segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma força alheia à vontade do Banco Central


O boletim Focus desta segunda-feira revela um detalhe preocupante em suas rotineiras projeções. Pela quinta semana consecutiva o mercado elevou as projeções de inflação para este ano. As projeções subiram de 4,87% (há quatro semanas) para 5,11% de expectativa sobre o fechamento do IPCA 2012, divulgado hoje.

Parte deste aumento, nas projeções de inflação, está sendo influenciado pelos fatores climáticos. O clima seco nos Estados Unidos, chuvoso demais no Brasil e um verão muito quente na Rússia, está prejudicando a cadeia de produção de alimentos e aumentando os preços ao redor do planeta. Somente no mês passado o índice para preços de alimentos da ONU subiu 6%, em sua maior alta desde novembro de 2009.

Este não é um bom momento para uma inflação global de alimentos, já que os bancos centrais de vários países estudam novas medidas de incentivo à economia. Estas (possíveis) medidas dos banqueiros centrais acabariam pressionando ainda mais os índices de inflação. É o efeito colateral do remédio chamado afrouxamento monetário.

A inflação dos alimentos seria danosa também para o Brasil, que projeta uma “tímida” retomada no crescimento a partir deste segundo semestre. O Banco Central vai ter de lidar com um cenário de crescimento baixo e inflação elevada, limitando assim as ferramentas de afrouxamento monetário utilizadas há mais de um ano. Poderá ser difícil apreciarmos a taxa básica de juros abaixo dos 7% este ano.

Os mercados iniciaram a semana em leve baixa, respeitando as zonas de resistências importantes em diversos índices mundiais e engolindo o PIB do Japão de 0,3% no segundo semestre (metade do que era esperado pelos analistas).

O índice Dow Jones continua exibindo sinais de fraqueza para continuar subindo no curtíssimo prazo. São 6 pregões consecutivos de testes sobre a região dos 13.2k (resistência que a princípio não existia, foi criada pelo mercado) sem rompimento. Sinal de que o mercado está se arrastando, em posição para abertura de operações vendidas, porém a patada do urso ainda não apareceu.

  
No Brasil o índice Bovespa fechou o pregão desta segunda-feira em leve baixa deixando mais um candle de indecisão abaixo da média móvel simples de 200 períodos diária. A LTA de curto prazo iniciada em 52.5k poderá ser testada amanhã, o seu rompimento será decisivo para entrada de operações vendidas em maior peso na Bovespa.


12 comentários:

  1. Olá FI, bem vindo de volta !
    Ainda não havia postado por aqui depois que vc voltou, então vamos lá;
    Desde começo de julho que eu tou com posição montada nas minhas 4 queridinhas (alll, elpl, ggbr e csn), esperando o rompimento dos 60000 pontos que não chega. Mas paciência, tenho que ser fiel à minha estratégia. Pra mim, o Ibovespa já caiu o que tinha que cair, e esse retangulo formado aí é zona de acumulação...

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    1. a proposito FI, esqueci de dizer quem eu era, mas acho que vc já sacou pela minha carteira; anonimo da alll !

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    2. Grande anônimo da alll!

      Obrigado! Ah eu lembro sim! Você pegou o mercado no timming perfeito, perto dos 52.5k. Agora é só administrar o lucro, sua situação é bastante confortável, joga um stop (pra garantir pelo menos uma parte do lucro) e deixa o mercado resolver o quanto você vai ganhar.

      Ibovespa está muito bem desenhado pra continuar subindo, acho que o maior peso técnico nesse momento está na matriz. Dow Jones e S&P500 estão bem esticados e perto de zonas de resistências importantes até para o longo prazo.

      Abcs, bons trades

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  2. FI, hoje o dia foi muito estranho. Parecia um touro bravo o Ibovespa. Uma hora está subindo, depois caindo... e foi esse ziquezague o dia inteiro... Isso não pode ser sinal de algo?

    Um abraço!

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    1. Eike Rico,

      Sim é o sinal da força da resistência (no nosso caso a média móvel de 200) barrando a continuação da pernada de alta iniciada em 52.5k. O volume está descendente no Brasil e nas demais praças mundiais e mercados estão sobrecomprados, então todo cuidado é pouco. Pode ser uma distribuição de curto prazo.

