segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E pra Itália tem dinheiro?

Nem bem começaram as contribuições para a "caixinha de natal" europeia e o BCE (Banco Central Europeu) está tendo que desembolsar mais dinheiro para manter respirando os países periféricos na Europa. A rentabilidade dos títulos de dívida italianos e espanhóis subiram expressivamente nesta segunda-feira levando o BCE a comprar a dívida destes países. Na Itália por exemplo, o rendimento do título de 10 anos do país ficou acima dos 6%, devido as dificuldades recentes do governo para conter sua dívida.

Correm boatos no mercado de que há um plano de contingência em formação entre o FMI (Fundo Monetário Internacional), União Europeia e bancos centrais da zona do euro para intervenção direta na Itália e Espanha caso a crise da dívida arrebente de vez sobre esses países.

O número de pessoas desempregadas na zona do euro atingiu um novo nível recorde em setembro (16,198 milhões, cerca de 10,2% da população da região). Este é o maior número registrado desde que os dados começaram a ser compilados em janeiro de 1998. O alto número de desempregados na Europa é um reflexo das medidas de austeridade fiscal implementadas este ano, que produzem um efeito indesejado no curto prazo. Talvez por este motivo, a zona do euro pode estar prestes a entrar numa recessão (curto período de tempo) ao final deste ano ou início do ano que vem.

A concordata da MF Global, corretora de grande porte e com atuação internacional para mercados futuros e de opções, também colaborou para o clima de pessimismo no mercado. A empresa pode estar sendo prejudicada pelas constantes chamadas de margem dos últimos dias, além de ter uma exposição de 6 bilhões de dólares em dívida soberana da Europa.

É meus amigos, player também quebra no mercado, obviamente por manter posições arriscadas demais. A história é sempre a mesma, bem como a lição. O mercado não perdoa imprudência, basta uma "burrada" para você quebrar.

Com as bolsas pesadas, a realização de lucros foi mais do que bem vinda para os que estavam esperando este movimento, conforme alertávamos na semana passada. Acontece que as notícias negativas acionaram o "turbo" para correção nos mercados e a baixa foi expressiva. O índice Dow Jones deixou topo e fechou retestando a média móvel simples de 200 períodos, fazendo o papel de suporte juntamente com a LTA de curto prazo. Corre sérios riscos de perda deste patamar nos próximos dias.

Na Bovespa o dia também foi de queda expressiva, com direito a desova de posições no leilão de fechamento. Pode ser indício de institucionais embolsando lucros (foram eles que compraram fundo). O fechamento em queda marcou topo no gráfico diário, sendo que a região dos 58k fará o papel para segurar este sinal de reversão. Será difícil segurar nos 58k, pela sinalização dos candles, em nível de sobrevenda e possível término de uma pernada de alta bem abaixo do patamar psicológico em 60k.


Como é fechamento do mês, vamos observar logo abaixo como ficou o gráfico mensal do Ibovespa:


Houve um engolfo de alta, confirmando fundo temporário no gráfico, retornando a pontuação do índice para dentro das bandas de bollinger (corroborando para o movimento de alta no mês). Pode lateralizar ou manter a subida em busca da média móvel simples de 20 períodos nos próximos meses.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Strike!

Em um jogo de boliche, quando o jogador consegue derrubar todos os pinos de uma só vez, costama-se dizer que esta pessoa fez um strike. Mas porque estamos falando de boliche em pleno Finanças Inteligentes? Simplesmente porque eu não conseguí achar outra palavra que demonstre melhor o que aconteceu com as diversas bolsas mundiais nesta semana, strike!

Não foi simplesmente uma alta generalizada, foi um movimento que passou por cima de importantes resistências, de uma só vez, e sem demonstrar qualquer cerimônia. Lembra muito bem o famoso strike do boliche.

Começando pelos Estados Unidos, o índice Dow Jones confirmou o rompimento da linha central de bollinger, pivot de alta e ainda por cima atropelou a média móvel simples de 50 períodos. Este movimento foi idêntico no S&P500. Fechamento perto da máxima da semana, com MACD cortado para compra e ainda indicando que a LTB do ultimo topo histórico será testada em algumas semanas.


Na Europa, centro de toda essa euforia na semana, os mercados também fecharam em forte alta. Na Fraça, o índice CAC da bolsa de Paris já subiu quase 25% desde o seu último fundo em 2.6k. Já na Alemanha, o índice DAX passou atravessado pela importante média móvel simples de 200 períodos e ainda teve forças para passar pela linha central de bollinger. É impressionante esta alta na Alemanha, o índice já subiu quase 30% desde o último fundo marcado em 4.9k, no início do mês de setembro.


Na China, a bolsa de Xangai também deixou o seu strike marcado no gráfico. O candle de fechamento envolveu todo o engolfo de baixa da semana anterior virando a mão do mercado e ainda por cima rompendo importante resistência nos 2.4k (penúltimo fundo ascendente da tendência intermediária de baixa).


Fechando o "quarteto do strike", temos a bolsa brasileira. Curiosamente o patinho feio das boslas mundiais, de alguns meses atrás, se tornou o xodó do mercado. Não porque somos a bolsa que mais subiu nesta recuperação mundial, mas sim porque somos o índice que está com o gráfico mais limpo e mais bem desenhado de todos. Matenho o que disse na segunda semana do mês de outubro, o gráfico está uma pintura.


Observando o gráfico do Ibovespa logo acima, podemos reparar uma série de estouros de resistências e pontos importantes nesta semana. Para início de conversa, o divisor de águas (região dos 55k) foi rompido logo no começo da semana. Posteriormente o índice passou pela LTB mais rápida sem dificuldade e logo a linha central de bollinger também foi superada, jogando o índice para testar a a zona de resistência nos 58k que também foi rompida acionando pivot de alta pelo gráfico semanal. Para finalizar, a base da zona de congestão entre 58/72k foi recuperada. Ou seja, se o índice conseguir se manter acima dos 58k nas próximas semanas, esta perda da zona de congestão pode ser caracterizada como o um impressionante bear trap. Nessas condições fica difícil não acreditar que a região dos 65k não será testada nos próximos meses.

Pessoal, a análise de fechamento desta semana é só isso. Me desculpem pela pobreza de informações na parte macroeconômica, mas é porque não apareceu nada importante (além dos blá blá blás da mídia) de ontem para hoje que mereça uma análise. Aliás, existe sim uma coisa muito importante a se dizer: um ótimo final de semana a todos vocês!

Artigos desta semana:

"O dragão ainda cospe fogo"
"Vai no racha, mas vai"
"Faltou bater o martelo"
"Euforia, mas com o pé no chão"

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Euforia, mas com o pé no chão

As bolsas de valores ao redor do mundo inteiro fecharam em forte alta nesta quinta-feira após a notícia de que os líderes europeus chegaram a um acordo para reduzir a dívida da Grécia. O pacotão fechado na madrugada desta quinta-feira envolve 3 pontos importantes: primeiramente os bancos "aceitarão" levar um calote de 50% da dívida grega, em contrapartida receberão uma nova linha de socorro no valor de 130 bilhões de euros. Segundo: o fundo de resgate da zona do euro será alavancado em até cinco vezes e poderá alcançar 1 trilhão de euros. Terceiro: os bancos europeus serão obrigados a se capitalizar no mercado e precisarão acumular um total de 106 bilhões de euros no total.

Não se sabe da onde é que os bancos irão tirar esses 106 bilhões de euros para se capitalizarem no mercado. Também não ficou claro como o EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) será alavancado em 1 trilhão de euros. É por isso que devemos manter o pé no chão, mesmo com toda essa euforia no mercado. Não é injetando ainda mais dinheiro no sistema que se elimina o sério problema dos déficits fiscais, esta é uma solução temporária para acalmar os ânimos dos mercados e retomar a confiança.

