quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E o dólar panicou

A disparada no dólar começa a atrair o movimento de massa para a nova queridinha da especulação no mercado. Uma política econômica instável e duvidosa refletirá diretamente no câmbio, e neste quesito o Brasil é rei. Não é a toa que os investidores estrangeiros viraram a mão nos contratos futuros de dólar tão facilmente (apesar da enorme posição vendida de meses atrás), o Banco Central, através de suas intervenções no câmbio, acabou permitindo a liquidez para tamanha movimentação dos estrangeiros.

Nos artigos de segunda e terça-feira desta semana alertamos que o foco do mercado estava no dólar, antecipado com maestria pelos investidores estrangeiros que armaram posição comprada em dólar futuro há cerca de um mês atrás. Nestes 3 últimos dias a especulação no câmbio disparou. Este cenário pode ser explicado pelo movimento de manada do mercado, a massa de investidores seguindo as posições compradas de grandes players. Como a maioria (dos investidores efeito manada) entra atrasada e sem estratégia, há um forte impacto no mercado gerando um pânico como o ocorrido nesta quarta-feira.


O gráfico acima exemplifica melhor o que está acontecendo com o dólar x real. As compras dos grandes players começaram na região dos 1,55 e foram reforçadas na casa dos 1,60, onde o dólar montou fundo ascendente. O rompimento da linha vermelha (1,64) sinaliza confirmação da mudança de tendência para o dólar, onde os analistas técnicos costumam entrar. Este rompimento deu impulso para a moeda alcançar os 1,70 rapidamente, onde atraiu a atenção da grande massa de investidores no mercado. O resultado está aí: pânico de alta no dólar negociado pela BM&F, que hoje encostou na região dos 1,90.

O que devemos analisar não é porque o dólar disparou, mas porque os investidores estrangeiros (os manda-chuva do mercado) inverteram a mão e decidiram se posicionar na compra? Provavelmente pela percepção de que a crise europeia poderá se espalhar pelos mercados financeiros no mundo inteiro, e isso para nós significa fuga de capitais do Brasil, forçando uma alta no câmbio.

E parece que os investidores estrangeiros estavam certos mais uma vez. O fluxo cambial da terceira semana de setembro já evidencia que há uma oferta menor de dólares no mercado. Para se ter uma idéia, o fluxo despencou nesse período para 395 milhões de dólares, bem inferior ao registrado nas primeiras duas semanas do mês, quando ficou positivo em 8,120 bilhões de dólares. O fluxo de dólar entrando na economia é basicamente via saldo da balança comercial (onde as exportações são maiores). O fluxo de dólar saindo da economia é basicamente via operações financeiras, denunciando uma possível fuga de capitais dos países emergentes para os países desenvolvidos.

Na Bovespa, o pregão desta quarta-feira marcou mais um dia de volatilidade na bolsa. O mercado abriu forte, os papéis foram puxados para cima novamente, mas no final do dia desceram o porrete mais uma vez, movimento bem parecido com o de ontem. O índice perdeu a sua LTA de sustentação e poderá testar o suporte dos 54k nos próximos dias.


Nos Estados Unidos, O FED (Federal Reserve) anunciou que venderá 400 bilhões de dólares em bônus de curto prazo e reinvestirá em títulos do Tesouro que vencem entre 6 e 30 anos até o fim de junho de 2012. Parece que o Banco Central dos Estados Unidos está ficando sem cartas na manga para reanimar a economia do país, pois esta medida não parece ser tão eficaz. Além disso há temores quanto à estagflação da economia do país (inflação aumenta, mas o crescimento não), este pode ter sido um dos principais motivos para a não implementação de um programa de quantitative easing 3, conforme queria Wall Street.

Três dos dez membros votantes do FED se opuseram à esta medida adotada pela autoridade monetária, colocando mais uma vez em destaque as divisões e divergências de opiniões dentro do próprio Banco Central. Não é só a Europa que está perdida sem saber o que fazer nesta crise que atinge diretamente o Estado.

O índice Dow Jones fechou em forte baixa após o doji de indecisão deixado ontem abaixo da poderosa resistência dos 11.6k. A linha central de bollinger foi perdida juntamente com a LTA de curto prazo. Próximos alvos para o Dow Jones estão na faixa dos 10.8k e 10.6k. A perda dos 10.6k nas próximas semanas poderá confirmar uma bandeirada para baixo, onde teremos domínio de pressão vendedora.


Obervação: as análises serão retomadas a partir do dia 03/10/2011 (segunda-feira). Eventualmente, durante este tempo em que estarei ausente do blog, poderei postar algo de forma bem rápida e resumida, apenas para quebrar um galho até o dia 03.

Sucesso a todos e bons negócios! Até o dia 03/10/2011!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bovespa vira a mão

A pancada no final do pregão desta terça-feira pode estar indicando que o mercado virou a mão na Bovespa. O índice trabalhou 2/3 do dia no campo positivo, onde inclusive conseguiu romper o último topo de curtíssimo prazo na região dos 57.2k, que em tese aumentaria as chances de um teste nos 58.5k. Mas o mercado virou a mão exatamente no ponto em que passa uma LTB (linha de tendência de baixa) de curto prazo, melhor visualizada no gráfico intraday de 60 minutos do índice conforme demonstrado abaixo. Foram mais de 1.000 pontos de queda rápida, em uma região propícia para o aparecimento de operações vendedoras. Esta derrubada no final do pregão deixou o índice na corda bamba para testar a LTA (linha de tendência de alta) de curto prazo no pregão de amanhã, com fortes probabilidades de perda, pois esta é a primeira vez (durante todo o movimento de repique iniciado nos 48k) que a linha de sustentação será testada com um marubozu de baixa.


Esta provável mudança de cenário não pode ser observada no gráfico diário, pois conforme exemplo abaixo, o índice continua na mesma (oscilando entre LTA de curto prazo e resistência dos 58.5k).


