terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bovespa derrapa com bancos e siderúrgicas


O banco Bradesco anunciou ontem, após o pregão, uma redução de 50% nos juros cobrados nas operações de compras parceladas e crédito rotativo. Esta queda nos juros do cartão de crédito já era esperada, seguindo tendência de cortes iniciada pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal no início do mês de setembro.

Ainda no mês de agosto, o banco Itaú havia criado uma modalidade de cartão na qual o juro máximo também caía pela metade. Hoje, o presidente deste mesmo banco afirmou que terá taxas de juros máximas de um dígito no cartão de crédito para todos os clientes até o final do ano.

Não é novidade para ninguém, até mesmo para os que estão fora do ambiente de mercado, que o governo está pressionando os bancos para redução do spread bancário (absurdamente alto no Brasil). Uma a uma, as taxas foram sendo reduzidas em diversas modalidades de crédito e financiamento, portanto era apenas uma questão de tempo para que as taxas de juros dos cartões de crédito acompanhassem esta redução.

Apesar de tudo o mercado reagiu de forma eufórica, como se a notícia fosse uma surpresa de grande impacto. A verdade é que a notícia pouco importa, o mercado estava procurando um motivo para realização dos lucros. As ações de bancos subiram bastante nos últimos meses mesmo com o governo declarando guerra ao spread bancário. Consequentemente as margens serão reduzidas a partir de um spread menor, esta informação inclusive foi confirmada hoje pelo presidente do Itaú ao dizer que “os bancos devem apresentar rentabilidade menor no Brasil nos próximos”.

O mesmo raciocínio pode ser adaptado para as ações do setor siderúrgico. A forte queda de hoje é uma conseqüência da realização de lucros (mais acentuada) das empresas do setor, onde algumas chegaram a subir quase 100% nos últimos meses, como Usiminas por exemplo.

A notícia de que o Goldman Sachs rebaixou sua recomendação para as ações da Usiminas (de compra para neutro), além da intenção de compra da CSA (empresa do grupo ThyssenKrupp, que por sinal fechou 2011 com um prejuízo de quase 8 bilhões de reais) pela CSN, ajudaram a reforçar o clima eufórico do mercado.

Em decorrência deste aumento na volatilidade, o índice Bovespa acabou fechando o pregão desta terça-feira em forte baixa de 2,27%. A perda da linha de suporte de curto prazo em 61k armou um pivot de baixa em busca da região psicológica dos 60k e média móvel simples de 200 períodos.

  
Nos Estados Unidos o índice Dow Jones também fechou em baixa anulando os ganhos observados no início do pregão em decorrência da melhora no índice de confiança do consumidor americano (saltou de 61,3 pontos no mês passado para 70,3 neste mês). A perda do suporte em 13.5k aumentou a força da tendência de baixa no curto prazo projetando agora um pullback sobre a região dos 13.3k.


Os yields dos títulos públicos espanhóis voltaram a subir após um período de forte queda no mercado. O tesouro foi obrigado a subir os bônus dos títulos de três meses de 0,98%, do leilão anterior, para 1,25% no leilão desta terça-feira. Já nos títulos de seis meses os juros subiram de 2,1% para 2,3%. O mercado parece ter enviado um recado ao governo espanhol: formalize logo o seu pedido de socorro junto à União Europeia.

11 comentários:

  1. FI, vc ainda continua com uma visão otimista para o médio prazo, ou vc acha possível o Ibovespa derreter?

    As minhas perdas hoje foram menores que o Ibovespa (cerca de 1% da RV).

    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eike Rico,

      Sim, continuo trabalhando com a tendência de alta no médio prazo (porém no curto prazo ainda estamos em tendência de queda, fazendo as correções rotineiras). Este topo em 63.4k é o segundo topo ascendente dentro da tendência de alta iniciada a partir do fundo em 52.5k. Tendência muito bem desenhada com pivot acionado no ponto mais importante (média de 200 períodos e patamar psicológico dos 60k).

      O mercado está chegando perto do ponto onde os players poderão bater carteira dos positions ou holders que abriram compra no rompimento dos 60k. O ponto de saída dessas posições está bem abaixo desta linha. Então devemos tomar cuidado pois não é raro acontecerem traps em torno da média móvel simples de 200 períodos semanal, ainda mais quando a posição da mesma está alinhada com um importante ponto técnico no gráfico.

      Abcs, bons negócios

      Excluir
  2. Eike Eu acho que os mercados,agora com todos os bancos centrais em acção,seja dificil ir abaixo das MM 200,mas tambem vou ficar a espera do que diz o nosso cordenador FI.

    Paulo baptista

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Paulo, tu es português? ;-)

      Os Bcs mundiais estão fabricando dinheiro de monte e ele tem que ir para algum lugar... Logo seria um absurdo esse dinheiro não ir para as bolsas.

      Estamos de olho.

