sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Fechamento 2011

Neste último post de 2011 daremos uma atenção especial ao Ibovespa. Já que, como de costume, nesta época do ano surgem inúmeras previsões para o desempenho do índice no próximo ano. Antes de mais nada, mais importante do que tentar prever o futuro (que é impossível, por mais que você seja um guru, analista, economista, etc) é saber se portar perante ao mercado, ter uma estratégia definida para qualquer ocasião e estar preparado psicologicamente para tomada de decisão em qualquer momento.

Estar preparado significa agir com racionalidade, você não está no mercado para prever o futuro e sim para rentabilizar o seu capital, portanto independente do que ocorrer você vai ter de tomar suas decisões de acordo com a sua estratégia (ou sistema) e gerenciamento de risco. Essa é a base que vai pelo menos garantir a sua sobrevivência no mercado.

Agora vamos olhar os gráficos. Primeiramente vamos observar o fechamento semanal do Ibovespa. Candle de baixa dentro de uma congestão, esse é o mercado para o curto prazo, lateralizado entre 55k e 60k. Existem mais topos formados na região dos 60k do que fundos formados na região dos 55k, justamente por ser uma região de difícil rompimento.


Esta congestão de curto prazo está inserida dentro de um canal de alta no médio prazo. Até que o mesmo seja rompido para baixo o índice tende a continuar subindo no médio prazo respeitando a tendência iniciada em 48k.

Mas ao estendermos a visão para o gráfico mensal podemos observar claramente que o Índice Bovespa deixou de subir há muito tempo, desde o topo marcado em maio de 2008, passando a operar em congestão por alguns anos. A partir do topo duplo configurado em novembro de 2010, formou-se uma tendência de baixa forte no longo prazo.


Agora vamos somar tudo: mercado vendedor em curtíssimo prazo, congestionado no curto prazo, em tendência de alta no médio prazo e no longo prazo mantêm a tendência de baixa. É muita coisa não é? E só de pensar que tudo isso pode ser revertido a coisa piora ainda mais, confusão generalizada, você não sabe o que fazer. Ou sabe? Se sabe, meus parabéns! Você tem uma estratégia (sistema) definida (o). Se não sabe, não há problema, estamos aqui pra isso, construir uma estratégia que nos permita rentabilizar o capital, independente se o Ibovespa for nos 30k ou 100k ano que vem.

Peço desculpas a todos que esperavam encontrar neste post uma pontuação para o Ibovespa ou como será o mercado em 2012. Infelizmente não tenho bola de cristal e não é assim que enxergo e opero no mercado. O máximo que posso dizer é a estratégia que irei seguir em 2012. Inicialmente é praticamente a mesma adotada em 2011 e 2010, ainda mantendo forte exposição em renda fixa, pouca exposição em renda variável (posições de positions e holds) e girando o resto em trades curtos. A exposição em renda fixa tende a diminuir, alocando capital para renda variável (mais precisamente girando em trades se as promoções não aparecerem). Mas tudo logicamente vai depender do mercado e não da minha vontade. Quem manda é ele, eu só obedeço.

Um feliz 2012 repleto de muitas conquistas, realizações e principalmente, saúde e paz! Sucesso a todos e até o ano que vem!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Carry trade na veia

O resultado do leilão de títulos do tesouro italiano demonstrou alguns sinais da estratégia adotada pelos bancos em utilizar os empréstimos concedidos pelo BCE (Banco Central Europeu) no dia 21 de dezembro. O governo italiano vendeu papéis de seis meses e dois anos no mercado primário a um custo significativamente mais baixo do que no leilão feito há um mês atrás.

Foram vendidos 9 bilhões de euros em títulos públicos italianos de seis meses à uma taxa de 3,25%, ante os 6,50% pagos pelo governo na semana passada. Foram vendidos também 1,733 bilhão de euros em títulos de dois anos à uma taxa de 4,853%, ante os 7,81% pagos pelo governo italiano na semana passada.

O bônus caiu consideravelmente revelando uma alta procura por títulos soberanos italianos. Esta procura elevada revela a estratégia adotada por alguns bancos europeus: receberam o empréstimo do BCE no dia 21 deste mês à juros significativamente baixos, foram segurando o capital no overnight (conforme divulgamos ontem) e/ou girando em operações de curtíssimo prazo, para enfim utilizar parte deste recurso para comprar títulos soberanos.

A diferença de taxas (baixo custo do empréstimo a pagar e bom retorno dos yelds/bônus a receber) gera um belo spread na operação, ou seja, os bancos estão fazendo carry trade. Os empréstimos concedidos pelo BCE são de 3 anos, então basta comprar títulos soberanos europeus com prazo inferior à 3 anos para ganhar na diferença de taxas sem qualquer esforço.

O grande teste para Itália (e demais países do sul) está na rolagem de títulos públicos de longo prazo, onde não há como os bancos fazerem carry trade. Este receio foi o motivo que a mídia conseguiu encontrar após bater cabeça o dia inteiro para explicar a queda nas bolsas de valores nesta quarta-feira.

Na verdade o motivo desta queda é tão simples que irei explicar utilizando apenas duas palavras: topo duplo. Reparem no gráfico abaixo, o índice Dow Jones confirmou topo após um doji de indecisão deixado ontem. Deverá buscar novo teste sobre a linha central de bollinger nos próximos pregões.

 
No Brasil o Ibovespa também fechou em baixa, porém em maior intensidade. Porque? Simplesmente porque deu saída para realização de lucros dos comprados a partir do fundo iniciado em 55.3k. O alvo é (era) os 60k mas o stop foi acionado (57.3k ou linha central de bollinger conforme destacamos no post de ontem). O grande segredo não é adivinhar para onde o mercado vai, e sim saber o que fazer independente para onde o mercado for. Próximo suporte (fraco) do Ibovespa está na região dos 56.1k, em caso de rompimento para baixo poderá buscar o suporte (forte) nos 55k.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Interbancário europeu continua travado

O BCE (Banco Central Europeu) divulgou um dado preocupante que passou desapercebido pelo mercado. Os depósitos overnight (aplicações de um dia) do BCE atingiram um novo recorde na segunda-feira desta semana. Os bancos europeus depositaram 411,81 bilhões de euros nesta linha de depósito overnight.

Este dado preocupa pois reflete o alto nível de procura dos bancos para depositar o capital excedente no BCE, onde as taxas overnight não rendem praticamente nada, justamente por serem de baixo risco. Diante desde dado podemos tirar duas conclusões:

A primeira é que o mercado interbancário europeu continua travado mesmo após a enxurrada de liquidez ocorrida no dia 21 de dezembro de 2011, no qual destacamos no artigo: BCE fabrica seu primeiro “meio trilhão”. Ou seja, até o momento esta injeção de capital não surtiu efeito no mercado interbancário, o que é preocupante pois os bancos já deveriam estar operando entre sí.

