A nova moda da crise europeia tomou conta de Brasília. Todas as explicações para as equivocadas projeções, estratégias e decisões adotadas no passado estão obedecendo rigorosamente o coro adotado pelos políticos: "a culpa é da Europa". Mesmo sendo uma economia crucial e de grande influência no mundo inteiro é de se estranhar a quantidade de vezes em que os políticos utilizam a palavra Europa para explicar o que não vêm dando certo no Brasil há muito tempo.
A moda europeia foi recentemente adotada pelo (ainda?) ministro do trabalho, Carlos Lupi. Em outubro, a economia brasileira criou 126.143 postos de trabalho com carteira assinada, pior número para o mês desde 2008. Comparando com o mês de outubro do ano passado, a queda foi de 38,4%. A meta de 3 milhões para geração de novos empregos em 2011 virou conto de fadas, "eu fiz uma reavaliação para 2,4 milhões, mas pode ficar abaixo disso", disse Lupi. "Isso ocorrerá por causa dos reflexos da crise internacional no Brasil", completou o ministro.
Ora, será mesmo? Estima-se que são necessários no mínimo 6 meses para um aumento/redução da taxa básica de juros fazer efeito na economia. Isso porque o mercado não tem uma reação imediata aos fatores econômicos, totalmente diferente do que acontece na bolsa de valores onde se especula o futuro. O impacto econômico de uma crise que atinge diretamente o Estado (e que somente agora se alastrou pelo sistema financeiro na Europa) ainda é nulo para as demais economias emergentes, haja vista que os fatores resultantes das medidas de austeridade fiscal ainda nem foram sentidos dentro da própria Europa.
É de se esperar para os próximos trimestres um crescimento baixo, em alguns casos até mesmo negativo, em algumas economias da periferia europeia. São economias de pouca relevância para o Brasil, portanto mesmo que estes países já estivessem em uma recessão, o impacto seria relativamente pequeno e incapaz de derrubar as projeções do PIB em 2% (no início deste ano o governo previa que iríamos crescer 5,5%, acredite se quiser). Da mesma forma que não poderia ser o principal motivo para crescimento praticamente nulo da indústria nacional e redução da meta para criação de empregos neste ano.
Culpar a Europa é o mesmo que fugir da responsabilidade pela incompetência administrativa governamental. Gestão que permitiu gerar um enorme descompasso entre oferta e demanda para manter a máquina pública girando a todo vapor sob a ótica de uma ideologia populista. Descobriram a mina de ouro para os cofres públicos, basta inflacionar a economia com uma política fiscal expansionista que você colherá mais impostos depois, além de garantir alguns milhões de votos. É um ciclo vicioso que permite o governo gastar mais e arrecadar ainda mais na outra ponta. Isso ocorre porque o gasto público incentiva o crescimento econômico, as pessoas consomem mais, os preços aumentam e o volume de tributos também. Esse modelo até poderia ser aceitável, caso o nosso crescimento não fosse perneta.
O alvo da máquina pública passa estrategicamente longe da base de qualquer desenvolvimento econômico sustentável: a indústria. Porque é mais viável construir um shopping do que uma indústria hoje em dia? Porque o Brasil virou uma imensa economia "supermercadista". Tamanha é nossa oferta por consumo que não temos condições de preencher a nossa própria prateleira, gerando assim a famosa inflação do ciclo vicioso.
Uma economia perneta, onde o desenvolvimento não passa pela indústria, não pode ir tão longe assim. As consequências das decisões e estratégias adotadas no passado, por mais incompreensíveis que sejam, começarão aparecer a partir dos resultados deste 3º trimestre. O PIB do Brasil, que sempre foi o lanterninha dos emergentes, poderá apresentar (neste 3º trimestre) um desempenho pior do que as economias que estão passando por um duro processo de austeridade fiscal na Europa.
Explicar a queda do nosso desempenho culpando a Europa por uma retração que ainda nem apareceu é no mínimo ridículo. Um país que realmente deseja crescer de forma sustentada deveria estar preocupado em favorecer o melhor ambiente de negócios possível, seja aliviando a carga tributária, investindo em infraestrutura, melhorando a educação ou em nosso caso, fazendo no mínimo todos estes.
Passando por um giro rápido no fechamento dos principais mercados mundiais, podemos observar que nesta semana "todo mundo escorregou na casca de banana". Queda generalizada nos mercados financeiros mundiais, seguindo a "ordem" para abrir venda, já que o fechamento da semana anterior ficou muito propício para socar.
Começando pela matriz em Wall Street, o índice Dow Jones fechou a semana em baixa completando um mês de congestão de curto prazo. A linha central de bollinger semanal, juntamente com a importante linha de suporte nos 11.6k terão o difícil papel de tentar segurar a queda do índice na próxima semana.
Na Europa, o índice DAX (Alemanha) também fechou a semana em forte baixa. A diferença é que o DAX nem chegou a passar pela linha central de bollinger, sofrendo assim uma resistência que o fez perder a média móvel simples de 200 períodos. A LTA de curto prazo corre sérios riscos de ser perdida, pois o teste está sendo realizado com um candle de força relevante.
Na China, a bolsa de Xangai continuou sofrendo pressão de uma LTB mais rápida de médio prazo juntamente com a linha central de bollinger. A confirmação de topo bem abaixo destas importantes resistências poderá jogar o índice para um novo teste sob a linha de suporte em 2.3k.
Finalizando com o Brasil, o índice Bovespa confirmou topo fechando a semana em forte baixa representada por um candle de alta relevância, consequência do enforcado e doji de indecisão formados
nas semanas anteriores abaixo de uma perigosa zona de resistência (60k e média móvel simples de 200 períodos). A linha central de bollinger já está exercendo o seu papel de suporte, mas começou a envergar para baixo, o que não é um bom indicativo de que vai segurar. Em caso de perda desta linha, o índice poderá buscar a região dos 55k.
Com a bolsa caindo ou subindo o importante mesmo é aproveitar o final de semana! A mente deve estar fresca para segunda-feira, mesmo porque o mercado está tenso e os feriados acabaram rs..
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