A disparada das ações do setor bancário europeu foram o estopim para o pânico de alta que arrastou os mercados no mundo inteiro. Na França, os ativos do Société Générale bombaram 22,54%, o Credit Agrícole disparou 21,96% e o BNP Paribas subiu 16,92%. Na Alemanha o Deutsche Bank fechou com 15,35% de alta. Na Itália o Unicredit subiu 7,49% e o Intesa Sanpaolo ganhou 10,09%.

O raciocínio é bastante simples. Já que agora está garantido o socorro aos bancos europeus, os investidores saíram as compras visando ações do setor financeiro. Esse movimento rápido e repentino se alastrou para os demais ativos, gerando um otimismo generalizado no mercado. Na Alemanha por exemplo o DAX fechou em alta de 5,3%.

Aqui no Brasil o pregão já abriu forte, logo na abertura a resistência dos 58k foi rompida acionando mais um pivot de alta (e de suma importância) jogando o índice para testar a resistência dos 60k à base da euforia. O movimento foi muito rápido e deixou seu estrago sobre as operações vendidas em position que ainda estavam abertas abaixo da resistência dos 58k. Não é a toa que o volume na Bovespa hoje foi de 10 bilhões, tinha muita venda acionada no final do mês julho sendo zerada hoje.


É de se esperar que a região dos 60k continue fazendo o seu papel de resistência atraindo as operações vendedoras de curto/curtíssimo prazo. Este movimento de vendas rápidas e realização de lucros dos comprados de curto prazo já pode ser observado ao final da tarde de hoje. O índice poderá voltar a região dos 58k para fazer pullback ou mesmo retestar mais uma vez a região dos 55k que não irá alterar em nada esta tendência de alta no médio prazo.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em forte alta, inclusive rompendo a média móvel simples de 200 períodos. Apesar de haver poucas resistências importantes à frente (os 11.6k foram realmente um divisor de águas), o índice segue pesado para compras de curto prazo. Tendência de alta segue firme e forte, com uma bela puxada que se iniciou no dia 4 de outubro, onde ocorreu o bear trap mais forte do ano.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Faltou bater o martelo

Ainda não há um comunicado oficial, mas a partir das notícias vinculadas hoje na imprensa internacional, o mercado já pode traçar um esboço do que será feito na Europa. Em primeiro lugar, os líderes da zona do euro querem que os credores privados aceitem perdas de mais de 50% em sua carteira de títulos podres do governo grego. Estima-se que o calote no setor privado seja de aproximadamente 100 bilhões de euros. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel conversarão hoje ainda com os banqueiros irresponsáveis que se entupiram de títulos públicos da Grécia.

Logicamente os bancos irão alegar (pois não há reservas suficientes) sua incapacidade para assumir um calote de 50% sobre os títulos gregos. É por isso que estão especulando a ampliação do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) dos atuais 440 bilhões de euros para um patamar superior a 1 trilhão de euros. Este dinheiro será utilizado para cobrir o rombo no sistema financeiro e também para comprar dívidas de países periféricos europeus.

Provavelmente, daqui algumas horas, o presidente da China deverá acordar com uma ligação de Nicolas Sarkozy. "Graaaaaaaande Hu! Você sumiu cara! Aqui, deixa eu te falar... estou rodando a caixinha de natal esse ano, você não gostaria de contribuir com alguns bilhões? O dinheiro é para uma causa "nobre", será doado para a nossa "instituição de caridade", o EFSF!"

Enquanto isso, milhões de pessoas no mundo inteiro continuam passando fome por puro descaso político. Ou será que existe um Fundo Mundial de Estabilidade Alimentícia? Os banqueiros ficarão imunes mais uma vez, e ao que tudo indica, sairão desta crise ainda mais fortes. Uma dica para o Palácio do Planalto: tirem o telefone do gancho! Os europeus podem querer rodar a caixinha de natal por aqui também.

O mercado foi subindo conforme vazava notícia pela imprensa sobre a reunião de cúpula entre as lideranças europeias. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o dia em alta, respeitando a LTA bastante inclinada de curto prazo. O índice vai ficar espremido entre a média móvel simples de 200 períodos e esta respectiva LTA. Para o lado que romper, teremos uma definição melhor de movimento para o curto/curtíssimo prazo. Continua pesado para compras.


No Brasil, o índice bovespa também fechou em alta mas respeitou a máxima de segunda-feira, sem acionar mais um pivot de alta pelo intraday. Apesar de tudo, mesmo um pouco sobrecomprado, o índice anulou o candle de baixa deixado no pregão de ontem demonstrando força. Neste ritmo a resistência nos 58k poderá ser testada em breve. Ainda há espaço considerável para um teste sobre a LTA mais curta sem que comprometa a tendência iniciada nos 49.4k.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vai no racha, mas vai

Ainda que haja tantas divergências a serem resolvidas entre as lideranças europeias, a cúpula dos chefes de Estado acontecerá amanhã (quarta-feira) doa a quem doer. Os próprios líderes europeus se colocaram nesta complicada situação após inúmeras reuniões infrutíferas e de pouco avanço. Não há mais tempo para prorrogar decisões e reuniões, o custo para captar recurso no mercado (principalmente para os países deficitários europeus) subiu demais e não há como sustentar por muito tempo o pagamento dos bonds que o mercado aceita pagar. Em outras palavras, continua caro para os países europeus emitiram dívida no mercado, este custo não é compatível para se manterem solventes no longo prazo.

Este custo aumentou porque a confiança do mercado diminuiu e muito, impactando negativamente no apetite dos investidores para comprarem dívida de países europeus. Por isso é de extrema importância que seja anunciada alguma medida concreta nesta reunião de quarta-feira, para recuperar um pouco a confiança do mercado. Mesmo com divergências entre os líderes europeus, o mercado aguarda o anúncio de um pacotão que conte com a recapitalização dos bancos europeus, a reestruturação da dívida da Grécia e  alavancagem do fundo de resgate da zona do euro.

Os ministros das Finanças da União Europeia não vão mais se reunir na quarta-feira antes da cúpula de chefes de Estado, aparentemente porque não tem nada definido ainda. Mas o mercado não quer nem saber, o prazo é quarta-feira e amanhã queremos um resultado nem que seja "a base do racha". Resumindo, se virem!

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em baixa confirmando as expectativas da análise feita ontem. A média móvel simples de 200 períodos foi testada e respeitada, favorecendo o aparecimento da força vendedora. Movimento técnico completamente normal no mercado. A LTA de curto prazo, que por sinal está bastante inclinada, já está sendo testada e pode ser rompida, gerando um pullback sobre a linha de suporte nos 11.6k. É de suma importância (para os touros) Dow Jones se segurar nos 11.6k. Caso esta linha seja perdida, os ursos poderão devolver aquele bear trap fortíssimo que sofreram no início do mês no falso rompimento dos 10.6k. 


No Brasil o índice Bovespa também fechou em baixa, aliviando em partes o gráfico intraday que estava puxado demais. Ainda há espaço para mais quedas, inclusive para um reteste sobre a região dos 55k. Neste caso podemos depender do movimento que acontecer em Wall Street para saber se vamos segurar ou não em um provável teste sobre esta importante linha de suporte.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O dragão ainda cospe fogo

Indicadores econômicos divulgados na China nesta segunda-feira sacudiram os mercados de commodities e levantaram as bolsas asiáticas. Este movimento foi refletido aqui no Brasil, grande fornecedor de commodities para a China. o Índice de Gerentes de Compras do setor manufatureiro da China registrou melhora nas condições de negócios, surpreendendo positivamente o mercado. Em outubro, o indicador ficou em 51,1 pontos, resultado superior ao de setembro (50 pontos) e mostra que houve expansão na atividade industrial chinesa de setembro para outubro. Esta expansão pode ser considerada como um ajuste, frente à desaceleração dos últimos meses.