A segunda conclusão é que os bancos com capital excedente estão sentando em cima do dinheiro, gerando excesso de liquidez. Somente na segunda-feira, 411 bilhões de euros deixaram de circular no sistema financeiro porque a liquidez está abundante para uns e travada para outros. Os bancos com liquidez travada tomaram 6,13 bilhões de euros emprestados do BCE na segunda-feira, em dias de mercado interbancário normal esta captação no overnight não chega a 1 bilhão.

Um problema que na teoria estava aparentemente resolvido, após a ação do BCE no dia 21 de dezembro, deverá ser monitorado novamente aguardando uma reação do mercado interbancário europeu que até o presente momento continua funcionando como antes: travado.

Os principais mercados mundiais voltaram a funcionar hoje, porém com um volume de negócios bem menor do que o normal. O índice Dow Jones praticamente não saiu do lugar, oscilou pouco e deixou um doji abaixo da resistência em 12.2k. Está na tampa para acionar pivot de alta ou realizar lucros, amanhã decide.


No Brasill o índice Bovespa fechou em leve alta se distanciando um pouco da linha central de bollinger e mantendo a pernada de alta iniciada nos 55.3k. Não há sinal de topo para curtíssimo prazo. Tendência segue firme, apesar do baixo volume, rumo ao teste na zona resistência dos 59.6k e 60k em algumas semanas. Comprados na tendência subindo stop (curto) para abaixo dos 57.3k ou linha central de bollinger.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sexta maior economia do mundo

Os principais jornais britânicos divulgaram nesta segunda-feira que o Reino Unido perdeu o posto de sexta maior economia do mundo para o Brasil. Segundo o jornal The Guardian, a crise de 2008 e a conseqüente recessão no Reino Unido foram os fatores determinantes para a queda no desempenho do PIB britânico. Além disso, e talvez o ponto mais importante para o Brasil subir no ranking das principais economias mundiais, está no mercado de commodities.

O Brasil é o grande fornecedor de commodities para o mercado asiático e portanto se beneficia com o crescimento vertiginoso da economia na região (principalmente China, Índia e Coréia do Sul).

Mais importante do que ser a sexta maior economia mundial é realizar as reformas estruturais cruciais para o desenvolvimento sustentado da economia brasileira. Outro ponto que incomoda é a concentração do PIB sobre o mercado de commodities. Uma parcela muito pequena da população brasileira é beneficiada pelo crescimento das exportações de commodities.

Os produtos deveriam sair do Brasil com um valor minimamente agregado, fortalecendo a indústria nacional, gerando mais emprego e renda para a população e consequentemente reduzindo a enorme desigualdade social do país. Isso não ocorre devido aos velhos problemas estruturais brasileiros: infraestrutura, educação, tributação e burocracia.

Sendo assim, antes de comemorarmos esta subida no ranking, vamos cobrar para que o governo faça o seu dever de casa. Pela rica dimensão territorial, forte mercado interno e grande potencial de crescimento, deveríamos estar disputando com os chineses este ranking mundial.

As bolsas de valores não funcionaram hoje. Wall Street fechada, Europa ídem. A Bovespa abriu porque não é feriado no Brasil, mas o pregão foi irrelevante e de pouca negociação. Destaque apenas para o fechamento de posições estrangeiras no mercado à vista. Este movimento está sendo feito de forma rápida e já dura algumas semanas. Provavelmente estão acertando (leia-se alterando) posições para 2012. Não parecem muito contentes com o mercado à vista.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Desejos de natal

Caros leitores, permitam-me fugir um pouco da essência deste blog para enviar-lhes uma simples mensagem de reflexão. Gostaria de convidar todos vocês à voltarem um pouco no tempo. Vamos relembrar por alguns instantes os nossos momentos de criança. Bons tempos que não voltam nunca mais. Não é mesmo? É minha gente, não volta nunca mais, vocês sabem porque? Aquela época, a vida não nos havia apresentado formalmente à duas “pessoas” desagradáveis e que não largaram do nosso pé desde então. São elas: Preocupação e Obrigação.

Por mais que sejamos livres, somos o único ser vivo na face da Terra que se sujeita a levar uma vida repleta de obrigações e preocupações. Seria uma ironia dizer que somos também o único ser vivo racional deste planeta? Não se assuste, mas você acabou de pensar na resposta desta pergunta.

Não estou recomendando que ninguém se desfaça dessas duas amizades, mesmo porque você não irá conseguir. Mas desejo a todos vocês que a partir deste momento desliguem os celulares, escondam as baterias dos notebooks, esqueçam internet e qualquer outra tecnologia que os deixem conectados neste mundo louco que não pára um minuto sequer. Desta forma a Preocupação e Obrigação não irão lhe incomodar neste momento mágico de celebração da vida. Recupere-os na segunda-feira e de preferência com menos afinco.

Recentemente Papai Noel me contou que tem recebido inúmeras cartas de investidores preocupados com a bolsa de valores, a dita cuja anda de lado há mais de 4 anos. É isso mesmo meus amigos, em setembro de 2007 a Bovespa oscilava na casa dos 60k. "Eu não sei o que fazer, não consigo atender estes pedidos e o pessoal parece estar preocupado demais", disse Papai Noel. Isso muito me entristece pois a nossa amiga Preocupação conseguiu penetrar na festa sem ser chamada. Bolsa de valores não é lugar que permite a presença da nossa amiga penetra. Pense nisso!

Mas deixo um convite: não se limite neste pensamento. O seu desempenho no mercado é um reflexo de sua vida como um todo. Quanto maior a convivência com as preocupações e obrigações maior serão os efeitos psicológicos que afetam sensivelmente a tomada de decisão na bolsa. Não conseguimos evitar estas duas amizades, mas podemos reduzir o convívio entre ambas, assim sobra mais tempo para buscarmos os prazeres simples da vida como nos tempos de criança. E te garanto, estes prazeres esquecidos podem ser a chave para o seu sucesso no mercado e melhoria na sua qualidade de vida.

Você quer uma notícia boa? Tudo só depende de nós, a escolha também.

As pessoas de valor e extrema grandeza que estão lendo esta mensagem, sintam-se abraçados por mim! Um Feliz Natal repleto de boas emoções. Saúde e paz!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Papai Noel do ano: BCE

O post de ontem do Finanças Inteligentes merece um destaque maior pois revela o verdadeiro presente de natal ao mercado este ano. 523 bancos europeus tiveram acesso à empréstimos de 3 anos do Banco Central Europeu (BCE), gerando um repasse ao sistema financeiro de quase meio trilhão de euros na primeira fase desta operação. A segunda rodada de empréstimos acontecerá no dia 29 de fevereiro de 2012.