      Excluir
    2. Olá Paulo Baptista,

      Há de se destacar o desempenho decepcionante dos mercados emergentes, principalmente o brasileiro, quando na época o FED havia implementado o QE2. Os estrangeiros entraram no Brasil para comprar "toneladas" de títulos públicos. Mas acho que desta vez o Brasil tem a oferecer um desconto maior nos seus ativos negociados em bolsa (não estão baratos, mas em comparação com os ativos dos mercados desenvolvidos - colados no teto - estão com um certo desconto). Este "desconto" está visível também a partir do spread negativo que nós temos com Dow Jones e S&P500. Para reduzir este spread o Ibovespa teria que se descolar de Wall Street e subir sozinho, o que é difícil, mas não impossível. Lembrando que já descolamos outras vezes no passado recente (na última ocasião, o descolamento foi pra baixo).

      O problema, como disse logo acima, é que os players de mercado sabem exatamente onde estão posicionados os pontos de saída dos investidores que entraram comprando (visando um prazo maior) a partir da média de 200. Então devemos considerar a hipótese de perda da média móvel simples de 200 períodos, onde os players poderiam "bater esta carteira dos investidores". Caso a média não seja perdida, melhor ainda pra tendência de alta.

      Vamos monitorando os acontecimentos e atualizando a leitura do mercado.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  3. Sim Heike sou Portugues.Na verdade este QE3,assim como o QE2 não tem feito coisa nenhuma na melhoria das economias,o que me leva a pensar que o QE1 e a sua desenfreada subida desde 9 março 2009 foi apenas especulação financeira,mas ja se sabia o futuro proximo,bastava ouvir o famoso economista Nouriel Roubini,mas pessoas infuentes ca em Portugal sempre diziam que ele era apenas um péssimista,que apenas acertou o tiro uma vez,agora esta aqui a prova...

    Ola FI,

    Cá na Europa,ou pelo menos cá em Portugal isto vai do mal a pior,alias nem ha uma razão para esta subidas nos mercados,a menos que haja uma luz no fundo do tunel para 2013/2014,uma vez que os mercados tem tendencia a se antecipar é ai que eu posso pensar em entrar com algumas posições no mercado,mas ja nem sei se vai ser como o nikkei que anda numa banda lateral desde 2009.E os mercados EUA torna-se mais complicado,visto que estao a ser alimentados na base
    Quantitative easing

    paulo baptista

    Abraços


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola Paulo Baptista,

      Seus relatos são de grande valia por estar exatamente no meio do epicentro desta crise na Europa. Isso só confirma o que havíamos observado algumas vezes, os mercados parecem estar totalmente desconectados com a economia. Notícia ruim pra economia é notícia boa para o mercado (é a "lógica" de Wall Street). Quanto mais a situação piorar, mais dinheiro os bancos centrais irão injetar no sistema financeiro (por mais que esta estratégia seja ineficiente é o que os BCs podem oferecer no momento já que a taxa de juros está próxima de zero). Evidentemente este raciocínio de Wall Street não faz muito sentido, desaceleração no crescimento implica em queda nas receitas das empresas, impactando negativamente os números trimestrais e fechamentos de balanços. O mercado pode estar levantando os ativos no "grito".

      Na minha humilde avaliação, não estaria nem um pouco confortável em abrir posições neste momento nos índices europeus. Este rally dos últimos meses lembra pânico de alta (exagerado e injustificado, por sinal). Alguns índices estão se aproximando do topo histórico, então todo cuidado é pouco. Além do mais, há uma quantidade de ativos podres dentro do sistema financeiro europeu (por exemplo, é impossível a Grécia conseguir honrar com a sua dívida, mesmo no longo prazo) onde não sabemos a real capacidade de solvência de alguns bancos para conseguirem comandar a baixa nestes ativos, ou em outras palavras, assumir o prejuízo e não quebrar. Creio que neste ponto a atuação do BCE será decisiva para evitar um crise sistêmica no interbancário, tal como ocorreu nos Estados Unidos em 2008. Acho que os BCE está mais preparado do que o FED na época, pois tudo aconteceu rápido demais.

      Abcs, bons investimentos

      Excluir
  4. Canal de baixa no intraday foi estourado pra baixo com muita força (vide candle horário) levando junto o patamar psicológico em 60k. Pode até aparecer um respiro, porém a situação de fraqueza do mercado aumentou.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. FI, será que foi um bear-trap hoje?? Viu algo interessante?? As siderúrgicas montaram derivas intraday, se romper as máximas de hj dá compra ao meu ver, curto prazo;
      Ivan

      Excluir
    2. Ivan,

      Foi na média de 200. Acho que não foi bear trap, movimento normal, porque respeitou região de suporte importante. Tendência no curtíssimo virou pra alta, renovando máxima de hoje melhora bastante pra testar LTB.

      Abcs, bons trades

      Excluir
  5. Já era mesmo tempo dos bancos ter uma rentabilidade menor. Alias, este "menor" ainda continuará muito grande para os banqueiros.

    ResponderExcluir