      Abcs, bons trades

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  3. FI, compreendo que o boletim Focus seja um instrumento interessante de medição da temperatura do mercado. Acho, contudo, que ele não pode ser descontextualizado. O boletim é resultado de uma pesquisa feita com operadores do mercado. Dentro do mercado há duas forças num xadrez de longo prazo: o das viúvas dos juros baixos e um outro grupo que vê na queda dos juros a solução para reduzir a dívida>diminuir os impostos>aumentar os investimentos. O segundo grupo venceu quando baixou os juros antecipadamente; quando alterou as regras da poupança sem todo o custo político esperado; e vai vencer novamente com a queda de juros apesar das 'novas' adversidades. O boletim focus de agora é mais uma peça nesse tabuleiro. Outra é a previsão insistente de alta dos juros em 2013. Argumentos convincentes você encontra de parte a parte. A única distinção entre uns e outros é a sua escolha. Essa é a questão. A dificuldade maior aí não é econômica, é política. Eu acho.

    Abraços,
    TR

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    1. TR,

      Concordo. Foi bom você ter tocado neste assunto porque ainda vejo muitas dessas "viúvas dos juros baixos" no mercado. Esta briga já vem de muito tempo. Estou me recordando agora, quando montei o blog escrevi uma frase, que por sinal está aqui até hoje: "A economia mudou e os investidores estão sendo forçados a mudar também, foi-se o tempo das altas taxas de juros na renda fixa."

      O pessoal ficou muito mau acostumado (zona de conforto de uma carteira de investimento) com a mamata da renda fixa e alguns (inclusive analistas/economistas renomados) estão resistindo à mudança, que não é de hoje. Houve tempo necessário para todo mundo se preparar, aprender e estudar novas opções de investimento. E gosto de frisar que algumas oportunidades de investimentos podem estar fora do ambiente do mercado financeiro.

      Em um mercado tão dinâmico quanto o nosso, quem resiste as mudanças/atualizações/novas opções de negócios, acaba se prejudicando ou não sobrevivendo.

      Abcs, bons negócios

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  4. Olá FI, impressionante como só basta o mercado dar uma aliviada na baixa que muitos investidores já veem como tendência de alta, ai vem a realidade e tomam um grande prejuizo.
    Quando se rompe uma resistencia os papéis tem que andar, se não ocorre é sinal que está errado e virá o ajuste para continuar a tendência principal.
    Minha tese é simples, que fundamento tem o Ibov partir em 2002 dos 8,3K até os 74K de 2008?? Portanto recomendo muita prudência antes de qualquer decisão em investimento;
    Ivngomes

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    1. Opa! tudo bom Ivngomes?

      2002 a 2008 foi um período de alta descomunal no índice. Parte desta alta tem fundamento baseado no crescimento da lucratividade das empresas (puxado pelo crescimento da economia global), bem como o crescimento do preço (e maior demanda) das commodities. O problema é que esta alta ficou exagerada, inclusive pelos indicadores fundamentalistas das empresas. O crash iria aparecer de uma forma ou de outra para corrigir esse excesso no mercado. Hoje não vejo mais esse excesso, mas também nenhuma promoção no mercado que salte aos olhos. Isso acaba deixando o mercado extremamente técnico, abrindo espaço apenas para operações mais curtas. Podemos ver congestões no índice de curto, médio e longo prazo. Acho que enquanto não sairmos deste cenário o mercado continuará assim...

      Abcs, bons trades

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  5. Esse mês só institucional com saldo positivo até dia 08.

    Falta gás para continuar?

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    1. É meu caro, a patada do urso apareceu no Ibovespa. Havia saído e deixado o gráfico intraday aberto, com as linhas traçadas que estava acompanhando. Perdeu todas, aproveitei pra colocar este gráfico na análise de hoje.

      Abcs, bons negócios

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  6. Olá, FI! Como é de costume, muito bom post. Seguem algumas observações:

    1. Com essa redução da SELIC, que até pouco tempo atrás estava acima dos 10%, é natural que os indicadores de inflação subam, ainda que o crescimento econômico esteja em desaceleração;
    2. É improvável que tenhamos crescimento acelerado e sustentável a longo prazo enquanto dependermos tanto de capital e tecnologia estrangeiros e do consumo para "sobrevivermos";
    3. Minhas NTNB agradecem quando ocorre esse tipo de projeção =]

    Um abraço!

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