quarta-feira, 25 de abril de 2012

Redução da inadimplência e spreads bancários é história de pescador

O Banco Central divulgou hoje dados importantes sobre a inadimplência no Brasil. No mês de março deste ano a inadimplência média nas operações de crédito fechou em 5,7%. Em fevereiro a inadimplência estava em 5,8%. Estes números mostram uma certa acomodação no nível de calote (que continua alto). O ideal é que este número seja reduzido para abaixo de 5%, pelo menos.

Mas isso está longe de acontecer e o mercado não gostou. Segundo o próprio Banco Central, a taxa de inadimplência não deve arrefecer tão cedo. Outro fato preocupante é que o calote no financiamento de veículos, um dos mais comuns e que já era recorde em fevereiro, voltou a subir no mês passado e agora já atinge 5,7% das operações, registrando nova marca histórica.

Segundo Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, a inadimplência nesse patamar é algo que merece atenção. A recente “redução dos spreads bancários”, conforme inúmeras propagandas na mídia, não chegaram a aparecer com a mesma intensidade nos contratos de créditos/financiamentos junto aos bancos. Uma redução nos spreads bancários, na prática, poderia contribuir para impedir o avanço da taxa de inadimplência.

Houve uma pequena redução no indicador que mede em pontos percentuais o spread bancário de todas as operações de crédito livre no Brasil. O índice passou de 28,5 pontos em fevereiro para 28 pontos em março. “Gigantesca” redução de 0,5 ponto percentual. Este é o resultado real da redução do spread bancário no Brasil, depois de tanto estardalhaço feito na mídia. E por incrível que pareça o spread bancário está mais alto do que o registrado em janeiro deste ano, de 27,8 pontos.

Ações do sistema financeiro fecharam em forte queda com estes dados recentes da inadimplência no Brasil. O Banco Itaú ainda aumentou o seu PDD (provisões com devedores duvidosos) para o segundo e terceiro trimestres deste ano. Isto significa que o nível de calote no banco deverá aumentar ainda mais no curto prazo. Com a pressão dos bancos, que possuem grande peso no índice, o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,36% com giro alto de 7.7 bilhões. Alguns players provavelmente acertaram posições na Vale e Itaú. OGX e algumas siderúrgicas ficaram por conta de fazer o contrapeso no índice.


O candle de fechamento foi um spinning top, que indica indecisão acima da linha de suporte de curto prazo nos 61.3k. Está próximo de indicar a próxima pernada com uma possível perda definitiva desta região suporte ou rompimento da LTB.
  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones conseguiu romper sua LTB e linha central de bollinger virando o jogo no curto prazo. 12.8k é um fundo ascendente dentro de uma pernada iniciada em 12.7k. O rompimento dos 13.1k carimba a passagem para o índice visitar a região dos 13.3k.


19 comentários:

  1. boa noite FI.

    na sua opiniao,vc acha q vai buscar os 60k essa semana ainda?


    obrigado.

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    1. Boa noite!

      Acho que tudo vai depender desta linha dos 61.3k. Se conseguir aguentar aí tudo bem, mas se perder de novo não vai ter jeito, vai dar abertura de posições vendidas.

      Abcs,

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  2. FI,
    qual a sua visao de curto prazo para os bancões?
    Abs

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    1. É bear. Mas se for vender tem que ser rápido porque os papéis estão socados no chão, quando repicar pode ser forte. Por isso o controle de risco tem que ser mais apertado.

      Abcs,

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  3. Na verdade é pra value... mercado está overreacting.

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    1. Bancos?

      Em promoção não tem. Mas caros não estão. A queda pode ter sido exagerada para uns e insuficiente para outros. Aí vai depender da opinião de cada investidor.

      Abcs,

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  4. FI,

    Ontem eu tava desconfiado que a OGXP3 iria repicar! Lembra que te perguntei ontem? Tomara que tenhamos uma mudança na tendência o mais breve possível...

    Abraços!

    Carlos

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    1. Carlos,

      Lembro sim! Você entrou? Movimento bem limpo no papel, com aquele fundo confirmado em 12,70 que havíamos comentado, repicou forte.

      Abcs,

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  5. Deixa eu ver se eu entendi...