Com as commodities relativamente baratas para operações de curto prazo (não confundir preço de curto prazo com preço de longo prazo), o mercado aproveitou a notícia desta reação da atividade manufatureira chinesa para manter o fôlego do repique de alta nos índices de commodities dos Estados Unidos. Como a bolsa brasileira tem um peso grande em empresas voltadas ao mercado de commodities, o nosso índice disparou nesta segunda-feira. Reparem no gráfico abaixo:


Em azul, temos o desempenho do índice bovespa, em vermelho podemos observar o desempenho do índice de commodities e em amarelo temos o desempenho do barril de petróleo tipo light. A análise deste gráfico está evidente, no curto prazo, o índice bovespa está se mantendo fiel ao desempenho do mercado de commodities. Até mesmo os repiques de alta estão alinhados.

Focando apenas no gráfico diário do Ibovespa, podemos observar o rompimento de um triângulo simétrico, que confirma a passagem pela importante zona de resistência dos 55k. Operações vendidas continuam sendo limpadas pela força compradora, puxadas especificamente nesta segunda-feira pelas ações da Vale (movimento originado pelo mercado de opções) com ajuda das demais blue chips do índice.


É praticamente inevitável um novo teste sobre a região dos 58k, onde provavelmente estarão concentradas as operações vendedoras. Apesar de tudo, atentar para o gráfico intraday pois está puxado demais, pede um certo alívio. Estes movimentos confirmam a análise feita no dia 13 de outubro: "Em meio a trovoadas, Bovespa arma fundo". Papei noel parece ter antecipando sua visita à bolsa de valores. Vamos ver se ele fica até dezembro, resolva dar uma saidinha pra depois voltar, ou se pretende ir embora daqui alguns dias/semanas.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones já realizou teste sobre a região dos 12k, por onde passa a região da média móvel simples de 200 períodos do gráfico diário. O índice disparou após romper a tão complicada zona de resistência dos 11.6k. Apesar desta alta, com abertura das bandas de bollinger, é de se esperar o reaparecimento da força vendedora em Wall Street amanhã, justamente por estar testando e respeitando (até o momento) esta média móvel simples de 200 períodos. Além do mais o índice está pesado, precisa aliviar as compras dos últimos dias para manter o movimento saudável.


Por fim, apesar do avanço nas negociações sobre a crise da dívida soberana e crise do sistema financeiro europeu, a União Europeia parece estar passando nesse momento por uma leve recessão. O índice gerente de compras composto (medida ampla do setor privado que combinada dados manufatureiros e de serviços), da zona do euro recuou mais uma vez, saindo de 49,1 pontos em setembro para 47,2 pontos em outubro. O resultado aponta a maior queda desde julho de 2009, demonstrando forte retração da atividade econômica. Este indicador deve refletir negativamente no desempenho do PIB de alguns países da zona do euro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Esqueceram dos asiáticos

Semana encerrada, mercado fechou colado na máxima, recuperando parte do ânimo, rompendo importantes resistências e todos ficaram felizes, certo? Errado. O povo do "lado de lá" não está tão feliz assim. Provavelmente algo aconteceu que ficou por baixo do foco do mercado, já que a crise na Europa está roubando todos os holofotes. Ok, sem enrolação, vamos direto ao ponto. Logo abaixo podemos observar o que aconteceu com a bolsa de Xangai (China) nesta semana:


Engolfo de baixa bem abaixo da resistência em 2.437 pontos, mostrando uma semana de forte queda na bolsa de Xangai. A força do candle assusta, o índice devolveu todo o movimento de alta da semana anterior e fechou na mínima, abrindo a banda inferior de bollinger aumentando o espaço e volatilidade para mais quedas.

Para tirar a prova e eliminar as possibilidades de um efeito isolado na China, vamos verificar o desempenho da bolsa de Bombay na Índia, segundo mercado emergente mais importante na Ásia.


Novamente, conforme podemos observar no gráfico acima, temos um fechamento em baixa, respeitando a zona de resistência que lembra bem uma configuração de topo no curto prazo. No Japão, o índice Nikkei da bolsa de Tóquio também fechou em forte baixa na semana.

Mas porque os mercados asiáticos despencaram nesta semana? A resposta pode ser simples. Inflação e desaquecimento da economia. Com exceção do Japão, por motivos óbvios, os países asiáticos passam por um duro processo de controle inflacionário. Ao contrário da política utilizada no Brasil, por lá, até o presente momento, não houve redução na taxa básica de juros. Os Bancos Centrais asiáticos estão sim preocupados com o desaquecimento de suas economias (provocado principalmente pelas reduções nas exportações), mas estão dando preferência no combate à inflação.

Os exportadores asiáticos já sentem o impacto da crise na Europa e Estados Unidos, mas as autoridades, preocupadas especialmente com a inflação, descartam flexibilizar o crédito. Em outras palavras, cortar a taxa de juros. As economias asiáticas, especialmente a chinesa, estão superaquecidas. Um pouso forçado é mais do que necessário para o planejamento do crescimento econômico sustentado nos próximos anos. Bem diferente do crescimento desregular com o qual estamos acostumados a vivenciar aqui no Brasil.

Mas há um problema neste pouso forçado, o timming. Os salários na China estão aumentando rapidamente (este é um processo natural da evolução do capitalismo) ao mesmo tempo em que o Yuan começa a se valorizar, mesmo que timidamente, em relação ao dólar. Em um ano, a alta é de 7%. Valorização do câmbio, aumento de salários e inflação acelerada (obrigando o governo a cortar o crédito), são fatores que geram instabilidade e incerteza na economia.

É uma situação complicada, o Banco Central continua apertando a economia chinesa mantendo o processo de desaceleração e os empresários então são obrigados a pisar no freio. O resultado final é uma redução no crescimento do PIB, que caiu para 9,1% neste terceiro trimestre na China. Ainda assim é um número muito alto, mas não deixa de ser uma desaceleração respeitada para quem estava acostumado a expandir acima de 10%. Vale a pena frizar que desaceleração de crescimento em 1% para um país como a China é uma coisa, desaceleração de crescimento em 1% para um país como o Vietnam é outra totalmente dirente (infinitamente menor).

Uma desaceleração no motor da economia mundial certamente afeta o mundo inteiro, especialmente os mercados quem giram à base de commodities, como o nosso por exemplo. É por este motivo que as ações de empresas exportadoras de commodities estão sendo afetadas na Bovespa.

Nos últimos dias, o mercado de minério de ferro tem chamado a atenção, os preços têm caído tão fortemente que a maioria das fábricas chinesas optaram por ficar de fora para cotação (devido a possibilidade de continuação da queda). Algumas siderúrgicas que compraram minério de ferro recentemente foram convidadas (a pedido de algumas mineradoras) a não divulgar o preço no mercado. Os preços no mercado à vista caíram para o nível mais baixo em um ano e podem continar caindo.

Na verdade o pulo do gato está no aço. Uma queda sustentada dos preços do aço chinês afetou o preço do minério de ferro. E porque o preço do aço caiu? Porque a demanda do grande consumidor de aço no mundo (China) caiu. E porque esta demanda caiu? Esta resposta você já sabe, está relacionada nos parágrafos anteriores.

Desaceleração da economia chinesa significa ficar de olhos bem grudados no mercado brasileiro. Não é por causa da especulação que as siderúrgicas e Petrobras estão caindo há bastante tempo na Bovespa e nem porque o mercado é irracional ao jogar a Vale abaixo dos 40,00. Mas diante destes fatores devemos fazer duas considerações: nem só de commodities vive a bolsa de valores e muito provavelmente, antes da retomada do seu nicho de mercado, estas ações já estarão subindo há muito tempo.

