segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A rodada dos bancos centrais


A segunda-feira de baixo giro financeiro e pouca oscilação nas praças mundiais tem uma explicação. O mercado está de olho nas decisões ou indicações dos principais banqueiros centrais mundiais que deverão sair nesta semana. Nos Estados Unidos o presidente do FED (Federal Reserve), Bem Bernanke, fará um discurso no dia 31 de agosto ao término do simpósio anual da autarquia de Kansas City.

A mídia continua inflando a expectativa dos investidores quanto à nova rodada de estímulos econômicos (quantitative easing 3). Portanto a fala de Bernanke será rigorosamente avaliada pelo mercado (por esta expectativa criada pela mídia), apesar das indicações mais do que suficientes na ata do FED. Provavelmente não haverá anúncio de novas medidas de estímulo.

Na Europa há expectativas de que o BCE (Banco Central Europeu) apresente um plano de compra de títulos da dívida pública no início do mês de setembro. O ministro de finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que irá desenvolver propostas juntamente com a França (através da criação de uma equipe de trabalho entre os dois países) para uma união bancária, fiscal e monetária na zona do euro.

No Brasil teremos reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) nos dias 28 e 29 de agosto, onde será divulgada a nova taxa selic (atualmente em 8,00% ao ano). É praticamente certo que seja anunciado um novo corte na taxa básica de juros, mas o mercado ficará de olho no documento que será divulgado após o encerramento imediato da reunião do Copom para encontrar indicações do término da política de afrouxamento monetário (encerramento do ciclo de cortes na taxa de juros).

Neste ritmo de espera/expectativa pelos bancos centrais, as bolsas de valores oscilaram pouco na abertura da semana e tiveram um dia de pregão praticamente inexpressivo. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou a segunda-feira em leve queda iniciando a perda da linha central de bollinger a ser confirmada amanhã.

  
No Brasil o índice Bovespa também iniciou movimento de perda da linha central de bollinger, mas não mostrou confiança devido ao baixo número de negócios. Caso esta linha seja realmente perdida, a região de suporte em 57.6k ficará mais vulnerável ao rompimento pois o movimento acionará um pivot de baixa nos gráficos intradays.


13 comentários:

  1. FI, se o BB não anunciar o QE3 (o que é mais provável) vc acha que as bolsas vão derreter?

    Um abraço.

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    1. Eike Rico,

      Dow Jones e S&P500 estão em pontos perigosos, mostraram sinais de esgotamento e iniciaram movimento de correção. Acho que vai continuar caindo independente do que o Bernanke falar. Não vai ter anúncio de QE3, a prévia do PMI nos EUA veio muito boa mostrando sinais de expansão na atividade industrial. As empresas de lá continuam reportando balanços muito bons também (aprenderam a ser eficientes e uma consequência disso foram as demissões, por isso nível de desemprego dificilmente voltará a ficar tão baixo).

      Abcs, bons trades

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  2. Dia 09 de agosto, postei um comentário dizendo que estava de olho em SUZB 5 devido aos fortes sinais gráficos que ela apresentava, os quais demonstravam que seus maus fundamentos já estavam precificados. Pois bem, entrei nela a 4,10R$ E SAÍ A 4,65R$. Ganhar 13% em duas foi maravilhoso. Este foi um bom exemplo de como uma ação com maus fundamentos pode gerar bons lucros em trades curtos.

    Dia 9, eu postei comentário como esterco da bolsa, pois me atrapalhei na hora de escrever. Mas adubo e esterco são coisas que fazem crescer. Esta é a idéia da minha identificação!

    Bons trades a todos!

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    1. Adubo da bolsa,

      Eu me lembro muito bem deste comentário. Fico feliz por ter conseguido arrancar uma boa rentabilidade em um papel de risco alto (fundamentos). Parabéns! Foi um ótimo trade!

      É isso aí! Sua estratégia parece estar bem afiada

      Abcs, bons trades

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  3. Com a selic a 7.5% a poupança dará quanto ao mês?


    Vamos ver se é desta que o povo acorda e vê que a poupança é supervalorizada e começa a procurar outras formas de investimento, quem sabe até entrando na bolsa de valores!! (foi justamente por este motivo que entrei na bolsa)

    Se a mídia ajudasse o povo a escolher o que é certo, iria mostrar os prós e contras de todo o tipo de investimento... mas parece que a mídia só quer saber de falar da poupança o.0

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    1. Forreta,

      A nova poupança rende 70% da taxa selic + TR.
      A antiga poupança rende 0,50% ao mês + TR.

      Com selic a 7,5% a poupança antiga (quem diria) será a melhor opção em renda fixa. Sinal de que o mercado está péssimo para investimentos em renda fixa, pois a rentabilidade é muito baixa.