A especulação no dólar continua forte, o mercado mantêm o foco no câmbio pois a moeda aqui é boa pra especular (uma das que mais oscilam com a variação do dólar). Os investidores estão preocupados com os empréstimos feitos em dólar pelas empresas brasileiras alguns meses atrás, conforme antecipamos no artigo de ontem. Empresas que não fizeram a proteção em hedge certamente não serão boas opções de investimento para os próximos meses/anos. Infelizmente o Finanças Inteligentes não tem uma lista destas empresas "desprotegidas", caso algum leitor tenha esta informação, sinta-se à vontade em compartilhá-las conosco através dos comentários do blog.

No cenário externo, o rebaixamento do rating da Itália não impactou no desempenho dos mercados europeus. Nem mesmo a declaração do economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), ao dizer que alguns bancos europeus precisam ser recapitalizados para evitar um sério risco de insolvência, conseguiu atingir o mercado europeu que trabalha em repique de alta, aliviando a forte queda das semanas anteriores.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones continua em sua saga para tentar furar a resistência nos 11.6k, mas sem sucesso desde então. Há mais de um mês alertamos para esta resistência aqui no Finanças Inteligentes e a mesma continua fazendo pressão vendedora sobre o índice, impedindo a continuação do repique de alta.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Uma "pequena" doação de 10 bilhões de dólares

Há aproximadamente uma semana atrás, o Finanças Inteligentes revelou a intenção do Brasil em comprar títulos de alto risco da dívida soberana de países periféricos da Europa, no artigo "Vai sobrar pra nós". A iniciativa desta "brilhante idéia" não poderia ter partido de outra pessoa, sim, ele mesmo, Sr. Guido Mantega, ministro da Fazenda. O plano contaria com injeções de capital coordenadas entre os países membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas encontrou resistência entre os próprios integrantes do grupo, que temem a compra de ativos de alto risco, além de serem responsáveis com os impostos arrecadados da população. Tal responsabilidade que virou lenda no Brasil.

A idéia agora é que os países do BRICS disponibilizem recursos ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para que o mesmo repasse estas "doações" aos demais países necessitados europeus, que indiretamente será a mesma coisa. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentará a proposta nesta semana durante reunião do Brics em Washington (Estados Unidos). O Brasil poderia disponibilizar até 10 bilhões de dólares de seus próprios recursos para ajudar a Europa.

Vou ter que repetir este valor, 10 bilhões de dólares! O que mais incomoda não é saber que estaremos comprando títulos podres com alto risco de calote, ou em outras palavras jogando dinheiro no ralo. Mas sim ter de assistir este espetáculo ridículo que o governo está fazendo para tentar voltar com a cobrança de mais um imposto, a CPMF, com a desculpa de que não há recursos para ser repassado à saúde. Se não há recursos suficientes para a saúde da onde é que estão saindo esses 10 bilhões de dólares com tamanha facilidade? Será que a perda de dinheiro pelo ralo da corrupção foi menor? É uma hipótese aceitável, 5 ministros já caíram por corrupção neste governo Dilma.

No mercado brasileiro o foco está no câmbio. Os investidores estrangeiros continuam comprando dólar futuro na BM&F, sinalizando que a especulação do mercado foi toda para o dólar. Este movimento de alta no dólar deve ser observado com bastante cuidado, se os investidores estiverem antecipando uma fuga de recursos dos mercados emergentes (devido o agravamento da crise nos países desenvolvidos), vamos passar por sérios problemas em 2012. O custo Brasil já estava alto com dólar a 1,60 (devido à carga tributária, infraestrutura, aumento de salários e baixa educação), acima dos 1,80/1,90, se nada for feito, podemos começar a perder investimentos e consequentemente liquidez.

Além disso, muitas empresas brasileiras captaram recurso no exterior com dólar a 1,60/1,70 (devido o aumento na taxa básica de juros que encareceu o custo do capital de giro por aqui). Espera-se que estas operações de financiamento no exterior estejam protegidas com hedge, caso contrário a dívida poderá disparar com a desvalorização do real.

O índice bovespa fechou com mais um doji de indecisão acima de sua LTA de curto prazo, se mantendo dentro do espaço entre esta linha de tendência de alta que vem do fundo em 48k e resistência dos 58.5k. Reparem no gráfico como o espaço está ficando curto para a oscilação do índice, em breve teremos definição de tendência.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em baixa retestando a LTB rompida na semana passada e linha central de bollinger. Foi confirmado mais um topo abaixo da famosa resistência dos 11.6k.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Olé

Dólar sobe e... a Bovespa sobe? Ôooolé! Inflação sobe e... opa! juros futuros caem? Ôooolé! Bancos pedem socorro na Europa e... ah! o mercado vai derreter! Não? Bolsas disparam na Europa? Ôooolé! Mais sinais de fraqueza na economia dos Estados Unidos e... Wall Street sobe? Ôooolé! O que aconteceu nesta semana, onde as notícias e dados macroeconômicos foram em sua grande maioria ruins, para os mercados subirem? O que está deixando os analistas e economistas loucos atrás de um motivo para explicar esta alta nas bolsas mundiais? Bom, se você é um analista de escritório, economista ou um visionário com bola de cristal que se auto intitula gurú do mercado, deve estar desesperado para achar um motivo para tal. Pois venhamos e convenhamos, falar que os mercados subiram por estarem esperançosos com a situação na Europa beira no mínimo ao ridículo, já que a grande maioria desses "profissionais" chegaram a decretar o fim do mundo semanas atrás.

Você pode ser um economista de currículo invejável, com pós-doutorado na "Universidade de Marte", ou um renomado analista vendedor de cursos e DVDs, ou simplesmente um Gandalf do Senhor dos Anéis com o poder de prever o futuro, que será um tremendo zero à esquerda para opinar sobre o mercado de capitais se não operá-lo.

O mercado, ao contrário do que muitos imaginam, também é uma profissão como outra qualquer. Exige muito estudo, dedicação, prática e experiência. Tanto faz se você é um economista, médico ou advogado, o seu desempenho no mercado dependerá de uma série de fatores relacionados ao esforço e dedicação em aprender esta segunda profissão.

O primeiro passo deste longo processo de aprendizagem é saber tapar os ouvidos. Não dar a mínima atenção para os analistas de plantão. Eles já são sortudos o bastante por ganharem dinheiro pra falar tanta bobagem na mídia, a grande maioria não opera no mercado. Mesmo porque, se operassem de acordo com as suas convicções, já estariam falidos há muito tempo.