Apesar de tudo, o Ibovespa tem acompanhando a oscilação de Wall Street no curto prazo. Por isso iniciamos rompimento da resistência nos 55k e fechamos a semana renovando nova máxima. A força vendedora barrou os 55k durante toda a semana, mas não conseguiu dar continuação ao movimento, permitindo o aparecimento da força compradora que se aproveitou do baixo volume para romper a resistência nesta sexta-feira. O índice já está se aproximando de sua primeira LTB mais rápida desta tendência de baixa no longo prazo. É normal haver uma congestão e/ou realização de lucros antes de se iniciar o teste para possível rompimento desta importante linha de tendência de baixa.


Nos Estados Unidos o dia foi de importantes rompimentos para o Dow Jones e S&P500. Ambos conseguiram passar pela resistência mais importante deste curto/médio prazo fechando perto da máxima. A linha central de bollinger foi rompida também, chamando a atenção para as operações compradoras da massa. O candle poderia ser um enforcado de topo, se estivesse no topo. Como a tendência é muito curta (pelo semanal), a expressividade deste candle é pequena para inversão de movimento.


Na Europa, o encerramento da semana foi marcado pela recuperação dos principais mercados. O DAX (Alemanha) fechou a semana em leve alta, mas abaixo da média móvel simples de 200 períodos no semanal, que está fazendo um papel de resistência. Esta pequena "indecisão" abaixo da média pode favorecer o aparecimento de novas operações vendedoras em um movimento de realização de lucros após a forte puxada das últimas semanas.



Artigos desta semana:


Bom descanso a todos e até segunda!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

E o impasse continua

As inúmeras divergências entre as lideranças europeias continuam atormentando a paciência do mercado. Não sairá nenhuma decisão importante na reunião de cúpula deste domingo. O porta-voz da Angela Merkel declarou hoje que "as negociações entre França e Alemanha para buscar uma solução abrangente para a crise da dívida da zona do euro não progrediram o suficiente para que os líderes europeus tomem alguma decisão mais importante sobre o assunto".

Para isso, uma segunda reunião de cúpula será realizada na próxima quarta-feira para que seja tomada alguma decisão sobre este "capítulo de novela mexicana" que está se tornando insuportável de acompanhar. Alguns países praticam o famoso jogo de empurra, outros querem se livrar da bomba em suas mãos, outros tem pouco interesse em ajudar, outros defendem medidas de próprio interesse e não do bloco, etc.

Tenho conversado com muita gente do mercado e ninguém aguenta mais ouvir falar de Grécia, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, reuniões de cúpula na Europa, e por aí vai. O mercado chegou a um certo ponto em que não aguenta mais ouvir esta mesma história de sempre, é preciso virar o disco. Por isso espera-se que alguma decisão seja anunciada nesta próxima quarta-feira, mesmo que seja um default da Grécia.

Um reflexo visível desta indefinição política na Europa está na zona de congestão de quase 3 meses no índice Dow Jones, S&P500, Ibovespa e demais índices mundiais. Puxadas fortes para cima e para baixo, mostrando de um lado o nervosismo do mercado e do outro esse impasse na Europa.

O índice Bovespa fechou o pregão desta quinta-feira em baixa de 1,74% confirmando o que foi destacado na análise de ontem. Houve abertura de novas posições vendedoras (principalmente nas blue chips) jogando o índice para testar a LTA de curto prazo. A resistência dos 55k segue firme e cada vez mais forte, trabalhando como um divisor de águas para o curto e médio prazo. O fechamento de hoje ficou em cima desta LTA de curto prazo (com fortes chances de ser rompida). Provavelmente teremos o teste da linha central de bollinger novamente em alguns dias, já mirando a região de suporte nos 52k.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou em leve alta com um spinning top espremido entre LTA de curto prazo e resistência dos 11.6k. Os vendedores não conseguem derrubar o índice por mais de um dia, em compensação há uma fraqueza por parte dos compradores. Mercado parece estar girando nos stops de posições curtas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sem surpresas, Copom corta 0,50 p.p.

Seguindo a “cartilha de recomendação” do governo, o Copom anunciou hoje mais um corte de 0,50 p.p. na táxa básica de juros, que passa a ser de 11,50% a.a. Desta vez a decisão não pegou o mercado de surpresa e confirmou a expectativa da maioria das projeções no mercado, inclusive a nossa do Finanças Inteligentes. Há o reconhecimento de que o Banco Central está disposto a aceitar uma inflação mais elevada (perto do limite máximo da meta) para não prejudicar a atividade econômica nacional. A redução na taxa selic diminuiu o custo do crédito e "incentiva" (em partes) o crescimento econômico, mas por outro lado pressiona a inflação. Segundo projeções do Banco Central, os índices de inflação começarão a melhorar a partir do mês de Outubro deste ano. Difícil de acreditar, já que pela sazonalidade do período, a inflação costuma ganhar fôlego com os aumentos salariais, bônus e vendas de final de ano.

Ao final da reunião que terminou agora pouco, o Copom divulgou o seguinte comunicado: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% a.a., sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012."

Ou seja, o Banco Central conta com uma desaceleração da economia brasileira (além de possíveis ajustes fiscais do governo) para que a inflação feche o ano de 2012 no centro da meta de 4,5% a.a. Mas retornando ao mundo real, todos nós sabemos que as chances de isso acontecer são mínimas. O próprio boletim Focus do Banco Central já está projetando inflação de 2012 acima do centro da meta de 4,5%.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 29 e 30 de novembro, onde poderemos ter mais um novo corte na taxa básica de juros. Vamos aguardar sair a ata do Copom na semana que vem para projetarmos o próximo corte na selic, ao que tudo indica, deve sair mais uma redução de 0,50 p.p.

A bolsa brasileira fechou perto da estabilidade, apesar dos fortes solavancos no intraday, com esta perspectiva de corte na taxa básica de juros. O problema todo é que foi deixado um doji de indecisão bem abaixo da linha de resistência dos 55k, onde novamente houve outra tentativa de rompimento sem sucesso. Esta configuração proporciona abertura de novas posições vendidas, podendo jogar o índice para testar uma LTA de curto prazo amanhã. Se esta LTA de curto prazo for perdida, a linha central de bollinger poderá ser testada novamente em alguns dias.


Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones não conseguiu passar pela barreira dos 11.6k. Após mais um dia de tentativa de rompimento, o índice fechou em baixa e permanece dentro da zona de congestão de curto prazo. Há também uma LTA de curto prazo que poderá ser testada amanhã, o seu rompimento poderá acelerar o movimento de queda.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pegadinha do "The Guardian"?

O jornal britânico The Guardian afirmou ao final da tarde desta terça-feira que França e Alemanha concordaram em aumentar o fundo de resgate da zona do euro (o famoso EFSF, na sigla em inglês), passando a tratar o fundo como uma entidade garantidora de empréstimos e adotando medidas para ampliar seu poder de fogo para 2 trilhões de euros.

Independente se esta notícia é verdade ou não, vamos tentar analisar o fato de forma racional. Em primeiro lugar, o EFSF passou por extrema dificuldade e desentendimentos entre as lideranças do bloco para funcionar com um valor de 440 bilhões de euros. Vale a pena lembrar que há poucos dias atrás este valor (440 bilhões de euros) foi barrado pelo parlamento da Eslováquia para posterior aprovação. Demais países da zona do euro também tiveram dificuldades em aprovar o fundo, caso contrário ele já estaria funcionando há bastante tempo.

