A disparada no dólar começa a atrair o movimento de massa para a nova queridinha da especulação no mercado. Uma política econômica instável e duvidosa refletirá diretamente no câmbio, e neste quesito o Brasil é rei. Não é a toa que os investidores estrangeiros viraram a mão nos contratos futuros de dólar tão facilmente (apesar da enorme posição vendida de meses atrás), o Banco Central, através de suas intervenções no câmbio, acabou permitindo a liquidez para tamanha movimentação dos estrangeiros.
Nos artigos de segunda e terça-feira desta semana alertamos que o foco do mercado estava no dólar, antecipado com maestria pelos investidores estrangeiros que armaram posição comprada em dólar futuro há cerca de um mês atrás. Nestes 3 últimos dias a especulação no câmbio disparou. Este cenário pode ser explicado pelo movimento de manada do mercado, a massa de investidores seguindo as posições compradas de grandes players. Como a maioria (dos investidores efeito manada) entra atrasada e sem estratégia, há um forte impacto no mercado gerando um pânico como o ocorrido nesta quarta-feira.
O gráfico acima exemplifica melhor o que está acontecendo com o dólar x real. As compras dos grandes players começaram na região dos 1,55 e foram reforçadas na casa dos 1,60, onde o dólar montou fundo ascendente. O rompimento da linha vermelha (1,64) sinaliza confirmação da mudança de tendência para o dólar, onde os analistas técnicos costumam entrar. Este rompimento deu impulso para a moeda alcançar os 1,70 rapidamente, onde atraiu a atenção da grande massa de investidores no mercado. O resultado está aí: pânico de alta no dólar negociado pela BM&F, que hoje encostou na região dos 1,90.
O que devemos analisar não é porque o dólar disparou, mas porque os investidores estrangeiros (os manda-chuva do mercado) inverteram a mão e decidiram se posicionar na compra? Provavelmente pela percepção de que a crise europeia poderá se espalhar pelos mercados financeiros no mundo inteiro, e isso para nós significa fuga de capitais do Brasil, forçando uma alta no câmbio.
E parece que os investidores estrangeiros estavam certos mais uma vez. O fluxo cambial da terceira semana de setembro já evidencia que há uma oferta menor de dólares no mercado. Para se ter uma idéia, o fluxo despencou nesse período para 395 milhões de dólares, bem inferior ao registrado nas primeiras duas semanas do mês, quando ficou positivo em 8,120 bilhões de dólares. O fluxo de dólar entrando na economia é basicamente via saldo da balança comercial (onde as exportações são maiores). O fluxo de dólar saindo da economia é basicamente via operações financeiras, denunciando uma possível fuga de capitais dos países emergentes para os países desenvolvidos.
Na Bovespa, o pregão desta quarta-feira marcou mais um dia de volatilidade na bolsa. O mercado abriu forte, os papéis foram puxados para cima novamente, mas no final do dia desceram o porrete mais uma vez, movimento bem parecido com o de ontem. O índice perdeu a sua LTA de sustentação e poderá testar o suporte dos 54k nos próximos dias.
Nos Estados Unidos, O FED (Federal Reserve) anunciou que venderá 400 bilhões de dólares em bônus de curto prazo e reinvestirá em títulos do Tesouro que vencem entre 6 e 30 anos até o fim de junho de 2012. Parece que o Banco Central dos Estados Unidos está ficando sem cartas na manga para reanimar a economia do país, pois esta medida não parece ser tão eficaz. Além disso há temores quanto à estagflação da economia do país (inflação aumenta, mas o crescimento não), este pode ter sido um dos principais motivos para a não implementação de um programa de quantitative easing 3, conforme queria Wall Street.
Três dos dez membros votantes do FED se opuseram à esta medida adotada pela autoridade monetária, colocando mais uma vez em destaque as divisões e divergências de opiniões dentro do próprio Banco Central. Não é só a Europa que está perdida sem saber o que fazer nesta crise que atinge diretamente o Estado.
O índice Dow Jones fechou em forte baixa após o doji de indecisão deixado ontem abaixo da poderosa resistência dos 11.6k. A linha central de bollinger foi perdida juntamente com a LTA de curto prazo. Próximos alvos para o Dow Jones estão na faixa dos 10.8k e 10.6k. A perda dos 10.6k nas próximas semanas poderá confirmar uma bandeirada para baixo, onde teremos domínio de pressão vendedora.
Obervação: as análises serão retomadas a partir do dia 03/10/2011 (segunda-feira). Eventualmente, durante este tempo em que estarei ausente do blog, poderei postar algo de forma bem rápida e resumida, apenas para quebrar um galho até o dia 03.
Sucesso a todos e bons negócios! Até o dia 03/10/2011!


































