrado, através de declarações das autoridades políticas, que o país está protegido e blindado contra a atual crise no cenário externo. O Brasil atingiu 350 bilhões de dólares em reservas internacionais, este valor é sem dúvida um ótimo arsenal para combater uma crise que necessite de atuação rápida dos governos. Acontece que o Brasil está acumulando reservas em dólares e consequentemente acumulando prejuízos também, já que o dólar está caindo há mais de 2 anos. Para evitar que as nossas reservas percam valor, é necessário comprar mais dólares no mercado. Como se não bastasse o governo deve emitir dívida via tesouro direto (remunerando os títulos públicos a 12,50% a.a.) para financiar esta compra de dólares no mercado.

O resultado final de toda essa "espetacular" operação financeira é que estamos comprando um ativo que perde valor ano após ano e financiando esta compra emitindo uma dívida de 12,50% a.a. Para fechar o rombo, ainda compramos montanhas de treasuries (títulos públicos do tesouro americano) que não rendem nem 1/3 da dívida emitida por nós mesmos para financiar toda essa operação financeira. O governo exalta o montante de suas reservas internacionais, mas esconde o custo que a mesma nos proporciona.

Outro ponto a se considerar é que não basta ter reservas se o país não faz o seu próprio dever de casa. Já batemos várias vezes nesta tecla aqui no Finanças Inteligentes, mas teremos que repetir novamente: o Brasil precisa fazer suas reformas em caráter de urgência, tanto na área de infraestrutura, quanto na área tributária, fiscal e educacional. Além disso a nossa economia não pode ficar dependendo de commodities para sobreviver, pois qualquer retração econômica no cenário externo será refletida aqui.

O Brasil não aproveitou, no passado recente, a riqueza proporcionada pelo alto preço internacional das commodities para investir este recurso na economia. O governo preferiu gastar este dinheiro fomentando o aumento do consumo interno, em políticas claramente populistas. E mais uma vez pisamos feio na bola, pois a inflação disparou, a nossa economia não conseguiu atender a demanda interna e tivemos que importar mais produtos para suprir esta necessidade, beneficiando assim os exportadores de manufaturas (especialmente a China). Total falta de planejamento.

Não se assuste, mas o show de "lambança" ainda não acabou. O nosso índice de poupança interna é muito baixo, o que acaba impossibilitando que maiores investimentos sejam feitos na economia. Para efeito comparativo, o Brasil investe cerca de 19,5% de seu Produto Nacional Bruto, já a China investe cerca de 49%. Portanto não adianta estar "blindado" contra a crise internacional, com uma reserva de 350 bilhões de dólares, se o que pode nos derrubar são os nossos próprios problemas internos.

A forte queda das últimas semanas na Bovespa não é um efeito de manipulação, nem de irracionalidade do mercado, é um movimento totalmente justificável. Assim como a recuperação ao longo desta semana, porém o motivo é puramente técnico. Os papéis estavam esquartejados no chão, baratos demais para abertura de novas operações vendedoras. Pelo gráfico abaixo podemos observar que esta recuperação se iniciou a partir do teste na linha de suporte dos 48k. O candle de fechamento do gráfico semanal é um martelo totalmente fora das bandas de bollinger, o que pode indicar que o movimento de repique deverá continuar, ou pelo menos "lateralizar".

 
No mercado asiático há um movimento interessante na economia chinesa, o país finalmente está deixando o yuan se valorizar. Isso pode indicar que a China está parando de comprar dólares para manipular o câmbio, por achar que ficar exposta demais aos Estados Unidos pode ser um problema, e realmente é. A bolsa de Xangai fechou com um doji de longa sombra inferior, refletindo a recuperação do mercado após o crash de segunda-feira. De qualquer forma não conseguiu impedir a formação de um triângulo descendente, rompido para baixo. O rompimento deste triângulo sugere que o índice vá testar a base do seu canal de baixa em algumas semanas/meses.


Na Europa a situação ainda é mais complicada. A França está se tornando a nova preocupação na zona do euro. A economia francesa estagnou no segundo trimestre deste ano, o PIB divulgado hoje não mostrou crescimento econômico (o principal motivo é que os consumidores cortaram drasticamente os gastos). Isso vai dificultar e muito os planos do governo de reduzir o déficit fiscal, já que a economia está crescendo menos e consequentemente a arrecadação de impostos será menor.