Portanto, em primeiro lugar, como Alemanha e França teriam poder para aumentar, na canetada, o EFSF sem a aprovação dos demais países e dos próprios Parlamentos? Em segundo lugar, da onde é que sairão esses 2 trilhões de euros? Sendo que os 440 bilhões já deram bastante trabalho? Em terceiro lugar, porque a imprensa britânica resolveu soltar esta notícia perto do fechamento dos mercados em Wall Street? Coincidentemente em uma região de extrema importância para definição de movimento para as próximas semanas e/ou meses, a famosa resistência dos 11.6k no Dow Jones.

Esta notícia está com cheiro, gosto e jeito de manipular um corte sobre esta forte zona de resistência no Dow Jones (11.6k) e S&P500 (1.2k, ambas com as mesmas características). O mercado inteiro está de olho nesta zona de congestão em Wall Street, visível aqui também no Brasil, um rompimento para cima poderá jogar os mercados em um forte movimento de alta.

A mídia brasileira, repleta de analistas renomados, simplesmente endossou o que foi relatado pelo The Guardian sem qualquer julgamento, malícia ou raciocínio lógico. Resta saber se este boato é realmente uma verdade ou não. O Finanças Inteligentes não tem o poder de julgar a veracidade de uma informação, como não há nada oficializado, o poder de fogo do EFSF continua em 440 bilhões de euros e com forte resistência da Alemanha referente à liberação de crédito do fundo para o setor financeiro europeu.

O índice Dow Jones disparou mas não conseguiu fechar acima da famosa zona de resistência aos 11.6k. O gráfico ficou totalmente confuso, duas anulações de topo seguidas, esta segunda por interferência da mídia sobre o mercado. O que podemos afirmar é que a resistência está ficando cada vez mais forte.


Na Bovespa o movimento foi idêntico, seguindo a correria de Wall Street. A nossa principal zona de resistência de curto prazo (55k) também não foi rompida, o fechamento ficou em cima. A reação do Ibovespa começou após o teste da linha central de bollinger, o que poderia ser um bom sinal caso o movimento tivesse ocorrido de forma natural. Amanhã o pregão será decisivo para definição de tendência para o curto/curtíssimo prazo, no Brasil e nos Estados Unidos.


Por fim, conforme tem acontecido rotineiramente nas últimas semanas/meses, houve mais um corte de rating após os fechamentos dos mercados. A agência de classificação de risco Moody's cortou o rating da Espanha em dois níveis, "dizendo que os elevados níveis de dívida do setores bancário e corporativo deixam o país vulnerável à problemas de financiamento". A perspectiva negativa foi mantida, mostrando que mais cortes poderão ocorrer no próximo ano.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não há solução. Qual a novidade?

O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, afirmou nesta segunda-feira que a cúpula da União Europeia (que acontecerá no dia 23/10/2011) não vai apresentar uma solução final para a crise de dívida da zona do euro. Esta notícia se espalhou rapidamente pela mídia jogando um balde de água fria nos investidores (e também da própria mídia) otimistas com uma resolução para a crise da dívida soberana na Europa.

Por incrível que pareça, nada de novo aconteceu. Ou por um acaso alguém ficou sabendo de alguma novidade nestas duas últimas semanas? Algum fato concreto, alguma medida, ou qualquer outra indicação de que os representantes políticos haviam encontrado alguma solução para crise europeia? Não. Então porque tanto espanto se o mercado resolveu cair?

Na verdade, conforme relatamos no fechamento da semana anterior, existia um risco considerável de realização de lucros nas bolsas mundiais, foi o que aconteceu. Como os mercados já abriram nesta expectativa de baixa pela análise técnica, qualquer notícia serviria como "desculpa" para justificar a queda dos mercados, dependendo do ponto de vista, uma notícia pode ser positiva ou negativa (isso vai de acordo com a capacidade de análise individual dos investidores).

Soma-se ainda o fator psicológico por trás destas notícias negativas que aparecem como bombas em mercados de baixa. Estas manchetes acabam afetando direta ou indiretamente o lado emocional do investidor, interferindo assim no seu processo de tomada de decisão.

Nos Estados Unidos, por incrível que pareça, a famosa resistência dos 11.6k continua sendo o grande pesadelo dos touros em Wall Street. O índice simplesmente não consegue passar por esta linha. Sempre quando há uma tentativa de rompimento, as vendas aparecem e com bastante força. Estamos destacando esta resistência há mais de dois meses e o Dow Jones não consegue rompê-la nem com um volume baixo de negócios. Com isso, temos mais um topo abaixo da resistência, que pode jogar o índice para testar a linha central de bollinger nos próximos dias.

Na Bovespa, a força vendedora não surpreendeu e apareceu exatamente na região dos 55k, marcando topo de curto prazo. Podemos já testar a linha central de bollinger no pregão de amanhã, e caso a mesma seja perdida, a força vendedora tem forte chance de derrubar o índice para a região dos 52k.

Destaque curioso para o volume financeiro que veio baixo. Foram 8,56 bilhões de reais, do qual 3,31 bilhões são de contratos de opções, restando apenas pouco mais de 5,25 bilhões no mercado à vista. Ou seja, o pregão parou pra ver a venda nos 55k, concentrada mais fortemente no setor de siderurgia. Não houve reação por parte da força compradora, a "puxada básica" no final da tarde pode ser explicada pelas liquidações, com lucro, de vendas à descoberto.

Observação: Infelizmente o servidor não está permitindo postar gráficos hoje. Aos interessados, basta me enviar um e-mail que mando o gráfico com a análise técnica do Ibovespa e Dow Jones.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Correria nos mercados

As vésperas do fechamento de contrato de opções, o Ibovespa fecha a semana com nada mais nada menos que 7,4% de alta. É pra colocar qualquer vendido de cabelo em pé. O mais interessante é que tudo começou no dia 04/10/2011, onde Wall Street (de forma impiedosa por sinal) emplacou o bear trap mais forte do ano. Tamanha força deste movimento (mais de 1.000 pontos de alta em apenas 2 semanas) que o índice continuou disparando nos dias seguintes arrastando as demais bolsas mundiais.

O Ibovespa, que chegou a testar a região dos 49.4k na semana passada, fechou o pregão desta sexta-feira colado no objetivo principal da virada de mão no mercado nacional, aos 55k. O marubozu de alta desta semana confirma tudo o que foi dito na análise de ontem (leia aqui). Agora, com a semana já encerrada, podemos observar melhor a pintura do gráfico semanal logo abaixo:


Um fundo de pavio longo inferior formado por um martelo aos 47.8k, e um segundo fundo ascendente de pavio longo inferior formado aos 49.4k. Podemos formar uma LTA curta entre esses dois pontos, indicando início de uma possível tendência de alta para o médio prazo (nos próximos meses). Como as oscilações foram fortes nos meses anteriores (gerando grandes candles nos gráficos), a região para acionar o pivot de alta no semanal está apenas aos 58.6k, alto demais. Este é um ponto preocupante, pois será difícil achar papel barato para comprar após o possível rompimento para cima dos 58.6k.

Apesar desta boa sinalização dos gráficos mais longos, os movimentos de curto/curtíssimo prazo continuam os mesmos. Sobe e desce rotineiro, com pitadas de volatilidade. Na próxima semana podemos encontrar um movimento de realização de lucros para as operações de curto prazo, afinal de contas, foram mais de 7% só nesta semana.

Esta virada de mão limpou muita venda em aberto do mercado, por isso subimos tão fácil esta semana. Os vendidos ficaram com um pé atrás após levarem um forte bear trap, mas 55k é ponto pra entrar vendido na segunda-feira, jogando junto com um possível movimento de realização de lucros. Se o volume de vendas entrar com um pouco mais de força nos 55k, as operações vendedoras ganham um pouco mais de confiança podendo ser prolongadas por mais alguns dias na intenção de jogar o mercado para testar suportes mais abaixo. Até os 52k e/ou base da LTA no semanal é muita lenha pra queimar e mesmo assim não irá invalidar esta tendência de alta no médio prazo, caso as mesmas sejam respeitadas. Por outro lado, se as vendas não aparecerem nos 55k, pode ser um sinal de que os ursos correram mesmo para toca.