O próximo passo é reconhecer a soberania do mercado. Não é porque o dólar subiu que a bolsa deverá cair. Não é porque saiu uma notícia boa que o mercado deverá subir. Não é porque a empresa é bem fundamentada que as suas ações deverão se valorizar. Não é porque uma LTB foi rompida que o papel deverá disparar. O mercado é um elemento imprevisível que está acima de qualquer regra, padrão ou lógica.

Mas então como sobreviver no mercado? Como guiar os investimentos em um cenário que sempre será imprevisível? Bom, quando você aceita entrar no jogo é porque sabe jogar, certo? Ou por um acaso você pularia em uma piscina sem saber nadar? Mas infelizmente é isso que acontece no mercado, muitos investidores pulam na piscina sem saber nadar, e quando estão em perigo procuram ajuda de "profissionais". Estes por sinal, estarão mais perdidos do que você.

Voltando ao assunto abordado no início do texto, você deverá encarar o mercado como uma segunda profissão. É a única forma de conseguir sobreviver.  Dedique-se à literatura de renomados investidores como Warren Buffet e George Soros (dois tipos de investidores totalmente opostos, o único ponto em comum é que ambos ficaram bilionários no mercado). Acompanhe o mercado, desenvolva estudos por conta própria. Coloque em prática o que você aprendeu e faça alguns testes no mercado (este é o primeiro passo para você desenvolver seu sistema psicológico para operar). E por fim, esqueça os gurus e economistas, seja você mesmo o seu próprio analista. Porque?

O ser humano é único. O sucesso de uma operação em bolsa dependerá única e exclusivamente do seu método de operar no mercado. Este por sua vez, é altamente influenciado pelo psicológico do investidor. A parte mais difícil é domesticar o seu psicológico, pois você não consegue domá-lo. Você sabe que na hora de operar tem de estar com a cabeça fria, focar no mercado e deixar as emoções de lado. Mas não consegue, por mais que você não queira ser influenciado, é o seu dinheiro que está em jogo e consciente ou inconscientemente o seu psicológico estará sendo afetado.

Não há como se livrar deste "impacto cerebral", mas há como minimizá-lo. Você como investidor deverá procurar meios para tal. E já vou logo dizendo, não há receita de bolo para isso. O que funciona pra mim, pode não funcionar para você, pois volto a frizar, o ser humano é único, cada um reage de uma forma particular em diversas situações do mercado. Por isso que copiar métodos alheios não dá resultado. Você pode se embasar em alguma estratégia alheia mas terá de adaptá-la ao seu sistema (diga-se cérebro), assim como Buffet se embasou no método de Graham fazendo algumas adaptações conforme suas convicções.

Sei que muitos dos leitores do Finanças Inteligentes aguardam ansiosamente pela análise do dia, que não passa de uma simples e humilde opinião do autor. Mas hoje quero fazer diferente, não irei expor minha análise sobre o mercado. Ao contrário, quem vai fazer a análise do dia serão vocês, quero estimular os leitores do blog a serem os seus próprios analistas, terem opinião formada e vontade para se dedicarem à esta segunda profissão.

É o único jeito de sobreviver ao mercado. Não quero ver, no futuro próximo, nenhum leitor do Finanças Inteligentes perder dinheiro no mercado à mercê dos analistas. Utilizem os comentários do post para troca de opiniões, conhecimentos e estratégias. Todos nós temos a mesma capacidade de sucesso no mercado, basta querer. Eu estou nesta caminhada e você?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Chegou o primeiro socorro

A crise mal começou a se agravar na Europa e os bancos europeus já estão necessitando de ajuda. Hoje foi anunciado pelo BCE (Banco Central Europeu) o primeiro socorro de liquidez à estas instituições financeiras. O BCE emprestará dólares aos bancos comerciais europeus a uma taxa de juros fixa para fornecer a estas instituições toda a liquidez que eles necessitem. Em troca, estes bancos devem fornecer garantias de que possuem quantidades suficientes de dólar até o final de 2011. O plano contará com a ajuda do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Nacional Suíço.

Esta medida visa reforçar a solvência dos bancos europeus que estão claramente debilitados pelo mercado interbancário. No último ano, os bancos europeus perderam o acesso a mais de 700 bilhões de dólares em financiamentos. Boa parte desta liquidez foi comprometida pelos bancos americanos que reduziram consideravelmente financiamentos aos bancos europeus.

Esta notícia de que 5 dos mais poderosos bancos centrais mundiais irão atuar em conjunto para tentar assegurar a liquidez no mercado interbancário europeu animou as bolsas de valores ao redor do mundo inteiro, menos aqui no Brasil. O Ibovespa foi atingido pela piora no cenário inflacionário no país. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou indicadores preocupantes nesta quinta-feira. O IGP-10 mais do que triplicou em apenas um mês, saindo de 0,20% em agosto para 0,63% em setembro. Neste ritmo, o limite máximo da meta de inflação passa a ficar seriamente comprometido, conforme divulgamos no dia em que o Banco Central surpreendeu o mercado cortando a taxa selic em 0,5 p.p.

O índice Bovespa fechou praticamente estável com mais um doji de indecisão. Já são 3 dojis tocando a LTA de curto prazo somente nesta semana, demonstrando fraqueza do mercado para pegar um impulso mais consistente a partir desta linha de tendência de alta de curto prazo.


Nos Estados Unidos, assim como na Europa, o dia foi de bons negócios para a parte compradora do mercado. Na Europa os índices estão mantendo um movimento de repique devido o alto nível de sobrevenda na maioria dos papéis, em especial as ações do setor financeiro. Em Wall Street, o índice Dow Jones conseguiu passar pela linha central de bollinger mantendo o movimento de repique iniciado a partir do martelo deixado na segunda-feira desta semana. Fechou o dia testando a linha de tendência de baixa que vem do topo histórico deste ano onde deverá encontrar certa resistência para passar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Grécia fica, mas e daí?