      Pra fazer a carteira de investimentos manter uma boa rentabilidade o investidor terá que procurar o risco dentro ou fora do mercado financeiro. Acontece que a maioria das pessoas não estão preparadas para buscar este risco no mercado financeiro (principalmente visando operações curtas) e portanto, em alguns casos, a solução é colocar o dinheiro pra "trabalhar", ou em outras palavras, empreender.

      Abcs, bons negócios

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    2. Forreta, bolsa de valores pra massa no Brasil?? dúvido, pois já conversei com muita gente ( que não está na bolsa) e quase fui apedrejado por "apostar no cassino" na visão deles. O Brasileiro na sua grande maioria não tem educação financeira pra entrar na bolsa. Um exemplo, uma vez estava numa palestra sobre como juntar uma grana em 20 ou 30 anos, depositando todo mês um pouco. Tinha um cara do meu lado que falou, "nossa 1 milhão daqui 2o anos, nem vale a pena juntar, vai demorar muito, prefiro gastar agora comigo." È mais ou menos assim que a maioria pensa.
      Ivan Carlos

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    3. Penso igual. A queda na Selic e a piora na rentabilidade da poupança estimularão o consumo (ou consumismo?) e, consequentemente, a inflação. Um país que não poupa não evolui,
      Preparem-se para mais um voo de galinha e nova elevação da inflação e dos juros ali na frente.
      Brasileiro não é japonês para botar dinheiro para render 0,25% ao ano.
      Insider do VR.

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    4. Ivan Carlos,

      O nível da educação financeira é baixo, infelizmente. Mas pior do que isso é ver como o mercado está cheio de pessoas que se dizem "especialistas" ganhando dinheiro vendendo fórmulas mágicas, sonhos e informações de baixíssima qualidade. A maioria cai na tentação de vender a ilusão do enriquecimento dentro do mercado financeiro e pior, adotando uma postura conservadora. Na minha opinião, fazer um cálculo para acumular 1 milhão em 20/30 anos sem descontar a inflação é um crime financeiro.

      Abcs, bons negócios

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    5. Insider do VR,

      Japão é um país de economia deflacionada, as oportunidades de negócio, bem como o mercado financeiro é bem diferente do nosso. Além do mais a maioria dos fundos japoneses não se limitam ao mercado interno, são bem conhecidos por sua atuação no mercado de câmbio internacional e da dívida pública.

      A inflação (descompasso entre oferta x demanda) pode ser controlada através dos incentivos à cadeia produtiva, simples assim. Não há necessidade de nova elevação abrupta nos juros se a oferta (produção) acompanhar o aumento da demanda (consumo). É isso que o governo pretende fazer, mas para isso precisa melhorar as condições de negócio que ainda são muito ruins aqui dentro.

      O superávit primário é a prova de que há recursos disponíveis para investimento público, o governo precisa fazer sua parte e investir mais na infraestrutura (melhora, em partes, as condições de negócio), assim acaba atraindo o investimento privado.

      Abcs, bons investimentos

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  4. Eu já acho que esse $ vai continuar onde está. Não sai para a bolsa e nem para o empreendimento (uma pena). Em geral o brasileiro não liga para que seu $ renda pouco, para a maioria uma inflação de 6% é baixíssima (culpa dos anos 80-90) e assim a ilusão da poupança continua.

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    1. Li em algum lugar que a dificuldade do brasileiro em poupar está ligada principalmente a dois fatores históricos: o primeiro é que somos um país bem afortunado em recursos naturais, quase sem variação de estações do ano. Em países onde existem invernos rigorosos, a população é obrigada a poupar na época da fartura para enfrentar a estação difícil. Isto acaba criando uma mentalidade de que é preciso poupar. Se bem que o capitalismo selvagem está destruindo esta mentalidade ultimamente. E o segundo fator diz respeito ao fato da maioria da população brasileira ser descendente de negros escravos. A escravidão fez este povo não ter perspectiva de futuro, logo pra que poupar. Quando foram libertos, acabaram sendo marginalizados e sua perspectiva era apenas de conseguir sobreviver. Consequentemente, seus descendentes foram adquirindo esta mentalidade de pensar só no hoje, na sobrevivência. Além disso, tivemos também uma inflação enorme no Brasil, que gerou nas pessoas uma mentalidade de gastar logo antes do dinheiro perder o valor.

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    2. O investidor que não faz questão de acompanhar o mercado vai correr o risco de perder dinheiro poupando (inflação real), se não alterar sua postura de investimento conservadora.

      Eu acho que isso já está acontecendo, não para a massa, mas para os que estão antenados no mercado. A demanda por locação comercial subiu muito (reflexo nos preços dos alugueis), os centros comerciais se multiplicaram nas grandes, médias e até pequenas cidades, o número de empresas franqueadoras disparou, e por fim podemos observar que recentemente aumentaram o número de fundos de venture capital (que investem na fase inicial de um empreendimento).

      Abcs,

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