O movimento em Wall Street também está bem parecido com o nosso. Fechamento da semana com um marubozu de alta, com início de rompimento da tão sofrida região de resistência aos 11.6k. A média móvel simples de 20 períodos semanal já está sendo testada, o que pode jogar um pouco de pressão vendedora sobre o índice nos próximos dias. O rompimento desta zona de congestão de curto prazo para cima, poderá injetar mais ânimo aos mercados para as próximas semanas/meses.


Na Europa os mercados continuam repicando forte. O DAX (Alemanha) passa por uma fase bastante volátil, de movimentos fortes e rápidos (também não é pra menos, a crise na Europa esquartejou as ações nas bolsas de valores, principalmente as do setor bancário). O DAX já subiu 20% desde o mês passado, poderá encontrar certa resistência para continuar subindo na próxima semana. A média móvel simples de 200 períodos está sendo testada, seria até mesmo saudável para o índice entrar em um movimento de realização de lucros.


Também tivemos reação das bolsas no mercado asiático. O índice da bolsa de Xangai (China) fechou na máxima da semana marcando fundo sobre a região dos 2.3k. O nível de sobrevenda está muito alto, índice longe de suas LTBs (até mesmo a mais rápida) e médias móveis. Sinal de que um rally de natal poderá acontecer por lá também.


No cenário macroeconômico não temos novidades, a situação segue delicada conforme nosso acompanhamento diário. Haverá uma reunião "importante" (está entre aspas, pois nos últimos anos os resultados obtidos a partir destas reuniões do G 20 são no mínimo decepcionantes) dos ministros de Finanças do G-20 na França, neste final de semana. Entre os assuntos abordados está o aumento da capacidade de empréstimos do FMI, com um objetivo de injetar ainda mais recurso aos países deficitários da zona do euro.

Há uma divergência interna entre o grupo dos Brics, composto por Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul, na questão que envolve as contribuições destes países para a crise da dívida soberana na Europa. O Brasil levantou esta idéia de contribuição (em outras palavras, "doar"o nosso dinheiro aos europeus) mas não encontrou apoio dentro do próprio grupo.

Os ratings na Europa continuam a cair. Hoje foi a vez da S&P cortar o rating da Espanha de AA para AA- com perspectiva negativa. Um dos bancos mais famosos da Europa, o suíço UBS, também sofreu corte de rating pela agência de classificação de risco Fitch. Os poderosos americanos, Morgan Stanley e Goldman Sachs (senhores do mundo) também estão sob a mira da Fitch para cortes nos ratings.


Posts desta semana:


Não se precipitem ao mercado. Frieza, paciência e estratégia são essencias tanto para entrar, quanto para sair. Tenham um ótimo final de semana!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em meio a trovoadas, Bovespa arma fundo

A não ser que ocorra um improvável circuit break amanhã, resultando em uma queda ao final do dia de pelo menos 9,50%, o Ibovespa estará armando fundo ascendente pelo gráfico semanal. O primeiro fundo armado em 47.8k e segundo fundo configurado em 49.4k são pontos importantes para base de sustentação de uma possível tendência de alta no médio prazo na bolsa brasileira.

Apesar de permanecer em uma tendência de baixa em um prazo maior (pois existe uma LTB a ser rompida, médias móveis inclinadas e cortadas para baixo, pivots de baixa, etc.), o índice pode estar deixando o seu primeiro sinal de fundo no gráfico. São seis meses consecutivos de baixa trabalhando em região de sobrevenda pelo gráfico semanal e mensal. Pode estar chegando a hora de um ressurgimento e domínio da força compradora para os próximos meses.

O melhor momento para isso impossível, mercado totalmente descrente devido aos sérios problemas da crise da dívida soberana na Europa, crise no mercado interbancário, problemas econômicos nos Estados Unidos e desaceleração da economia mundial (inclusive na China). Outro fato curioso é que estamos chegando ao final do ano, onde as bolsas costumam engatar um "rally de natal". Como no ano passado tivemos eleições presidenciais e isso sempre proporciona um solavanco no mercado (é claro pois um novo candidato assume o poder), este ano podemos dizer que a bolsa está "devendo" este rally. Além do mais, o mercado já se enquadrou à filosofia do novo governo, consequentemente as surpresas serão menores daqui pra frente.

A renda fixa também está emitido um sinal de que os bons tempos de fartura dos fundos DI, CDBs, Tesouro Direto, ou qualquer título indexado à taxa selic estão acabando. Teremos reunião do Copom na próxima semana e a taxa selic poderá sofrer um novo corte de 0,50 p.p seguindo os planos do governo. Na visão do Finanças Inteligentes, não é interessante "comprar" taxa de juros abaixo de 11% a.a. em um cenário de inflação alta, é possível tirar este percentual (e proteger o capital), sem esforço, em um ano na renda variável apenas focando ações boas pagadoras de dividendos.

O cenário econômico é o pior possível para projetarmos alguma coisa relacionada ao crescimento da economia mundial. A crise está longe de acabar e não dá pra ser otimista com a economia. Mas uma coisa que causa bastante confusão é relacionar economia com bolsa de valores, uma não deve obrigatoriamente seguir a outra. Se o mercado está lhe mostrando uma oportunidade, você terá a opção de julgar os fatos e gerenciar o risco para saber se vai aproveitá-la ou não. Recomendamos a leitura do artigo: A complexidade da economia em um mercado imprevisível.

Isso não significa também que a bolsa vai sair disparando amanhã (mesmo porque estamos pesados no curto prazo, próximo de uma resistência nos 55k), na próxima semana ou no próximo mês. Eu posso estar totalmente errado (não sou nenhum gurú e não tenho bola de cristal). Estou apenas demostrando esta probabilidade relevante de movimentação do índice para os próximos meses.

O Renko (uma das técnicas japonesas que mais admiro), ainda não emitiu sinal de compra para o médio prazo, porém o seu aviso é um pouco atrasado mesmo. Este atraso é devidamente recompensado pela sua eficácia.

Com esta sinalização do índice, não teremos análise de curto/curtíssimo prazo hoje, para que os leitores façam uma reflexão em um prazo um pouco mais amplo. Aos interessados, recomenda-se avaliação do risco x retorno para operações de position.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eslováquia x Mundo

Um pequeno pais do leste europeu, de economia irrelevante e com um passado tenebroso conseguiu dar o seu berro para o mundo inteiro. O parlamentares da Eslováquia rejeitaram as alterações propostas para a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (o famoso fundo de resgate aos bancos europeus). Dos 150 parlamentares, apenas 64 votaram, os demais se abstiveram ou saíram do parlamento boicotando o plano de expansão do fundo, que exige aprovação da maioria absoluta do parlamento. A expansão dos poderes do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira prevê sua ampliação para 440 bilhões de euros, além do direito de comprar bônus soberanos nos mercados secundários e funcionar como uma instituição de empréstimos de último recurso para os bancos da zona do euro.

Todos os 16 países da zona do euro aprovaram a expansão do fundo, menos a Eslováquia. Esta reprovação impede que o plano siga em frente, pois necessita do aval de todos os 17 países membros da União Europeia. Mas porque a Eslováquia rejeitou esta ampliação? Jogo político e economia.

Aquele circo político ridículo que aconteceu nos Estados Unidos meses atrás, para ampliação do teto da dívida norte-americana, mostrou para o mundo inteiro a nova política do mundo moderno, onde os representantes políticos utilizam a sua ferramenta de trabalho para favorecer os próprios interesses (ou aos interesses dos partidos). A oposição na Eslováquia provavelmente irá apoiar a expansão do fundo europeu, mas já avisaram que irão fazer exigências rigorosas para votar em apoio ao governo.