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, realizou uma teleconferência nesta quarta-feira com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutirem a situação da Grécia dentro da União Europeia. A única notícia relevante proveniente desta "espetacular" teleconferência é que França e Alemanha garantem a permanência da Grécia dentro da zona do euro (se é que isso pode ser uma notícia, já que a saída da Grécia estava totalmente fora de cogitação). Como de costume, não foram apresentadas soluções, planos, estratégias, idéias ou qualquer coisa do tipo que sinalize uma luz ao fim do túnel. A Grécia apenas se comprometeu a cumprir suas metas do programa de austeridade fiscal.

Este é o fator que muitos analistas irão justificar para o motivo da alta generalizada das bolsas mundiais. Obviamente não foi pelo noticiário econômico que os mercados subiram, mas sim pela característica de superioridade do próprio mercado aliado aos fatores técnicos. Por sinal, o noticiário econômico de hoje foi péssimo. A Moody's rebaixou o rating de dois bancos franceses (Société Générale e Crédit Agricole) e colocou a nota do BNP Paribas em observação para possível rebaixamento.

Os grandes bancos franceses possuem uma considerável exposição à Grécia e a países debilitados da zona do euro. As ações do Société Générale já caíram quase 50% desde 1 de agosto, as do BNP Paribas recuaram 38% e as do Crédit Agricole, 37%.

Voltando para a Grécia, O banco ATEBank (controlado pelo governo com 77% das ações) declarou uma perda (ou melhor uma porretada) de 836 milhões de euros com os bônus gregos. Este prejuízo fará instituição buscar uma nova injeção de capital (do próprio governo, ou melhor dos impostos pagos pelos cidadãos gregos) para se manter solvente.

Mas então porque as bolsas ao redor do mundo fecharam em alta no pregão desta quarta-feira? Simples, o mercado é soberano, segue padrões técnicos no curto prazo e na dúvida quem dita o rumo é Wall Street. Não sei se lembram das análises feitas pelo Finanças Inteligentes na segunda e terça-feira desta semana alertando para o pullback na LTA perdida do Dow Jones. Pois bem, hoje este pullback foi concluído, o índice Dow Jones fechou exatamente no ponto onde passa esta LTA de curto prazo, que "coincidentemente" é o mesmo local da linha central de bollinger.


No Brasil, o índice bovespa fechou em alta mas continua lutando para não perder a sua LTA de curto prazo. Está encontrando ponto de apoio na linha central de bollinger, que tem ajudado a manter o índice acima dos 55k. Pode estar chegando perto de um ponto de definição pois o espaço "livre" está ficando cada vez mais curto para oscilar (entre 58.5k e LTA + 55k).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vai sobrar pra nós

Está sendo cogitado nos bastidores uma eventual ajuda do Brasil à Europa, em uma ação coordenada entre os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que os países do BRICS estão conversando para tentar formular ações conjuntas com o intuito de amenizar a crise da dívida na zona do euro. Em outras palavras, podemos comprar os títulos de alto risco da dívida soberana de países periféricos da Europa. Títulos estes que estão sendo rejeitados pelo mercado privado. Hoje mesmo a Itália teve baixa procura para vender títulos da dívida pública, sendo obrigada a aumentar o bônus para conseguir vender estes títulos ao mercado (para compensar o risco, o mercado exige um retorno maior sobre a compra).

Mas comprar títulos da dívida pública de países europeus com dificuldade de captação de recurso no mercado não seria função do BCE (Banco Central Europeu)? Sim, aliás é isso que o BCE está fazendo há muito tempo e mesmo assim não está surtindo efeito. Os juros pagos pelos países para emitir dívida na Europa continua alto e subindo cada vez mais. Como o BCE não é um caixa forte pra bancar todo mundo na Europa, pode ser que as autoridades europeias estejam pedindo ajuda aos BRICS, para que comprem títulos da dívida soberana de países problemáticos na Europa.

A informação divulgada ontem pelo Financial Times está incorreta, tanto é que os títulos italianos subiram hoje por falta de demanda. No entanto há este "interesse" por parte dos BRICS em bolar um plano para compra de títulos da dívida pública na Europa.

O Brasil não irá utilizar suas reservas internacionais para injetar dinheiro na Europa. Provavelmente este dinheiro sairá do fundo soberano, que atualmente tem um patrimônio líquido de 15,374 bilhões de reais. Desse total, 85% estão aplicados em ações da Petro e do Banco do Brasil. Como o governo não tem interesse de se desfazer destas posições, a única solução será emitir títulos públicos via tesouro direto. Isto é, o governo irá se endividar aqui, pagando juros de 12% a.a. ao mercado, para injetar dinheiro na Europa.

O dia na Bovespa foi de poucas novidades. O índice fechou com mais um doji de indecisão correndo o risco de perder a LTA de curto prazo e linha central de bollinger, já que não está aparecendo força compradora para reverter a pontuação para cima rumo aos 58k novamente. Atenção para o MACD com divergência de baixa.


O Relatório de Estabilidade do FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgado hoje, alertou para a possibilidade de fuga de dólares dos países emergentes. A razão estaria na redução do apetite por risco dos investidores. O relatório ainda diz que o crescimento do crédito, quando acompanhado de aumento de preços de ativos, é um sinal poderoso de que uma crise pode se desenvolver nos dois anos seguintes. No Brasil o movimento ainda é de forte entrada de dólares via investimento estrangeiro direto, mas já podemos observar a virada de mão dos investidores estrangeiros em dólar futuro na BM&F (estavam altamente vendidos e passaram a ficar comprados há um mês atrás) em um movimento que antecipou esta alta recente no câmbio brasileiro.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou o pregão em alta confirmando análise de ontem. O pullback poderá ser concluído amanhã ao testar a região dos 11.2k, onde provavelmente aparecerá uma força vendedora de curto/curtíssimo prazo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A mão do Financial Times

Os mercados acionários no mundo inteiro abriram o pregão desta segunda-feira em forte baixa refletindo as especulações de que a Grécia esteja próxima de declarar um default. O secretário de Estado de Finanças da Grécia afirmou que o país tem dinheiro para pagar salários públicos e pensões só até outubro deste ano, desta forma é essencial que o país receba o sexto lote do empréstimo internacional (110 bilhões de euros) para não ir a falência. O problema todo é que o governo grego não está conseguindo reduzir o déficit orçamentário, que poderia garantir o recebimento da sexta parcela do empréstimo. Só nos oito primeiros meses de 2011 o déficit orçamentário cresceu 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas após o fechamento dos pregões europeus, o jornal britânico Financial Times soltou uma bomba nos mercados. "A Itália pediu que a China fizesse compras significativas de títulos da dívida italiana, segundo o jornal. Estes investimentos, se forem realmente confirmados, poderão aliviar o contágio da crise fiscal européia que a Itália está sofrendo, via elevação abrupta de seus títulos da dívida pública.

