sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ICB-Br carimba a retomada brasileira


O ICB-Br (Índice de Atividade Econômica) divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil confirmou em números o início da fase de retomada da economia brasileira. O índice fechou o mês de junho com uma alta de 0,75% na comparação com o mês anterior. Esta é a maior alta em relação ao mês anterior nos últimos 15 meses e marca o início de uma nova fase para a economia do país.

O crescimento econômico brasileiro ficou bastante comprometido a partir do processo de desaceleração iniciado no segundo semestre do ano passado. A recente redução expressiva da atividade econômica observada durante o primeiro trimestre deste ano é conseqüência deste processo de desaceleração que parece ter chegado ao fim.

Esta nova fase da economia brasileira está mostrando sinais de mudanças para atrair cada vez mais fluxo de capital empreendedor. A própria redução da taxa básica de juros (de 12,50% para 8% em menos de um ano), derrubou o rendimento real das carteiras de investimentos e vai forçar os investidores a procurarem novas alternativas de ganho (estamos batendo nesta tecla há algum bom tempo). Muitas destas novas alternativas estão fora do ambiente de mercado financeiro e fortemente presente no setor varejista da economia real, que por sinal é uma das opções empreendedoras mais simples de serem executadas.

O número do ICB-Br, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) e parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses é bastante animador para os investidores que pretendem "colocar o dinheiro para trabalhar na economia". Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (criação de 142.496 novos postos de trabalho no mês de julho) continuam mostrando aumento de emprego e renda da população, causando um impacto direto no aumento do consumo das famílias. Por fim, o programa do governo para estimular a atividade econômica (Programa de Investimentos em Logística que prevê a aplicação de R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias e ferrovias federais - um dos nossos grandes gargalos) é um pequeno e importante passo rumo à redução dos custos absurdos que atingem em cheio o setor produtivo.

O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, afirmou que a economia brasileira está em pleno processo de recuperação e que o poder executivo está atento aos desafios deste avanço nos próximos anos. "O governo brasileiro tem ampla agenda para aumentar a competitividade e produtividade da economia", disse.

Após a deterioração da imagem do governo perante aos investidores com as inúmeras, e muitas vezes atrapalhadas, medidas de intervenções no câmbio e tentativas de reaquecimento da economia, parece que enfim acertamos o alvo entre tantos disparos. O caminho do crescimento exige maior investimento público e privado na economia, porém as condições de negócio devem ser minimamente favoráveis para atrair o capital privado. Parece que agora sim o governo começa a trabalhar para melhorar o ambiente de negócios no país.

No mercado financeiro pode-se observar uma diferença entre os desempenhos dos principais índices mundiais. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones fechou mais uma semana em alta atingindo a forte zona de resistência em 13.3k. Esta linha representa a máxima do ano e ponto de pivot no médio prazo, portanto pode-se esperar um aumento da pressão vendedora nas próximas semanas.


No principal mercado europeu o índice DAX (Alemanha) fechou a semana com uma boa alta, a sexta consecutiva, e conseguiu passar pela LTB que vem do topo em 7.6k. Este movimento foi importante para manter o bom desempenho do índice no médio prazo, mesmo com o aparecimento de uma correção de curto prazo. O desempenho dos mercados europeus nos últimos meses é digno de bull market, mal pode-se dizer que o continente passa por uma grave crise estrutural desde a criação do euro.


Em compensação o movimento inverso pode ser observado na China, o motor do crescimento mundial. O índice da bolsa de Xangai voltou perigosamente para  a principal linha de suporte no médio prazo (região dos 2.1k) e está perto de perdê-la, o que acionaria um pivot de baixa piorando ainda mais a situação do índice no médio e longo prazo.
 
  
No Brasil o índice Bovespa fechou esta semana com um doji de indecisão colado na média móvel simples de 200 períodos semanal. Isto significa que o mercado não confirmou o rompimento desta linha importante (mesmo ponto por onde passa uma LTB secundária) e soltou um possível sinal de topo no curto prazo que depende de confirmação na próxima semana.


Bom pessoal vamos encerrando por aqui nossas atividades. A todos um ótimo final de semana e até segunda-feira!

Posts da semana:


24 comentários:

  1. ICB-br subindo e inflação subindo. Focus deve vir com alta nos juros.

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    1. Sir Income,

      Também acho que o Focus deve aumentar a projeção de inflação. Mas acho que não vai fazer diferença para o governo, a meta de 4,5% está só no papel, o foco continuará sendo o crescimento.

      Abcs, bom final de semana!

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  2. Tá difícil de atravessar essa média móvel, viu?

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    1. É meu caro, pra você ver como essa média é importante. Deve ter muito gestor de fundo sonhando com ela nesse momento rsrs..