O índice CAC, da bolsa de Paris, está caindo desde fevereiro/2011 e acelerou a queda nas últimas semanas. A LTA (linha de tendência de alta), que sustenta o índice desde o fundo da crise financeira nos Estados Unidos, foi perdida assim como uma importante região de suporte nos 3.3k. Poderá engatar um repique na próxima semana, mas ao que tudo indica não deve passar disso. O índice está totalmente vendido, inclusive pelas pelas médias móveis.


Para encerrar, Wall Street também mostrou recuperação ao longo desta semana. O índice Dow Jones fechou com um martelo fora das bandas de bollinger (assim como o Ibovespa) e sugere que o movimento de repique poderá continuar na próxima semana. A média móvel simples de 200 períodos foi testada e respeitada, trabalhando como suporte para atrair a força compradora. Para o médio e longo prazo a tendência é de baixa, a LTA que vem desde o fundo da crise foi perdida em candles de força e com aumento considerável de volume.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um dia para respirar

O anúncio de que a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados vai proibir a venda de ações a descoberto a partir desta sexta-feira para os mercados de Espanha, Itália, Bélgica e França animou as bolsas europeias que estavam extremamente deprimidas em meio as fortes quedas dos últimos dias. A venda descoberta é quando o investidor vende um papel por um determinado preço (sem possuí-lo) e compra mais barato depois, ganhando na queda da ação. No Brasil, operações com vendas a descoberto é permitido. Apesar de tudo, proibir venda a descoberto não garante que as quedas fortes irão parar, pelo contrário, nos Estados Unidos durante a crise de 2008 esta medida também foi implementada e os índices despencaram ainda mais. Mas é bom lembrar que sempre existe o lado bom da crise.

Nos Estados Unidos os índices também subiram, acompanhando o rítimo das bolsas europeias. Dow Jones fechou em alta de 3,95% e o índice S&P 500 avançou 4,63%. O gráfico abaixo mostra como o Dow Jones continua volátil, são quatro dias seguidos de quedas fortes e altas fortes. Isso mostra que a volatilidade está tomando conta dos mercados (o que não é novidade para ninguém). O nível de tensão está alto, portanto qualquer espirro pode fazer os índices oscilarem 3% ou 4% num só dia.


Na verdade os índices estão aliviando o nível de sobrevenda que ficou altíssimo nos últimos dias. O crash jogou muitas ações na lona e os especuladores aproveitaram para apostar. O mesmo movimento está acontecendo aqui na Bovespa, porém com dois dias de antecedência. O índice conseguiu cravar sua terceira alta seguida devolvendo todas as perdas com a derretida de segunda-feira.


Conforme podemos observar no gráfico acima, o fundo temporário em 48k foi confirmado com candles de força repicando acima desta linha de suporte. Ainda há uma distância considerável entre os candles e a média móvel simples de 20 períodos que deverá continuar se encurtando nos próximos dias. Esta subida forte aliviou parte do nível de sobrevenda que estava muito alto, fora do comum.

Esta forte recuperação da Bovespa nos últimos dias contou com uma mão do governo que obrigou alguns fundos de pensão a comprarem ativos na bolsa. A medida funcionou pois no gráfico de 60 minutos do Ibovespa podemos observar uma puxada forte com poucas realizações. Passando dos 53.6k podemos testar os 55k, porém ainda não é aconselhável operar no curto/cutríssimo prazo pois a volatiliade está muito alta.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O lado bom da crise

O mundo inteiro derreteu novamente nesta quarta-feira por preocupações de que a crise na Europa possa golpear os bancos franceses e eventualmente contaminar sistema financeiro europeu e norte-americano. O mercado já demonstra preocupações com a solidez de grandes bancos franceses, como o Société Générale por exemplo, que caiu 14,7% no pregão de hoje. Uma onda de vendas em papéis do setor bancário dominaram as bolsas na Europa e nos Estados Unidos. Barclays, Santander, UniCredit, BNP Paribas, Crédit Agricole, Intesa Sanpaolo, Bank of America, Goldman Sachs, além do próprio Société Générale, fecharam com quedas acima de 8%. Mas porque a bolsa brasileira conseguiu se safar da carnificina de hoje?

Há uma percepção de que a redução nos preços das commodities (provada pela deterioração do cenário econômico mundial) poderá ajudar a política econômica dos países emergentes, que estão lutando com a inflação desde o ano passado, abrindo margem para uma interrupção no aperto monetário. Além disso, uma interrupção nos aumentos da taxa selic, é o primeiro passo para permitir que o real possa se desvalorizar em relação ao dólar (pois poderá frear o ingresso de capital especulativo na renda fixa brasileira), facilitando um pouco a vida do exportador brasileiro.