O horário em que saiu esta notícia foi bem propício para facilitar a virada de mão do mercado. Muitos operadores abriram o pregão socando venda à descoberto (se aproveitando da situação delicada na Europa). Com a obrigatoriedade de se fechar a operação vendedora no mesmo dia, estava alí uma boa oportunidade para os players reentraram com uma força compradora, a partir da retomada do suporte em 55k. Basta dar o impulso pra virar o mercado que o vendido à descoberto se encarrega da continuação do movimento de alta, já que o operador deve zerar sua posição (recomprando, ou seja exercendo uma força compradora) para não fechar no prejuízo. No pregão do dia 06/09/2011, ocorreu um movimento especulativo parecido com este de hoje.

Por este motivo o índice bovespa fechou com um doji libélula, no toque de sua LTA de curto prazo, que por sinal é o mesmo ponto onde se encontra a linha central de bollinger (regiões propícias para o aparecimento de força compradora). O espaço está ficando curto para o mercado oscilar, pois a LTA está sendo respeitada bem como a resistência na região dos 58.5k, encurtando o spread e aumentando o risco da operação (para ambos os lados, ultimamente a Bovespa está em clima de faroeste, dando tiro pra todos os lados).


No índice Dow Jones, a LTA de curto prazo foi perdida com um candle de força na sexta-feira da semana passada. Hoje o mercado fechou com um martelo na banda inferior de bollinger, que pode sugerir um pullback nesta LTA rompida. A virada de mão patrocinada pelo Financial Times também pegou Wall Street.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Agora é cada um por si?

A renúncia inesperada do economista-chefe do BCE (Banco Central Europeu) nesta sexta-feira, o alemão Jürgen Stark, marcou o epicentro de uma enorme divergência dentro da própria autoridade monetária. A saída de Stark está relacionada à compra de títulos públicos feitas pela autoridade monetária, que vem ajudando Itália e Espanha desde o mês passado. A compra de títulos pelo BCE é uma forma de facilitar com que estes países consigam rolar suas dívidas, já que o mercado não está interessado em comprar dívida destes países, a não ser que o prêmio (o bônus) seja alto para compensar o risco elevado da operação. Outro alemão, Axel Weber, (que por sinal é presidente do banco central alemão), já havia saído do BCE em fevereiro deste ano pelos mesmos motivos.

A oposição da Alemanha quanto ao programa de compra de bônus é justificável em até certo ponto. Ao comprar os bônus soberanos destes países problemáticos (incluindo Itália e Espanha), o Banco Central Europeu está encorajando os governos a diminuírem os esforços para sanear as contas públicas, já que existe um comprador fiel para suas dívidas.

A Finlândia recentemente declarou abertamente sua oposição quanto ao novo plano de resgate à Grécia, exigindo garantias para liberar sua parcela de contribuição. A Grécia se mostrou incapaz de oferecer qualquer tipo de garantia à Finlândia e as negociações estão paralisadas. A França também tem suas divergências dentro do bloco, se preocupando em defender a grande exposição de bancos franceses quanto à dívida soberana grega.

Ao final de contas, todos os governantes europeus estão cientes de que a dívida da Grécia é impagável e o contágio pelo sistema financeiro torna-se cada vez mais explícito pela queda abrupta das ações de bancos europeus nos últimos meses. Quando há muitos problemas (ou um grande problema) para poucas soluções (ou nenhuma solução a não ser um doloroso default) as políticas protecionistas começam a aparecer. E é neste ponto em que a crise pode estourar de vez.

A Alemanha pode estar sendo o primeiro país da zona do euro a se blindar contra um eventual calote da Grécia. O governo alemão planeja tomar medidas para ajudar bancos e seguradoras que enfrentarem uma perda de até 50% em seus títulos da dívida grega. O ministro das Finanças da Alemanha disse que se a Grécia não seguir os termos que haviam sido acordados para receber ajuda, “caberá à Grécia avaliar como ela vai se financiar sem ajuda da zona do euro”. Em outras palavras, se vire porque agora é cada um por sí.

O euro sentiu o baque esta semana e despencou. Logo abaixo podemos observar o gráfico do euro x dólar onde mostra a perda da LTA (linha de tendência de alta) com um candle de forte expressão. Este movimento confirma a alteração da tendência, agregada pelo pivot de baixa armado e perda da média móvel simples de 20 períodos.


Na bolsa de Frankfurt, Alemanha, o índice DAX fechou a semana em forte baixa detonando mais um pivot de baixa em um movimento de queda em linha reta, típico de crash. Apesar do nível alto de sobrevenda é um mercado que foi totalmente dominado pelas operações vendedoras (respaldadas pelos acontecimentos macroeconômicos).


Em Paris, na França, o índice CAC também fechou a semana em forte baixa, em um movimento de crash idêntico ao DAX.


No geral houve uma queda acentuada nas bolsas europeias puxada pelas ações do setor financeiro. Os bancos europeus perderam cerca de um terço de seu valor de mercado somente neste ano, com a preocupação de que a crise da dívida soberana da zona do euro possa arrastar os bancos, muitos dos quais detêm títulos de dívida pública. Além disso, o seguro contra concordata dos bancos europeus subiu para níveis históricos, refletindo todo esse pessimismo na Europa.

No mercado interbancário europeu também há problemas graves, os bancos estão cada vez mais temerosos de emprestar uns aos outros. Os depósitos de um dia dos bancos da zona do euro com o banco central subiram na quinta-feira ao nível mais alto deste ano, alcançando 172,8 bilhões de euros. Os bancos europeus estão preferindo deixar o dinheiro "parado" com rendimento praticamente nulo dentro do banco central ao emprestar para os demais bancos do sistema financeiro, comprometendo assim com a liquidez do mercado interbancário.