      Abcs, bom final de semana

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  3. Esse gráfico do DAX é pra qualquer ficar maluco mesmo? como pode a bolsa lá subir tanto estando a Europa em crise, pra vc ver que economia e bolsa são dois mundos distintos que as vezes se cruzam, incrível. Qualquer leigo que olhasse esses gráficos diria que a crise está na China.
    abraços.
    Ivan Carlos

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    1. Boa noite, pessoal.
      Então Ivan Carlos, sobre o teu comentário, concordo que o troço é intrigante. Principalmente para os leigos. O que temos que lembrar é o fato de que a bolsa tenta precificar o futuro. Logo, parece mais provável a recuperação da Europa do que a China continuar sendo o negócio da china que tem sido nos últimos anos, crescendo 10% a.a. Se eu que sou semi-leigo vejo isso, pense nos donos do dinheiro o que enxergam. Por isso a necessidade de aprender a pensar diferente da massa para ter algum sucesso no mercado. Ainda tenho sofrido neste aprendizado, mas cada vez menos.
      Abraços.
      LFB

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    2. Ivan e LFB, eu já desisti de tentar entender o mercado. O que eu faço é aproveitar oportunidades.

      Dois abraços. kkkkkkkkkk

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    3. Ivan Carlos,

      Exatamente. Bolsa é uma coisa, economia é outra. Ambas sofrem influências uma da outra, mas isso não significa necessariamente que uma deve seguir a outra.

      Abcs, bom sábado!

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    4. LFB,

      É importante também para mostrar que o mercado aceita tudo. Veja esse gráfico de longo prazo da bolsa de Xangai:

      http://www.financasinteligentes.com/2012/03/um-passeio-mundial-pelos-graficos.html

      Houve uma forte valorização dos ativos até o período das olimpíadas e início do crash nos EUA, o investidor que não realizou lucro em 2007 está literalmente quebrado. Curioso é que somente recentemente a China começou a mostrar sinais de desaquecimento no PIB porém o índice está corrigindo há mais de 5 anos. Deve-se destacar também que os custos de produção aumentaram na China e consequentemente o lucro das empresas é menor. Aumento de salários, maiores reivindicações trabalhistas, virada no câmbio, etc. Tudo isso pressionou os fundamentos.

      Abcs, bom final de semana!

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    5. Eike Rico,

      É isso aí. No final das contas o que importa mesmo é tirar dinheiro do mercado rss.

      Abcs, bom sábado!

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  4. Olha, de boa intenção o inferno esta cheio. Concordo que o anuncio de investimentos em infra estrutura foi um passo à frete porém sabemos as dificuldades para implementar tais ações então prefiro aguardar.
    A inflação me preocupa mas não creio que vá haver uma reversão da tendência em relação à selic, ou seja, creio que, pelo menos, esse ano ela vai continuar caindo.

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    1. Sandman,

      Confesso que este pacote de infra estrutura me agradou muito. Até que enfim acertaram um chute acertou o gol. Realmente as dificuldades para implementação serão grandes, mas é aí que o governo vai ter que mostrar para os investidores se está realmente comprometido ou não. Precisa fazer isso para atrair o capital.

      A inflação infelizmente vai continuar pressionada, vamos fechar mais um ano fora da meta (que por sinal só está funcionando na teoria). É um sacrifício perigoso (porém neste ótica ele é válido) para incentivar o crescimento, espero que o BC esteja convicto em suas projeções e preparado para agir caso algo fuja do controle.

      Abcs, bom descanso!

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  5. Mas o intervencionismo do governo é terrível na economia não vejo acerto do governo nisso.

    O ambiente de negócios nunca esteve tão ruim, as regras estão sendo desrespeitadas direto, bravatas do governo, etc.

    O que tá rolando é que o afrouxamento monetário da taxa de juros e a colocação de grana na economia feitas antes começarão os efeitos na economia agora porque é tem aquele delay mesmo.

    Vôo de galinha de novo

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    1. Pobretao,

      Depende dos setores. Alguns sofrem mais com o intervencionismo, outros sofrem menos. O mesmo ocorre com o ambiente de negócios. Por exemplo, para você investir no varejo o ambiente de negócios está bom. O governo quer porque quer aumentar o PIB via consumo das famílias, então ele incentiva cada vez mais as pessoas aumentarem o gasto. Quem se beneficia com isso é o varejo. O melhor setor da economia para investimento na minha opinião, com boas possibilidades de retorno total do investimento em 2 anos. Será que o seu "ALL IN" dobraria o seu capital em 2 anos?

      Abcs, bom final de semana!