Mas por outro lado a Eslováquia, até então irrelevante, pode estar mostrando ao mundo que não só de keynes vive a economia. O pais, com pouco mais de 5 milhões de pessoas, tem renda per capta (22.000,00 dólares) superior a do Brasil, permitiu a entrada do investimento estrangeiro direto, a grande maioria das empresas foram privatizadas (inclusive bancos), o Estado exerce pouca intervenção sobre a economia. Resultado: mesmo sendo um pequeno país de economia irrelevante, garantiu um crescimento econômico sustentado, minimizou a taxa de desemprego e conseguiu equilibrar suas contas públicas.

A Eslováquia é um dos poucos países que conseguiram reduzir os gastos do governo, hoje atualmente em 39% do PIB. Situação totalmente diferente da maioria dos países membros da União Europeia, com gastos astronômicos. A dívida do país também diminuiu, ao contrário do que aconteceu com estes mesmos paises da União Europeia, que se endividaram demais (estourando déficits) para sair da recessão provocada pela crise do subprime em 2008.

Ao contrário do que manda a teoria keynesiana, na crise os governos devem gastar tudo o que puder para estimular a economia, a Eslováquia em uma posição mais liberal, soube controlar muito bem os seus gastos, manter a economia girando e agora pode estar dando uma aula à muitos políticos do mundo inteiro, que adotam a teoria keynesiana por pura conveniência.

O movimento nas bolsas de valores continua o mesmo no qual relatamos no artigo: "Colocando os pingos nos "is". No Brasil, o Ibovespa conseguiu enfim realizar o teste na linha central de bollinger e fechou o pregão exatamente colado nesta linha. Poderá sofrer alguma resistência para rompê-la, em caso positivo o próximo alvo será a região dos 55k.


Nos Estados Unidos os mercados pararam para respirar. Dow Jones, um pouco mais pesado para comprar, oscilou pouco durante o dia deixando um doji de indecisão após o marubozu de ontem. A próxima resistência está na região dos 11.6k.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Colocando os pingos nos "is"

O movimento comprador nos mercados mundiais continua ganhando força desde o dia em que o bear trap mais forte do ano aconteceu em Wall Street. Não há nenhum problema entrar na onda da especulação e tentar tirar proveito (com uma devida gestão de risco) desta situação técnica no mercado. Mas relacionar os movimentos dos mercados com os últimos acontecimentos na Europa e Estados Unidos (como a mídia tem feito) é que não está certo. Não há nenhum sinal de melhora no grave problema da dívida soberana de países periféricos na Europa, quanto menos ainda no combalido mercado interbancário europeu.

Hoje por exemplo, o Proton Bank SA (banco de pequeno porte na Grécia) sofreu intervenção do governo para evitar a sua quebra. O banco Max Bank A/S (dinamarquês) foi confiscado pelo governo e vendido ao concorrente local Sparekassen Sjaelland. O mercado não pode ver banco quebrando na Europa (mesmo que pequeno e irrelevante) pois os efeitos psicológicos poderiam aumentar ainda mais a onda de pessimismo dos investidores.

E tem mais, o banco austríaco Erste Group Bank AG, informou que está prestes a divulgar um prejuízo líquido de quase 1 bilhão de euros nos primeiros nove meses do ano, devido a baixas contábeis proporcionadas pela crise da dívida soberana. São valores inexpressivos perto dos 90 bilhões de euros em garantias estatais para nacionalização do "virtualmente falido" banco Dexia. Porém acabam revelando como a crise consegue se alastrar rapidamente pelo sistema financeiro, basta aparecer uma dívida podre no mercado que as máscaras dos bancos politicamente responsáveis começam a cair.

Os bancos chineses também estão entrando em cena. O fundo soberano chinês (Huijin Investment) está comprando ações dos quatro maiores bancos do país. Você sabe porque? Esses bancos emprestaram um rio de dinheiro à empresas no país para estimular a economia, e qualquer desaceleração econômica (como a que estamos vivenciando agora e projetando para 2012) poderá acarretar em perdas à estas instituições, pois evidentemente aumentaria a inadimplência. Juntas, as ações destes 4 bancos chineses, já perderam um quarto do seu valor desde início de setembro deste ano.

A reunião de domingo, entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy, não resultou em absolutamente nada. Provavelmente porque ambos não tem o que dizer diante de tantas divergências. O anúncio de alguma medida concreta foi novamente prorrogado, desta vez para o final do mês de outubro. O mercado aguarda que seja finalmente anunciado um plano para recapitalização dos bancos europeus. Esta esperança, ou expectativa, continua sendo a justificativa da mídia (por sinal estão escrevendo a mesma coisa há quase uma semana) para o movimento de alta nos mercados.

A simples justificativa para a puxada nas bolsas está no primeiro parágrafo deste post. O clima de incerteza, medo e busca desesperada pra fazer dinheiro rápido no mercado e cobrir perdas passadas acabam proporcionando estas puxadas nas bolsas. São investidores sendo estopados no bear trap e a massa que entra comprada querendo fazer dinheiro rápido. O problema é que nesses momentos a ganância aumenta e a grande maioria deixa pra sair da posição quando o movimento já inverteu, proporcionando mais volatilidade em direção ao movimento inverso. Os papéis já não estão tão baratos (para curto prazo) em Wall Street, o índice não trabalha mais em região de sobrevenda e começa a ficar pesado pra comprar. Quem está entrando neste nível do Dow Jones deve ter ciência que o risco x retorno da operação aumentou. Reparem no gráfico abaixo, o primeiro círculo demonstra a última vez em que o Dow Jones engatou esta puxada forte no índice. O que aconteceu depois dispensa comentários e agora parecem estar puxando forte novamente.


Na Bovespa o dia foi de chifrada dos touros. Limparam as vendas de sexta-feira onde o índice anulou a configuração de possível topo no gráfico diário engolfando totalmente o candle anterior de baixa. Foi mais uma virada de curto/curtíssimo prazo, onde joga o índice para testar a linha central de bollinger e posteriormente (se for rompida) os 55k.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sistema financeiro europeu não pode mais esperar

As rotineiras divergências entre as lideranças políticas na Europa precisam ser encerradas o mais rápido possível para a sobrevivência do sistema financeiro europeu. A crise não é mais apenas um problema de dívida soberana de países problemáticos na Europa, agora é também um grave problema de liquidez no mercado interbancário. E quando o sistema financeiro é afetado, este exige ação imediata por parte dos governantes. Mas não é o que está acontecendo, é difícil de acreditar que as autoridades políticas na Europa continuam batendo cabeça apesar de tantas reuniões (a grande maioria infrutífera por sinal).

Alemanha e França, por exemplo, ainda estão dividas quanto ao socorro aos bancos. A França deseja utilizar o fundo de resgate da zona do euro (detentor de 440 bilhões de euros), para recaptalizar seus próprios bancos. Já a Alemanha insiste que o fundo deve ser utilizado apenas como último recurso, em última instância, quando nenhum fundo nacional estiver disponível. Lembrando que os bancos franceses tem maior exposição à dívida grega do que os alemães.

Enquanto os políticos continuam neste impasse os bancos europeus ficam à mercê dos mercados. O volume de depósitos no BCE (Banco Central Europeu) está batendo recorde este ano, justamente porque os bancos duvidam da capacidade de pagamento dos próprios concorrentes. Um fato é praticamente certo de acontecer: alguns bancos irão sofrer severas baixas contábeis com um provável calote (organizado ou não) da Grécia. Mas aí é que mora o perigo, esta perda não pode extrapolar um certo limite para o banco se manter solvente. Este limite, por enquanto ninguém sabe. Por isso, infelizmente, haverá a necessidade de se injetar capital em algumas instituições financeiras grandes demais para falir. No final das contas, a população irá bancar a irresponsabilidade dos grandes bancos europeus, assim como ocorreu em 2008 nos Estados Unidos.