Nesta balada de "cada um protege o seu", a confiança do mercado vai por água abaixo afetando diretamente a economia. As empresas a cortam investimentos e contratam menos. Os consumidores cortam gastos prevendo o pior e a economia da zona do euro começa a desaquecer com riscos de retornar à recessão se a confiança continuar abalada.

Em Wall Street, a queda está menos intensa. Mesmo porque a gravidade da crise é maior na Europa do que nos Estados Unidos. O índice Dow Jones está lateralizando entre a resistência dos 11.6k e média móvel simples de 200 períodos do gráfico semanal. O problema desta pequena congestão de curto prazo no Dow Jones é que pode estar sendo formada uma bandeira de baixa que se concretizada jogará o índice para abaixo da média móvel simples de 200 períodos, onde o mercado é predominantemente vendedor.


Na China, a bolsa de Xangai fechou a semana com um spinning top colado na banda inferior. Pode garantir um repique de curto prazo para a próxima semana mas a tendência de baixa no médio e longo prazo segue intacta.


Finalizando com a Bovespa, o fechamento desta semana não foi muito bom para os comprados. A resistência dos 58k foi testada e respeitada pela segunda semana consecutiva, só que desta vez o candle de fechamento é um spinning top, que pode indicar topo descendente dentro da tendência de baixa maior no médio prazo. Ainda há espaço para um teste na LTB intermediária e linha central de bollinger, mas o mercado demonstrou fraqueza esta semana, portanto todo cuidado é pouco. A perda dos 55k poderá jogar o mercado para testar o suporte dos 52k, onde estaria finalizando este repique de alta.


Retrospectiva da semana:

Segunda-feira: A Europa que mal consegue respirar
Terça-feira: Boato vaza das corretoras e Bovespa dispara
Quarta-feira: Expectativa quanto ao discurso de Obama
Quinta-feira: Adeus meta de inflação

Bom final de semana!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Adeus meta de inflação

O Banco Central divulgou hoje a ata da última reunião do Copom e, como já era esperado, o conteúdo da ata não convenceu sobre a decisão de mudar subitamente a trajetória da taxa selic. A ata não trouxe argumentos suficientes para convencer sobre a necessidade de um corte em 0,50 p.p. na taxa básica de juros. Parece que o Copom está prevendo um "colapso" na economia mundial a ponto de derrubar a forte demanda interna brasileira, o que logicamente não é verdade. Primeiro porque não há sinais de que a economia mundial está entrando em colapso algum, mas sim passando por um processo de desaquecimento e possibilidade de recessão em alguns países. Segundo porque o mercado consumidor brasileiro continua aquecido e não mostra sinais de arrefecimento, basta observar os números recentes do IPCA e IGP-M. O enorme descompasso entre oferta e demanda (mantendo a pressão sobre os preços) está sendo deixado de lado pelo Banco Central para focar apenas nos desdobramentos do cenário externo.

O conteúdo da ata confirmou o que ressaltamos nos artigos "Lá se vai a autonomia do Banco Central" e "4,5% é meta fictícia". Além disso, ficou claro que os cortes na taxa selic irão continuar ao longo deste ano, pelo menos mais dois cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de outubro e dezembro. Diante desta nova política de afrouxamento monetário (em um momento delicado de pressões inflacionárias), torna-se impraticável utilizar a meta de 4,5% para a inflação, este número parece não existir mais para o Banco Central que está demonstrando trabalhar com um cenário de inflação acima "da meta" para 2011, 2012 e talvez até mesmo em 2013.

A sinalização de mais cortes na taxa selic aumenta a atratividade do investimento em renda variável. O índice bovespa fechou mais um dia em alta, mantendo o seu descolamento com os mercados externos. A resistência dos 58k foi mais uma vez testada e respeitada, a força vendedora não apareceu com tanta força assim (talvez por estarem com um pé atrás) e o índice conseguiu fechar aos 57.6k. Para o índice manter o repique de alta, terá de romper esta importante linha dos 58k mais cedo ou mais tarde. Esta faixa de pontuação demonstra ser um importante divisor de águas para os próximos meses.


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou há poucos minutos atrás um plano para gerar empregos no país, o qual demandará renúncias fiscais e investimentos em infraestrutura avaliados em 447 bilhões de dólares. Este plano precisa ser aprovado pelo Congresso e se encaixar dentro das metas fiscais do país (que tem um limite de endividamento apertado). Ao que tudo indica não haverá teatro político, haja vista à grande necessidade de criação de empregos na economia norte-americana.

O discurso de Obama aconteceu após o fechamento dos mercados. O índice Dow Jones fechou em baixa devido a sinalização de que o FED não irá utilizar neste momento nenhum programa de afrouxamento monetário. Apesar de tudo, Dow Jones continua trabalhando dentro de sua LTA de curto prazo e chegando perto de um ponto de definição (entre esta mesma LTA e resistência dos 11.6k).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Expectativa quanto ao discurso de Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai anunciar na noite desta quinta-feira um plano para injetar 300 bilhões de dólares na economia norte-americana em 2012. Este plano deverá contar com a redução de impostos para a classe média, investimentos em infraestrutura e envio de verbas para os estados e municípios americanos. Apesar de ser um plano para 2012 ("curiosamente"ano de elições presidenciais nos Estados Unidos), o presidente Barack Obama deverá contar, antes de tudo, com a aprovação do Congresso americano, além de encaixar este plano dentro do apertado (e extrapolado) limite de endividamento do país.

O discurso será amanhã a noite mas Wall Street já comprou a idéia da geração de novos empregos na economia norte-americana. O índice Dow Jones fechou em forte alta confirmando o movimento destacado ontem pelo Finanças Inteligentes, a alta se iniciou no final do pregão de terça-feira se manteve intacta durante todo o dia de hoje. O índice passou pela linha central de bollinger e deverá realizar em breve o teste na LTB que vem do topo histórico deste ano.