Mesmo que a quantia emprestada seja alta (demonstrando que a situação no sistema financeiro europeu era muito grave), bastou uma ação coordenada do BCE (pois não foi necessária aprovação de parlamentos, Bundesbank, Merkel, etc.) e resolveu-se o problema da liquidez no mercado interbancário europeu. Ao que tudo indicada estava praticamente seca. É claro que não foi da melhor forma possível, mas para o mercado o que importa é liquidez no sistema.

O que os bancos irão fazer com este recurso captado ainda é uma incógnita, mas pelo menos a liquidez no mercado interbancário voltará a normalidade. Podemos afirmar que este era um dos obstáculos a serem superados para a resolução da crise na Europa. A parte mais difícil ficará por conta do lado econômico. As políticas de austeridade fiscal irão pressionar os PIBs negativamente nos próximos trimestres, podendo jogar alguns países da Europa em recessão. Não menos importante, faltará ainda uma solução para os altos yelds de títulos soberanos europeus (tais como Itália, Espanha, Portugal, Bélgica... Grécia é um caso perdido) e administração de defaults inevitáveis. “Resumindo matematicamente” podemos dizer que 33% da crise na Europa começa a ser resolvida.

O diretor do BCE (Lorenzo Bini Smaghi), disse hoje uma outra notícia que os mercados adoram ouvir. Segundo Smaghi, os riscos deflacionários na zona do euro seriam uma razão para adotar uma flexibilização quantitativa (programa de recompra de títulos soberanos) na região.

Dow Jones fechou o dia em leve alta e já realizou o teste na região dos 12.2k mantendo a análise de curto/curtíssimo prazo feita na terça-feira. Se esta resistência for rompida nos próximos dias será acionado pivot de alta jogando mais um gás no índice para manter a pernada de alta rumo ao teste de sua LTB histórica (TH).


O Ibovespa fechou o dia em alta de 1,23% mantendo a tendência iniciada a partir do fundo em 55.3k. O movimento hoje foi importante pois o índice conseguiu romper sua linha central de bollinger que estava barrando a continuação da tendência de alta nos dois últimos pregões. Tem espaço para manter o movimento e testar novamente a região de resistência nos 59.6k em alguns dias/semanas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BCE fabrica seu primeiro “meio trilhão”

Saiu do forno nesta quarta-feira o primeiro lote de euros novinhos em folha do BCE (Banco Central Europeu). Como em um passe de mágica foram “fabricados” instantaneamente nada mais nada menos que 489,19 bilhões de euros na primeira operação de liquidez de longo prazo. O volume de recurso despejado nos bancos superou as expectativas do mercado (esperava-se uma demanda por 300 bilhões de euros).

Esta demanda maior por crédito não agradou muito os investidores pois indica que a situação entre as instituições financeiras europeias é mais grave do que se imaginava. Além de revelar que o mercado interbancário segue com problemas de financiamento entre os bancos indicando que as linhas de crédito irão continuar apertadas em 2012.

O BCE distribuiu empréstimos de três anos para 523 bancos europeus. O volume distribuído hoje foi o maior da história do BCE para uma operação de refinanciamento de longo prazo (3 anos, o famoso LTRO em inglês). O segundo lote da fábrica de euros do BCE será distribuído no dia 29 de fevereiro de 2012.

Será difícil imaginar que os bancos irão utilizar boa parte deste recurso para comprar títulos públicos de países como Itália, Espanha, Portugal, etc. As instituições financeiras estão sofrendo uma pressão para reduzir o tamanho e o nível de risco de seus balanços e aumentar suas reservas, e como todos nós já sabemos, está complicado captar recurso no mercado financeiro. Mais uma vez a velha impressora foi acionada, tampando o sol com a peneira e empurrando o problema para frente.

Esta notícia gerou alguma volatilidade nos mercados, como de costume, mas não alterou muita coisa na movimentação das bolsas. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones começou o dia realizando lucros no intraday e fechou perto da estabilidade deixando um doji libélula que não significa muita coisa pois está seguido de um marubozu marcado no fundo construído a partir da linha central de bollinger. Tendência de curto/curtíssimo prazo iniciada ontem segue inalterada.


No Brasil, o Ibovespa também iniciou o dia realizando lucros de operações curtas e sofrendo pressão da linha central de bollinger juntamente com a média móvel simples de 50 períodos. Houve uma reação no intraday a partir da linha de suporte nos 56.1k responsável por marcar fundo ascendente nesta região mantendo a tendência iniciada a partir do suporte em 55k (mais precisamente em 55.3k). O candle não pode ser considerado um enforcado pois não está posicionado no topo de uma tendência. Segue o jogo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Wishful thinking

Wishful thinking é uma expressão inglesa de difícil compreensão. Tentando trazer para o português, pode ser entendida como ilusão, auto-engano, auto-sugestão, desejo, fantasia, sonho, utopia, excesso de otimismo, subjetivismo, falta de realismo, falta de objetividade, etc. Um bom exemplo de Wishful thinking no mercado de capitais está na clássica fala do economista Irving Fisher quando disse que "os preços das ações atingiram o que parece ser um patamar elevado permanente".

Fisher na verdade estava sofrendo de wishful thinking, pois suas declarações expressavam o seu desejo por um mercado “eternamente altista”. Suas decisões estavam sendo impactadas por este desejo, transformando-o hipoteticamente em realidade, inibindo o raciocínio lógico ao mesmo tempo em que caía no subjetivismo perdendo a sua racionalidade.

Poucas semanas depois das declarações de Fisher, o mercado de capitais entrou em sua pior crise desde sua existência, em 1929, que posteriormente gerou a Grande Depressão.

Mas porque estamos falando de Wishful Thinking no post de hoje? Porque a grande maioria dos investidores estavam pessimistas nos últimos dias sofrendo de um “Wishful Thinking ao inverso” sem que ao menos percebêssemos que estávamos caindo fora da realidade. Vivendo uma pura ilusão de mercado que só cai. Reparem no pessimismo explícito no título de nossa análise de ontem. Também não é pra menos, ficamos mal acostumados com as quedas recentes e perdemos um pouco da racionalidade embarcando no excesso de otimismo de todo esse movimento de baixa.

