quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Confiança brasileira despenca no exterior

A pesquisa 2012 do Trust Barometer divulgada hoje em Nova York revela uma queda acentuada na confiança brasileira no exterior. Para os que não conhecem o Trust Barometer é um índice que mede exatamente a confiança em várias instituições e empresas de um país. Vale destacar que não tem relação direta com a bolsa de valores.

A queda do índice foi generalizada entre os países da América Latina que participaram da pesquisa (México, Argentina e Brasil), porém, para variar, a queda no Brasil foi bem mais acentuada. O país perdeu pontos, ou seja confiança, em todas as quatro instituições pesquisadas que fazem parte do Trust Barometer (organizações não governamentais, empresas, mídia e governo). Em 2011 o Trust Barometer brasileiro media 80 pontos, mas este ano este índice despencou para 51.

Sair de 80 para 51 pontos no Trust Barometer significa que deixamos de ser classificados como confiantes para neutro. Apenas 32% dos brasileiros incluídos na pesquisa disseram confiar no governo, provavelmente devido aos escândalos de corrupção e demissões de ministros no ano passado. Mas o que assusta é que 58% dos representantes no Brasil disseram que é preciso haver mais regulamentação do governo sobre o setor privado. Isso não é nada bom para o segmento de commodities.

Segundo Michel Leonard, economista da Alliant, “numa economia que já é bastante regulamentada em comparação com outros países, o próximo passo é a reestatização. E isso é o que nós tememos". Particularmente acho que a reestatização já ocorreu “dilaceradamente”. O governo já é acionista controlador ou possui participações expressivas nas maiores empresas do país.

Mudando o foco para o continente europeu, ficamos sabendo nesta quarta-feira que os bancos tomaram 530 bilhões de euros na segunda parte da oferta de financiamentos de três anos do BCE (Banco Central Europeu). Nada mais nada menos que 800 bancos europeus recorreram a esta “linha de ajuda” (1% ao ano é dinheiro de graça) junto ao banco central. Somando as duas operações de liquidez são mais de 1 trilhão de euros despejados dentro do sistema financeiro.

Esta operação do BCE garantiu que os bancos voltassem a recomprar títulos da dívida soberana de países como Itália, Espanha, França, etc, gerando um spread entre 4%, 5% na operação (o famoso carry-trade -  toma emprestado a 1% e aplica em títulos com bônus de 5%, 6%.) e derrubando o bônus pago pelos governos, devido ao aumento na demanda. Parte desta liquidez procura naturalmente também o caminho para o mercado de capitais, o paraíso para as instituições financeiras com dinheiro em caixa. Por este motivo pode-se observar uma alta generalizada entre os diversos ativos do mundo inteiro nos últimos meses, até mesmo o ouro (considerado investimento defensivo).

   
Observem no gráfico acima que o movimento de alta do ouro começou exatamente após a primeira parte da operação de liquidez do BCE. Recuperação no final de dezembro de 2011 e forte alta a partir do início de 2012.

No índice Dow Jones (assim como nas demais bolsas mundiais) este movimento também ficou registrado no gráfico. Mas observando o curto prazo o índice está estagnado, praticamente não saiu do lugar. Duas zonas de congestões compostas por candles pequenos e de indecisão. Mantém a mesma análise dos dias anteriores, nada de novo.



No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão desta quarta-feira em leve baixa deixando um candle de indecisão bem abaixo da resistência de curto prazo na região dos 66.4k. Foi mais uma tentativa de rompimento sem sucesso. Muita atenção dentro desta pequena zona de congestão de curto prazo pois o mercado começou a ficar mais arisco. Iniciou o dia abrindo forte dando a entender que iria romper a resistência mas devolveu todo o movimento altista em poucos minutos.


2 comentários:

  1. n é que vc postou mesmo o gráfico do ouro ... vlw !! e bons trades

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    1. Hehe, as ordens

      No curto prazo o ouro e prata estão levando uma sapatada básica. Mas estava precisando, subiu muito.

      Aliás no curto prazo tem muito ativo e índices levando sapatada. Ibov até agora está resistindo.

      Abcs,

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