quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A velha dança do câmbio está de volta

As recentes políticas de afrouxamento monetário dos últimos meses adotadas em diversos países ao redor do mundo estão trazendo de volta a tão famosa guerra cambial, termo adotado pelo ministro da Fazenda Guido Mantega.

Do Japão aos Estados Unidos, passando pela Europa (política agressiva de injeção de capital do BCE nas instituições financeiras da zona do euro e mais recentemente o Banco da Inglaterra entrou na roda anunciando uma senhora injeção de libras na economia) e países emergentes. Cada banco central regional encontrou a sua forma de afrouxar a economia de sua região, uma forma de tentar combater a crise na Europa. Os emergentes estão em melhor situação devido à margem para se cortar a taxa básica de juros e/ou reduzir o compulsório (permitindo que mais dinheiro circule na economia).
 
Os países desenvolvidos adotaram outra estratégia, mesmo porque não há como cortar uma taxa de juro praticamente nula. O afrouxamento (ou injeção de capital no sistema) está sendo mais radical, atacando indiretamente suas respectivas moedas para que estas se desvalorizem. Isto, por sua vez, torna suas exportações mais competitivas, além de remeter capital especulativo (e “fabricar inflação”) para os países emergentes que ainda oferecerem ativos com rendimentos maiores.

Um bom exemplo está na Coca-Cola, a empresa tem deixado boa parte de seu caixa fora dos Estados Unidos, em resposta ao nível baixíssimo dos juros no país, e o Brasil tem sido um destino freqüente. Dos 13 bilhões de caixa da empresa, cerca de 10 bilhões estão aplicados em países emergentes, deste total entre os emergentes, 3 bilhões estão apenas no Brasil. Outro exemplo recente está no Bradesco, a instituição financeira anunciou uma captação de 1 bilhão de dólares no exterior com vencimento em 10 anos.

Até o próprio afrouxamento monetário da política econômica brasileira (além dos incentivos tributários) acaba atraindo mais dólares para o país, justamente por incentivar o crescimento da economia favorecendo o ingresso de investimento estrangeiro direto. Ou seja, a taxa de juros pode continuar caindo, que os dólares continuarão entrando. O Brasil poderá ser um dos poucos países a apresentarem crescimento no PIB de 2011 para 2012, isso também acaba atraindo investimentos.

A questão é complexa e derruba a tese de que a taxa de juros alta é a grande responsável pela entrada de dólares no país. Seria simples demais para evitar a valorização do câmbio, na verdade tudo está entrelaçado e envolve políticas monetárias adotadas em diversos países do mundo inteiro.

Resta ao Banco Central brasileiro tentar se defender tentando controlar artificialmente a taxa de câmbio. E parece que um novo piso fictício foi estipulado dentro do Banco Central, os famosos 1,70. Só hoje foram dois leilões pesados de compra de dólares, um no mercado futuro e outro no à vista. A operação conseguiu evitar que dólar fechasse abaixo dos 1,70. Abaixo deste nível os exportadores começam a “chiar na orelha do governo”. Para nós, resta apenas aguardar as cenas do próximo capítulo, enquanto o mundo caminha debilmente para o protecionismo comercial.

Os mercados nesta quinta-feira ficaram desalinhados com a matriz Dow Jones. O índice Bovespa acabou seguindo o movimento das bolsas europeias e fechou em baixa pois foi barrado pela resistência dos 66.4k, onde mais uma vez houve teste sem rompimento. Principal linha de suporte no curto prazo está na região dos 64k e poderá ser retestada caso o rompimento da resistência apontada logo acima não se configure nos próximos dias.


 
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou em leve alta conseguindo se manter acima do suporte em 12.9k. Precisa esboçar uma alta mais forte, caso contrário poderá perder esta linha de suporte.

17 comentários:

  1. pra variar muito bom o comentário FI...

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  2. Dólar é um assunto que me aborrece, mas parece que é importante, né?... Vi que os estrangeiros aumentaram o número de contratos vendidos no dólar. E o governo comprando. É guerra mesmo!...
    Sobre o Ibov, vi que a média dos emergentes não rompeu os 61,8% da correção da grande pernada de baixa (2010/2011). Assim, passamos essa marca e teremos todos mais uma pernada de alta, ou caímos todos já.
    Mas o Dow Jones tem condições de subir mais um pouco. E agora?...
    Carla

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    1. É não tem como fugir do dólar. É peça chave para os gringos decidirem se irão entrar ou não aqui no mercado brasileiro e montarem seus hedges.

      Esses estrangeiros estão sempre aprontando. Começaram a pressionar o dólar nos futuros ao mesmo tempo em que realizam posição (parte) da forte entrada de recursos do mês de janeiro.

      Eu acho que Dow Jones tem espaço pra testar o seu TH e Ibov ir beliscar os 70k em alguns meses. A tendência de alta está muito boa, mas a mídia quer derrubar o mercado no grito. Existem rações macroeconômicas para o mercado derreter se for o caso, mas não é isso que move as bolsas.

      Na situação de um investidor posicionado na compra de médio prazo é só armar um stop mais "gorduroso"(ou mais baixo, porque tem espaço pra corrigir bem) e deixar o mercado se decidir. Pra especular, por enquanto está dando venda quando chega perto dos 66.4k.

