terça-feira, 27 de março de 2012

O calote que incomoda o Banco Central

Mesmo com as políticas de afrouxamento monetário e baixo nível de desemprego na economia, a inadimplência resiste em ser reduzida no Brasil e isso está incomodando o Banco Central. No mês de fevereiro a inadimplência média manteve-se em 5,8%, levemente acima do número registrado em janeiro deste ano (5,6%).

Não há uma justificativa técnica para explicar este nível de inadimplência, justamente porque a política monetária atual é de expansão do crédito, ou seja, dinheiro mais fácil na mão do consumidor brasileiro. A justificativa realista fica por conta da ignorância financeira presente na maioria das famílias brasileiras. A grande maioria da população não sabe administrar recursos/dívidas.

Os atrasos de pagamentos com mais de 90 dias ficou em 7,6% para pessoas físicas no mês de fevereiro e 4,1% para empresas. O principal causador para o aumento do calote no segmento de pessoas físicas é o financiamento de veículos. Não é por acaso que o número de veículos novos circulando pelas ruas das cidades aumentaram à olho nu. A facilidade em financiar um veículo, com parcelas baixas e prazos longos, coloca em dúvida a capacidade do devedor em cumprir com as suas obrigações no médio e longo prazo.

A taxa de desemprego se manterá baixa durante todo este período de tempo permitindo ao devedor pessoa física honrar com suas dívidas? Porque a inadimplência não caiu mesmo com o mercado de trabalho fortemente aquecido? São perguntas que o próprio Banco Central se enrola para responder.

Se o calote não diminuir, os bancos não irão reduzir os juros (absurdos) mesmo com os cortes recentes na taxa selic. As instituições financeiras são as primeiras a se blindarem em um cenário adverso, resistem em diminuir a taxa de juro com medo da inadimplência. Mesmo assim o governo está determinado em reduzir os estratosféricos spreads bancários utilizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como “cobaias”. Isto é, redução forçada nas taxas de empréstimos dos bancos estatais para forçar a concorrência (bancos privados) a fazer o mesmo.

No mercado de capitais houve uma reviravolta ao final dos pregões que funcionavam aproximadamente no mesmo horário de Wall Street. Dow Jones, com a faca e o queijo na mão para romper importante zona de resistência no curto prazo escorregou no final e fechou em leve baixa. Ainda não perdeu a briga mas o placar, no curto prazo, está 1 x 0 para os bears.


No Brasil o índice Bovespa fechou em baixa, movimento definido no final do pregão. Típico de ação para forçar uma queda no índice, pois as vendas só foram aparecer ao final do dia, concentradas em ativos específicos (previamente selecionados), talvez para pegar a parte compradora “desprevenida”. Agiram bem rápido para formar o que havíamos comentado na análise de ontem: um topo descendente abaixo dos 68k. O ponto escolhido foi um nível técnico bem relevante, abaixo da linha central de bollinger.


Os mesmos players que socaram no final do pregão desta terça-feira deverão estender a operação com objetivo de detonar pivot de baixa em uma possível perda dos 65.5k. É um movimento arrojado, pois não entraram à descoberto (o que rotineiramente costumam fazer). Não apareceram sinais de que estas operações vendedoras foram liquidadas ao final do dia, isto é, alugaram papel pra poder socar e carregar a posição. Estão apostando no pivot de baixa, neste momento somente um forte contra-ataque da força compradora (empurrar o índice acima dos 67k) para evitar que os 64k sejam testados em alguns dias ou na próxima semana. Briga boa na Bovespa, mas os bears saíram na frente.

13 comentários:

  1. Há algo que acho muito bom nas tuas análises que é a explicação técnica dos movimentos. Não as "abobrinhas" dos sites e jornais... Não há nenhum outro analista (ou como queira ser chamado...) que explique tão bem o "porquê" dos movimentos. É certo também que muitos operadores não se importam com as razões dos movimentos, mas eu acho muito saudável saber...
    Carla

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    1. Carla,

      Obrigado! Também acho saudável entender os movimentos para entender a dinâmica do mercado e como ele funciona. São os players que fazem a roleta girar diariamente. Bem antes de montar o blog eu gostava de ficar observando os gráficos para entender o porque das coisas, as vezes não entendia nada rsrs... mas de tanto procurar agente acaba achando e descobrindo algumas coisas. É só ir ligando os pontos. Eu posso estar errado também, mas tento ir pelo mais óbvio.