Quando a realidade vêm à tona, o efeito é assustador. Pode ser feito uma analogia com o famoso livro de Conan Doyle, “O Cão dos Baskervilles”, onde conta uma das histórias mais famosas do detetive Sherlock Holmes. O mistério de um cão diabólico que assombrava a família Baskervilles e matava-os de susto sem precisar ao menos encostar ou chegar perto dos respectivos membros desta família.

Pois bem, o que aconteceu hoje nos mercados só tem essa explicação. Um susto forte ao estilo do cão dos baskervilles provocado por um wishful thinking ao inverso. Muitos papéis de peso no índice estavam testando suas LTAs e linhas de suporte importantes, alguns chegaram a perder estas linhas, mas a reação apareceu e com ela veio o susto que originou toda essa correrira para fechar vendas e abrir posições compradas. Porque isso acontece? Não sei responder, talvez nem os psicólogos consigam. Mas estava nítido o sinal, papéis bem sobrevendidos em regiões de suportes importantes. Se não é pra comprar aí, aonde é que iremos comprar? É claro, operações visando o curto prazo.

Os candles estão nítidos e comprovam esta tese. Ibovespa fechou em forte alta marcando fundo sob a região dos 55.3k e já está realizando pullback sobre a LTA mais rápida perdida recentemente, “curiosamente” na mesma região da linha central de bollinger. Há de se encontrar alguma resistência nesta região, mas ao que tudo indica o movimento é forte e deverá continuar.


O mesmo movimento aconteceu nas demais praças mundiais, assim como na matriz Dow Jones. Candle de forte alta recuperando a linha central de bollinger e média móvel simples de 200 períodos. Tem gás para testar a resistência em 12.2k.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vai ser difícil segurar

Mais rápido do que o esperado, o índice Bovespa segue para o teste de sua principal linha de suporte na região dos 55k. Diferentemente das outras vezes, será mais difícil segurar desta vez devido as configurações de topo deixadas na região psicológica dos 60k (média móvel simples de 200 períodos semanal e diária, topo duplo clássico, etc). Outro fato importante a ser observado é um provável desmonte de posições compradas no mercado à vista por parte dos investidores estrangeiros iniciado na semana passada.

Estes fatores técnicos, além dos fatores macroeconômicos abordados com frequência no Finanças Inteligentes, jogam uma pressão maior acima da principal linha de suporte do Ibovespa. Além do mais, a pontuação de 55k não reflete a atual situação de vários ativos de peso do índice onde estão sendo negociados em patamares próximo ao fundo histórico deste ano.

Um provável rompimento para baixo (perdendo o último fundo em 54.5k), irá acionar pivot de baixa podendo jogar o Ibovespa para retestar a sua LTA principal formada a partir do fundo deste ano (atualmente passando na região dos 52k). Acontece que a relevância desta LTA é bem inferior à importância do suporte na região dos 55k.


A única novidade importante do dia foi a decisão dos 27 ministros de Finanças da UE (União Europeia) em liberar 150 bilhões de euros em empréstimos ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Esperava-se uma liberação de pelo menos 200 bilhões de euros, conforme acordo feito na reunião de líderes da UE.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em baixa perdendo a linha central de bollinger e média móvel simples de 50 períodos. Segue rumo a um novo teste sobre a linha de suporte nos 11.6k.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Qual é a surpresa?

Estamos perto de observarmos mais uma rodada de cortes nos ratings de países europeus. A agência de classificação de risco Fitch alertou nesta sexta-feira que pode rebaixar o rating da França e de outros seis países da zona do euro, pois não acredita em uma solução abrangente para a crise da dívida na zona do euro. Em seu comunicado a Fitch afirmou que "a natureza sistêmica da crise da zona do euro está tendo um efeito profundamente adverso sobre a estabilidade financeira e econômica da região".

Conforme havíamos comentando em outras oportunidades, os atuais ratings de vários países europeus não refletem a atual situação econômica da região. Acontece que o processo de redução da nota é burocrático e demorado, em alguns casos tem que descer degrau por degrau. O rating da Grécia, por exemplo, não foi classificado como lixo de uma hora para outra, esse processo demorou mais de um ano em cortes subseqüentes.

Os cortes não são uma surpresa pra ninguém, mas o que causa espanto é que as pessoas ainda não se acostumaram com a dinâmica do mercado. A maioria dos investidores sabem que existe uma grande possibilidade dos ratings serem cortados mas mesmo assim se assustam quando saem essas notícias e acabam liquidando suas operações reduzindo exposição no mercado.

Quem está exposto em renda variável obrigatoriamente está aceitando correr esse risco. O investidor que tem posição de médio e longo prazo está aceitando passar por este período de turbulência que deverá continuar em 2012. A situação macroeconômica na Europa é delicada, é praticamente certo que haverá redução nos PIBs de países europeus (alguns casos com boas probabilidades de recessão). Nos Estados Unidos teremos eleições presidenciais com o país beirando o teto de endividamento. Na Ásia, a desaceleração do forte crescimento dos últimos anos/décadas deverá se manter ano que vem (pouso forçado da economia para evitar estouros). E no Brasil iremos continuar convivendo com uma economia supermercadista inflacionada. Os resultados das empresas dificilmente serão aquelas maravilhas de 2010.

A bolsa brasileira fechou a semana com mais um candle bear. Ao que tudo indica a linha central de bollinger será testada na semana que vem juntamente com a zona de suporte nos 55k. Não há qualquer sinal de fundo e/ou alteração de tendência desde o dia em que escrevemos este post: “Preparar para o desembarque”, alertando para a possibilidade de queda quando a bolsa estava colada nos 60k.


Na Europa, o índice DAX (Alemanha) fechou a semana em forte baixa perdendo a linha central de bollinger e caminhando para fazer o teste sobre a LTA de curto prazo que vem do fundo em 4.9k


Na China, a bolsa de Xangai fechou a semana em forte movimento de baixa. Foi a primeira bolsa a perder o fundo histórico deste ano, detonando mais um pivot de baixa no semanal. Situação muito complicada pois é uma bolsa de país emergente perdendo o fundo correspondente aos 48k do Ibovespa. São seis semanas seguidas de queda na bolsa de Xangai, está implorando por um alívio momentâneo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em baixa perdendo a média móvel simples de 50 períodos do gráfico semanal e mirando novamente a região dos 11.6k. Topo duplo abaixo de uma LTB que nem foi testada é um péssimo sinal para a força compradora.


Pelo visto é melhor investir o dinheiro em compras de natal rsrs. Aos guerreiros (as) que irão enfrentar os shoppings este final de semana, uma boa sorte a todos! Bom final de semana!