Os mercados europeus, extremamente sobrevendidos, também fecharam o dia em forte alta impulsionados pela decisão da Corte Constitucional da Alemanha de validar a participação do país nos pacotes de ajuda financeira à Grécia e a outras nações da zona do euro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Boato vaza das corretoras e Bovespa dispara

O boato de que o rating do Brasil poderá ser elevado por uma das 3 principais agências de classificação de risco circulava as mesas de operações na parte da manhã desta terça-feira e se espalhou rapidamente pelo mercado. O movimento foi muito bem "orquestrado", pois o mercado brasileiro abriu estourando forte para baixo nos primeiros minutos do pregão, chamando abertura de operações vendedoras e limpando stops de posições compradas de curto prazo (posicionados justamente abaixo da linha dos 55k). Mas, poucos minutos depois, em um movimento combinado (ooops, "repentino"), apareceram de uma só vez ordens de compras gigantes em vários papéis do índice, principalmente nas ações mais líquidas. Após a virada do mercado, começou a vazar pelas mesas de operações das corretoras a possível elevação da nota da dívida do Brasil.

Player não brinca no mercado, estouraram para baixo os 55k na abertura do pregão justamente para o movimento de alta ganhar força depois. O especulador em posição comprada que foi estopado (liquidado), teve de recomprar a posição após a virada do mercado (impulsionando a força compradora). O especulador que abriu venda com a perda dos 55k teve de zerar sua posição após o índice romper pra cima os 55k (para zerar posição, o vendido tem que comprar, impulsionando ainda mais a força compradora). Com um boato desses rolando no mercado, após uma virada orquestrada, a bolsa só parou de subir porque o pregão teve que fechar.

Pelo gráfico podemos observar que o índice bovespa testou exatamente a região que destacávamos na semana passada, a linha central de bollinter e LTA de curto prazo. A força compradora se iniciou a partir do toque destas linhas e deu um belo ponto de compra a partir da análise técnica. O candle confirma mais um fundo ascendente de curto prazo e sugere que o índice deverá testar a região dos 58k novamente.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em queda mas acabou martelando no gráfico diário. O candle ficou abaixo da linha central de bollinger respeitando a LTA de curto prazo. O movimento de alta no intraday se iniciou no final do pregão desta terça-feira e poderá continuar no pregão de amanhã, onde será feriado no Brasil.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Europa que mal consegue respirar

A complicada situação na Europa não está permitindo nem um respiro do mercado, as bolsas de valores continuam despencando sem dar alívio aos investidores que estão batendo em retirada do mercado europeu. Na Alemanha o índice DAX caiu 5,28%, na França o CAC perdeu 4,73%, na Itália o FTSE-MIB perdeu 4,83% e a Inglaterra fechou em baixa de 3,58%. O clima na Europa continua bastante negativo, o mercado está percebendo que não há solução de longo prazo para o déficit fiscal na Grécia, dívida à nível insustentável torna-se impagável mais cedo ou mais tarde. Além disso, rumores sobre o rebaixamento do rating soberano da Itália aumentaram os receios quanto a capacidade do país em conseguir financiamento no mercado.

Os indicadores econômicos na Europa também continuam ruins. O índice gerente de compras composto (combina dados manufatureiros e de serviços) da zona do euro caiu de 51,7 pontos em julho para 50,7 pontos em agosto. Foi a expansão mais fraca desde agosto de 2009. Abaixo podemos observar o gráfico diário do DAX, na Alemanha, detonando mais um pivot de baixa.


Muitos fundos hedge estão "vendendo Europa" abertamente conforme exemplo exposto no artigo de sexta-feira, onde retrata um nome de peso do Goldman Sachs soltando um relatório praticamente "público" recomendando operações de venda no euro (moeda) e nas instituições financeiras europeias.

Na Bovespa a queda foi intensa mesmo com Wall Street fechada (devido ao feriado nos Estados Unidos). O índice já fez o teste na linha de suporte dos 55k com perigo de rompê-la para baixo no pregão de amanhã onde retornaria para dentro da zona de congestão entre 55k a 52k. Mercado segue dominado pelas vendas sem qualquer reação compradora nos dois últimos dias.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sinuca à brasileira

O resultado divulgado pelo IBGE sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil não surpreendeu o mercado que já esperava uma retração no crescimento do 2º TRI/2011, mas as entrelinhas deste comunicado acenderam o sinal amarelo para os rumos de nossa economia. A desaceleração das indústrias é evidente, porém a demanda doméstica continua forte (respaldada pelo mercado de trabalho). O crescimento está pautado em consumo interno, diferentemente do que ocorre na China, Índia, Coréia do Sul e demais países em desenvolvimento que crescem puxados pela atividade industrial.

O PIB brasileiro cresceu 0,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2011 (onde o crescimento foi de 1,3%), mostrando uma desaceleração e crescimento desordenado (sobe e desce). Áreas cruciais para crescimento sustentado de longo prazo, tais como educação e infraestrutura, continuam intactas. Os recursos naturais do país que poderiam gerar valor agregado pela atividade industrial continuam fazendo o papel de "garçom" para o parque fabril asiático. Na verdade o grande valor da economia brasileira está em seu mercado consumidor, os gastos das famílias (e do governo) continuam em níveis tão elevados que não conseguimos atender tamanha demanda interna, por este motivo as importações aumentaram tanto nos últimos meses.

Não há nenhum problema ter uma demanda interna aquecida como a nossa, desde que ela seja fruto do desenvolvimento orgânico que proporciona o equilíbrio entre oferta e demanda (cresce atividade industrial, cresce a demanda). Parte da nossa demanda é artificialmente fabricada pela máquina pública do governo, basicamente o dinheiro entra na economia para ser queimado em consumo. Por este motivo os preços continuam tão pressionados pois o país não tem parque fabril e infraestrutura para atender toda esta demanda. São reflexos da falta de planejamento e visão estratégica do governo que não consegue (ou não quer) trabalhar para um crescimento sustentado no país para 10 ou 20 anos mais a frente.

Mas e agora, o que fazer? O PIB está desacelerando e a demanda interna continua aquecida. Por um lado o governo enxerga que esta desaceleração merece um afrouxamento na política monetária (como redução na taxa básica de juros por exemplo), mas por outro lado este afrouxamento acaba colaborando ainda mais para futuras pressões inflacionárias, já que o custo do dinheiro fica mais barato e as pessoas e empresas passam a ter mais acesso ao crédito estimulando o consumo. O país poderia muito bem estar preparado para cortar a taxa de juros e tirar proveito desta nova crise internacional, mas a política fiscal do governo colaborou para o desequilíbrio entre oferta & demanda e agora vamos ter que remar para os dois lados para tentar sair desta sinuca de bico.

