quarta-feira, 4 de abril de 2012

Governo declara guerra ao spread bancário

O governo brasileiro mostrou que não está blefando com os bancos privados que atuam no país. O recado ficou bem claro hoje ao utilizar o Banco do Brasil para engatar esta primeira ofensiva contra os spreads bancários. O programa do BB lançado hoje, batizado de "Bom Pra Todos", inclui uma oferta adicional de 43,1 bilhões de reais ao mercado. Deste total, 26,8 bilhões de reais serão destinados às micro e pequenas empresas e 16,3 bilhões de reais para as pessoas físicas. 
Com este programa, os juros para diversas linhas de crédito serão fortemente reduzidos no BB. No segmento de varejo a linha de financiamento para compra de veículos terá queda de pelo menos 19% a.a. Para as linhas voltadas à aquisição de bens e serviços de consumo, os juros médios serão reduzidos em 45% a.a. Para os beneficiários do INSS o crédito consignado irá variar de 0,85% a.m. a 1,8% a.m. Quem recebe salário no BB, poderá utilizar a linha de rotativo do cartão de crédito por uma taxa de 3% a.m. Atualmente o mercado cobra em média 12,50% a.m. no rotativo do cartão de crédito. 
Para as pequenas e médias empresas a taxa média das principais linhas de capital de giro serão reduzidas em 15% a.a. Nas operações com recebíveis a taxa média sofrerá uma queda de 16% a.a. Esses cortes agressivos irão jogar o piso do capital de giro no BB em torno de 0,96% a.m. De imediato, os bancos pequenos ficarão impossibilitados de competir com as linhas capital de giro do BB. Oferecer 0,96% a.m. contabilizando o risco de calote e custo de captação de recurso no mercado, não derruba nem o spread bancário (porque não há), mas sim a própria instituição financeira.
Alguns bancos de médio porte também ficarão impossibilitados de almejar qualquer tipo de competição para este nicho de mercado. Os bancos de grande porte, tais como Itaú, Bradesco, Santander e HSBC conseguirão competir com dificuldade, mas serão obrigados a reduzir imediatamente os spreads bancários para não perder market share

Por este motivo o índice Bovespa fechou mais um dia em baixa, puxado pelas ações de instituições financeiras. Na outra ponta subiram papéis que se beneficiam com uma queda na taxa de juros, tais como varejo e construtoras. Como os bancos possuem um peso significativo no índice Bovespa, a queda em bloco desarmou o suporte dos 64k no Ibovespa detonando mais um pivot de baixa, agora com passaporte carimbado rumo aos 60k. Em uma só tacada derrubaram a LTA, principal linha de suporte no curto prazo e detonaram o pivot pra baixo. Movimento parecia estar coordenado juntamente com o anúncio do programa “Bom Pra Todos” do BB.

Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também perdeu sua LTA de sustentação desde o fundo cravado em 10.4k no ano passado. O índice utilizou todo o espaço disponível para lateralizar no curto prazo, mas hoje foi dia de decisão e os players confirmaram que o movimento é para baixo. Caso não segure no suporte de curto prazo em 13k o índice deverá testar, em algumas semanas, a região dos 12.7k.

  
O que acabou afetando Wall Street foi a volta da novela dos leilões de títulos públicos na Europa. A Espanha vendeu 1,1 bilhão de euros com vencimento em janeiro de 2015, mas foi obrigada a subir o bônus para 2,89%, superior aos 2,44% do último leilão realizado no mês passado. Outra emissão de 973 milhões de euros em títulos para outubro de 2016 tiveram bônus de 4,31% ante 3,37% pagos no mês anterior. E finalizando, para rolar 489 milhões de euros com vencimento em outubro de 2020 a Espanha teve que subir o bônus para 5,33%, acima dos 5,15% pagos na última rolagem deste título em 15 de setembro de 2011.

8 comentários:

  1. Tentei postar ainda pouco mas deu erro.

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    1. Lord Caçador,

      Talvez seja por causa do fluxo de vistas do horário. Tente novamente, se puder

      Abcs,

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  2. FI,

    O PT não deixa aumentar a gasolina e a Petrobras que fica com o prejuízo.

    Agora o BB é obrigado a baixar o spread na marra.

    E o pequeno investidor que acredita nestas empresas vai levando a pior.

    Me pergunto como os estrangeiros investirão aqui com essas intervenções. Será que essas mudanças não acabarão por espantar os investidores estrangeiro?

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Sir Income,

      Sem dúvida. Um dos principais pontos que os estrangeiros observam é a estabilidade política e econômica do país para o qual pretendem enviar recursos. Quanto mais intervenções (seja ela no câmbio, no mercado, nos ativos, etc), mais receio os investidores terão ao entrar aqui. Isso gera um impacto à longo prazo e exigirá todo um trabalho a ser feito para recuperar parte desta confiança.

      No caso de empresas onde o sócio majoritário é o Estado, sempre haverá esse risco de intervenções na administração da empresa em prol da política pública. O próprio ativo acaba ficando com múltiplos baixos, como no caso do BB, por ter este risco embutido no preço.

      Para os acionistas do BB, é uma péssima notícia. Para o país é uma ótima notícia. O banco terá de aumentar tarifas (e criar novas), aumentar a meta para vender produtos lucrativos tais como capitalizações, seguros, etc. para tentar não reduzir tanto assim o LL no final do exercício.

      Abcs,

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  3. Olá, viu os dividendos da Petro?? R$ 0,12 por ação é muito pouco, creio que os ativos vão se ajustar ao novo patamar, será que chega proximo das minimas de 2008?? Usim5 tá na briga p/ não perder os R$ 11,70, perdendo compra passagem p/ os R$ 10,xx, esse movimento lateral ao meu ver é acumulação dos players, vou junto com eles tbm;
    Ivan

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    1. Pelo site do fundamentus está pagando 4,9% a.a. Valor muito baixo, mas também porque é uma empresa em expansão, com investimentos pesados, o DY fica baixo mesmo. O problema da petro é você ter que aturar o sócio majoritário (governo). Ela não entra nem no meu radar por este motivo.

      Se o movimento for de acumulação vai estourar pra cima. Eles acumulam (compram), batendo na venda para controlar o preço. Quando acumulam o suficiente soltam as rédias na venda e o papel sobe. O inverso seria uma distribuição, isto é, distribuir o papel (desfazer).

      Abcs,

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  4. Pior que participei do IPO da Petro e agora tô casado com ela. Também tenho ações do BB mas vejo como situações distintas. O problema do spred no Brasil teria que ser enfrentado e a instituição pode ganhar em escala.
    Agora o pre-sal e parecido com o segredo do abismo e pode levar muita gente pra esse abisal.

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    1. Se serve de consolo muita gente ficou travada nesse IPO da Petro.

      Sim, o BB pode até aumentar sua receita (improvável, porém não chega a ser impensável com uma estratégia agressiva de vendas) mesmo com a redução do spread, já que poderá captar bons clientes de outras instituições financeiras (a saber que as boas condições de financiamento serão concedidas somente para os bons clientes) e ganhar com tarifas, venda de produtos/serviços bancários, captação de recurso via investimentos, etc.

      Tudo vai depender da estratégia adotada pelo BB e de como será a redução dos juros no Itaú e Bradesco.

      Abcs

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