sexta-feira, 2 de março de 2012

Tsunami monetário = corte 0,75 na selic?

As recentes declarações do ministro da fazenda Guido Mantega e da presidente Dilma Rousseff as vésperas da reunião do Copom nos fazem relembrar daquela noite de quarta-feira, 31 de agosto de 2011, quando o Banco Central surpreendeu o mercado cortando pela primeira vez no ano a taxa selic em 0,50 p.p. Dias antes daquela reunião do Copom, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Guido Mantega soltaram duras declarações na mídia referente ao cenário externo.

É o que está acontecendo novamente. O “tsunami monetário” refere-se à política de afrouxamento monetário dos países desenvolvidos, reféns do sistema financeiro, cuja injeção total de capital chega perto dos 5 trilhões de dólares nos últimos anos. Boa parte deste dinheiro estacionado nos caixas das instituições financeiras procura o caminho do lucro fácil no mercado financeiro. É neste ponto que o governo brasileiro tenta se resguardar, para frear a entrada de dólares no país.

Muitos defendem cegamente que a taxa básica de juros é a grande responsável pela entrada maciça de recursos no país, o que não deixa de ser uma verdade, porém está longe de ser a grande responsável pela chuva de dólares. O simples fato de sermos uma economia em expansão abre grandes oportunidades de negócios que por sua vez dependem do ingresso de investimentos estrangeiros. Não há poupança interna no Brasil para financiar o crescimento do país, logo é extremamente saudável e necessário que esses dólares continuem entrando na economia para que o país consiga manter o seu crescimento.

A grande maioria esmagadora dos recursos que entram no Brasil chegam sob a forma de IED (Investimento Estrangeiro Direto - recurso que vai diretamente para economia) e não como capital especulativo. Mas então porque o governo insiste em criticar o capital especulativo proporcionado pelas políticas de afrouxamento monetário dos países desenvolvidos?

Porque precisa-se de um motivo forte para reduzir rapidamente a taxa básica de juros no Brasil e como todos nós já sabemos, a inflação fora da meta não permite cortes agressivos, mas uma política para “defender as indústrias brasileiras” sim. O caminho mais popular (e mais custoso) para tal ação é cortar a taxa básica de juros e segurar o câmbio a qualquer custo, isso mantêm as indústrias respirando mas não as tira da lama. Há outro caminho menos popular (mais demorado e que não reelege político, porém garante um crescimento longo e sustentado da economia) chamado reforma tributária, trabalhista e previdenciária, investimentos pesados em educação e infra-estrutura e "desburocratização" de todo setor público. Evidentemente estamos na opção 1.

O mercado entende pelas últimas declarações do governo que há um forte interesse para que o corte na taxa selic seja de 0,75 p.p. nesta próxima reunião do Copom (dias 06 e 07 de março). Particularmente acredito que o corte será de 0,50 p.p., mas não me surpreenderia caso o número vier acima deste patamar.

Chuva de liquidez no sistema e corte de juro no Brasil, são ingredientes mais do que necessários para manter a bolsa de valores em alta. Observem pelo gráfico semanal a abertura contínua da banda de bollinger superior dando espaço para o rally de alta. O índice ainda não formou fundo ascendente desde o rompimento dos 60k, mostrando a força do movimento altista.

  
No atual patamar estamos próximos da resistência nos 68k, esta linha tem muita história na análise técnica do índice, reparem na quantidade de vezes em que ela foi utilizada tanto como suporte, quanto como resistência. Funciona como um divisor de águas para ataque ao TH ou reteste do fundo da zona de congestão (60k). No médio prazo, tendência de alta segue forte e intacta.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a semana praticamente no mesmo lugar que começou. Não saiu do lugar e oscilou muito pouco deixando um doji de indecisão acima do suporte em 12.9k. Mantêm a mesma análise da semana anterior.


No principal mercado europeu (Alemanha), o índice DAX continua mantendo sua tendência de alta e segue rumo ao teste da região nos 7k. Pode aparecer alguma resistência de curto prazo, mas a pernada de alta segue firme e forte no médio prazo.


Na China a bolsa de Xangai também fechou a semana em alta e segue rumo para o teste da importante linha dos 2.5k (ponto de pivot e principal resistência para tentar barrar a pernada de alta no médio prazo).


Então é isso meus amigos(as), finalizo aqui minhas atividades nesta semana. Bom descanso e até segunda-feira!