A eficiência administrativa de nossos representantes políticos é assustadora, a última "novidade" foi a perda de autonomia do Banco Central . Para efeito comparativo, o Brasil tem o pior desempenho entre os BRICs mesmo sendo o grande fornecedor de commodities a estes países que compõe o grupo. Indicações de que o nosso crescimento está sendo "salvo" pela demanda interna e gastos do governo não animaram muito os investidores no pregão desta sexta-feira. O fechamento do gráfico semanal deixou um candle de pavio longo superior que indica saturação na pernada de alta iniciada nos 48k. Mesmo assim não podemos confirmar que seja um topo descendente dentro da tendência maior de baixa no longo prazo pois enquanto o índice estiver acima dos 55k, o repique vai manter forças para continuar subindo.


Na Europa as bolsas fecharam a semana sem esboçar reação, a situação da Grécia é alarmante, as negociações do país com a UE (União Europeia) e FMI (Fundo Monetário Internacional) estão paralisadas por falta de cumprimento de algumas medidas de austeridade fiscal. O sistema financeiro europeu passa por um momento delicado sob o risco de sofrer uma grave crise de liquidez. Nomes de peso em fundos hedge, como estrategista do Goldman Sachs, Alan Brazil, estão recomendando "vender Europa" aos investidores e fundos hedge da instituição. Segundo ele, serão necessários pelo menos 1 trilhão de dólares em capital para recuperar os bancos europeus.

O Goldman Sachs aconselha apostar na queda do euro, além de fazer uma aplicação de desvalorização através de um índice de contratos de seguro para o crédito de ações financeiras europeias. O relatório do Goldman apontou também que alguns bancos europeus estão extremamente alavancados, o que reforça a posição de alto risco que estas instituições estão passando neste exato momento, só não sabemos ainda dar nomes aos bois.

O índice DAX, na Alemanha, assim como os demais mercados europeus, continua nocauteado em nível de sobrevenda no gráfico semanal. A pancada do mês passado foi tão forte que o índice ainda não conseguiu se levantar para trabalhar um repique de alta no curto prazo. O suporte imediato em 5.3k está fazendo um papel heróico de pelo menos segurar todo este movimento descendente.


No meio de todo esse pessimismo com a Europa, a expansão mundial da manufatura continua perdendo fôlego. As economias da Ásia com crescimento mais forte, por exemplo, foram atingidas pela fraqueza dos mercados avançados (Europa, Estados Unidos e Japão) que são grandes compradores de suas exportações. O índice Xangai, na China, fechou a semana em baixa demonstrando fraqueza para tentar manter um repique de alta, a perda da linha em 2.5k poderá acelerar o movimento de queda no índice.


Nos Estados Unidos tivemos mais um indicador ruim nesta sexta-feira e justamente em uma das áreas mais sensíveis da economia, o emprego. A geração de emprego nos Estados Unidos ficou estagnada em agosto, com o pior resultado desde setembro de 2010. Com isso o índice Dow Jones fechou em forte baixa nesta sexta-feira, devolvendo os ganhos da semana e confirmando a força da resistência em 11.6k, no qual estamos destacando aqui no Finanças Inteligentes há quase um mês.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

4,5% é meta fictícia

O surpreendente corte de 0,5 p.p. na taxa selic, anunciada ontem (mostrando perda de autonomia do Banco Central), pode estar demonstrando que o Banco Central abandonou (teoricamente) a meta de inflação em 4,5% ao ano. O novo objetivo da política monetária é estimular o crescimento do PIB mesmo que este seja acompanhando de uma ingrata pressão inflacionária. Tolerar uma inflação mais elevada para sustentar o crescimento do país parece ser uma decisão correta? Do que adianta crescer acima de 4,5% de forma desordenada se temos gargalos enormes na área de infraestrutura, tributária e educacional? Do que adianta ter um bom mercado consumidor interno se não conseguimos atender a nossa própria demanda? Como o país vai aumentar a sua taxa de poupança interna (e consequentemente os investimentos) se a população tem que pagar mais caro pela cesta básica todos os meses?

As projeções para a inflação em 2012 subiram consideravelmente após a decisão do Copom, ninguém mais sabe qual é a meta real de inflação do governo, o mercado está desnorteado. Os 4,5% estão se tornando uma meta fictícia. Talvez o Banco Central esteja trabalhando, no escuro, com um patamar de 5% a 5,5% de inflação anual, o que não é nada saudável para a economia e muito menos para o nosso bolso.

Além disso a credibilidade do Banco Central está sendo abalada à nível global. Hoje os principais jornais de economia e finanças do Brasil e do mundo soltaram pesadas críticas quanto à postura e decisão do Banco Central. O corte na taxa selic aconteceu um dia após a presidente Dilma Rousseff praticamente exigir um corte dos juros numa entrevista no rádio.

A bolsa de valores no Brasil continuou sua trajetória altista se ajustando há um cenário de juros mais baixos no país. O índice bovespa conseguiu romper a sua média móvel simples de 50 períodos e resistência dos 57.6k com um forte volume de negociações. São 5 dias seguidos de alta e os indicadores ficaram totalmente sobrecomprados no intraday, abrindo espaço para realização de lucros no pregão de amanhã (movimento que se inicou hoje no final do pregão). Esticando um pouco o prazo, o pivot de alta acionado no gráfico diário, pode garantir que a região dos 60k seja testada em poucas semanas.


Para os investidores que mantêm posições compradas basta ajustar o stop para garantir o lucro, para os que estão líquidos o nível de sobrecompra não garante um boa relação de risco x retorno para abertura de novas posições compradas. Para os que querem especular na venda (no intraday), as condições estão melhores para esta sexta-feira.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou o dia em queda refletindo o baixo número de contratações no mercado de trabalho norte-americano. O índice fechou abaixo da resistência em 11.6k marcando configuração de topo onde possibilitou o surgimento de uma nova LTB (linha de tendência de baixa) no curto prazo.

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