A corrida por ativos de segurança, como treasuries (títulos do tesouro norte-americano) e o ouro por exemplo (conforme demonstrado no gráfico abaixo) está intensa. Os rendimentos dos treasuries caíram tanto, mostrando uma alta procura pelos títulos, que já começam a chegar a níveis de pré-crise, onde o mercado tenta se proteger de uma piora no cenário econômico. O mercado de contratos futuros para o ouro está em pânico, só que de alta, refletindo todo esse pessimismo com a recuperação global.


A situação nos mercados continua bastante delicada. O índice Dow Jones recuou 4,63%, S&P500 caiu 4,42% e Nasdaq despencou 4,09%, impossibilitando assim de se fazer uma análise técnica para curto/curtíssimo prazo, pois estes índices continuam em pânico total. No Brasil, a Bovespa parou para respirar devido o assunto abordado no início desta análise. Ainda há bastante espaço para manter o repique de alta e aliviar os indicadores que estavam em região de extrema sobrevenda. Porém não estamos livres da volatilidade nos mercados e a nossa bolsa está demonstrando sinais de descolamento, tornando-se difícil armar operações de curto/curtíssimo prazo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Não há deja vú no mercado

Ultimamente inúmeras comparações com o crash de 2008 estão sendo feitas por diversos "analistas, economistas e demais especialistas" que tanto atrapalham (Ooops, "ajudam"..) o investidor a fazer dinheiro na bolsa. Apesar de ser uma ramificação do crash em 2008, os motivos desta atual crise de 2011 são outros. O estouro de 2008 começou pelo mercado imobiliário de subprime americano para posteriormente atingir as grandes instituições financeiras, ou seja, saiu de baixo para cima. A crise atual é exatamente o contrário, algo que vem de cima para baixo. A maioria dos governos de países desenvolvidos foram incapazes de manter um rítimo de crescimento econômico sustentado e manter as contas públicas em ordem. O grande problema da atualidade é a falta de confiança na gestão administrativa dos governos.

No caso dos Estados Unidos esta falta de confiança se reflete no caixa das empresas (que estão abarrotados de reservas). As empresas não estão reinvestindo os lucros pois não há confiança no mercado e consequentemente o desemprego se mantêm alto, já que o investimento é baixo. As pessoas também estão com receio e consomem menos, jogando assim a economia num círculo vicioso alimentado pela falta de confiança.

Em 2008 os governos no mundo inteiro utilizaram a injeção de capital para reanimar suas economias, já que o mundo estava passando por uma grave crise de liquidez. Ao todo foram despejados no mundo cerca de 1 trilhão de dólares no sistema e alguns países gastaram muito aquém de suas capacidades de pagamento. O resultado disso tudo é que hoje o mundo está "nadando no dinheiro" enquanto as economias não conseguem crescer de forma satisfatória. Certamente há alguma coisa errada, os mercados ficaram inflados, o dinheiro achou o caminho fácil da especulação enquanto as economias ficaram a ver navios com tanto dinheiro injetado no lugar errado.

Atualmente o problema não está sendo causado pela falta de liquidez, muito pelo contrário, há um excesso de liquidez no sistema (principalmente de grau especulativo). O problema está na falta de confiança nas autoridades políticas. A saída para esta crise de 2011 exige uma mudança nas atitudes governamentais, o remédio utilizado em 2008 é veneno para 2011. O FED (Federal Reserve) descartou hoje uma nova rodada de afrouxamento monetário, o quantitative easing 3. Enquanto se esperava que os mercados iriam despencar por causa disso, o efeito foi exatamente o contrário pois a percepção é exatamente essa, o problema não é liquidez e sim a confiança.

Devido ao alto grau de volatilidade nos mercados, hoje também fica impossibilitado de soltarmos uma análise técnica para os gráficos diários. Porém pelo gráfico de 15 minutos podemos ter uma noção do movimento que se inicou no fundo em 48. Há um pivot de alta armado com rompimento de LTB e média móvel simples de 20 períodos. De fato, esta alta de hoje está mais relacionada aos índices de sobrevenda em vários papéis (que estavam literalmente no chão) do que por qualquer outro motivo.

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