Posts da semana:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

De olho nas opções

A disputa pelos contratos de opções que vencem na próxima segunda-feira está tomando conta do pregão (como de costume). Os ursos mostraram sua força ao conseguir derrubar o índice mesmo após ter subido mais de 1% nas primeiras horas de negócios. Mais uma vez foi uma belíssima jogada no qual iremos tentar explicar no parágrafo a seguir.

O índice Bovespa fechou em um ponto crucial para engatar um repique de alta no qual explicamos na análise de ontem. O teste desta LTA que vem do fundo em 49.4k era a linha para dar o start deste repique, tanto é que o índice abriu sem pressão vendedora e ultrapassou facilmente os 1% de alta. Mas os ursos estavam na moita esperando os papéis subirem pra entrarem socando tudo de uma só vez, derrubando rapidamente os papéis e aumentando a pressão vendedora ainda mais a partir dos stops acionados da força compradora que entrou na abertura comprando este repique técnico do índice.

O repique de fato aconteceu, só foi rápido demais. O trader para sobreviver no meio desta oscilação forte e rápida da bolsa tem de utilizar a tática de guerrilha da Primeira Guerra Mundial. Engatilha a arma, sai da trincheira, dá um tiro e volta rapidamente. Esta é a única forma de sobreviver em um mercado de spread curto.


Não adianta culpar o vencimento de contratos de opções na segunda-feira sendo que o estrago foi feito hoje. A LTA foi perdida e deveremos visitar novamente os 55k em alguns dias ou semanas, mas antes poderá haver um respiro na região de suporte (fraco) dos 56.1k.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em leve alta animado com a notícia de que o número de novos pedidos de auxílio-desemprego caiu na semana passada para o seu menor nível em três anos e meio. Ainda não podemos considerar um sinal positivo de reaquecimento consistente da economia norte-americana pois este período de novembro à janeiro costuma apresentar muita volatilidade sazonal devido as datas comemorativas (como por exemplo dia e Ação de Graças, natal e ano novo).

O fechamento foi positivo pois Dow Jones conseguiu se manter acima da linha central de bollinger com um candle que pode sugerir um repique mais consistente iniciado a partir desta linha.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Aumenta a insatisfação do mercado

Mais um sinal de que os investidores não gostaram do resultado da reunião de cúpula entre as lideranças europeias na sexta-feira passada pode ser observado hoje no mercado de títulos públicos. A Itália pagou juro recorde de 6,47% para conseguir vender títulos públicos de cinco anos. Este foi o seu primeiro leilão de prazo mais longo desde o acordo de integração fiscal fechado na semana passada.

O resultado desastroso deste leilão reflete que os investidores, principalmente os grandes fundos (players) do mercado, não mudaram sua opinião em relação à Europa. Continuam com receio e desconfiança. O euro (moeda) segue em tendência de baixa e fechou esta quarta-feira em seu menor patamar em um ano. O mercado de commodities também foi duramente atingido, principalmente nos preços do barril de petróleo tipo light. Só hoje a queda foi superior a 5 dólares sobre o preço do barril.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deve estar gastando uma fortuna com salão de beleza. A mulher mais poderosa do mundo está ocupando a atenção da mídia mundial todos os dias. Entretanto, as declarações de hoje foram as mesmas de sempre e não acrescentam nenhuma novidade. Merkel fez um alerta contra as expectativas de uma rápida solução para os problemas na Europa e disse que a superação da crise pode demorar anos. Disse também que mantêm sua rejeição referente à implementação dos eurobônus na zona do euro.

O índice Dow Jones fechou mais um dia em baixa não conseguindo se manter acima da média móvel simples de 200 períodos e foi direto pra linha central de bollinger, o qual conseguiu fazer o seu papel de suporte limitando a queda. Deixou um ponto bom para o reaparecimento da força compradora amanhã, em um movimento de repique. Perdendo esta linha poderá testar os 11.6k novamente nas próximas semanas.


No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa mantendo o movimento da onda vendedora iniciada na tarde de ontem. A linha central de bollinger foi rompida para baixo mas apareceu um bom ponto para repique de curto prazo (média móvel simples de 50 períodos e LTA mais rápida que vem do fundo em 49.4k). Se estas linhas não forem respeitadas teremos passaporte carimbado para visitar novamente os 55k nas próximas semanas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FED, “o garçom” do chopp aguado de hoje

Os mercados estavam operando em um bom ritmo alta nesta terça-feira repercutindo a boa queda nos custos de financiamento de curto prazo da Espanha durante um leilão de títulos públicos realizado nesta manhã. Mas a reunião do FED (Federal Reserve – banco central dos Estados Unidos) desanimou o mercado que esperava por uma queda na taxa de redesconto e novas medidas de incentivo à economia americana.

O FED destacou as taxas de desemprego, mantendo um nível muito elevado, além de confirmar que a atividade no setor imobiliário americano segue em depressão. A chanceler alemã Angela Merkel também participou do movimento água no chopp ao rejeitar as sugestões de elevar o limite do fundo de resgate da Europa (atualmente em 500 bilhões de euros).

Com isso o índice Dow Jones reverteu a sua trajetória inicial e fechou o dia em baixa de 0,55%. A média móvel simples de 200 períodos conseguiu segurar novamente a intensidade da queda, mas o peso das vendas continua forte, mantendo a análise de ontem.

No Brasil tivemos a notícia de que a Câmara de Comércio Exterior reduziu hoje o imposto de importação para 298 bens de capital, telecomunicações e informática. Os itens, fabricados no exterior, terão a alíquota reduzida para 2% até 31 de dezembro de 2012 (antigamente era cobrado um imposto de 14% para bens de capital e informática e 16% para telecomunicação). A pergunta que fica é porque? Para reduzir o custo dos investimentos? Porque não incentivar a industria nacional, deixarmos de ser uma colônia dependente de produtos manufatureiros, para reduzir os custos dos investimentos gerando mais emprego, renda e desenvolvimento para o país?


O índice Bovespa fechou o pregão desta terça-feira em leve alta de 0,26% ainda acima da linha central de bollinger. O candle de fechamento sugere continuação das operações vendedoras para amanhã (iniciadas na parte da tarde do pregão de hoje) mas não deve ser confundido com a mesma relevância/força de uma estrela cadente pois não está no topo de uma tendência.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O mercado manda o seu recado

As bolsas no mundo inteiro fecharam a segunda-feira em baixa após o mercado digerir o conteúdo do acordo fechado na sexta-feira entre os líderes da União Europeia, conforme divulgamos no artigo: “Como a Alemanha queria”. O movimento de queda não surpreende, os investidores estão percebendo que foi apenas mais uma, das milhares de reuniões entre as lideranças europeias, sem apresentar um resultado e/ou uma solução definitiva.