      Abcs,

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  3. Mercado bem complicado pra abrir novas posições compradas mesmo com possibilidades boas de manter o upside. A medida que a bolsa sobe, o risco x retorno fica pior, a garimpagem fica mais difícil e seletiva. Empesa boa tem de sobra mas e barata? Alguém conhece alguma? (boa e barata).

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    1. A Eztec condiz com essas especificações ( na minha opinião pelo menos.Não sei a sua )

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    2. É uma baita empresa, como disse logo abaixo. Mas teria que cair para atrair minha atenção.

      Abcs,

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  4. Não me empolgo muito com nenhuma no momento, mas só pra exercitar o raciocínio:

    GETI3, COCE3, CMIG3, VIVT3, BBAS3
    Não gosto de comprar em topo e esse ano está com cara de realização das defensivas mas todas essas tem earnings yield maiores que a RF com bastante previsibilidade.

    PDGR3, EZTC3
    São ativos de fluxo mas estão com P/E baixo e podem melhorar bem...

    LLIS3
    Essa não está exatamente barata mas está entregando um crescimento espetacular e se cumprir o que promete pros próximos 2 anos vai dar ainda mais alegria!

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    1. Opa! Obrigado pela contribuição! Vou emitir minha opinião sobre os ativos mencionados

      GETI3, COCE3 e CMIG3 são interessantes. Não estão baratas, mas pode dar um bom caldo nos dividendos. O problema é que estou impedido psicologicamente de abrir posições em elétricas, estou com os dois pés atrás.

      BBAS3 ficou carinha pra mim. Tenho até uma pequena posição no papel, mas fiquei devendo uma entrada forte que estava programada e não foi executada. Entrei pra sentir o papel, mas acabou que disparou rápido demais e o bobão aqui ficou pra trás rsrs...

      VIVT3 ou VIVT4 soltou um baita balanço. Essa é uma opção boa no momento.

      PDGR3... humn, boazinha mas bem arisca. Talvez se caísse um pouco...

      EZTC3 ótima empresa. Não está uma pechincha, teria que cair para atrair minha atenção

      LLIS3 essa eu tenho que estudar mais.

      Abcs,

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  5. Apenas corrigindo, BBAS não é defensiva mas é relativamente estável e EZTC não é de fluxo mas está num setor de beta alto...

    Outra que pode ser interessante é a DTEX mas ainda tem de melhorar o operacional...

    Por fim, tem a ETER, porém com o risco binário do amianto...

    Não tem moleza, rs!!

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    1. Anônimo,conheço o problema do amianto,mas já há substituto ( apesar de mais caro ) e a Eternit está pensando em explorar ouro e magnésio se isso não funcionar,então eu continuo comprando ;)

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    2. Concordo, não tem moleza rsrs...

      Eu tenho uma aposta nessa empresa (ETER3). Tem essa questão do amianto, mas no geral não acho um risco tão alto assim. É bem fundamentada e paga bons dividendos, do jeito que eu gosto pra LP.

      Abcs,

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  6. Me preocupa um pouco essa ´guerra` dos países desenvolvidos querendo desvalorizar suas moedas ( principalmente os EUA ) e o Brasil não querendo que o dólar se desvalorize...tomara que isso não gere problemas com as taxas de câmbio mais pra frente ( o Brasil perdeu da última vez que tentou conter o preço do dólar com os EUA indo na contramão )

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    1. Tomara.

      E quando o BC entra no mercado, acaba gerando ainda mais liquidez para os especuladores. Aí o câmbio se torna um pesadelo para as empresas, sobe e desce brusco...

      Imagine ter de lutar contra as injeções dos EUA, Europa, Japão e ainda contra a China que manipula o câmbio descaradamente. Todo mundo perde tentando se defender e o protecionismo vai acabar reduzindo o comercio internacional. Isso é péssimo, lembra a dura crise do capitalismo nos 30.

      Abcs,

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  7. Sendo muito sincero. Aqui na empresa trabalhamos com dólar em previsão a R$ 1,60 (para o biênio 2011/12). Qualquer coisa acima disso é lucro.

    O governo pode achar que nos ajuda muito 'trabalhando' para manter o dólar na faixa R$ 1,70 - 1,80, mas nos ajudaria muito mais reduzindo o 'famoso' custo Brasil (odeio esse termo).

    Will Mesquita

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    1. Legal!

      Vocês já estão preparados para "o pior", caso ocorra e bem realistas com desestabilizado câmbio brasileiro. Generalizando, dólar a 1,60 deixa o exportador de joelhos e fica difícil (para ser competitivo) cortar custos justamente por este termo que você citou, o custo Brasil.

      Se pelo menos a carga tributária for aliviada e o custo do capital de giro não fosse tão alto, as condições seriam melhores. Mas estamos no Brasil, vamos parar de sonhar...

      Abcs,

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  8. FI,
    Tenho falado a tempos que ou as empresas aprendem a operar com dólar baixo ou fecham as portas. Enquanto o Brasil for emergente atrairá investidores, o nossa SELIC ainda ajuda, e muito. O governo intervindo só perde dinheiro, é preciso rever nossas cargas tributárias e melhorar nossa infraestrutura para sermos mais competitivos. O Bacen ficar comprando dólar vai apenas acabar com nossas reservas sem dar solução para o problema.

    Abraço.

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