quinta-feira, 1 de março de 2012

A volta dos IOFs

A recente movimentação no mercado de câmbio internacional forçou o governo brasileiro a tomar novas atitudes para tentar proteger os interesses do país. Exatamente uma semana atrás publicarmos o artigo “A velha dança do câmbio está de volta” e hoje o governo elevou o IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) de 6% para empréstimos externos com prazo de até três anos.

 

A primeira taxação de IOF para operações externas foi anunciada em abril do ano passado para captações com prazo inferior à 360 dias. Uma semana depois o governo ampliou este prazo para 720 dias e hoje subiu novamente para três anos. No raciocínio da equipe econômica do governo a medida serve para desestimular a tomada de crédito no exterior a prazos mais curtos e evitar que as empresas façam arbitragem de juros (carry-trade).

 

Acontece que a maioria dessas captações de crédito no exterior são feitas por instituições financeiras e algumas empresas brasileiras, sendo que o prazo médio dessas operações costumam ser acima dos 3 anos (de 7 anos para cima). Portanto não há um efeito prático no mercado desta nova medida do governo, tanto é que o Banco Central teve que entrar forte no câmbio novamente para evitar a valorização do real nesta quinta-feira, mas há sim um efeito psicológico muito importante. Mostra que o governo já está “atacando” com o dólar a 1,70 e novas medidas poderão surgir caso a queda continue. A estratégia e os desejos do governo com relação ao câmbio foram reveladas e confirmadas.

 

No mercado de capitais a Bovespa reagiu muito bem quanto à notícia do IOF e você sabe porque? O governo emitiu sinais de que a bolsa estará livre das “medidas de proteção ao câmbio” (por assim dizer), isto é, os investidores estrangeiros podem continuar comprando suas ações na Bovespa tranquilamente pois não há mais intenção de se taxar esse tipo de investimento.

 

Com o novo lote de meio trilhão de euros na praça para os bancos europeus disseminarem pelo mercado financeiro e sem indicação de pedágio (IOF) na Bovespa, a bolsa brasileira fechou o dia em alta rompendo importante resistência na região dos 66.4k e acionando pivot de alta deixando a congestão para trás. As bandas de bollinger que estavam estreitas começaram a abrir para dar espaço a novas altas. O índice tem espaço para continuar subindo nos próximos dias mesmo com divergências de baixa pelos indicadores, aumentando o risco da operação.


  

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones continua estagnado e oscilando pouco. Sobe um pouco e corrige no dia seguinte. Esta lateralização está permitindo o índice se manter acima dos 12.9k.


9 comentários:

  1. Ibov rompeu resistência, índice emergentes e índice CRB de commodities estão rompendo resistência, Dow Jones segue subindo aos poucos, BCE derramando dinheiro no mercado. Estrangeiros zeraram contratos vendidos no futuro do índice e já têm alguns contratos comprados, coisa que há muito tempo não acontecia. Também aumentaram muito os contratos vendidos no dólar. Mas, entretanto, porém... Volumes vêm caindo, e relação risco retorno já não está muito boa. Acho que operações agora devem ser curtas.
    Carla

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    1. Exatamente,

      É o que sempre estou avaliando: relação risco x retorno. Uma saída para o trader que tem posição de médio e longo prazo na carteira é utilizar um papel que já deu uma boa margem de lucro virtual (porque não zerou ainda) e dobrar/triplicar posição em cima do mesmo ativo protegido com stop loss de acordo com o lucro que ele já arrancou do papel pra sair no máximo no 0 x 0 se tudo der errado. Seria como alavancar uma posição sem correr o risco de perder dinheiro.

      Exemplo: Você tem 100 ABCD4 compradas a 10,00. Hoje as ABCD4 estão valendo 14,00. Ou seja 400,oo de lucro. Então você escolhe um ponto bom e compra mais 300 ABCD4 (vamos supor, nos 14,00) e joga stop nos 13,00. Se as ABCD4 caírem 1 real você sai da posição "alavancada" sem prejuízo. Em consequência você perde o lucro das que você tinha em carteira, mas acho que se o papel deu ponto de entrada e você tem o recurso de aumentar posição consideravelmente sem levar um prejuízo, compensa arriscar.

      Abcs,

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    2. Entendi, muito bom... No meu caso, opero menos, com menores valores. Assim, os possíveis prejuízos serão pequenos. Trades de maior valor só depois de uma boa correção (queda ou lateralização).
      Carla

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    3. Ah, não tenho posição pra longo prazo agora. Aguardo mais uma boa queda este ano, pra aí sim fazer umas comprinhas de longo prazo... Ah, vai cair sim, sempre cai. Vou aguardar a próxima crise. hehe... (Carla)

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    4. Ah sim. Essas quedas ao estilo crash sempre irão acontecer. Pode não acontecer este ano, mas pelo menos de 5 em 5 anos (no máximo) surge alguma coisa pra panicar os mercados. É a forma mais fácil de investir, comprar durante os crashs, não tem erro e a lucratividade é alta.

      E do jeito que as coisas andam talvez não vamos ter que esperar por muito tempo. Fora os fatores econômico, nos EUA já estão inflando papéis de tecnologia novamente. Quando estourar, já viu né...

      Abcs,

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  2. Grande FI,
    Estava meio ausente nos últimos dias: muito trabalho.
    Olha, sinceramente não esperava uma bolsa forte neste início de ano, mas estou gostando.

    Abraço.

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    1. É meu caro, bolsa subindo é sempre bom. Também não estou achando ruim. Está com bilhetes carimbados para os 70k...

      Mas essa fase é perigosa, costumam aparecer "idéias malucas" como as que eu citei logo acima pra Carla. Todo movimento a partir de agora tem que ser muito bem estudado.

      Abcs,

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  3. ...agora no fim de março a noticia da tv vai ser que a bolsa é o melhor investimento dos ultimos anos dai os mal informados vao me dar liquidez para sair, viva os sardinhas, compro barato e entrego caro!

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    1. Se isso acontecer vou aliviar ainda mais a exposição em renda variável, vai sobrar só os FIIs e alguma rapa rsrs... Mas acho que a mídia vai começar a fazer barulho pra bolsa só quando romper TH.

      Abcs,

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