A Moody's não perde tempo e hoje anunciou o corte no rating de 12 instituições financeiras britânicas e seis bancos portugueses. Instituições britânicas famosas como o RBS (Royal Bank of Scotland), Nationwide Building Society e Lloyds TSB Bank estão entre os grandalhões que sofreram baixa no rating. A Fitch aproveitou o embalo da Moody's nesta sexta-feira e também mostrou o seu facão ao cortar os ratings de Itália e Espanha em uma só tacada. A agência de classificação de risco S&P está um pouco quieta, talvez por sofrer pressão exagerada do mercado e do governo norte-americano ao rebaixar, merecidamente, o rating dos Estados Unidos.

Uma observação curiosa, o banco Dexia (que está sob risco de falência, alertado pela Moody's esta semana) foi considerado sadio na rodada de testes de estresse realizada no meio deste ano. Como é possível o banco ser considerado sadio sendo que 3 meses depois a instituição financeira encontra-se à beira da falência? A credibilidade do teste de estresse realizado nos bancos europeus foi por água abaixo.

Por incrível que pareça, ao contrário do que ocorreu no início da crise do subprime, as agências de classificação de risco estão honrando o seu trabalho nesta crise atual. Não podemos reclamar de falta de aviso, pois há mais de um ano os ratings estão sendo colocados em revisão e cortados a medida em que a crise vai se agravando na Europa. Hoje mesmo podemos desfrutar de mais uma importante informação emitida pela Moody's: a Bélgica também está com problemas.

A Moody's informou que poderá cortar o rating da Bélgica devido as dificuldades do país em lidar com os elevados níveis de dívida pública, além de preocupações com os riscos de financiamento no longo prazo. Isso não cheira muito bem, a Bélgica poderá ser o próxima da lista na Europa.

Apesar de tudo, as bolsas europeias mostraram mais uma vez a soberania do mercado. Papel barato no curto prazo, após uma forte onda vendedora avassaladora, sempre dá repique, independente dos fundamentos da empresa e dos noticiários econômicos. O especulador não vai parar de operar só porque o futuro é incerto, ele vai tentar tirar proveito de qualquer situação, seja comprando ou vendendo. Uma prova disso é o repique do DAX (Alemanha), ao mesmo estilo das demais bolsas européias.


A semana nos Estados Unidos também fechou em alta. O índice Dow Jones se mantêm dentro da faixa entre média móvel simples de 200 períodos semanal e resistência dos 11.6k, formando uma pequena zona de congestão. O rompimento, provavelmente para baixo, poderá engatar uma nova pernada para o índice.


No mercado asiático as bolsas estão demonstrando fraqueza. Reparem como o principal índice da bolsa de Xangai acompanha o movimento de abertura da bollinger inferior tocando-a há nove semanas seguidas em sua pernada de baixa dentro do canal de baixa de longo prazo.


No Brasil o fechamento semanal do Ibovespa foi um pouco decepcionante para os comprados mais otimistas no curto prazo. Espero que todos tenham armado stop para proteger o lucro conforme recomendação do post de ontem. O mercado mudou completamente o cenário da semana inteira em apenas 3 horas de pregão. O dia amanheceu em alta, favorecendo a formação de um martelo de fundo, mas na parte da tarde o mercado virou a mão rapidamente e desconfigurou este martelo (ou até mesmo um possível doji). O candle de fechamento é inexpressivo e não indica formação fundo temporário por enquanto.


Mesmo que a tendência de baixa no médio e longo prazo esteja inalterada, parece que a Bovespa se tornou uma bolsa micada no mundo. Não se percebe força compradora por parte dos estrangeiros, fundos e nem mesmo pelo investidor pessoa física. Apenas movimentos especulativos e nada mais. O índice está bem distante de duas LTBs de baixa e mal consegue chegar perto da linha mais rápida para fazer um teste. Entre as médias móveis ídem, a distância é considerável e mal conseguimos chegar perto. Além do mais, a média móvel simples de 20 períodos está cortando a média móvel simples de 200 períodos. Este bear market não parece ser tão rápido tal como foi em 2008.

Posts da semana:


A todos, um ótimo final de semana! Evitem as preocupações com o mercado.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Era uma vez um Banco Central...

Dilma Rousseff, no comando do BC". Este é o título de uma perigosa reportagem publicada no Estado de São Paulo. A matéria confirmou as suspeitas do Finanças Inteligentes nos artigos publicados dia 31/08/2011 "Lá se vai a autonomia do Banco Central" e no dia 01/09/2011 "4,5% é meta fictícia". O Banco Central atende agora os interesses populistas do governo petista, uma política de desenvolvimento a qualquer custo, mesmo que este custo seja o próprio futuro do país no longo prazo.

O texto da última ata do Copom já deixou explícito que a decisão de corte na taxa básica de juros não foi nada técnica. O próprio Banco Central não conseguiu convencer o porque deste corte na taxa selic. Este artigo publicado no Estadão explica muito bem o que está acontecendo nos bastidores do governo. "Há um plano traçado no Palácio do Planalto e a decisão final caberá à presidente. Ressalvas quanto ao ritmo dos cortes - determinado com "prudência", segundo o secretário - em nada alteram o dado principal. A autonomia de fato do BC, adotada nos anos 90 e mantida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é uma experiência encerrada, embora ninguém, na administração federal, o admita de forma explícita."

As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da presidente, Dilma Rousseff, sugerem esta interferência do governo dentro do Banco Central. A presidente já deixou claro em suas declarações que a taxa selic será de 9% em 2012, não se importando muito com as pressões inflacionárias atuais.

É lamentável ter de assistir a degradação do Banco Central juntamente com o programa de metas de inflação que colocaram a nossa economia no rumo certo para o crescimento sustentado. Pagamos caro para arrumar a casa no passado recente e agora estamos assistindo de braços cruzados a farra da máquina pública e a desordem generalizada na política econômica atual.

Existem outros meios de se combater a inflação sem que seja necessário aumentar a taxa selic, através da produção. A inflação é provocada pelo descompasso entre oferta e demanda, se o mercado consumidor está aquecido demais, a produção deveria aumentar para atender toda esta oferta. Mas não é o que está acontecendo. A produção não acompanhou o ritmo da demanda. Porque? O famoso Custo Brasil.

A carga tributária sufocante, baixa infraestrutura, baixa educação e burocracia exagerada inviabilizam muitos projetos empreendedores no país. Logo, fica difícil, se não impossível, promover o aumento da produção nestas condições. Se o governo pelo menos fizesse o seu dever de casa em realizar as reformas tão imploradas pelo país inteiro estaríamos em condições melhores para redução na taxa básica de juros em linha com um crescimento saudável da economia.

Nas bolsas de valores tivemos mais um dia de alta generalizada nos mercados mantendo a análise que fizemos há 3 dias atrás. O índice Dow Jones fechou mais uma vez colado na máxima do dia, iniciando inclusive o rompimento da linha central de bollinger, mostrando a força do mercado neste repique de alta. A média móvel simples de 50 períodos poderá ser testada em breve.


No Brasil o índice bovespa conseguiu atingir hoje a região dos 52k no qual informamos na terça-feira desta semana. Houve o rompimento de uma LTB rápida de curto prazo que empurrou o índice para fechar acima dos 52k. Este fechamento pode impulsionar o índice até a região dos 54k, por onde passa a linha central de bollinger. Mas a cautela permanece pois o cenário não está tão confiante assim, para os que embarcaram neste repique, favor proteger o lucro com stop e deixar o mercado fazer o seu trabalho.

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