sexta-feira, 16 de março de 2012

Cadê a desoneração da folha?

O ministro Guido Mantega ainda não anunciou o que estava prometendo há algumas semanas atrás. Os empresários já começaram a pressionar, e com razão, exigindo a desoneração da folha de pagamentos para mais setores da indústria brasileira. Espera-se que esta notícia seja anunciada dentro de no máximo duas semanas juntamente com um indicativo de maior flexibilidade em relação à alíquota sobre o faturamento das empresas que substituirá a contribuição patronal de 20% para o INSS.

A desoneração beneficiará principalmente a indústria que exporta pelo menos uma parte de sua produção (os grandes exportadores serão altamente beneficiados), além de atuar como um incentivo à exportação das indústrias que se fecham para o mercado externo. Porque? Quando se retira a contribuição da folha de pagamentos, transferindo-a para o faturamento, a incidência do imposto será somente sobre as vendas do mercado interno. As exportações são livres de impostos, portanto a migração não pode atingir as vendas do mercado externo, produzindo assim um bônus à empresa via desoneração da folha. Segundo o ministro, a desoneração será compensada ao governo via aumento da arrecadação decorrente da venda de produtos e contratação de mais funcionários.

O governo também anunciou hoje que reduziu a zero a alíquota do IOF nas operações de hedge cambial com contratos de derivativos dos exportadores. Operação muito utilizada pelas indústrias que vendem no exterior para se protegerem da variação cambial e garantir uma taxa boa quando a conversão da moeda for feita. Não é uma grande medida de incentivo, mas pelo menos libera o hedge do IOF, permitindo que mais empresas utilizem este mecanismo.

O mercado ficou de lado nesta sexta-feira aguardando por novidades do governo. Houve uma nova tentativa, sem sucesso, de retomada da importante linha dos 68k. Fechamento semanal abaixo da linha de resistência mostrando um pavio longo superior continua não sendo um bom sinal, tal como foi o fechamento da semana anterior. O índice se desgrudou da banda superior de bollinger, linha que permitiu todo este rally de alta em 2012. Ainda não há confirmação de novo topo ascendente dentro da tendência de alta mesmo com a grande maioria dos ativos do índice sobrecomprados. Ponto permite apenas abertura de operações mais curtas. Setor industrial, principalmente siderúrgicas, continua sendo o destaque.


Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor norte-americano fechou o mês de fevereiro com a maior alta em dez meses devido ao aumento dos preços da gasolina. O aumento da inflação nos Estados Unidos confirma o que antecipamos na análise do dia 24 de fevereiro no post: “FED, we have a problem”.

O índice de preços ao consumidor avançou 0,4% em fevereiro deste ano, após subir 0,2% no mês anterior. Simplesmente dobrou porque a gasolina foi responsável por mais de 80% do aumento dos preços no índice. O FED (Federal Reserve) reconheceu que o recente aumento nos custos de energia deverá pressionar temporariamente a inflação, mas garante que no longo prazo a inflação deve ficar igual ou abaixo de sua meta de 2%. Só vendo pra crer, o FED tem pouca margem de manobra, já que há uma promessa de se manter a taxa básica de juros zerada até o primeiro semestre de 2014.

O índice Dow Jones, pegando carona no importante rompimento do Nasdaq, fechou a semana em forte alta acompanhado pelo bom desempenho do S&P500. O candle de topo da semana anterior foi anulado com um candle de força espantando os ursos de Wall Street. Segue forte na pernada de alta respaldado pela LTA iniciada no fundo em 10.4k.


Os ursos que tentaram se animar nas semanas anteriores também tiveram que bater em retirada do mercado europeu. Na Alemanha, o índice DAX fechou a semana em forte alta rompendo a faixa dos 6.8k e mirando a próxima resistência em 7.4k. O índice nem tomou conhecimento do patamar psicológico dos 7k, passou lotado durante a semana sem oferecer resistência alguma. Efeito do reaparecimento mais forte da força compradora.
 
  
Na China a bolsa de Xangai segue aos trancos e barrancos iniciando perda da LTA formada no início deste ano a partir do fundo em 2.1k. Fechamento semanal em baixa complica a situação para retomada na próxima semana. Esperança aos comprados é tentar trabalhar um fundo ascendente sob a linha central de bollinger em 2.3k.


Chega de mercado né pessoal? Agora vamos desligar a tomada porque chegou a parte boa: final de semana! Grande abraço a todos!