      Vamo que vamo! Mercado ficando animado

      Abcs,

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  2. A taxa dos empréstimos para PF SUBIU neste ano, apesar da SELIC estar CAINDO! Sinal de que os bancos estão colocando as barbas de molho. Os bancos oficiais vão baixar os juros, e não serão acompanhados pelos bancos privados, pois estes preferem perder market share do que lidar depois com um aumento de inadimplência.

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    1. Dr. Money,

      Sim. Aumento da inadimplência é o terror pra qualquer instituição financeira, simplesmente porque não suportam um certo nível de calote. Bancos operam extremamente alavancados (tudo o que emprestam é recurso captado no mercado), logo um calote significa prejuízo nas duas pontas. Os grandes conseguem disputar com BB e Caixa, podem reduzir um pouco o spread mas acabam fechando o cerco também, ficando somente com os bons financiamentos.

      Abcs,

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  3. Olá fI, não é um bom ponto para vendas alugadas, geralmente se faz na perda de suportes para o start ficar próximo caso o papel violine, o ponto onde os ursos vão se armar será nos 64K, agora creio que os grandes players estão é fechando posições mesmo, sem alarde entregando os papéis à massa.
    Ao meu ver já estamos de certa forma numa bolha de crédito, nunca vi um desmantelo destes, e gente demais pendurada em cartão, crediário, financiamentos e por ai vai...
    Ivan

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    1. Ivan,

      Acho que pra chegar nos 64k tem chão e força compradora pra impedir que chegue sem pressão vendedora maior. Este movimento de ontem ficou bem descarado, as coisas podem esquentar a partir de agora. Vamos observando. Perdendo 64k, a massa vai entrar vendendo...

      O que preocupa é a inadimplência já estar alta com as condições econômicas favoráveis. Mercado de trabalho aquecido permitiria até um certo nível de endividamento, mas se o calote não diminuir o BC vai ter uma tremenda dor de cabeça pela frente.

      Abcs,

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  4. FI,
    Expansão de crédito para pessoas sem educação financeira é igual a maior inadimplência. Eu diria que é até meio óbvio isto. Fora o apelo marqueteiro para compras por impulso. Muita gente compra sem mesmo saber como irá pagar. A concessão de crédito deveria ter um maior lastro, no financiamento de veículos o BC dificultou as coisas, mas as regras deveriam ser mais rígidas no comércio como um todo.

    Abraço.

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    1. Jônatas,

      Exatamente. O problema é que o governo vai pra um lado e o BC vai ter que tentar contornar a situação do outro. Crédito farto impulsiona o consumo, fomenta o crescimento (insustentável) e eleva a inflação. Imagine um cenário de inflação alta e inadimplência alta? Vai ser outro tranco pra baixo, BC vai ter que apertar os cintos e a economia fica nesse sobe e desce. Isso não é bom, além de ter um custo alto para investimento, somos instáveis... Tem que melhorar.

      Abcs,

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  5. Olha como os players agiram rápido. Já detonaram o pivot. Dito e feito, esse "povo" não me engana rss...

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  6. Sou o anônimo, aquele que vcs acham que trabalha no BC. hahahah
    O que é uma grande viagem.
    Permaneço posicionado no dólar e que venha os R$2,15;
    Ibov a 68k é topo, rumo ao teste dos 60k.
    Saudações, sempre na área

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    1. Opa! Vai mantendo firme sua posição porque está vingando. Parabéns pelo timming! Além disso você tem um certo respaldo porque os empresários estão berrando nos ouvidos do Mantega juntamente com a FIESP...

      Apenas uma curiosidade: você foi um dos membros do Copom que votou contra o corte de 0,75 p.p.? rsrsrss..

      Abcs,

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    2. Sr. Anônimo
      Acredito que Ibov 68k é topo, mas não acredito numa alta consistente do dólar. Há mais motivos pra o dólar ficar desvalorizado do que o contrário.
      Estrangeiros seguem com contratos vendidos em dólar. A moeda pode até ser um bom "refúgio", mas vendas bem feitas em ativos rendem muito mais! hehe...
      O senhor é muito esperto, só acho dólar não é um bom "investimento" no momento.
      Carla

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  7. Olá, o Ibov só vira a mão com a perda dos 64K, bom acho provável a perda pois os contartos alugados estão subindo, munição pesada pra detonar os stops e ir ladeira abaixo!!
    Dolar à R$ 2,15, hum..complicado, só se estourar algum fato relevante, o governo sinaliza tolerar no máximo até por volta dos R$ 1,90, dolar como investimento não é coerente com o bom rendimento de renda fixa;
    Ivan

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