As medidas adotas revelam a presença do unilateralismo alemão. Não há qualquer perspectiva de alívio para os integrantes mais debilitados da zona do euro, nem muito menos estímulo econômico no curto/médio prazo.

Analistas do Royal Bank of Scotland divulgaram uma nota aos clientes nesta segunda-feira afirmando que a mesma quantia em euros gasta ano passado para a Europa sair da crise (700 bilhões de euros) só seria suficiente para financiar as exigências de empréstimo do governo da Itália durante dois anos, caso a Itália perca acesso aos mercados de títulos de dívida como ocorreu com a Grécia, Irlanda e Portugal. Para se ter uma idéia, este cenário está entre os “mais positivos” nas perspectivas do banco.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa mas conseguiu se manter acima da média móvel simples de 200 períodos do gráfico diário, que deverá ser testada amanhã novamente. Está literalmente espremido entre esta média e linha de resistência (acabou se tornando uma linha forte devido as refugadas) dos 12.2k. Pro lado que romper poderá dar uma estilingada e indicação da tendência de curto prazo. Está pesando para baixo.


O Ibovespa também fechou em baixa invalidando o candle de sexta-feira, mas respeitando a linha central de bollinger. Situação também delicada do Ibovespa onde poderá fazer um novo teste sobre a LTA mais rápida iniciada em 49.4k. Se esta linha for perdida podermos testar novamente a região dos 55k.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Como a Alemanha queria

Os mercados amanheceram animados nesta sexta-feira com os líderes da União Europeia concordando em buscar uma integração maior e regras orçamentárias mais duras para a zona do euro. O acordo obrigará os países membros adotar uma regra em que se comprometam a manter seus orçamentos em equilíbrio. Não será aceito um déficit estrutural de mais de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM em inglês) terá uma capacidade efetiva de financiamentos de 500 bilhões de euros (valor bem inferior ao que se esperava), e não será autorizado a atuar como um banco, conforme se especulava no mercado. A cúpula também acertou que os países do bloco forneçam até 200 bilhões de euros em empréstimos ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para ajudá-lo a combater a crise, deste total 150 bilhões serão vindos de países da zona do euro.

Todas essas medidas eram de pleno interesse da Alemanha e sem dúvida alguma irão manter e elevar ainda mais supremacia alemã dentro da zona do euro. Se antes os países deficitários não conseguiam concorrer com os produtos alemães mesmo com uma política de afrouxamento fiscal, agora é que não irão conseguir competir mesmo com esta nova proposta de rigidez fiscal e orçamentária. "Nós vamos alcançar a nova união fiscal. Teremos o euro dentro de uma união estável", palavras de Angela Merkel.

Percebendo este avanço na supremacia alemã dentro da zona do euro, a Grã-Bretanha (que nunca foi de cair no “conto dos alemães”) sabiamente formalizou sua oposição e não aceitou as medidas propostas na cúpula. Os ingleses quererem garantias que proteja sua indústria de serviços financeiros, e no final das contas, sua própria economia. Os governos da Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Suécia não vetaram o acordo mas irão consultar primeiramente seus respectivos parlamentos.

Os mercados na Europa fecharam a sexta-feira em forte alta, mas não foi o suficiente para reduzir a totalidade das perdas da semana. Na Alemanha, a recuperação do principal índice acionário (DAX) se deu a partir da linha central de bollinger que foi testada e respeitada, jogando o índice para cima novamente proporcionando também a recuperação da média móvel simples de 200 períodos. Houve rompimento da LTB mas com um candle de baixa e portanto não passa segurança no movimento.


Para efeito comparativo entre mercados da zona do euro e mercados da União Européia fora da zona do euro, vamos observar o desempenho da bolsa de Londres, na Inglaterra. Reparem que a queda foi bem menos intensa, mostrando uma certa independência e melhores fundamentos em comparação com as demais bolsas italianas, francesas e alemãs.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana em leve alta. O índice está com a faca e o queijo na mão para romper último topo ascendente e acionar pivot de alta, o que confirmaria rompimento de um OCOi. Seria uma boa aposta bull para os próximos meses.


Na China a bolsa de Xangai fechou mais uma semana em baixa e voltou a testar a linha de suporte em 2.3k, só que desta vez sem demonstrar reação da força compradora no suporte e sem sinal de fundo. Mercado chinês parece micado, está caindo há 5 semanas seguidas.


No Brasil a alta de sexta-feira na Bovespa impediu a formação de uma estrela cadente no semanal. A gravidade do candle foi reduzida passando a ser um spinning top que indica indecisão, justamente abaixo de importantes linhas de resistências (o que também não é bom).


Para semana que vem vai ser jogo aberto devido à reação da força compradora nesta sexta-feira, porém faltou volume no pregão para dar mais confiança no movimento. No médio prazo segue dentro de um canal de alta inalterado.

Bundesbank em festa. Bom final de semana a todos!

Posts da semana:

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cada um com os seus problemas

O BCE (Banco Central Europeu) cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 1% mas não animou os mercados. Isso porque o próprio presidente do BCE lembrou que os tratados da União Europeia proíbem a autoridade monetária de emprestar diretamente para governos da região. Haviam fortes especulações no mercado europeu de que o BCE poderia atuar mais agressivamente no combate à crise.

As declarações de Draghi (BCE) fizeram “o mercado cair da cama”. Ele acabou com as esperanças de compras de bônus mais agressivas na Europa. Com isso houve uma queda generalizada nas ações de instituições financeiras europeias arrastando o resto do mercado. A queda ainda foi estimulada pela Autoridade Bancária Européia, dizendo que os bancos europeus precisarão levantar uma quantia de 114,7 bilhões de euros para cumprir novos níveis regulatórios de capital na região, superando a estimativa anterior de 106,4 bilhões.

Apesar das notícias negativas a Bovespa apenas seguiu o movimento de queda iniciado ontem confirmando o engolfo de baixa e atingindo o primeiro alvo inicial desta correção (linha central de bollinger). A partir de agora o índice já começa a mostrar possibilidades para tentar segurar a onda vendedora com o aparecimento de zonas de suporte. Ainda não há nenhum sinal de fundo.


Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em baixa confirmando o que havíamos ressaltado na análise de ontem. “Mercado americano subindo devagar e deixando candles pequenos, podendo indicar esgotamento da pernada de curto prazo iniciada nos 11.2k”. Não deu outra, Dow Jones fechou com candle de topo (engolfo de baixa) engolindo os cinco pequenos candles anteriores. Se não se segurar na média móvel simples de 200 períodos, testará rapidamente a linha central de bollinger.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bovespa realiza lucros

Sem surpresas, o mercado entrou em um movimento de realização de lucros, confirmando o que havíamos destacado na análise de ontem: “Preparar para desembarque”. O índice Bovespa fechou o dia com um engolfo de baixa, não há necessidade de repetir novamente os aspectos técnicos que proporcionaram este movimento.