Posts da semana:

13 comentários:

  1. olã, em resumo FI o mercado daqui está dizimando os pequenos que somham o Ibov em 100K, na sua opinião tem bases fundamentalistas para tal feito?? Ao meu ver não, o governo tem planos de poder e não de crescimento sustentável, esta distribuição, diga-se compra de votos, está estragando o p-ovo Brasileiro principalmente o nordeste, a coisa aqui tã feia, só vejo vagabundagem e analfabetismo e em especial a baixa renda devendo até o pescoço, é claro que não estou generalizando, más a verdade é essa;
    Ivan

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    1. Olá Ivan,

      Ibov em 100k é meio difícil de pensar hoje em dia. Estamos em 68k e as empresas do índice em geral não estão baratas (também não estão tão caras assim, não há sinal de euforia nos preços). Agora se as empresas começarem a jorrar dinheiro nos balanços, os preços ficam baratos, então tudo é uma questão de expectativa/projeção. Particularmente estou com os dois pés no chão, se o governo não voltar a adotar a política de metas de inflação fica difícil fazer dinheiro aqui, até mesmo pra quem vende.

      Abcs,

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    2. Tem outra coisa também. Um Credit Suisse, Merrill Lynch, UBS, Morgan Stanley, Goldman Sachs, etc... tem bala na agulha pra levantar o Ibov (ou derrubar) pra onde quiserem.

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  2. Sim, em meu gráfico o Ibov, graf. mensal, está testanto como resistencia uma lta que vem desde 2003, o EWZ já tá com cara de reversão, estou estudando a relação do EWZ para abertura e fechamento de posições aqui, parece que os sinais são muito confiáveis, já me disseram uma vez que os estrangeiros só olham as cotações dolarizadas, parece que tem muito sentido enxergar o mercado como eles;
    Um bom final de semana!!
    Ivan

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    1. Sim, a primeira coisa que os estrangeiros olham antes de entrar no Brasil é o mercado de câmbio. Não faz sentido comprar um ativo bom se o câmbio não está bom, no final das contas podem sair perdendo mesmo se o ativo subir.

      Veja que o dólar disparou no final do ano passado aqui e muitos armaram estratégia entrando forte já no início do ano. No final da crise de 2008 foi a mesma coisa, o dólar chegou nos 2,50 e entraram como loucos no Brasil, por isso a bolsa disparou em 2009, muito ingresso de capital estrangeiro com o câmbio favorável à eles.

      Abcs,

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  3. Eai FI,

    E semana se mostrou tensa mesmo parecia q o ibov iiria com tudo furar os 70k psicologicos e ficou pelo caminho, me diz uma coisa sabes alguma informacao a respeito da empresa AELP3? pois andei analisando e seus fundamentos estao num patamar otimo, se souber da uma dica boa ai, estou interessado nesse papiro hehehe abraço!

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  4. Eaí Saimon,

    Putz, essa você garimpou mesmo. Eu não conheço a empresa, mas é do ramo de energia elétrica. Os fundamentos não são ruins, paga um bom DY, etc, mas e as perspectivas?. Dê uma lida neste último fato relevante que saiu dia 27.02.2012:

    http://www.bmfbovespa.com.br/empresas/consbov/ArquivoComCabecalho.asp?motivo=&protocolo=321587&funcao=visualizar&site=B

    A primeira vista eu não gostei nem um pouco. Talvez seja por isso que o papel esteja caindo tanto nas últimas semanas. Eu ficaria de fora, mas é a minha humilde opinião e posso estar errado. Na verdade eu estou proibido de voltar a ter elétricas na carteira até saber o que vai dar esse processo de revisão tarifária.

    Abcs,

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  5. FI,

    Quando será a revisão tarifária?
    Será aplicada para todas empresas do setor na mesma data?

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Sir Income,

      Pois é, é tão incerto que ainda nem há uma data certa. Talvez esse ano poderá sair. Acho que a revisão será em "blocos", não irão colocar tudo no mesmo saco e decepar com uma só facada.

      Abcs,

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  6. FI,

    Não querendo abusar, mas já abusando. rs

    Você saberia qual a possibilidade destas empresas de energia elétrica não conseguirem renovar as concessões? Como ficariam os pequenos investidores neste caso?

    Seriam donos de uma empresa que não gera nada?

    Sei que a pergunta possa parecer infantil (talvez idiota rs), mas é uma dúvida real.

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Pelo contrário a pergunta é tão boa que eu não sei responder rsrs...

      Normalmente as concessões são renovadas, mas eu não ficaria posicionado em uma empresa onde o prazo está próximo do vencimento. Há menos que a empresa já tenha um posicionamento sobre as concessões. Mas pelo que sei, apenas 22% das concessões vencem em 2015. Tem tempo ainda.

      Abcs,

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  7. Seu blog é excelente, cara !

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    1. Que nada, o blog é só um quebra o galho rsrs.. Bom mesmo são os comentários dos leitores.

      Abcs e obrigado!

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