Posts da semana:

A fila anda, somos o segundo.

Olé!

Confiançabrasileira despenca no exterior

A volta dos IOFs

19 comentários:

  1. Parabéns Finanças Inteligentes. Mais um show de análise fundamentalista mesclada com análise técnica.
    Está de parabéns!

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  2. Paulo Simões Diniz3 de março de 2012 00:07

    Não dá para afirmar que a grande maioria esmagadora dos recursos que entram no Brasil chegam sob a forma de IED.
    No ano passado o IED puro, excluídos empréstimos intercompanhia, representou 49% do total dos capitais que chegaram ao País.

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    1. Olá Paulo,

      Vou checar melhor meus dados. A informação que eu tinha era um gráfico de fluxo de capital estrangeiro que comparava o que entrava como investimento (grande maioria, acho que somaram tudo como IED) e o que entrava como "outros" (especulação - minoria). No geral tem sido assim, o que acaba indo para especulação no mercado é pouca coisa se comparado ao montante total.

      Abcs,

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  3. O problema é que o que vai para especulacão faz um estrago grande, continuando assim, ao que parece vai, teremos um ibovespa rompendo os 74K fácil.
    Numa especulação dessa magnitude não tem análise que funcione pois o mercado só fura para cima, tarefa fácil aos grandes players atuando nas duas pontas;
    Ivan

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    1. Ivan,

      Sim faz um estrago grande porque a maioria das operações são rápidas e bem alavancadas. Os players estrangeiros estão com uma estratégia diferente este ano, alavancaram compra no à vista, zeraram operações vendidas no índice futuro. Estão mandando e desmandando por enquanto.

      Abcs,

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  4. Acredito que não fura o TH agora. Creio que teremos uma boa queda ainda, voltando a testar a LTA de longo prazo. Eu esperava essa queda pra este ano. Depois sim, subiríamos, romperíamos o TH e teríamos 5 a 7 anos de alta.

    Ivan
    Especulação faz parte dos mercados livres. O contrário, um mercado controlado pelo estado, seria um inferno, não acha?... Vamos tentar entrar na onda dos grandes plyers e aproveitar. Não é tão difícil tirar um naquinho também...
    Carla

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    1. Se furar TH por agora (este mês) vai dar pânico de alta. Não tenho a mínima idéia do que vai acontecer, mas dá pra estudar uma estratégia para operar em ambos os casos.

      Vamos ver até onde os estrangeiros conseguem levantar para chamar os investidores PFs (massa) de volta pra bolsa.

      Abcs,

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  5. FI, colocação importante para quem investe na RF, seu ponto de vista é bem racional.

    Obrigado por passar lá no meu blog, respondi seu comentário lá.

    Abraço!

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  6. algum leitor bem informado sabe comentar qual o data "com" para os pagamento de dividendos da CRUZ3?

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  7. Saimon, vá neste site http://dividendobr.com/

    No lado direito, abaixo do quadro de anúncios digite o código do ativo e aperte enter. Logo abaixo irão sair as informações de que você precisa.

    Abcs,

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  8. FI,
    Post fantástico.
    Não preciso comentar nada, apenas repito um trecho onde você fala tudo: "...reforma tributária, trabalhista e previdenciária, investimentos pesados em educação e infra-estrutura e "desburocratização" de todo setor público."

    Abraço.

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    1. Jônatas,

      Realmente. Você deve saber melhor disso do que eu, pena que não há vontade política nenhuma.

      Abcs,

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  9. Carla, o problema é esta especulação, julgo maquiavélica e o governo refém sem ferramentas, bom ferramentas tem más coragem...
    Estamos voltando no tempo, muita gente despejando na bolsa pensando que vai ficar rico... o resto da história sabemos muito bem como vai acabar!!!
    Uma boa semana á todos!!
    Ivan

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  10. Pessoal, desculpe minha ignorância, mas o que significa um TH? Sou novo na área!

    Cezar

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  11. Opa, tudo bom Cezar?

    TH é uma abreviação para topo histórico. Um topo histórico representa a máxima histórica dos preços de uma ação ou índice. Um exemplo: O TH do Ibovespa é 74k.

    Sempre que tiver qualquer dúvida pode perguntar. E não peça desculpas, todos nós estamos aqui pra aprender

    Abcs,

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