Com este topo de curto prazo o mercado segue para encontrar linhas de suporte mais abaixo para tentar formar um fundo ascendente (preferencialmente acima da linha central de bollinger) e seguir a tendência da pernada iniciada nos 49.4k. É um sinal ruim para os comprados refugar mais uma vez nesta faixa de pontuação tão importante do índice, por isso mesmo este fundo teórico deverá ser formado rapidamente para evitar um aparecimento mais forte da força vendedora.

Hoje novamente, ao final da tarde como de costume, a agência de classificação de risco S&P colocou os ratings de todos os 27 países da União Européia (UE) sob ameaça de possível rebaixamento. Os 17 países da zona do euro já estavam em revisão para possível rebaixamento desde segunda-feira dia 05/12/2011, agora os outros 10 países da UE que não adotaram a moeda única (euro) também entraram para lista da S&P.

A situação na Europa está tão complicada que as casas de apostas britânicas estão registrando uma cota de 3 a 1 pelo desaparecimento do euro antes do final de 2012. Tudo bem que é um jogo de aposta, mas este dado é importante porque revela o sentimento do mercado, a falta de confiança da população em geral quanto a uma solução organizada e bem estruturada na Europa.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou o dia em leve alta deixando um candle do tipo spinning top próximo à zonas de resistências importantes. Mercado americano subindo devagar e deixando candles pequenos, podendo indicar esgotamento da pernada de curto prazo iniciada nos 11.2k.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Preparar para o desembarque

O mercado está chegando perto do seu objetivo principal desde o fundo deixado na região dos 55k na semana passada. A região dos 60k se aproxima e junto com ela deveremos observar uma concentração da força vendedora. Esta pernada de alta (forte e rápida) sinalizou campo livre para a força compradora levantar o índice, pois apareceram poucas resistências durante o trajeto até agora.

Além do mais, esta região conseguiu coincidir com o timming da média móvel simples de 200 períodos diária e semanal. As duas médias são importantes e irão fazer um papel de resistência dupla, além de estarem posicionadas aproximadamente no patamar psicológico de 60k. Vai ser uma briga boa de se ver, obviamente de camarote e não pagando para estar no meio da pancadaria.


Uma notícia divulgada pelo Financial Times ajudou a puxar os mercados na parte da tarde. Segundo o jornal, as autoridades da União Europeia estão discutindo a possibilidade de a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) não ser extinta depois de o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM) ser introduzido em 2012. A capacidade de empréstimos de ambos os fundos somada totalizaria mais de 900 bilhões de euros. A relevância desta notícia é praticamente nula, foi apenas um combustível para alimentar a alta nos pregões.

O índice Dow Jones fechou mais um dia em alta sem apresentar novidades, mantendo a análise de ontem. Está muito próximo de sua principal resistência de curto prazo nos 12.2k onde deverá ser testada juntamente com os 60k do Ibovespa. Nos últimos dias as bolsas mundiais estão se movimentando em bloco, sem distorções.


Finalizando com o destaque negativo, porém já esperado, do dia. O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil ficou estagnado em comparação com o 2º trimestre deste ano, ou seja, a economia brasileira não cresceu neste terceiro trimestre. O grande peso deste resultado está no pífio desempenho da indústria.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Revisão em lote

A agência de classificação de risco S&P anunciou hoje que o colocou em revisão para possível rebaixamento os ratings de todos os 17 países da zona do euro. Como de costume o anúncio foi feito ao final do dia para não “atrapalhar” o desempenho dos mercados mundiais, trabalhando uma pernada de alta forte desde a semana passada.

A agência citou os seguintes motivos para revisão em lote dos ratings europeus: condições apertadas de crédito, prêmios de risco elevados registrados em dívidas soberanas europeias (conforme tem acontecido com a Itália, Espanha, França e até mesmo Alemanha), a falta de acordo entre as autoridades da região sobre como conter a crise e garantir integração fiscal e econômica, níveis elevados de endividamento de governos e famílias e por fim, risco crescente de uma recessão na zona do euro em 2012.

Todos esses motivos já foram levantados anteriormente aqui no Finanças Inteligentes e já são de amplo conhecimento no mercado. Não será nada surpreendente observar a queda nos ratings de países da zona do euro, a atual conjuntura econômica não justifica notas tão elevadas para os mesmos. A revisão das notas deve ser concluída depois da reunião de cúpula da União Europeia nos dias 8 e 9 de dezembro.

Mesmo com tantas notícias negativas nos últimos dias/semanas os mercados insistem em subir. Algum problema nisso? Não, nenhum. Mercado é mercado, economia é economia. Justificar altas/baixas do mercado apenas por fatores econômicos é prova mais concreta da incapacidade de um analista.

Basta observar os movimentos nas principais bolsas mundiais para matar a charada. Candles fortes formando fundos com engolfos em regiões de suportes importantes, traps (bears) e médias. Sinal forte de cobertura de posições vendidas e reaparecimento da força compradora. O efeito disso fica registrado no gráfico, Dow Jones emplacou mais 800 pontos em apenas 7 dias de pregão.


O movimento no Ibovespa também segue forte desde o fundo confirmado na região dos 55k mantendo a análise que fizemos no dia 28/11/2011O ponto da reação foi em cima da importante região de suporte nos 55k, engolfando os 3 últimos candles marcando fundo no gráfico”.


Houve rompimento de uma LTB mais rápida que vem do topo de curto prazo na região dos 60k. Pode realizar pullback sobre esta linha para atacar os 60k ou ir direto se for o caso. A puxada segue forte desde os 55k, mas a cada dia que sobe o índice fica mais pesado. 60k é linha dura de romper, região de abertura de posições vendidas. Definitivamente daqui pra cima não é um bom lugar para abrir posições compradas (risco alto).

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ação conjunta de BCs foi recomendada por Wall Street

Documentos federais dos Estados Unidos revelaram hoje, segundo matéria do The Wall Street Journal, que a ação coordenada dos principais bancos centrais mundiais, anunciada na quarta-feira desta semana, nasceu de uma reunião entre os nomes mais poderosos de Wall Street e um representante de alto escalão do FED (Federal Reserve – banco central norte-americano).