    "Houve uma pequena redução no indicador que mede em pontos percentuais o spread bancário de todas as operações de crédito livre no Brasil. O índice passou de 28,5 pontos em fevereiro para 28 pontos em março. “Gigantesca” redução de 0,5 ponto percentual. Este é o resultado real da redução do spread bancário no Brasil, depois de tanto estardalhaço feito na mídia. "

    Então a redução de 0,5% de março em relação a fevereiro foi o "resultado real" da redução do spread bancário que aconteceu EM ABRIL, é isso? A decisão do PRESENTE modificou um resultado PASSADO?

    Boa, champs... rs...

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    1. Eita! rsrs... escrevi muito rápido ontem e não me atentei para isso. Vou dar uma verificada novamente nas datas pois realmente não batem.

      Obrigado!

      Abcs,

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  6. Olá FI, é ai que está o problema, se o indicador não baixou significa justamente o que venho dizendo, os bancos privados vão ser altamente prejudicados pois os públicos realmente diminuiram os spreads, bom pra quem está de fora pois teremos bons ativos com preços atraentes, isso numa visão de médio-longo prazos..
    Ivngomes

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    1. Ivngomes,

      Teria que ter um indicador de spread separando os públicos dos privados. A primeira vista esta redução do spread não é tudo aquilo que falaram nas propagandas.

      A inadimplência bateu em cheio nos bancos. Nível é contornável, mas não está baixo.

      Abcs,
      Abcs,

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  7. FI,

    Você acompanha o fundo imobiliário FAED11B? Se sim, o que acha?

    Abraços,
    Sir Income

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    1. Sir Income,

      Este não está no meu radar. Sei que é pra locação do Grupo Anhanguera Educacional. Imóvel de um inquilino. Este preço de 132,00 a cota não está muito convidativo. Posso estar errado mas achei bem caro.

      Abcs,

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  8. Se tem algo que aprendi, é a não fazer venda na Vale. Nem que apresente balanço decepcionante!! =) Acho que usam a Vale pra segurar o Ibov.
    Carla

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    1. Carla,

      Brincar no playground dos palyers é complicado rsrs.. Olha que coisa estranha no gráfico de 60 minutos. Abriu em GAP, fechou e superou. Santa volatilidade. Estão mandando e desmandando por lá.

      Abcs,

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  9. FAED11 realmente está cara em 132, talvez 125 valha uma entrada. Nao esquecer que é um único inquilino o que aumenta o risco, vide caso do NSLU11B.

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  10. Paulo Simões Diniz5 de maio de 2012 20:44

    Inadimplência: Os números do Banco Central não batem com os números dos bancos. Parece que um dos lados ou ambos estão escondendo algo nos cálculos. Seria possível um grupo independente - professores de Universidade sem vínculos com a área financeira e com o governo - ser criado e fazer este tipo de cálculo para ficar mais visível para a sociedade?

    Se a inadimplência realmente estiver subindo, a redução de juros poderá ser apenas sonho de uma noite de verão. Cai hoje e sobe amanhã. Ou, bancos privados direcionam seu crédito para os clientes mais seguros deixando aos bancos estatais operar a faixa de maior risco. Resultado: bancos privados mantém seu lucro intacto, estatais tomam prejuízo e, no limite, o contribuinte paga a conta pela injeção de capital da União. Já aconteceu no passado quando o governo federal socorreu o BB pelos prejuízos nos empréstimos á agricultura.

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  11. Paulo Simões Diniz5 de maio de 2012 20:45

    Spread: novamente cálculos do governo não batem com os bancos. Ambos tem interesse em esconder os números e jogar a seu favor. Bancos não querem deixar visível seu lucro em cada modalidade de crédito. Governo não quer abrir para a sociedade o quanto de imposto ganha sobre a intermediação financeira porque provavelmente são valores bem altos em relação ao exterior.

    Diferença de spread é basicamente um cálculo matemático, creio que não haja incertezas no cálculo tipo estimativa, probabilidade, etc. Se houvesse interesse de ambos, os dados poderiam vir a público. Mas custo de um bem ou serviço não é algo que costuma ser divulgado em nenhum setor. Então, ficamos como estamos.....no blá-bla´-blá....

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