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  6. FI
    Apesar do ICB-Br publicado pelo BACEN ter fechado em alta em junho/12, acho que ainda é cedo para maiores comemorações, pois se observarmos o PMI Gerente de Compras HSBC – Markit para o Brasil, constatamos que no mês seguinte, (julho/12), continuou fechando em baixa indicando mais contração na economia ao atingir a taxa de 48,9 recorde de baixa em 10 meses. Você poderia comentar? Abraços e parabéns pelas análises.

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    1. Olá Anônimo,

      Boa pergunta. O índice PMI Gerente de Compras mede a atividade no setor manufatureiro. Aí é "outro mundo", desaceleração, custo alto de produção, mão de obra escassa e desqualificada, tributação elevadíssima, enfim péssimas condições de negócio. Pode aparecer alguma melhora tímida na atividade a partir deste segundo semestre sob efeito da desoneração de impostos em alguns setores e aumento do consumo das famílias. Mas ainda sim, produzir no Brasil continua sendo uma atividade heroica. Muitas fábricas se tornaram centros de distribuição porque é simplesmente muito mais vantajoso ($$$). Vamos ver se isso começa a mudar daqui pra frente com esta nova postura do governo.

      Abcs, bom descanso!

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  7. Esta semana soube de uma notícia que me deixou em estado de alerta em relação a esta alta recente. O nível de endividamento dos EUA está muito próximo do limite que o congresso americano aprovou. Provavelmente em outubro este limite será atingido e o presidente Obama terá que conseguir junto ao congresso um novo aumento no limite do endividamento. Só que estaremos numa fase crítica das eleições presidenciais por lá. A oposição provavelmente vai endurecer pro Obama e barrar um novo aumento de endividamento.

    Isto vai gerar incertezas no mercado como as que ocorreram em agosto do ano passado, quando a nota de crédito dos EUA foi rebaixada e tivemos um crash nas bolsas de valores. O Dow Jones, se continuar subindo, deve chegar ao seu topo histórico justamente quando esta discussão vir à tona. Em topos históricos a força vendedora aumenta bastante. Com uma notícia desta então ... Se as bolsas dos EUA começarem a cair, as bolsas européias se lembrarão que a situação por lá está horrível e que as altas das últimas semanas não tinham um fundamento muito forte. E o que é que geralmente ocorre nestas situações? Precisa responder?

    Antes de saber disto, postei um comentário esta semana achando que neste segundo semestre ou ficaremos lateralizados ou subiremos. Agora eu retiro o que falei. Até o fim deste ano só farei trades curtos. Talvez até possamos continuar subindo nas próximas semanas. Mas quando a manada souber deste debate do endividamento dos EUA, em meio a um período eleitoral, com nossas empresas dando prejuízos fortes e a situação macroeconômica frágil, o que será que a maioria vai fazer?

    Este comentário não é para desanimá-los, mas para alertá-los dos riscos. Fiquemos atentos pra que lado os grandes fundos do mercado vão, para podermos surfar as ondas certas.

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    1. Adubo da bolsa,

      Bem observado. O limite de endividamento dos EUA vai ter de ser elevado novamente, como sempre aconteceu no passado, mas com a proximidade das eleições a economia infelizmente vai acabar sendo um joguinho político entre os partidos. Dow Jones e S&P500 esticados perto de resistências históricas importantes + volatilidade baixa + eleições americanas com endividamento elevado + rally dos índices europeus... realmente é muito mais seguro continuar focando apenas em operações mais curtas. É o que estou fazendo há bastante tempo e também devo continuar assim.

      Abcs, bom final de semana!

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  8. FI, Por favor você tem um link para que a gente possa acompanhar o gráfico do ICB-Br do BACEN. Se tiver você pode me fornecer? Antecipadamente agradeço.

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    1. Anônimo,

      Essa eu vou ficar te devendo. Não tenho o gráfico e não consegui achá-lo na página do BC. Pode ser que achamos nos boletins de análise de algum banco, se alguém souber..

      Abcs,

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  9. Institucionais passaram a bola para os estrangeiros?

    http://www.dadosdabolsa.com/Investidores%20Bovespa

    Só falta PF entrar? rs

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    1. Sir Income,

      Estrangeiros movendo a bolsa pra variar. Acho que foi movimento de acerto com o índice futuro. E a massa (pessoa física) sempre do lado errado. Saíram da bolsa nessas últimas semanas, com ibov disparando.

      Abcs, bons negócios

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    2. Eu fiquei super surpreso com o tamanho do volume estrangeiro do dia 16 de agosto: saldo de mais de um bilhão. Vamos aguardar o que os gringos farão nos próximos dias. De olho!

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    3. Isso aí. Estou de olho também nos 60 minutos. LTB curta x LTA longa, está bem espremido.

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