Os grandes executivos de Wall Street recomendaram nesta reunião privada um esforço coordenado de bancos centrais para tentar acalmar os mercados. E foi o que aconteceu dois meses depois, observe o trecho de nossa análise feita na quarta-feira, dia em que saiu a notícia: “Os principais bancos centrais mundiais informaram hoje que irão participar de uma ação coordenada para impedir a falta de liquidez no sistema financeiro global. O Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), BCE (Banco Central Europeu) e os bancos centrais de Canadá, Inglaterra, Japão e Suíça irão reduzir o custo das linhas existentes de swap de dólar em 0,50 ponto percentual a partir do dia 5 de dezembro”.

Na reunião de setembro, os grandes players de Wall Street sugeriram ainda um tipo diferente de arranjo por parte dos bancos centrais. Algo que reativasse a economia global, através de uma possível compra de títulos de dívida ou outros métodos para injetar liquidez nos mercados.

Sobre a Europa, consta na ata desta reunião que seria possível a Grécia deixar de pagar suas dívidas e que havia um risco considerável de uma corrida acelerada aos bancos gregos. Os membros do comitê também disseram que acreditavam que a inadimplência da Grécia levaria ao aumento da pressão sobre os cambaleados bancos franceses, criando uma tensão ainda maior nas operações de financiamento entre os demais bancos europeus.

É comum acontecer reuniões privadas entre membros do Federal Reserve e players de Wall Street, o que não deixa de ser uma situação delicada, pois acaba ocorrendo vazamento de informações importantes que vão parar diretamente nas mesas de operações dos fundos hedge mais poderosos do mundo. Fica evidenciado também como Wall Street consegue pressionar o FED à seu favor, através destes encontros.

O resultado desta reunião pode ser observado dois meses depois nos fechamentos semanais das diversas bolsas mundiais. “A ação coordenada dos fundos hedge” fizeram Dow Jones fechar a semana em forte alta recuperando a linha dos 11.6k (em bear trap) fazendo fundo ascendente na região dos 11.2k onde foi possível traçar uma LTA de curto prazo que impulsionou o índice para testar de imediato uma LTB secundária mais rápida.


Os principais mercados europeus também fecharam a semana em forte alta. Na Alemanha, o índice DAX também confirmou fundo ascendente no semanal na linha dos 5.3k onde foi possível traçar uma LTA que vem do fundo em 4.9k. O movimento de alta foi tão forte que a linha central de bollinger foi rompida projetando teste sobre a resistência dos 6.4k.


Na China, a bolsa de Xangai fechou a semana estável deixando um doji de indecisão acima da linha de suporte testada e respeitada nos 2.3k. Este teste com sucesso poderá jogar o índice para testar novamente a LTB secundária mais rápida dentro do canal de baixa de longo prazo.


No Brasil o índice Bovespa fechou a semana em forte alta recuperando a linha central de bollinger e confirmando fundo ascendente sobre a linha de suporte nos 55k. A confirmação desta linha de suporte foi de extrema importância para a força compradora, que conseguiu engatar um movimento forte limpando as posições vendidas ainda restantes no mercado. O problema é que o índice foi barrado justamente pela média móvel simples de 200 períodos semanal e não será fácil rompê-la, tanto é que hoje já houve realização de lucros após o teste sobre a mesma.


Este fundo ascendente nos 55k alimenta a tendência de alta no médio prazo construída a partir do fundo em 48k. No curtíssimo prazo pode haver algum enrosco nesta região dos 58k, mantendo o movimento de queda iniciado na tarde de hoje. Mas caso a média móvel simples de 200 períodos seja rompida, a resistência nos 60k será atacada com mais força e os bears terão trabalho para tentar segurar a última trincheira mais importante antes de um teste sobre a LTB de longo prazo.

Bom final de semana a todos vocês!

Posts da semana:

O chopp amargo da Fitch
Mineradoras e siderúrgicas, as escolhidas do dia
A torneira estava secando
O pacotão verde amarelo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O pacotão verde amarelo

O ministério da Fazenda anunciou nesta quinta-feira algumas medidas importantes de estímulo ao consumo interno. A alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre produtos de linha branca foi reduzida, o valor do imóvel popular para ingresso no Programa Minha Casa Minha Vida foi elevado (abrangendo mais famílias) e a alíquota anual do IOF sobre operações de crédito para pessoa física foi reduzida de 3% para 2,5%.

Vale lembrar que no mês 04/2011 o ministro da Fazenda dobrou a alíquota do IOF sobre operações de crédito para pessoa física de 1,5% para 3%, como medida de para reduzir o consumo das famílias que estava elevado demais, pressionando a inflação. Portanto o saldo final de toda essa operação em torno do IOF ainda é superavitário ao governo, mantendo um aumento de 1% na alíquota.

O efeito desta medida no IOF é mais psicológico, basta a informação chegar aos ouvidos da população (“o governo está cortando a taxa para pegar dinheiro!”) que a massa corre para os bancos fazer empréstimos. Por este motivo as ações de bancos varejistas subiram tanto na Bovespa.

O governo brasileiro começou a mostrar que tem cartas na manga para se proteger da crise no cenário externo. A medida de redução na alíquota do IPI é um incentivo à indústria, que poderá gerar um efeito em cadeia aumentando investimentos, gerando mais empregos, renda e ainda barateando produtos na prateleira incentivando o consumo. A inflação seria combatida com o aumento da produção nas indústrias (lei da oferta e demanda). É isso que nós queremos ver do governo, incentivo ao processo produtivo, base do desenvolvimento econômico sustentável.

Outra medida importante, mas que não tem nada a ver com a nossa economia (diferente do que está escrito por aí) é a isenção do IOF para investimentos estrangeiros na bolsa de valores. A partir de hoje a especulação dos players estrangeiros será muito bem vinda à Bovespa, o pedágio (alíquota de 2%) foi extinto e não será mais necessário ter aquele trabalho todo de entrar com dinheiro no Brasil via IED (investimento estrangeiro direto).

A Bovespa fechou o pregão em forte alta puxada por ações que serão beneficiadas com o pacotão verde amarelo. O Ibovespa se manteve dentro do espaço no qual destacamos ontem (LTB que vem do topo em 60k e LTA que vem do fundo em 49.4k) mas já está fazendo teste sobre esta LTB de curto prazo. Estes dois candles de alta seguidos acabaram limpando as operações vendedoras do mercado. Força compradora se mantêm dominante, porém os alívios no intraday poderão ocorrer com a proximidade da resistência nos 58.6k.


Nos Estados Unidos o dia foi de pregão morno, praticamente estagnado. Dow Jones fechou em leve baixa sentindo a resistência da LTB que vem do topo em 12.2k, movimento normal. Tem espaço para trabalhar um fundo ascendente de curtíssimo prazo antes de romper esta LTB.

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